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Menino Autista

Já vos falei de um livro que ando a ler, há uns 2 anos, O Menino e o Cavalo.

Lembram-se que neste livro os cavalos desempenham um papel terapêutico, por estimularem o relacionamento do menino com o mundo que o rodeia?

Ando desconfiada que o J. é o "cavalo" de um amigo dele que é autista ... 

Este facto faz-me sentir orgulhosa por ele ser capaz de se relacionar com uma criança que tem dificuldades de relacionamento. O menino em questão e o J. gostam muito um do outro. Jogam à bola juntos e comunicam de uma forma que se entendem e que não tem muito a ver com o nosso "conceito pré-definido de comunicação". Não usam as palavras como nós, pois o menino repete o que lhe dizem em vez de responder às questões que lhe colocam, mas há um entendimento entre eles e acima de tudo há um enorme desejo, da parte do J., em fazer-se entender melhor e em entender melhor o amigo.

Nesta amizade, as diferenças não são importantes, ou têm apenas a importância necessária para se encontrarem as semelhanças. Acho que ela é muito importante para ambos, para o menino, porque o faz interagir com outra criança, para o J., porque desenvolve a percepção de um mundo repleto de diferenças e ajuda-o a aceitá-las, a respeitá-las e a viver com elas.

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Indicam-me a sala de espera da radiologia. Há uma televisão que vai distraindo as pessoas sentadas, alinhadas, de frente para ela.
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Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…