domingo, 12 de julho de 2015

Revelações dos 40

Engraçado ter de chegar aos 40 anos para perceber esta coisa da essência do amor...
Olhar para trás e ver o quanto andávamos enganados quando julgávamos que nos amavam e afinal só nos queriam como adornos, ou porque éramos giros ou porque ficávamos bem num conjunto de gente igual a nós.
Concluir que a beleza física é realmente um factor determinante nas relações pessoais, que é até capaz de incluir imbecis e rejeitar génios e que tem esse enorme poder de nos ludibriar, é revelador da idiotice de uma grande parte da nossa vida guiada por ideais estéticos e desolador quando tentamos encontrar aí algum significado.
E é também revelador apercebermo-nos, aos 40, da diferença que provocamos nos outros se tivermos dez quilos a mais e constatar que somos muito menos inseguros agora, que não temos um corpo magro, do que quando correspondíamos às medidas de uma manequim. É revelador e irónico ao mesmo tempo. 
Mas sentir que, apesar de excluídos das selfies da gente bonita nas festas e de vermos os convites para encontros reduzidos, agora somos livres, livres de sermos nós verdadeiros, inteiros e imperfeitos, e que mesmo assim, fora dos padrões estéticos, quem nos ama, ama-nos no matter what e quem não nos ama, nunca nos amou.


2 comentários:

  1. Penso que a isto se chama amadurecer (com sabedoria)!

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  2. A partir dos 35 abrimos os olhos, isso sim!

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...