sábado, 31 de janeiro de 2015

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Actor

...Michael Keaton. 

Porque me apetece, já que nem vi o filme.

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Realizador

É o meu filme preferido dos nomeados nesta categoria.


E o único que vi, além do Boyhood.

E o Homem Dourado Com os Braços Escondidos Vai Para... - Melhor Filme

É o meu filme preferido dos nomeados nesta categoria.


Será que vale a pena dizer que só vi este, o "O Jogo da Imitação" e meio "Sniper Americano"?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Da Nostalgia À Aflição

Estava o meu homem a pôr gasolina no nosso modesto automóvel, quando olho para o lado e vejo o condutor de um BMW a pôr qualquer coisa no carro que não percebi se era gasolina ou "gasóile" e, lembrei-me do Telmo. Sim, do Telmo do Big Brother.
Lembrei-me do Telmo porque o homem do BMW era parecido com ele. O mesmo corte de cabelo, vestido com um fato-de-treino tipo Telmo e condutor de um BMW que o Telmo, com certeza, também gostaria de conduzir. Digo eu!
Pensei "o que terá acontecido ao Telmo e aos outros do Big Brother?" Pensei isto com uma espécie de nostalgia. "Oh, o que lhes terá acontecido?"
Fiquei meia assustada por "nostalgiar" aquela gente, mas se há algo que justifique esta nostalgia que senti por gente que não me diz nada enquanto pessoas, eu tinha-a. Não que gostasse deles, que não gostava, mas ainda os conseguia ver na televisão mais de... de... um segundo. A estes da Casa dos Segredos não consigo. E confesso que já tentei. Devo ter uma costeleta virada para a sociologia, porque me dá um certo prazer tentar avaliar estes fenómenos sociais. Claro que não tenho conhecimentos científicos para os aprofundar, mas gosto de os observar e tirar as minhas conclusões com a objectividade que me é possível.
Comecei a pensar na evolução dos reality shows e em como estes concorrentes que os integra mudou. O Telmo, o Zé Maria, a Sónia e até o Marco eram genuínos e estes não são. São fabricados sob todos os aspectos e são de muito pior qualidade. Infelizmente, não os consigo estudar com mais minúcia para poder estabelecer uma melhor comparação, pois não aguento ver o programa nem um minuto. Sempre que passo pelo canal e eles estão lá, a "refilice" é tão grande e aos berros que não aguento a pressão e mudo de canal. No entanto, às vezes, vejo-os nas capas das revistas cor-de-rosa e parecem-me tão artificiais que me chega a afligir. E eu não sou pessoa que se aflija com facilidade, mas a artificialidade é coisa para me constranger.

Depois, na minha dissertação sociológica privada, atrevi-me a fazer um paralelismo entre as criaturas dos Segredos e a sociedade em que vivemos e fui arrebatada por uma tristeza profunda. Constatei que os Telmos, os Marcos e os Zés Marias foram engolidos por esta gente estranha. E não me venham dizer que só há este tipo de pessoas no programa, porque as audiências são grandes e vendem-se milhares de revistas e jornais que alimentam polémicas criadas por estes concorrentes. Já para não falar nas intrigas à volta das figuras públicas que movem milhões de euros e entretêm populações inteiras.
Esta preocupação com a vida alheia e a facilidade com que se fabricam pessoas à escala daquilo que se pretende vender assusta-me, aflige-me e constrange-me. E eu não sou pessoa que facilmente se assuste, aflija ou constranja.

Volta Telmo que estás perdoado!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Fel

Li esta notícia através do Facebook. Depois de a ler, pus-me a ler os comentários na dita rede social. Erro crasso! A maldade humana é ainda pior do que a imaginamos.

Acreditam que fiquei na dúvida de quem será mais cruel, se a autora do terrível crime que quase matou três filhos, se as pessoas que a condenaram por o ter cometido?

A Minha "Explicação dos Pássaros"

Hoje, vou explicar-vos um pássaro que pousou neste blogue. Este:

Clínica do Avô

Já devem ter reparado que não sou mulher de publicidades.
Neste blogue nunca aconteceram passatempos. "Ponha like aqui, ali e acolá que ofereço uns chinelos muita giros" não é a minha especialidade. "Olhem aqui que giro este produto espectacular que acabei de comprar e adoro" não acontece por cá amiúde. "Comprei a saia xpto na Zara, Mango ou feira de Carcavelos" também não faz o meu género. Etc, etc, etc...
Nunca houve nada disso por aqui, e não houve, porque nunca foi do meu interesse fazer deste blogue "o intervalo grande da telenovela em horário nobre".
Este blogue, da categoria que acarreta, só poderia ser a própria telenovela e nunca um mero intervalo por muito grande que este fosse.
Visto não ter conseguido concretizar a cena da telenovela, vamos mas é ao que interessa.

Como já devem ter reparado, tenho ali ao lado uma imagem da Clínica do Avô (por baixo da das Mães Portuguesas a que pertenço como cronista). Ah e tal isso é publicidade...
Pois é. E porque é que decidi alojar (salvo seja) a Clínica do Avô no meu blogue tão limpinho de publicidade?
Porque acredito que o serviço que prestam é um dos mais importantes para esta sociedade envelhecida que, apesar de envelhecida, não pensa nos seus idosos, nem os considera enquanto pessoas íntegras e autónomas. Mas, também, porque se há coisa que quero manter na minha velhice (se algum dia lá chegar) é a liberdade. E a Clínica do Avô, ao contrário de alguns organismos do Estado que, infelizmente, funcionam deficientemente - por motivos que não vou explanar neste post, mas que dará um outro muito extenso - fornece serviços ao domicílio que promovem essa liberdade e autonomia que tanto preservo, evitando, assim, que as pessoas de mais idade tenham de sair da própria casa e ir viver para lares se quiserem usufruir dos cuidados básicos que protegem as suas integridades física e psicológica.

Por isso, aviso que se vos aparecer por aqui mais alguma imagem que vos pareça estranha será de coisas em que acredito e não porque a marca x ou y me vai oferecer um champô, um creme para a cara ou umas cuecas.

Já viagens à volta do mundo, uma casa à beira-mar ou rios de dinheiro a escorrer para a minha conta estou aberta a ofertas.
O meu e-mail está ali mesmo por cima das imagens. Conseguem vê-lo?

Ainda Estou Viva...

Sei que tenho andado ausente, mas amanhã volto em força. Prometo!

DAQUI


Isto é uma ameaça!

sábado, 17 de janeiro de 2015

Blogue, Para Que Te Quero?

De vez em quando, o J. lê este blogue. Diz que um dia quer lê-lo todo, de uma ponta à outra. Hoje, leu o último post, aquele ali em baixo, e gostou.

Na verdade, o homem da mosca é um bocadinho obra dele também. Temos por hábito escolher personagens para as minhas histórias. Diz-me "mãe, tens de escrever sobre esta pessoa", aponta-me características a explorar na ficção e inventamos em conjunto outras coisas sobre ela.

Leu mais do que o último post. Foi andando para trás e descobrindo o que fui escrevendo sobre ele. Saltou os últimos parágrafos do Pai Natal "porque é feio e não consegui ficar a olhar para a cara dele", explicou. 
Quando chegou aos Pedaços de amor que se exilam ralhou-me "não devias ter escrito aquilo. Eu pedi-te...". Ao que lhe respondi que também acho as coisas menos boas importantes. Confessou-me que não leu este post todo porque não quis lembrar aquilo que o fez sofrer na altura.

"Quanto tempo achas que vou demorar a ler o blogue todo?", perguntou. "Não muito tempo, descansa", sosseguei-o, "são quase quatro anos de blogue, mas não tem muito para ler".

Sei que podia não lhe contar o que escrevo e até impedir que lesse o que vou dizendo sobre ele, podia esconder-lhe alguns textos ou mentir sobre o seu conteúdo. Mas não quero isso, o blogue é meu, mas é dele também. Até é mais dele do que meu. É ele que aqui está, sob os meus olhos, mas não deixa de ser ele.

Quero que este blogue seja uma carta de mãe para filho e que sirva para, mais tarde quando eu já não estiver e ele precisar, poder vir aqui sentar-se ao meu colo e ouvir as minhas palavras de conforto. Quero que possa rever as alegrias, mas também as angústias, que a maternidade me ofereceu; quero que sinta que me pode encontrar sempre neste cantinho da blogosfera e que aqui terá sempre os meus braços, e coração, abertos para ele; quero que saiba que o meu carinho fica cá guardado para as emergências e que, neste lugar, o meu amor será sempre só dele e imenso como se diz que só é o amor das mães.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Amores Confessados ao Vento

Ontem, fui dar um passeio com o J. junto ao rio. 
Mãe e filho vimos o sol pôr-se lá longe enquanto conversámos sobre a vida, sobre as pessoas, sobre as relações. 
O vento, que teimava em despentear-nos os cabelos, levou confissões de amores antigos contados em segredo a um filho demasiado curioso.

- Acho que nunca vou gostar de ninguém - disse meio desiludido.
- Porquê?
- Porque sessenta e cinco por cento das pessoas são parvas.
- Eh!!! Também não é assim.
- É pois. 
- Acreditando que isso é verdade, ainda há trinta e cinco por cento que não são parvas. Nessas trinta e cinco por cento pode haver alguém de quem gostes.
- Não acredito.
- Então e a M.?
- A M. é parva. Só diz parvoíces.
- Não acredito que isso seja verdade.
- É, mãe, garanto-te. Tens um gravador para eu levar para a escola e gravar o que ela diz para te mostrar?
- Não. Só tenho o do telemóvel.
- Se eu gravasse depois vias como tenho razão.
- As raparigas, tal como os rapazes, passam por umas idades um bocado parvas, mas depois isso passa-lhes.
- Acho que ela ainda vai ficar mais parva.
- Eh, que mau!

E voltámos aos meus amores antigos, à quantidade de namorados que tive, ao tipo de relações. Até que me pediu que lhe contasse como conheci o pai e como começámos a namorar. Quis saber do primeiro beijo. Contei-lhe da noite inteira que passámos juntos, deitados num colchão no chão da sala em que falámos horas de testas coladas sem nos beijarmos, apenas selando os lábios um no outro pela manhã.

Olhou-me com olhos doces e disse:
- Quero um amor assim. Como o vosso.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Pais Órfãos de Filhos

Às vezes, fico sem palavras. Custa-me falar e o esforço para ser assertiva é enorme. 
Às vezes, o esforço não vale de nada e sai-me da boca a palavra errada no tempo errado. Ou não sai nada. 

Mas o que é que se diz a uma mãe que acabou de perder um filho para o cancro? 
Não sei. Nunca sei.
Na infinidade de significados que as palavras podem ter não há um que expresse o pesar que traz a perda de um filho.
Se há, eu não o encontrei. E saiu-me qualquer coisa como "estas lutas..." e engoli "são inglórias" e "são uma merda". Disse-o só para mim, como digo, tantas vezes, aquilo que não me sai aos outros.
Saem-me poucas coisas aos outros. Engulo muitas palavras que queria aos outros. Engulo-as e saem-me as erradas, ou saem-me grunhidos, ou silêncios, ou nada.

Depois veio a culpa de estar viva no velório de alguém que morreu de cancro. Esta culpa que me persegue a cada pessoa que a doença vence. Porquê eu viva e não ela? Porque é que uns morrem e outros não? Ou porque é que uns sobrevivem e outros não?
Sinto sempre que a minha presença se impõe aos que choram a ida de um ente querido com cancro, de um ente tão querido quanto o é um filho, uma esposa, um pai... Presença, esta minha, que trocariam num ápice pela do ente tão mais querido do que eu, que entregariam ao cancro sem olhar para trás. Como compreendo bem a troca. E aceito. E quase peço desculpa por não ter ido também, por estar aqui viva. E não me sai palavra. Nem a resposta a eu continuar e ao filho ter partido.
Penso, isto é tudo aleatório, para confortar a minha culpa e justificar a presença para além dos outros que se foram. Penso isto sem grandes certezas, mas, naquele momento, preciso que seja verdade.

Tento pôr-me no lugar da mãe - mas tento pôr-me só um bocadinho no lugar mãe, porque isto de tentar imaginar a dor de perder um filho já dói tanto que é reflexo afastar a ideia - e dá-me vontade de a pegar ao colo como se pegam nos órfãos, confortá-la no meu regaço, embalá-la até que pare de soluçar e sossegar-lhe as lágrimas, e a dor.

Em vez disso, choro com ela e desmancho a seriedade e lucidez que tanto me custou construir para a enfrentar e tentar, de alguma forma, consolar. Se é que há consolo possível da dor, desta dor que deixa os pais órfãos dos filhos e que é tão intensa quanto infinita.