quarta-feira, 22 de abril de 2015

#4 Excertos de Uma Coisa Qualquer

As canetas de feltro estavam espalhadas na mesa que fazia de toucador e secretária em simultâneo. Rita trocava de caneta consoante a cor de que queria pintar o céu , a casa, o sol. Tentava não ouvir a mãe que não parava de falar e de arrumar coisas nas malas.
- Em casa da avó vais poder brincar no jardim, andar de baloiço, dar de comer às galinhas e brincar com os coelhinhos. Adoras brincar com os coelhinhos, não adoras?
- Sim, mãe. - responde Rita enquanto mostra o desenho ao pai que a observa em silêncio.
- A avó faz bolinhos muito bons. Ao pequeno-almoço vais ter bolinhos acabados de fazer, ainda quentinhos, e vais poder ouvir os passarinhos a cantar. Eles cantam muito alto de manhã. - continua a mãe.
- E a escola, mãe? Vou deixar de ir à escola?
- Só por uns tempos. Depois voltas.
O pai levanta-se da cadeira ao lado da filha e dirige-se à janela. Olha o parque de estacionamento do hotel lá em baixo e pergunta a Rita:
- Porque não fazes um desenho de nós dois a brincar para o pai levar? Podia pendurá-lo na parede... como se fosse um quadro.
- E com a mãe? Assim ficávamos os três pendurados na parede para sempre como num quadro.

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