segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Deixem-se de merdas!!!!

Já vos falei da minha opinião quanto ao ensino em Portugal. Sim, já falei vezes demais sobre este assunto, mas como não me conformo, vou continuar a falar. Nem que seja para as paredes!

A revolta é tão grande que me sinto continuamente a viver num mundo à parte. Como se houvesse uma bolha em volta dos pais, professores e escola de onde eles não conseguissem sair de maneira nenhuma. Sim, a bolha rodeia-os a eles, não a mim! Parece que estão sempre a martelar na mesma tecla, cultivando um sistema completamente obsoleto, centrado em resultados, bons comportamentos, teorias da treta, como se não vissem para além do que lhes é imposto, como se não vissem o óbvio: que os alunos só aprendem se quiserem aprender; que o que interessa não são os fins, mas os meios para atingir os fins; que os bons resultados são o resultado (desculpem o pleonasmo) da vontade e não da imposição.

Merda para estas mentes fechadas em caixinhas minúsculas! Merda para eles, é o que tenho a dizer! Continuem a formar gente deformada e depois venham-se queixar:
"Ai, o meu filho tem más notas e não aprende nada nas aulas.... A culpa é da escola e dos professores!".  - Uma merda!!! A culpa é tua que o obrigas a estudar em vez de lhe abrires a mente à descoberta!

"Ai, os alunos não se sabem comportar na sala de aula e não estão com atenção... A culpa é dos pais!".  - Uma merda, a culpa é tua porque não lhes sabes impor respeito ou interessá-los pela matéria que leccionas!

"Ai, os alunos são mal comportados e tiram notas baixinhas... A culpa é dos professores que não querem fazer nada e dos pais que não sabem educar os filhos!"  - Uma merda, a culpa é tua que entretens os professores em actividades burocráticas de merda em vez de lhes dares tempo e espaço para prepararem aulas minimamente interessantes e que andas a aplicar castiguinhos da treta aos alunos que não lhes adiantam nada na compreensão dos seus comportamentos menos correctos, nem no respeito pelos outros!

Sim, como dizia José Mário Branco no seu famoso FMI, "a culpa é de todos e a culpa não é de ninguém!"

Uma merda, pá! Se querem mudar alguma coisa, façam por isso, em vez de andarem a atirar culpas para cima uns dos outros! Dêem o exemplo aos vossos filhos e alunos, mostrem como se pode construir um presente, um futuro, um mundo, uma vida melhor para todos. Instruam-se, vão aprender a serem melhores profissionais, melhores pais, melhores pessoas! Lutem, caraças! Lutem! Lutem! Lutem para serem melhores, para evoluírem! Não se deixem ficar agarrados ao telemóvel a ler notícias de Facebook e a ver vídeos de gatinhos! Vejam tudo isso, mas vejam mais além! Vejam longe, procurem o horizonte e não se deixem parar por ele que a mudança não é uma miragem. A mudança acontece, é só querermos e mexermo-nos para isso!

Deixem-se de merdas!
Se querem mesmo mudar alguma coisa, podem começar por assinar esta petição, que pode ser o princípio dessa mudança, ou podem fazer outras, mas mexam-se e deixem-se de queixinhas e de culpar o próximo! Movam pessoas, digam coisas, indignem-se, juntem-se, gritem, mas, por favor, deixem-se de merdas!!!!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Às mijadoiras

Respeito quem anda de roupa suja, rota, rasgada ou descosida.
Respeito igualmente quem traz a pele suja; quem cheira a sono ou suor; quem exagera nos perfumes ou quem não os usa de todo; quem não lava a cara, os dentes ou os pés.
Respeito quem se veste com roupas estranhas, desajustadas, excessivamente grandes ou pequenas.

Só não respeito quem mija para fora das sanitas e não limpa o seu mijado. E digo "mija" de propósito, porque esta gente não faz xixi, não urina, mija!
As mijadoiras dizem-se muito limpinhas e que mijam de rabinho no ar para não conspurcarem o dito cujo. No entanto, conspurcam tudo à volta. É que os seus reais rabinhos no ar impedem que o mijo que lhes sai das entranhas acerte dentro sanita... E, porque são muito limpinhas e têm nojo do próprio mijo, deixam-no espalhado por todo o lado, para que a próxima o limpe.

Não, não são limpinhas, minhas queridas, são mesmo porcas!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A miúda

Um dia conheci uma miúda no IPO (na verdade, nunca a conheci pessoalmente, mas de vista). Tínhamos a mesma médica e encontrámo-nos algumas vezes na "sala de chuto" do hospital. Devia ter uns dezasseis ou dezassete anos e tinha a vivacidade própria dessa idade.

Num dia em que tínhamos quimioterapia à mesma hora, ela chegou atrasada. Vinha com uns três ou quatro amigos da mesma idade e queimada do sol.
Era Verão, um daqueles dias abrasadores de Verão, e a miúda tinha ido à praia antes de ir para ali. Tudo normal se ela não estivesse em tratamentos de quimioterapia, já que as pessoas nesta situação não devem apanhar muito sol, porque ficam sujeitas a queimaduras mais facilmente. Mas a miúda, na frescura dos seus dezasseis ou dezassete anos, não quis saber e foi para a praia com os amigos.
Claro que a nossa se médica zangou e ralhou com ela, o que não quebrou aquela alegria de viver, nem a galhofa com os amigos.
Invejei essa alegria várias vezes... O alheamento à gravidade da situação, a inocência, a inconsciência... Até nos momentos mais dolorosos, em que vomitava durante a quimio, aquela miúda mantinha a leveza que só a pouca idade permitia...

Lembro-me dela muitas vezes. Hoje, terá quase trinta anos, uns vinte e sete ou vinte e oito anos... Lembro-a como se lembram os companheiros de cancro, em que a pergunta que primeiro nos vem à cabeça é "Será que ainda está viva?".

Gostava tanto que sim...