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Guerra e Paz

Hoje o dia não me correu nada bem. Chateei-me com o J. por causa dos trabalhos de casa. É sempre a mesma guerra para os fazer! 

Ele fica nervoso, eu fico irritada e é o desatino total! Ultimamente, dá-lhe para ter ataques de histerismo e põe-se aos gritos que nem um louco! Qualquer dia, os vizinhos chamam a polícia por pensarem que eu estou a fazer mal à criança!

Eram trabalhos de matemática e ele embirrou que não sabia fazer um problema. Eu expliquei-lho centenas de vezes, mas ele não tomava atenção nenhuma ao que eu dizia e teimava que não sabia fazer nada daquilo. Era um raciocínio que ele faz "com uma perna às costas", mas hoje, ele não sabia e, por isso era o rapaz mais burro do mundo! Disse-lhe que só não entendia, porque não estava com atenção. Não resultou. Chorou e gritou!

-Ok, vamos fazer um intervalo para te acalmares e depois já consegues pensar melhor! 
Combinámos que a seguir ele fazia-os sem birra. 
Eu fui fazer as minhas coisas enquanto ele fazia o intervalo.

Quando lhe disse que o intervalo já tinha acabado e que ele tinha que voltar ao trabalho, ele confirmou que ia acabar os trabalhos pacífica e rapidamente, porque tínhamos que sair. Só que mal eu me ausentava da sala, ele começava a brincar. Isto uma vez... duas vezes... três vezes... Quando ele ia começar a brincar a quarta vez, eu chego-me ao pé dele, de mansinho, e digo-lhe:
-Amanhã, ficas de castigo!
Ele começa num berreiro que parte o coração mesmo a quem o tem mais frio, quanto mais a mim que me sensibilizo com uma parvoíce qualquer.
-Porquê, mãe? Porquê? - e chorava.
-Porque eu tenho respeitado as tuas dificuldades, compreendo que tu estejas cansado e sei que tens demasiados trabalhos para férias, mas tu também tens que me respeitar a mim e neste momento estás a gozar comigo, porque eu estou aqui há imenso tempo à tua espera para tu estares a brincar!
-Mas... mas...
- Mas... nada! Esperas que eu fale e depois falas tu! - passei-me completamente, mas passei-me a falar baixo e com aspecto de calma (acho eu), o que o deixou desconsertado.

A minha calma obrigou-o a acalmar-se. Ele foi fazer o resto dos trabalhos e de vez em quando dizia "só me apetece chorar", mas continuava a fazê-los. Acabou-os e fomos às compras.
Foi o caminho todo a tentar agradar-me, até mudava o tom de voz, para um mais queridinho. 
Eu nem conseguia falar com ele como deve ser... silenciosamente, estava a tentar juntar os pedacinhos do meu coração!


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Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

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