quinta-feira, 10 de setembro de 2015

domingo, 6 de setembro de 2015

Saudades

Tenho saudades do meu amor. Da quietude com que nos amamos baixinho nas entrelinhas da conversa quotidiana. Sem o estardalhaço das paixões passageiras ou o ruído das rotinas.
Tenho saudades de nós dois, sozinhos.

sábado, 5 de setembro de 2015

O Tuga é Fixe!

Sim, o tuga é fixe. E bondoso. Tão bondoso que até quando tira a selfie em frente ao velho monumento, o faz com cara de anjo e dentes arreganhados. Não interessa o calhau que lhe serve de fundo, interessa apenas o sorriso repleto de bondade. Resplandecente de bondade. 
A benevolência é tal que está sempre pronto a dar o pedaço de pão ao pobre, a fazer o voluntariadozinho junto dos coitadinhos, a salvar o cão que lhe matou o filho, a levar o refugiado para casa... Coração imenso, grandioso.

Só tem um bocadito de medo de votar diferente nas urnas, não vá um estranho para o poder e lhe troque as voltas. E mude alguma coisa no país que o faça deixar de saber onde está o coitadinho, como se pode desviar do pobre, se cortaram as unhas ao cão ou quem é o refugiado. E tem medo de exigir que os governos governem e que a igualdade se torne realidade. (É que estas coisas acabadas em "ade" sempre foram tão perigosas... Assim como a liberdade que, ao fim de quarenta anos, ainda não sabe bem como gerir.)

Oh, mas está completamente disponível para receber refugiados em casa! (Até porque os cãezinhos fazem mais porcaria e precisam de espaço para correr...) O refugiado pode ficar no chão do quarto dos miúdos ou no sofá da sala e ainda lhe vai agradecer. Sim, agradecer e dizer ao amigos lá da terra dele que o tuga é fixe. Que o tuga é muito fixe. O tuga é tão fixe que até lhe serve comida quente ao jantar. E ensina-lhe umas palavrinhas em português, vá.

Mas impor-se como um homenzinho e obrigar o governo a fazer frente à Europa para evitar que estes povos abandonem as suas terras e se atirem ao mar em desespero? Eh pá, isso já não dá! Eh pá, isso já não é nada cool. Eles podem chatear-se connosco e atirarem-nos para o fundo da sala de aula com umas orelhas de burro. E isso não é fixe. As orelhas de burro não cabem nas selfies e fica feio. (Se fossem umas orelhas moucas, ou assim... Isso já lhe dava um certo charme, à lá povo rico e elegante.)
Não interessa que dêem à costa mais mortos que algas. Enquanto forem lá longe, o tuga disponibiliza-se a receber os que sobreviverem.
Só os que sobreviverem, claro, que para aturar mortos, o tuga não tem paciência!

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

No Meu Colo

É incrível que quando vens de manhã deitar-te a meu lado, o abraço que me dás continue a ser com aqueles braços pequeninos de há anos.
O estado semi-adormecido em que me encontro não distingue os anos que já passaram. Sinto as tuas mãos pequeninas a apertarem instintivamente o meu braço, como se ainda não conseguissem controlar a força ou o movimento; como se, ainda, tivessem os dedos gordinhos e minúsculos. 
Abro os olhos e estás grande, mas a expressão do teu rosto é igual à do bebé que me cabia no colo. De certa forma, continuas a caber-me no colo... 
O meu peito abraça-te, não os braços. E com o peito podemos abraçar o mundo. Cabe-nos tudo cá dentro. E tu, mesmo quando não estás, estarás sempre aqui dentro. No meu peito. E no meu colo.
De certa forma, continuarás sempre a caber-me no colo.