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Momentos Eternos

Ontem, fui ver um filme ao cinema, o Super 8. Não o achei nada de especial. Os miúdos têm umas boas interpretações, mas que não são nada de espectacular. 

O que me tocou mais, foi um dos miúdos não ter mãe, que tinha morrido havia pouco tempo. Quando vejo filmes ou leio livros em que tal acontece, penso como seria se isso acontecesse ao meu miúdo... 

Como já disse anteriormente, sou uma cliente habitual do IPO e, por esse motivo, a minha morte já foi uma hipótese mais próxima que distante. Se calhar, foi essa proximidade de me deu força para lhe resistir. Pensar que o meu filho teria de crescer sem mãe, fez com que eu me agarrasse à vida "com unhas e dentes". Este não foi o único motivo que me encorajou a viver, mas foi o crucial. O amor das pessoas que me são mais próximas também ajudou, e muito!

Mas voltando ao filme e às crianças que crescem sem mãe, este assunto deixa-me sempre bastante sensibilizada e fico com aquela perturbadora (e já habitual) sensação que não aproveito todos os momentos em que estou com o J. Acho que devia eternizá-los para que, mais tarde, ele os possa reviver sem mim da maneira mais agradável possível.

A vida passa rápido e se não desfrutarmos dos bons momentos que passamos com quem amamos, ela ainda passa mais rápido ... É bom fazermos pausas no que é supérfluo para conseguirmos aproveitar o essencial ... Afinal, não vamos cá ficar para sempre... (Este pensamento já está muito visto, mas pouco interiorizado, pelo menos por mim ... E, como TPC de mãe, vou escrevê-lo 100 vezes para não me esquecer ... )

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Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

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