quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Que 2015...

Roubada do Google Images

...vos traga tudo o que desejam!

Idiotice Minha Que És Tão Bela

Numa notícia de um jornal nacional apresentaram o vídeo abaixo como uma birra de uma criança que destrói um supermercado.


Na verdade, a notícia não tem nada de especial, apesar de achar que aquilo não é bem uma birra, mas os comentários de algumas pessoas ao post onde ela aparece no Facebook têm muito de especial.
E têm muito de especial, porque me fazem chegar à conclusão que sou uma idiota por não ter imaginado que havia gente tão estúpida quanto alguma da que lá botou os seus cocós em formato comentário.

Caraças que sou mesmo idiota!

Cenas Que Me Irritam

Detesto modas! 

Usar uma, ou mais, peças de roupa porque é moda, irrita-me. 
Ir a determinado sítio porque é moda, irrita-me.
Dizer uma palavra que toda a gente repete vezes sem conta, irrita-me.
Comer cenas da moda e fazer a alimentação X, Y ou Z, cheias de sementes e sumos detox, irrita-me.
Adoptar um dado comportamento porque toda a gente o adopta, irrita-me.
Ler Chagas Freitas, Sousa Tavares, ou as cinquenta sombras de um cretino qualquer porque toda a gente lê, irrita-me.

Ainda que seja uma irritadiça com esta treta toda das modas, ando a correr e, a partir do ano que vem, vou fechar esta bocarra gulosa, comer umas sementes e tentar viver de sopas e alimentos saudáveis para ver se emagreço um bocado que já não tenho soutien que me caiba.

E esta merda é a que mais me irrita!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Méééé!!!

Dizem os amigos do Facebook que este foi um ano espectacular e agradecem-me ter feito parte dele.

Pois o meu ano não foi espectacular e não fiz parte da maioria dos anos espectaculares dos meus amigos.

Sou ovelha ronhosa, ah pois sou!

DAQUI

Feliz Natal!


Tristeza Que Arrefece As Relações

Hoje à tarde, estava aqui no computador e o J. veio sentar-se ao meu lado com o seu Magalhões e pôs-se a ver vídeos da NBA no YouTube.

Volta e meia, diz-me:
- É muito triste estarmos aqui os dois no computador, não é?
- Porque dizes isso? - tento auscultar a razão de tal raciocínio.
- Não sei, estamos aqui os dois, ao lado um do outro, com um computador à frente.

Ai, meu rico filho, como estás certo que é esta a tristeza que arrefece as relações humanas!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sono Dele / Sonho Meu

DAQUI

O meu cachopo nunca foi de dormir muito. Desde um mês de idade que dormiu a noite toda, é certo, mas ressonar para lá das 8h, 8,30h nunca foi dele. Por muita pena nossa que bem nos apetecia ficar na ronha para lá da hora de almoço aos fins-de-semana e nas férias.

Hoje, o bichinho dormiu da meia-noite e meia até ao meio-dia e meia. Doze horas de sono dos justos.

Já acordadinho da silva diz-me:
- É bom dormir muito, não é?
Eu, amante de noites e manhãs bem dormidas, aproveito a deixa:
- É maravilhoso. Das melhores coisas que podemos fazer.
- Pois... Percebi isso hoje. Dormi tão bem.

Auspicio manhãs de puro deleite nos braços de um edredão quentinho.
Ou então não.

Um Pavor de Pai Natal

O J. que nunca gostou de Pais Natal foge cada vez que encontra um nos Centros Comerciais.
Hoje, quando andávamos às compras, rezando para que não encontrássemos nenhum à esquina, pergunta-me:
- Alguma vez me tentaste obrigar a sentar ao colo de um Pai Natal?
- Não, claro que não. Ainda mais eu que sempre tive medo de palhaços e te compreendo tão bem por não gostares de Pais Natal.
- A sério? Sempre tiveste medo de palhaços? - pergunta, sentindo o seu medo menos solitário.
- Sim, sempre tive medo de palhaços e mascarados. Fazia-me impressão não  lhes conseguir ver as expressões faciais.
- Mas houve uma vez que te mascaraste de palhaço...
- Sim, mas isso já foi mais tarde. Além disso, não tinha medo de mim, como é lógico.
- E o pai? Tentou sentar-me ao colo de algum Pai Natal?
- Não, que me lembre, não. Mas o pai não te ia fazer isso... Nenhum de nós te ia obrigar a sentar ao colo do Pai Natal. Podíamos ter perguntado se querias, mas obrigar-te não, de certeza. Porque perguntas isso?
- Não sei... Porque não gosto deles.
- É um mal genético. Sais a mim. Pelo menos sais a mim em alguma coisa...

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O Natal é Quando Um Gato Quiser

Nesta casa não somos grandes entusiastas do Natal. Talvez por culpa minha que não sou grande fã de decorar a casa, nem de compras e que só de pensar em ter uma catrefada de coisas para comprar e ter de enfrentar centros comerciais repletos de gente possuída pelo génio do consumismo, fico com dores de cabeça.

Por isso, e porque sou uma preguiçosa da pior espécie, a árvore de Natal só foi montada ontem. Por mim, claro. Que ninguém mais se chegou à frente. E a verdade é que eu esperei. Esperei quase até ao dia de Natal, mas o pessoal cá de casa fez orelhas moucas. Cada vez que eu falava da árvore de Natal, olhavam para o lado, assobiavam, desconversavam. 
Ontem, já fartinha de tanto esperar, a ver o Natal aproximar-se e esta casa sem qualquer sinal de que a época natalícia se aproximava, meto mãos à obra. Vou buscar o saco onde guardo a tralha do Natal e desato a montar a árvore. 
Foi uma festa. Mal pouso o saco no chão, ainda com tudo lá dentro, o Gatossoa atira-se lá para dentro e revolve-o. Ele é bolas a fugir-lhe pela casa fora, é fitas enroladas nas pernas das mesas, é sininhos a tilintar. O gato torna-se a alegria em pessoa. De tal maneira que quando acabo de montar a bela da árvore, tenho que prender o gato na cozinha ou hoje de manhã ainda ia dar com o bicho electrocutado e a árvore em fanicos.

A ver se a aguento até ao dia vinte e cinco. 
Mas duvido muito!

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Wishlist do J.

O J. não quer um IPhone.
O J. não quer um jogo para a Playstation.
O J. não quer a Playstation mais recente.
O J. não quer uma PSP.
O J. não quer uma acelera.
O J. não quer um carro.
O J. não quer uma viagem à volta do mundo.

O J. quer três fichas triplas.

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DAQUI












DAQUI


Este meu filho não é normal!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Pedaços de Amor Que Se Exilam

Tenho a sensação que há pessoas que pensam que este blogue é um bocado cutxi-cutxi, que só fala das coisas boas na relação pais / filho, que fantasia um pouco quanto às qualidades da cria deste ninho.
Na verdade, pode haver momentos em que o amor que sinto pela dita cria se sobrepõe a uma análise objectiva dos factos, me tolda a visão da realidade ou me adoça a linguagem. Não obstante, tento relatar as cenas desta vida doméstica o mais clara e concisamente possível. Não só para ser transparente convosco, como também para respeitar uma honestidade comigo própria que tento preservar. No entanto, não me posso esquivar à tentação de preferir registar os momentos bons para a posteridade em desprimor dos maus que atiro para um canto do meu ficheiro interior de memórias na esperança que sejam esquecidos.

Para contrariar esta tendência em embelezar o blogue com os bons momentos passados neste ninho, hoje, venho relatar-vos um acontecimento que me acertou como se de uma facada se tratasse.

A necessidade de comprovar que o meu filho efectivasse a compra de uma senha para o almoço na escola foi o motivo que desencadeou a percepção de dilaceração deste coração de mãe.
Disse ao J. que, para ficar descansada que ele tinha almoço, já que não nos comunicamos por telemóvel, acompanhá-lo-ia à escola e compraria a senha com ele. Numa revolta descabida, a cria exalou jactos de pré-adolescência que vieram alojar-se directamente no meio deste peito. Intercalando lágrimas e despeito, reivindicou o direito de comprar a senha sozinha, porque os colegas a iriam gozar por ir com a mãe à escola e não poder mostrar como era grande e adulta e autónoma dos pais.
Ainda incrédula e a sentir abrir-se-me um buraco no meio do peito, digo-lhe que não admito tamanha falta de respeito quando o vejo expressar vergonha em ser visto na minha companhia. Responde-me que também já fui assim. Riposto-lhe que já fui adolescente sim, mas que não foi por isso que fui parva e que se eu respeito a sua necessidade de se mostrar grande e autónomo também exijo que me respeite enquanto sua mãe e que se os colegas o gozarem, são eles que são parvos e que ele tem a obrigação de negar compactuar com tamanha parvoíce. 
De coração ainda a sangrar e com as palavras a saírem-me tal golfadas ensanguentadas, acrescento que ele devia ter orgulho em ser acompanhado pela mãe, porque era sinal que a tinha, que há muitos miúdos que não têm essa sorte e que ele podia ser um deles se eu me tivesse ido quando a doença o houvera programado.
Desfeita, retiro-me para lhe preparar a lancheira e acalmar esta língua ofendida que se move sozinha ao som da dor que insiste em triturar-me por dentro.

Já mais calmos, voltamos a juntar-nos para o pequeno-almoço. Um "peço desculpa" rompe o silêncio e recolhe todos os pedaços que teimavam em fugir-me do centro, juntando-os de novo tal bolhas de mercúrio à procura umas das outras.
Contudo, fica a percepção que o amor não é inquebrável, apesar da capacidade exclusiva de se reconstruir e fazer pleno de novo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Voluntariado e Voluntariado

Na mesma formação, sobre o mesmo assunto, hipocrisia, ups! voluntariado, o mesmo formador dizia:
- Façam voluntariado. Na associação Acreditar, na Sol, na Ajuda de Berço ou na paróquia da esquina, mas façam voluntariado! Devemos ser solidários!
Ao que lhe respondi:
- Há solidariedade e solidariedade. Isso não é solidariedade nenhuma, porque não se tem intenção de ajudar ninguém, mas criar uma mais-valia no nosso curriculum. Além disso, acho que o voluntariado desvaloriza o trabalho.
O senhor, já irritado, atira-me:
- De qualquer modo, neste momento não tem nenhum trabalho para desvalorizar!
- Pois não, mas não desvalorizo o meu trabalho, já que não tenho nenhum, mas o trabalho de quem trabalha neste momento.
O formador, a ferver, passa à agressão:
- Mas em vez de não fazer nada, e estar desocupada, pode prestar o seu contributo à sociedade fazendo voluntariado.
- Ok, então eu e os meus colegas, vamos dar formações de empreendedorismo, a custo zero e vamos ver se daqui a uns tempos o senhor continua a receber o mesmo e a ter a mesma opinião. Parece-lhe bem?

Uma Questão de Nome

Numa formação sobre empreendedorismo, dizia o formador:
- Temos que fazer voluntariado, porque entre uma pessoa que o faz e uma que não faz, o mercado de trabalho prefere a que faz e que defende causas sociais. 

Se o objectivo do voluntariado é defender estas "causas sociais", devíamos trocar-lhe o nome para hipocrisia que lhe assentava bem melhor.

Podia (Devia) Ter Sido Eu A Escrever Isto

Mas como não fui, vão ter mesmo que clicar AQUI.

Pílula da Estupidez

Detesto ideias preconcebidas e generalizações.
Ou é para me irritar ou não sei porque raio de carga de água é que é o que mais há por aí.
Gente que pensa que, lá porque dois ou três cromos passaram a professar umas teorias da treta como se fossem religião, tudo o que não seja dito pelos cromos é pura alucinação, e que tem sempre pronta uma pílula de uma ideia qualquer que está na moda e de que toda a gente já ouviu falar milhentas vezes, deixa-me para lá de enervada. Dá-me vontade de lhes enfiar a própria pílula pelas goelas abaixo e perguntar "então, estás muito mudado? A pílula fez-te melhorar alguma coisinha? Népia, pá, continuas o mesmo otário!".
Dá-me a impressão que ando rodeada de papagaios que papagueiam todas as patacoadas que lhes impingem.
Ei, pessoal, e usar a cabecinha, hã? E deixar de engolir toda e qualquer informação como se fossem verdades universais sem sequer as processarem?
O cérebro está lá para alguma coisa, não serve só para memorizar, também se pode usar para destrinçar aquilo que é verdadeiro daquilo que é falso; Para separar o trigo do joio; Para deitar fora aquilo que não presta e reter o que interessa; Para descobrir os diamantes no meio da areia.

Fiz-me entender ou querem que faça um desenho? Hã?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Fosga-se!

Como o J. vai ter teste de HGP (História e Geografia de Portugal, para quem não é expert nestas siglas escolares) amanhã, hoje esteve a estudar. No final do estudo, veio ter comigo para lhe fazer umas perguntas.

Falávamos da descoberta do fogo pelos povos recolectores.
- Então, o fogo servia para quê?
- Para aquecer e iluminar as cavernas, cozinhar os alimentos, afastar os animais ferozes e também serviu para desenvolver a linguagem.
- Certo. Como achas que serviu para desenvolver a linguagem?
- Cada vez que eles se queimavam, diziam "fogo!".
- Ah ah ah ah! Outras vezes, diziam "fosga-se!" ou "porra, que me queimei!".
- Ah ah ah ah! Ó mãe, realmente... Ah ah ah!
- Na verdade, a descoberta do fogo esteve na origem das asneiras. O facto de eles se queimarem desenvolveu-lhes a capacidade de dizer asneiras.
- Ah ah ah ah! Pois foi, mãe! Ah ah ah!

sábado, 6 de dezembro de 2014

De Onde Veio Essa Cor?

O homem de auricular no ouvido dá uma tossidela de tempos a tempos.
Cof cof!
E o som das agulhas da mulher que faz um casaquinho em tons de rosa, branco, azul e amarelo enche a sala. Vai mudando a cor da lã consoante a risca que tricota. Como fará ela aquilo? Muda de novelo ou é a lã que vai mudando de cor? Fico a tentar perceber. Mas mal desvio o olhar: outra cor. E o homem mexe-se e volta a tossir.
Cof cof!
Outra mulher, que está duas cadeiras adiante de onde ele se encontra, remexe o saco de plástico com medicamentos. Tira uns, volta enfiá-los no saco. Tira outros.
Tumbas, outra cor! Mais uma vez distraída e deixei passar a troca. Tricota agora a branco. Vai ficar lindo aquele casaquinho. Será para o neto? Para a neta? Para venda?
"Senha C 10 à sala de tratamentos!" E lá vais tu. Aproveito a tua ausência para tentar apanhar a mudança de cor. É agora! Não há nada que me desatente.
Oh, porra, de onde saiu esse amarelo? A senhora olha-me desconfiada. Não tiro os olhos das agulhas. Ah, não, ela nem pense que me vou distrair com o olhar de má que me deita. Vá, tricota, tricota, não pares. É agora. Sei que é este o momento.
Cof cof!
Não, não olho para ti, tosse à vontade que agora ninguém me distrai, nem que te vomites todo olho para ti. Esta cor é minha, esta cor é minha...
"Vamos embora? Já estou pronta!", dizes-me. "Sim", respondo-te de soslaio para não perder a troca.

Merda, de onde veio esse rosa?!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Crianças Sós

Há crianças abandonadas por aí. Telefones e tablets olham por elas.
Largadas à sua sorte e ao que estes aparelhos lhes podem ensinar, mordem-nos ao nascer dos dentes e chocalham-nos como se fossem rocas. É a fase oral de Freud em 4,7 polegadas de telefone.
Outras, maiorezinhas, em vez de os comerem, procuram o mundo nos seus ecrãs tácteis. Nos jogos, que ao toque dos seus pequeninos dedos lhes dão poderes de fazer saltar bonequinhos pelo ar ou matar bichinhos imaginários, encontram a única realidade que as acompanha.
E estão sozinhas ali. Longe dos pais que se demitiram de as ouvir, de lhes falar, de lhes tocar. Longe do que é a linguagem do amor, sufixos da palavra esquecimento. Crianças que perderam o crescimento, antes mesmo do seu começo. Crianças sós acompanhadas de pais ausentes.