sábado, 27 de junho de 2015

Elderinas à Vista

No carro.
- Mãe, olha, vão ali as Elderinas!
Olho e só vejo duas raparigas de costas que não consigo reconhecer.
- Como sabes que são as Elderinas?
- São, claro que são! Quando vão duas raparigas loiras a andar muito direitinhas e com as cabeças a rodar para um lado e para o outro como se estivessem a observar tudo à sua volta e a achar tudo maravilhoso só podem ser Elderinas!
Passamos as supostas Elderinas e eu olho para trás para ver se o J. tinha razão. Tinha, eram elas.
- Vês, mãe, como são elas!

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Elderinas = Nome que carinhosamente demos aos membros do sexo feminino da Igreja Mórmon.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Aquelas Coisas Pré-Históricas

Estávamos à espera para pagar na bomba de gasolina que o funcionário atendesse um senhor que trocava uma bilha de gás. O J., que observava atentamente a cena, pergunta-nos:
- Há quem use estas coisas?
Eu, que estava distraída a falar com o pai, pergunto:
- Quais coisas?
- Coisas como aquela que aquele senhor está carregar... Aquelas coisas são pré-históricas, não são?



segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Clube

Entrei para o clube dos "entas", dizem. E o que há por aí, pergunto. Dizem que é diferente dos "intas". Será? Não sei. Sei que a partir de determinada altura nesta vida deixei de acreditar que aqui chegava. Cheguei. Estou cá para o que der e vier, sem medo de envelhecer, a adorar a possibilidade de envelhecer. Quero mais, muitos mais anos. 
Que venham eles! Sem medos!

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sábado, 20 de junho de 2015

É Deixar Alourar...

Eu sei, eu sei, ando desaparecida... 
Mas vou voltar! Não abandonei este blogue, juro! Fui só ali fazer uma descida de QI.
Mais ainda?, perguntam vocês.
Claro, amigos, para lá das loiras estão as loiríssimas e eu fui alourar mais um bocadinho, pois andava a ficar a modos que deprimida (ver vídeo de post anterior, por favor).


terça-feira, 9 de junho de 2015

Pressa

A pressa de crescer revela-se na urgência da independência que se pensa sinónimo de liberdade.
Infelizmente não é.

Como se explica isto a um catraio de onze anos sem lhe destruir as ilusões?

Não Gosto de Princesas!

Estava aqui a pensar porque não gosto nada da ideia das princesas e no quanto me irrita chamar-se princesa a tudo o que é menina...
Enquanto criança sempre quis ser índia. As princesas pareciam-me sempre demasiado inactivas, não faziam nada senão esperar que os cavaleiros as viessem buscar ao cimo das torres onde alguém as tinha prendido. Já as índias conduziam canoas, andavam a cavalo, costuravam roupas com peles de animais e viviam entre os animais. Tinham uma vida muito mais interessante e, na minha opinião, eram muito mais bonitas. Adorava os cabelos longos e negros, as roupas de cabedal com missangas e franjinhas, as tranças e as penas coloridas.
Pelo contrário, as princesas viviam apertadas em espartilhos e passavam os dias em frente ao espelho a pentear uns cabelos demasiado desenxabidos e à espera de um príncipe que nunca mais vinha. Demasiado monótono para quem, como eu, gostava de aventuras e de trepar às árvores e detestava esperar. Se tivesse de escolher entre a vida das princesas e a dos príncipes, por exemplo, sem dúvida que escolhia a dos príncipes. Eles sim tinham vidas entusiasmantes, passavam os dias a cavalo, trepavam às torres, lutavam com dragões e com outros cavaleiros e não se preocupavam com as unhas ou com os cabelos desalinhados.
Ainda hoje não gosto do que se relaciona com princesas. Sou pelo conforto acima do bonito, raramente pinto as unhas, maquilho-me poucas vezes e apenas de forma básica, não uso saltos altos a não ser que seja estritamente necessário, não gosto especialmente de malas e sapatos e detesto estar dentro de roupa que me aperte (o que visto justo tem de ser confortável).
Resumindo, continuo ainda hoje a encaixar-me mais no perfil da índia ou do príncipe do que no da princesa e, talvez por isso, me pareça redutor adjectivar as meninas de princesas, porque as vidas das princesas sempre me pareceram demasiado reduzidas, pequeninas até. Passar o tempo em redor de um espelho e à espera que alguém nos traga uma vida numa bandeja é entediante, e redutor, muito redutor, e encaixar as meninas, futuras mulheres, neste padrão chega a ser ofensivo.
Pelo menos para mim é.

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quinta-feira, 4 de junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Tempo

Vivemos com o tempo desajustado. Vivemos um presente de olhos postos no futuro. Preparamos os filhos para uma vida que virá e esquecemo-nos que eles não são só futuro. São presente e passado. 
Idealizamos as fases da vida em tempos estranhos: as crianças serão amanhã; os velhos foram ontem e os adultos são o presente. Presente envenenado. 
Roubamos a vida aos velhos e às crianças acreditando que estão fora dos seus tempos. Não estão. Estamos nós. Completamente enganados.