quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Das vestimentas e da hipocrisia

Imagem DAQUI
Parece que esta imagem gerou muita conversa por aí...

"Ai que é uma desgraça as egípcias andarem vestidas daquela maneira!"; "ai os direitos das mulheres estão desrespeitados!"; "ai que isto é um insulto à condição feminina!" e por aí fora.
Pelo que uma das jogadoras egípcias disse AQUI não me parece que ela esteja muito chateada por se vestir com aquela roupa toda, antes pelo contrário.

Como já disse neste blogue, sou contra as religiões, não gosto, acho que não deviam existir. Mas como também sou a favor da liberdade, acho que cada um tem o direito de acreditar naquilo que quiser e de se vestir de acordo com aquilo que quiser.
Ainda sou mais contra as religiões misturadas com os governos dos países. Acho que nunca se podem misturar, porque comprometem a liberdade de todos os que não têm religião. E não ter religião é um direito igual ao de ter.

No fundo, o que me perturba mais aqui não é a roupa das moças. De nenhuma delas. No fundo, no fundo, estou-me marimbando para a roupa que cada pessoa veste, seja qual for a situação em que se encontre. 
(Se chegaram aqui a pensar que iam encontrar um fashion blog, podem dar meia volta que não há nada disso neste canto!).

O que me perturba, como é costume, é a hipocrisia de quem vem de arma em punho defender quem não quer ser defendido, ou quem não pediu ajuda; é a hipocrisia de quem acha o hijab uma coisa muito estranha e acha normal as beatas não entrarem nas igrejas de mangas de cava, mini-saia e sem véu na cabeça. Ou os bancários serem obrigados a vestir fato e gravata, ou as mulheres que vestem uma roupa mais provocante serem consideradas putas, ou descaradas ou de má vida, ou as pessoas tatuadas serem consideradas de má índole ou de pouca confiança, ou os gordos serem visto como sujos e repelentes.

Isso sim, provoca-me náuseas. Porque quem defende a não-discriminação, deve ser o primeiro a não discriminar.
É como ver homossexuais a criticar a forma de vestir deste ou daquele e a chamarem-lhes nomes; ver negros a dizer que uns são mais pretos do que outros e que, por isso, têm menos direitos; ver defensores dos animais a dizer que esta ou aquela pessoa merece morrer por não vestir fatinhos ao cão. 
Verdade, já vi cenas tristes destas! Já ouvi barbaridades desta espécie! 

Porra, mas que raio de não-discriminação é que defendem? A própria e unicamente a própria? Isso é ser igual aos que discriminam. Iguaizinhos!

Salvaguardar o coiro e estar a lixar-se para os outros não é fixe! Não é "p'rá frentex"! É antiquado e retrógrado.

Deixem os outros em paz e aceitem-nos. Só. Abram-se ao mundo e deixem-no entrar.
Esqueçam a merda dos rótulos. Ser cigano não é ser ladrão, ser preto não é ser escravo, ser homossexual não é ser anormal, ser muçulmano não é ser terrorista, ser mulher provocante não é ser prostituta, ser prostituta não é ser má pessoa, ser engravatado não é ser de confiança, ser gordo não é ser nojento, ser "amigo dos animais" não é ser bondoso...

Ser pessoa é ser pessoa. Em todo o lado, seja qual for a raça, religião ou vestimenta. Umas boas, outras más. Abram os olhos e vejam quem têm à frente, de uma vez por todas! E, por favor, deixem-se de hipocrisias!

*Desculpem o palavreado, mas este post estava a pedi-lo!

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