Avançar para o conteúdo principal

Amigos de Longa Data

Uma das melhores coisas da vida é reencontrar um amigo de longa data! 

Há uns dias, assisti a um reencontro desses, num parque infantil!

Sim, num parque infantil!

Sim, era o reencontro entre duas crianças!

Para as crianças um ano é uma longa data! E as saudades são iguais às que nós temos dos nossos amigos de infância ou de adolescência! O amigo do infantário, ou até do berçário, é tão importante que, às vezes, lembram-no com uma espécie de nostalgia como a que reconhecemos em nós ao relembrarmos a nossas vivências do passado.

Os reencontros dão-nos, a nós e às crianças, uma sensação de reconciliação entre o que fomos e o que somos, que nos acalenta a alma e ajuda a reafirmarmo-nos enquanto seres com um passado e uma história que valida aquilo em que nos tornámos.

No entanto, os reencontros, também, podem ser um factor de desencontro, onde constatamos que o outro já não é o amigo que conhecemos, nem a pessoa de quem tanto gostávamos. Não, porque ele se tornou melhor ou pior, mas porque ambos crescemos em direcções diferentes e os pontos que nos uniam, agora separam-nos ou deixaram, apenas, de fazer sentido.

Mas quando a presença do amigo nos traz um profundo sentimento de identificação com aquela pessoa, há poucas sensações que se lhe assemelhem e vê-las espelhadas nos rostos dos infantes fez-me pensar:

Se há coisa melhor, para uma mãe, do que assistir aos momentos de felicidade dos filhos, eu ainda não a descobri ...


Comentários

  1. Uma mãe só é feliz se os filhos também o forem, são os unicos seres que conseguem "mandar" nas nossas vidas

    ResponderEliminar
  2. Branca e Felina, só os filhos conseguem "mandar" nas nossas vidas, porque só eles têm o poder milagroso de iluminar os nossos dias (às vezes cinzentos) com um simples sorriso!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue

A sesta

Às vezes ainda sinto o cheiro do colchão forrado a plástico impermeável azul do infantário. Volto à sala dos quatro anos, onde, na semi-obscuridade, tento dormir.
Vejo as persianas descidas quase até acima e conto os quadradinhos de luz que saem das duas últimas filas dos estores que ficaram por fechar. Fixo os olhos na luz e na vontade de sair para rua num dia bonito de Verão. Estou aprisionada naquela sala transformada em dormitório infantil e sinto, hoje, a mesma impaciência que sentia pelo fim da hora da sesta.

A Preciosa e a Isabel cochicham junto à porta, enquanto controlam quem ainda não dorme. Estão sentadas nas cadeiras minúsculas e rodeadas por um clarão de luz. Invejo-as por ninguém as obrigar a dormir, por estarem ali na conversa, ao contrário de mim que estou aprisionada no colchão com a cara colada ao plástico azul. Tento descolar-me do colchão, mas o movimento da minha cabeça denunciar-me-ia às educadoras.
Olho para o meu colega do lado, também de quatro anos, que dorme…

Marcadores #6

- A Gabrielle é inocente, podes acreditar! Quando a conheceres vais ter vontade de a defender, vais ver – Cármen estava exausta, por isso Ana resolveu fazer uma pausa na conversa para a mãe descansar. Levantou-se e dirigiu-se à cozinha para ir buscar um copo de água. Quando voltou, abriu a gaveta da mesinha-de-cabeceira e tirou várias qualidades de comprimidos. Olhou para o papelinho que os acompanhava que descrevia as quantidades e horários e começou a separar os que pertenciam àquela hora. Juntou seis que Cármen teria de deglutir uns atrás dos outros. Passou-os um a um, para a mão da mãe, que os tentou empurrar garganta abaixo com a ajuda de doridos golos de água.             Cármen quebrou o silêncio para dizer que guardava cartas trocadas com Gabrielle no tempo em que a amiga trabalhou na Alemanha e que gostava que a filha as lesse. Era uma forma de conhecer Gabrielle, explicou. Apontou para uma caixinha de madeira que se encontrava sobre a cómoda debaixo da janela que continh…

Marcadores #3

O sol baixou para mais perto da linha do horizonte, ficando a um palmo do mar. Tinha-se passado tempo que não senti. Chet Baker tocava, agora, trompete só para nós. “I talk to the trees” pairava pela esplanada em busca do melhor lugar para se aninhar. Aninhou-se ali, entre mim e aquela mulher-menina. Não havia mais ninguém na esplanada, o casal da única mesa ocupada além das nossas tinha desaparecido, por isso o empregado aumentou o som. Faziam-no sempre que não havia gente que se pudesse queixar do barulho. Nunca me queixei. Antes pelo contrário, era essa a razão que me levava a percorrer quilómetros até ali: o jazz, por vezes alto, quanto mais alto melhor, e o sol a pôr-se no horizonte, quanto mais baixo melhor. - É a primeira vez que aqui venho – interrompeu-me, Ana, os pensamentos como se os lesse e precisasse de lhes responder – Costuma cá vir? - Sempre. Quase todos os dias no verão. - Porque não gosta de Direito? – saltava de tema em tema como se todos estivessem interligados. - Não…