sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Aproveitar a Vida

O J. ditava-me as referências multibanco enquanto eu fazia os pagamentos da electricidade, telecomunicações e água.
- Tantos pagamentos, mãe! Isto nunca mais acaba!
- E ainda falta o gás, a casa, o condomínio...
- Bem, é mesmo melhor eu aproveitar a vida agora, enquanto posso...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Joanes

Eu e o bicharoco fomos fazer uns recados a nós próprios. Fomos a pé para contrariar o comodismo e aproveitámos para conversar sem o stress do trânsito. 
- Mãe, as pessoas mudam conforme vão crescendo?
- Sim, claro que mudam.
- Então, se a maioria dos meus colegas é parva, quando eles crescerem podem deixar de ser?
- Sim, ou tornar-se mais parvos. Conforme as pessoas vão crescendo, vão mudando, umas vezes para melhor, outras para pior. Mas não podes dizer que a maioria dos teus colegas é parva. Não é verdade!
- É. São quase todos.
- As pessoas podem ter coisas parvas e não ser parvas. Por exemplo, eu tenho coisas parvas, mas também tenho umas fixes. Tal como tu e toda a gente. Ter coisas parvas não quer dizer que sejamos completamente parvos.
- As pessoas mudam como?
- Mudam com as coisas que lhes vai acontecendo na vida. Com o crescimento, vão descobrindo coisas novas, vão deixando de dar importância a algumas coisas e passando a interessar-se mais por outras. Vão aprendendo com os erros e, por isso, mudando.
- Ainda bem.

Música Que Me Beija

O som vinha do teu quarto. Podia ser do meu, mas não, era do teu. Conseguia ouvir-te cantarolar a música que saía do teu rádio num nhó-nhó-nhó que me levou numa nuvem vinte anos para trás. 
Aterrei algures entre a adolescência do teu pai, que nada fazia sem música, e a minha juventude ainda muito agarrada a sonoridades do passado. Música, que ele me foi apresentando enquanto arrumava o quarto e falávamos da escola, ou comíamos pão quente para lá da meia-noite. Música, que nos uniu e consolou quando a dor da separação nos corroía os corações inexperientes. Música, que abraçou este amor e o ajudou a fazer-se maduro. Música, que ainda hoje ouvimos a pensar em nós.
O som que vinha do teu quarto encheu a casa da minha juventude e tu apareceste-me numa versão tão boa do teu pai. Numa versão tão boa de ti, em simultâneo. Vi dez anos do bebé que me saiu do ventre tão perto de me sair, agora, debaixo da asa e florescer num homem. 
Sei que ainda falta, mas em breve, quando levantares voo, carregarás nesse corpo que se faz homem, todo o amor, e a toda música que, desde há vinte anos, imprimem o teu pai em mim.

A Esplendorosa Precariedade (parte II)

Depois começas a trabalhar. Trabalhar num callcenter é como entrar todos os dias para uma fábrica à boa maneira do fordismo, com chamadas a cair em sequências avassaladoras e o discurso que quase se embrulha quando terminas e recomeças sem respirar: “Posso ser útil em mais alguma coisa? Então, em nome da NOS, um bom dia. Muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”. Mas também há longas horas em que o sistema não funciona e tu não podes pegar no telemóvel, fazer uma pausa – por que as pausas estão quantificadas e só tens direito a 10 minutos por cada 1h30 de trabalho – ler um livro ou utilizar a internet. Trabalhar num callcenter é teres de pedir autorização para ir à casa de banho, para comer e até para te levantares e esticar as pernas. A tua função é esperar: que haja base de dados, que o sistema funcione, que te mandem fazer alguma coisa. E depois voltas a entrar na engrenagem: “Estou sim, muito boa tarde, o meu nome é Paula e estou a ligar-lhe da NOS”.
Veio DAQUI

Precariedade Em Todo o Seu Esplendor

"Os hipermercados são um lugar horrível: cínico, falso, cruel. À entrada, os consumidores limpam a sua má consciência reciclando rolhas e pilhas velhas, ou doando qualquer coisa ao sos hepatite, ao banco alimentar ou ao pirilampo mágico. Dentro da área de consumo, cai a máscara de humanidade do hipermercado: entra-se no coração do capitalismo selvagem. O consumidor, totalmente abandonado a si próprio (é mais fácil de encontrar uma agulha num palheiro do que um funcionário que lhe saiba dar 2 ou 3 informações sobre um mesmo produto), raramente tem à disposição mercadorias que, apesar do encanto do seu embrulho, não dependam da exploração laboral, da contaminação dos ecossistemas ou de paisagens inutilmente destruídas. Fora do hipermercado, os produtores são barbaramente abusados pelo Continente (basta que não pertençam a uma multinacional da agro-indústria), que os asfixia até à morte e, quando há um produtor que deixa de suportar as impossíveis exigências que lhe são impostas, aparece outro que definhará igualmente, até encontrar o mesmo fim. Finalmente, nas caixas do hipermercado, para servir o consumidor como escravos idênticos aos que fabricaram os artigos comprados, estamos nós.
O hipermercado está portanto no centro da miséria que se vive hoje no mundo. O consumidor, o produtor e nós temos uma missão comum: contribuir para que os homens mais ricos do planeta fiquem cada vez mais ricos – contribuir para que a riqueza se concentre como nunca antes na história. Se somos todos diariamente roubados e abusados, é por este mesmo e único motivo.
Mas o pior de tudo é mesmo o que acontece durante o tempo de trabalho. Os meus superiores querem que eu esteja as 4 horas sentada a render o máximo que é humanamente possível, por isso, dificultam ao máximo as minhas pausas – que são legais e demoraram séculos a conquistar – para ir comer qualquer coisa ou ir simplesmente à casa de banho. A única coisa que me autorizam a levar para junto de mim, no meu posto de trabalho na caixa, é uma garrafinha de água previamente selada e nada mais. De resto, o que levar para comer e beber (sumos e iogurtes líquidos não podem ir comigo para a caixa) tenho que deixar no Posto de Informações e só tenho acesso quando da caixa telefono para lá. Normalmente, no Posto, fazem que se esquecem desses pedidos, passando uma eternidade até eu finalmente conseguir ir comer. E, quando a muito custo lá consigo obter autorização para ir comer, sou pressionada para ser ultra rápida, pelo que em vez de mastigar estou mais habituada a engasgar-me. O mesmo acontece com as idas à casa de banho, sempre altamente dificultadas.
Vindo DAQUI através DAQUI

Viagem pela Solidariedade

DAQUI
Ontem, andava eu e o meu pimpolho de carro pela terrinha quando avistámos um senhor com ar de sem-abrigo que houvéramos visto umas horas antes pela primeira vez. Ao constatar isto, disse ao pimpolho:
- Olha, não é aquele senhor que vimos há bocado a apanhar qualquer coisa do chão?
- É!
- Deve ser um novo sem-abrigo aqui, nunca o tinha visto. É incrível como cada vez há mais... Esta terra teve momentos em que não tinha nenhum e agora há tantos...
- Ele apanhou o saco e deitou-o no lixo.
- Foi? Não reparei, como fui buscar o bilhete do estacionamento, deixei de olhar para ele.
- O senhor é tão magrinho, não é, mãe?
- É, J.. Faz-me muita impressão estas pessoas assim, sem casa e a passar fome. Apetecia-me fazer mais qualquer coisa por elas.
- Porque não fazes?
- Não sei, talvez por fraqueza. Acho que, se me aproximar delas, envolvo-me muito e apetece-me dar-lhes mais dinheiro do que aquele que posso dar. Além de sofrer muito intensamente os problemas dos outros e, tenho medo, de acabar por ser mais um estorvo do que uma ajuda. De desatar a chorar com elas em vez de as ajudar. Se calhar, é um bocado egoísmo da minha parte não fazer nada. Acaba por ser para me proteger. Se calhar não, é mesmo egoísmo.
- Pois é, mãe, por isso podias tentar... Como estás desempregada podias tentar ajudá-los e assim fazias coisas não só para ti, mas também para os outros. Vá lá, mãe!
- Vou pensar nisso com carinho.
- Mas, pelo menos, vamos fazer aquela coisa do IRS, não vamos?
- Não sei, J., estava a pensar fazer isso para a Acreditar.
- O que é a Acreditar?
- É uma instituição que dá apoio a crianças com cancro.
- Só às crianças?
- Sim. 
- As crianças também têm cancro? Onde? Assim como tu tiveste, têm aquela coisa de cair o cabelo?
- Sim, também têm. A mim não me caiu o cabelo todo. O cancro pode ser, mais ou menos, em qualquer parte do corpo. E o cabelo não cai com o cancro, já te expliquei, cai com os medicamentos para o tratar.
- Sim, ok, mas o cabelo cai...
- Mas não é com a doença, é com os tratamentos. Nem sempre cai ou nem sempre cai todo. E quando cai, depois cresce outra vez.
- O que é que se sente? Com o cancro?
- Os sintomas diferem consoante o tipo de cancro, mas na maioria deles as pessoas sentem cansaço, suores frios nocturnos e, às vezes, têm febre.
- Tu tiveste isso tudo?
- Sim, menos a febre.
- É por isso que queres fazer isso do IRS para essa instituição? Por teres tido cancro?
- É, e acho importante apoiar-se as crianças que estão a passar por ele. Estava a pensar nesta instituição, mas tenho que falar com o pai primeiro, o IRS é dos dois.
- E para os sem-abrigo?
- Acho que só dá para uma instituição, mas vou ver.

DAQUI

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vacinar?

Não sou extremista quanto ao tema das vacinas. Acho que os pais têm o direito de decidir o que acharem melhor para os seus filhos em todas as áreas das suas vidas, mas com apenas uma pequena ressalva: Desde que não ponham em risco as suas vidas deliberada e desnecessariamente.
Deste modo, vacinar ou não vacinar é uma decisão que lhes compete, mas unicamente quando devidamente fundamentada, porque tomar uma decisão destas, que põe em risco a vida das suas crianças, e das crianças dos outros, não pode ser apenas sustentada em crenças pseudo-religiosas, há que provar cientificamente que os malefícios das vacinas são superiores aos benefícios e provar através de estudos credíveis, não de balelas pseudo-científicas. De outra forma, estes pais estarão a cometer crimes idênticos aos de quaisquer outros fundamentalistas religiosos. E aí, não há tolerância que me valha, pois se há coisa que me deixa louca é sacrificarem-se pessoas por questões religiosas e ainda pior quando se tratam de crianças.

Por isso, não consigo ler notícias destas e destas sem ficar mesmo muito preocupada. 
Os pais que optam por não vacinar os filhos, além de não protegerem os seus de doenças já quase erradicadas em muitos países, estão a contribuir para que estas voltem em forma de epidemias.
Parece-me que esta escolha só deveria ser possível quando/se as pessoas tivessem a capacidade de proteger os não-vacinados e os que lidam com eles de uma forma igualmente eficaz à das vacinas na prevenção da infecção e da contaminação. Visto, segundo o que me foi possível apurar, não existir outra forma igualmente eficaz, não me parece plausível a opção de não vacinar, ou estes pais correm o risco de tomar uma decisão irresponsavelmente criminosa.

Mas nada melhor do que lerem este texto de um senhor que tem a incrível capacidade de escrever, ainda por cima maravilhosamente, aquilo que penso.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Parece Que Acertei Em Tudo...

... menos em quem iria ganhar os Otávios (homens dourados com os braços escondidos). Foi um pleno, pois falhei todinhos!

Ainda bem que não jogo no Euromilhões.

Deficiência Educativa

Li este artigo e fiquei cheia de pena não do menino autista que acabou por ter a festa que merecia, mas dos coleguinhas faltosos que estão a ser tão mal educados pelos progenitores que se irão tornar nuns adultos pavorosos.
Tenho pena das crianças de agora que não sabem lidar com a diferença de uma forma saudável e dos adultos de amanhã que irão deformar ainda mais este mundo. Também tenho pena do mundo, que em vez de evoluir para melhor, se irá perder nas garras de gente deficiente de afectos, de estruturas emocionais, de tolerância, repleta de ideias discriminatórias e preconceitos. 
Fico triste em enxergar que a geração que seguirá a nossa é uma geração portadora de tão grande incapacidade em respeitar o outro e que, por isso, esteja a formar uma sociedade completamente aleijadinha de valores.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

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Na Escuridão das Palavras

Procuro-me no escuro das palavras. Vasculho-me nas intermitências das vírgulas e no impasse das reticências. 
Tento descobrir-me em uníssono, mas é em coro que me oiço. Gritam-me por dentro palavras alheias. Bradam vozes difusas que se dissipam a cada respiração. 
Pudera eu suster o ar que me faz viva e acordaria o som que é o meu.

DAQUI

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

5 Razões Porque as Estrelas Porno Odeiam "As 50 Sombras de Grey"


Com tanta gente a odiar as 50 Sombras, já me começa a apetecer gostar só para ser do contra.


O Processo das Coisas

Hoje, estou um caco. Gostava de poder ficar nesta "caquice", mas não posso. Seria muito feliz se pudesse enfiar a cabeça na areia e ficar por lá a ter pena de mim. Mas, infelizmente, isso não é possível.
Tenho que ser capaz de engolir as críticas, processar os pontos a melhorar e crescer mais um bocadinho nisto que é "escrevinhar cenas". 

Custa-me muito isto de dar mais de mim às coisas. Dou às pessoas, mas às coisas ainda não me habituei. É mais confortável agarrar-me à ideia de que gosto de muitas coisas e se alguma delas exigir um bocadinho mais de mim, virar-me para outra até ela se tornar tão exigente que tenho de me virar para ainda outra. E outra, e outras, até já não haver mais coisas para onde fugir.

Esta maneira de ser é muito cómoda, porque além de não chegar nunca nem perto dos meus limites, em nada, posso dizer que sou uma pessoa com variados interesses, o que fica sempre bem.

"Oh, tem uma cultura geral imensa!" Chique, não é?

"E desenvolver os assuntos, sabe?" Pois...

Acreditar que isto faz tudo parte de um processo ajuda. Ajuda muito, na realidade. Foi agarrada a esta crença que me atirei a escrever hoje. Já escrevi imenso. Nada de que goste é certo, mas imenso. Até este texto já me mete nojo e apetece-me apagá-lo. Não o vou fazer. Estou neste masoquismo terapêutico que não posso abandonar ou corro o risco de me encontrar enfiada no buraco à procura de qualquer outra coisa extremamente interessante a que me agarrar e a chorar a tristeza de ser péssima a escrever.

Vale-me o logro do processo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Como Foi o Meu Carnaval?

Foi um dia precisamente igual aos outros.

DAQUI

É que não é coisa que se festeje por aqui.

Estranhas Vontades

Depois de ler ISTO começou a dar-me uma estranha vontade de ler as 50 Sombras. Ou de ver o filme, vá, que deve ser mais fácil.
Só para poder criticar com conhecimento de causa.

DAQUI

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Dizes-me Amor, Mesmo Quando Não o Dizes

O vazio enche o meu corpo à tua ausência e instala-se no lençol frio a meu lado. Gela a metade da cama que tento aquecer. Sem sucesso. Palavras que não dizes porque não estás, mas que adivinho na sabedoria de ti que os anos me ofereceram.
Espero em vão o teu regresso. Na incauta procura da tua voz por entre o silêncio que me rodeia descubro o dom de te ouvir dentro mim. 

Dizes-me amor. Dizes-me sempre amor, mesmo quando não o dizes.

Sinto-te a falta nas palavras como no corpo gelado pelo lençol. Sinto-te a falta no abraçar nu que a pele transcende. Sinto-te a falta no som e no cheiro. Sinto-te a falta na consumação daquilo que juramos em silêncio no movimento dos corpos radiantes de paixão.

Só o teu regresso apaga este vazio transbordante de ti implícito. Fala-me de trivialidades da vida e da essência das pessoas. Absorve-me na telepatia que construímos, onde todas as frases dizem mais do que aquilo que dizem. Edifica a certeza que me dizes amor. 

Que me dizes amor, mesmo quando não o dizes.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Início do Fim

No caminho das compras para casa.
- Tenho tantas coisas para fazer e não me apetece nada! - desabafei.
- O que é que tens para fazer?
- O jantar, tirar a loiça da máquina, estender a roupa, pôr mais roupa e loiça nas máquinas, etc, etc...
- Oh mãe, tu tens que te divertir mais... Eu podia ajudar-te mais...
- Não, J., tu já ajudas muito. Além disso, eu estou em casa e tu estás a "trabalhar" na escola o dia todo. Não fazia sentido tu e o pai virem da escola e do trabalho cansados e ainda terem imensas coisas para fazer, estando eu em casa. Eu tenho mais tempo, por isso posso fazer lá mais coisas.
- Mas tu devias era divertir-te, aproveitar a vida. Saíres de casa e ires andar de bicicleta. Já só tens um ano!
- Já só tenho um ano? Então, porquê?
- Um ano não, uns meses.
- Uns meses? Só? Porquê?
- Porque daqui a uns meses fazes quarenta anos!
- E depois dos quarenta já não me posso divertir?
- Sim, mas já começas a ficar velhota!
- Velhota? Aos quarenta?
- Sim, é aí que começas de ficar velhota.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Informaçãozinha Que vos Vai Dar Muito Jeito

Informei no Facebook, mas esqueci-me de informar aqui. (Bah! Falha imperdoável!)

Aqui a vossa blogger-preferida-mais-linda (eh eh eh!) começou a escrever no portal DoBebé.com
E porque é que esta informação(zinha) vos vai dar muito jeito, perguntam vocês?

Porque se me quiserem encontrar noutro sítio já sabem que estou por lá com as minhas crónicas Diz A Mãe D'Um... e se não me quiserem encontrar (claro que também há esta hipótese que isto aqui é uma democracia, e lá também!), mas gostarem de saber cenas sobre os vossos bebés, sobre vocês enquanto mães, sobre a vida ou ler o que outras cronistas têm a dizer, fujam de mim, coloquem o portal DoBebé.com nos vossos favoritos e visitem-no amiúde.

Deu ou não deu jeito a informaçãozinha, hã? 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sai ao Pai

Quando via o treino do meu rebento, uma mãe de um miúdo novo que estava sentada a meu lado pergunta-me:
- O seu filho é o J., não é?
Devo ter olhado para ela com um ar um bocado assustado, pois quando me fazem esta pergunta assim de chofre fico sempre com a sensação que me vão dizer que ele fez uma asneira qualquer.
- Sim, é. - respondo a medo.
- Ele é um menino tão educado... Quando chega aqui vai ter com os outros e cumprimenta-os a todos. Diz "boa tarde" a toda a gente, até a nós.
Fiquei sem saber o que dizer. Saiu-me:
- Sim, ele gosta muito de cumprimentar as pessoas.
E pensei "sai ao pai!".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Dia Mundial Da Luta Contra o Cancro

DAQUI
Sempre.

Como Evitar a Chegada De Uma Gripe Em 5 Segundos

Lá no quarto oiço o J. espirrar e tossir várias vezes.
- Não vais escapar a ficar doente, não vais não! - digo-lhe.
- Boa! Assim, não vou poder ir à escola! - responde-me todo contente.
- Também não vais poder ir ao basquete.
- Porra, então tenho que ficar bom depressa!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Caverna Da Violência

Agora que acabei com a parvoíce dos Otávios, apetece-me virar-me para coisas mais sérias como, por exemplo, a questão da violência doméstica.

Acho piada que, hoje em dia, os temas noticiados sigam uma moda. Assim como aqui nos blogues e nas redes sociais, a comunicação social entra nestas andanças de nos bombardear com o mesmo assunto enquanto lhe dura a fama e depois, quando a opinião pública fica saturada, esquece o assunto como se este nunca tivesse existido.
Noto que, de repente, tudo o que produz notícias fala da mesma coisa, ele é urgências hospitalares, jihadistas ou casais a matarem-se.
De repente, todos os hospitais têm mortes nas urgências devido a demasiado tempo de espera (pessoalmente, já passei dias quase inteiros à espera de ser atendida nas urgências e há muito tempo, não recentemente), todos os bairros têm um grupinho de jihadistas e há vários maridos a matar mulheres. Portanto, tudo coisas que anteriormente não aconteciam. Novidades fresquinhas.
Claro que o facto de não serem novidades não quer dizer que não se fale neles, mas o bombardeamento com o mesmo assunto, como se acontecesse só a partir do momento em que o mundo olhou para ele e de forma tão intensiva que o torna tão corriqueiro quanto cansativo, faz-me impressão, porque lhe tira a seriedade que lhe é devida.

O caso das urgências é flagrante.
É verdade que o presente ministro da saúde tem conseguido estragar na perfeição os nossos hospitais em geral e o SNS em particular. Em matéria de estragar o senhor é exímio. Temos que lhe dar o devido crédito. Mas dar as notícias das mortes nas urgências como se antes não acontecessem parece-me um bocado forçado e de um jornalismo feito em cima do joelho e, a modos que, "popularucho".

Como disse no princípio deste texto, queria falar de violência doméstica e vou fazer um esforço para não fugir ao assunto. Prometo.

DAQUI
Infelizmente, a violência doméstica é uma prática ancestral. Todos estamos familiarizados com a imagem do homem das cavernas a puxar a mulher pelos cabelos. Por mais estranho que possa parecer, ainda há quem ache normal um homem dar uns tabefes à mulher quando ela se porta mal. Assim como se ele fosse uma espécie de educador daquele ser considerado inferior e assim como se alguém tivesse o supremo saber para avaliar o comportamento do outro e puni-lo por esse mesmo comportamento.
Não acredito nisto como argumento para se castigarem as crianças, acredito ainda menos quando aplicado a adultos.
O problema maior aqui, se é que há problema maior do que o de agredir quem é suposto amar-se, é que às vezes a punição já nem sequer é suportada por qualquer argumento. Chega-se ao ponto de se punir o outro por tudo e por nada. Chega-se ao ponto em que o que interessa é punir, mesmo sem se ter o cuidado de tentar justificar o acto ao outro ou, e especialmente, a si próprio. A intenção passa a ser exercer a supremacia de um ser sobre o outro. Tudo o que a civilização nos ensinou é aqui esquecido, volta-se instantaneamente aos homens das cavernas e às mulheres arrastadas pelos cabelos. Volta-se tão atrás que o caminho de regresso à sanidade mental transforma-se num percurso extremamente difícil porque ficou muito acidentado.

Não é preciso ir mais longe do que aqui abaixo ao continente nosso vizinho ou à pequena aldeia nos recônditos deste país, ou até mesmo ali à capital, onde um tal de um antigo ministro agrediu publicamente uma tal apresentadora de televisão para nos depararmos com esta modalidade ancestral. As chapadas do ex-ministro não sabemos (ou eu não sei) se foram públicas, mas as declarações à comunicação social e os comentários no perfil da agredida numa tal rede social mais públicos não podiam ter sido.
Apetece-me olhar para este caso como exemplo de todos os outros em que um homem maltrata uma mulher. Porque é um padrão. As chapadas, a chantagem psicológica que usa os filhos do casal como arma de arremesso, a difamação, as injúrias.
Quando um homem maltrata a mulher age quase sempre da mesma forma. Por isso há sinais a que se deve estar atento. Há pequenas violências que não se devem ignorar, mas assinalar e fazer parar antes que cresçam, ou volta-se, rapidamente, ao tempo dos homens das cavernas.

DAQUI
Mas a violência doméstica não é exclusiva dos homens. Ah pois não. Há mulheres que violentam os seus parceiros durante toda uma vida. Só que a violência das mulheres normalmente não deixa marcas físicas que se possam mostrar. A violência das mulheres geralmente é psicológica e aparece muito em forma de manipulação do outro. Ok, não abre feridas na pele. Mas escortinha a alma. As mulheres geralmente não usam a força física para maltratar os homens, até porque esta é menor do que a deles, mas usam a força psicológica que normalmente é maior, porque as mulheres ao longo da evolução da espécie foram obrigadas a sofrer mais e em silêncio e foram-se habituando a conviver com algum sofrimento e até calejando o âmago. Ainda há quem ache que mulher que é mulher deve sofrer sem proferir um ai, deve engolir ofensas, deve esconder o que lhe dói. Ainda há quem ache que a mulher deve servir o homem, preparar-lhe as refeições, tratar-lhe da roupa, levar-lhe os chinelos e baixar-lhe a cabeça. Há quem ache que a mulher deve servir e o homem ser servido.

E é por ainda haver quem ache tanta coisa que se achava no tempo dos homens das cavernas, como os homens e as mulheres terem papéis rígidos nos relacionamentos, que ainda há homens e mulheres que se agridem de parte a parte, que ainda há liberdades esquecidas, que ainda há o desejo de controlar o outro como se este lhe pertencesse.
É por isto, e por não se verem dentro das relações de igual para igual, que mulheres manipulam homens durante uma vida inteira e que homens lhes batem até à morte.
E é por ainda não se ter conseguido mudar a mente das gentes, que há quem more com a violência dentro das quatro paredes e a deixe corroer-lhe o amor até que este faleça.

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domingo, 1 de fevereiro de 2015

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Actriz Secundária

...Meryl Streep.

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Sei lá, porque gosto de a ver receber bonecos dourados. Já estou assim a modos que... habituada.

*E, pronto, já chega de bonecada!

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Actor Secundário

...Ethan Hawke.
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Porque o acho giro.

Vá, mais giro aqui em baixo e com ar esgrouviado lá em cima. 
Mas giro também, lá em cima.

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Ah, e parece que esteve bem no papel de pai em Boyhood.

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Actriz

...Rosamund Pike.

Porque na vida real vai ganhar a Julianne Moore e, aqui no meu faz-de-conta, quero ofertar um homem dourado à Rosamund.