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Céu

Adoro o céu! É aquela personagem que está sempre presente na minha história, para a qual olho e sinto qualquer coisa de muito forte. O céu persegue-me e eu a ele, sempre. Como pessoa temperamental que sou, deixo que seja ele a ditar o meu estado de espírito diariamente e tanto me dá conforto e segurança, como me dá uma irritação terrível.

Não pensem que isto tem alguma conotação religiosa, até porque eu não tenho religião, nem sequer acredito em Deus ou Deuses. Respeito as crenças dos outros, porque acredito que elas lhes dão força para enfrentarem as coisas da vida e porque é um direito de cada um ir buscar forças onde bem entender. Porém, eu não acredito, que se houvesse um Deus ou Deuses, ele(s) permitiria(m) tanta injustiça, como a que há neste mundo.
Desculpem-me os mais crentes, que dirão que a injustiça faz parte do ensinamento de Deus, mas isso é uma treta! Se existisse um Deus todo-poderoso, ele já teria percebido que a altura de mudar de estratégia já tinha chegado, há muito tempo, pois esta não tem dado grandes resultados. Continua a haver guerra, fome, miséria, doenças cruéis e uma data de sacanas impunes. Há gente boa a sofrer p'ra caraças e má com uma vidinha maravilhosa! O castigo está depois da morte? O quê, vão para o paraíso ou para inferno? Que interesse tem ir para o paraíso, depois de se viver o inferno aqui na terra, ou vice-versa? A única vida que sabemos real é esta e é esta que temos que viver o melhor possível, senão nem sequer vale a pena estarmos aqui...
Atenção, não estou, de maneira nenhuma, a enxovalhar as vossas ideias religiosas, como já disse, respeito-as profundamente, mas como as respeito, peço-vos que respeitem a minha descrença e o meu ateísmo!

Poderão dizer-me "quando estiveres em apuros, vais ver se não vais rezar!". Já estive em apuros várias vezes e rezei, fiz mesinhas e tudo o mais que se faz quando se está, realmente, em apuros! Mas continuo a não acreditar que quem me salvou foi Deus ou o Diabo! Acredito no acaso, tanto para as coisas más como para as boas e acredito que nós podemos ter alguma mão nele. Para mim, a vida é constituída por uma quantidade de acontecimentos aleatórios, cuja resolução está na capacidade que temos em lidar com eles. Se lidamos bem, somos felizes; se não lidamos bem, somos uns tristes que se arrastam perante as dificuldades, que se queixam por tudo e por nada e não vivem. E depois da morte? Depois da morte, tudo acabou! Se houver alguma coisa que se lhe segue, nessa altura, preocupamo-nos com isso, pois de nada vale, sofrer por antecipação...

Voltando ao meu céu adorado, que é por ele que hoje escrevo, se mo tirassem, tenho a certeza que morreria... O céu azul, cinzento, negro, com sol, com nuvens, chuva, neve ou estrelas, não pode estar nunca ausente, pois é ele que me tem acompanhado nestes caminhos sinuosos da vida e me tem abraçado com a sua imensidão, sempre que preciso. É a ele, que através de um breve olhar, vou buscar a minha disposição do dia e a forma com que lido com os acontecimentos que me esperam. Se ele não estivesse lá, eu não saberia como viver, não teria aquela disposição, naquele momento, nem agiria daquela maneira naquele instante. Não pretendo com isto dizer, que tenho sempre a atitude certa, mas independentemente de certa ou errada, é a minha maneira de agir e é essa forma de actuar que determina o que sou hoje e o que serei amanhã e, a pouco e pouco, me vai definindo enquanto pessoa.


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