terça-feira, 30 de setembro de 2014

Estudar QB

Tenho uma guerra com o ATL que o meu filho frequenta: O tempo que ele dedica ao estudo!
Dizendo só isto, aparecerão vários pais e mães a dizer "oh, também eu! Grande novidade! Os miúdos não estudam nada nos ATL!". 

Só que o meu problema é ao contrário: eu quero que o meu filho estude MENOS no ATL. Ou seja, eu quero que o meu filho apenas faça os TPC no ATL! Nada mais, nada menos, apenas os TPC.
Sou estranha, maluca, whatever... Mas, por favor, deixem lá a minha criança em paz, que ela não precisa de estudar mais, ok?
Desnaturada? Chamem-me o que quiserem, mas fiz um "acordo" com o meu filho e quero continuar a cumpri-lo enquanto ele cumprir a parte dele. Certo? Pode ser? Deixam-me?
Será que as educadoras do ATL podem deixar de lhe receitar cópias e porcarias dessas para ele fazer? Fazem esse favor aqui à je

Eu não quero ter um filho com uma letra lindíssima! Eu não faço questão que o meu filho tenha 100% em todos os testes! Eu não quero que ele coleccione diplomas de mérito ou honra ou do raio-que-os-parta-a-todos! Até porque não os emolduramos, nem os penduramos na parede...

Eu só quero que ele continue a gostar de aprender, a ter curiosidade para explorar novos temas e matérias, a sentir que a escola ainda tem coisas boas para lhe proporcionar e quero, especialmente, que ele viva para além da escola! Só isto! Será assim tão difícil de entender?

(Prometo que quando ele começar a baixar as notas, ele estudará mais, ok? Satisfeitas assim, senhoras educadoras?)

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Rita e a Lina

Há pais viciados na Rita e na Lina. Há pais que não conseguem olhar para os filhos sem que estes estejam drogados. É completamente incomportável para estes pais que os filhos não queiram fazer os trabalhos de casa; que se distraiam com a mosquinha que lhes viaja pelo quarto enquanto estão sentados na secretária a olhar para os cadernos da escola que gostariam de queimar; que tenham uma letra feia; que prefiram andar aos saltos a estar concentrados em merdas que não lhes dizem absolutamente nada, porque a vida é feita de vídeo-jogos e televisão e tudo o resto não interessa nem ao menino Jesus, nem vale metade da atenção que despendem com coisas importantes como os jogos em que podem passar de nível.

"Estão doentes, de certeza" pensam os pais. E levam-nos ao pediatra que os encaminha para um psicólogo, que não os deixa sair sem um diagnóstico e uma receitazinha da Rita mais a Lina, uma anfetamina prima da cocaína, que os deixa sossegadinhos, direitinhos, atentos, obedientes e cheios de vontade de fazer os TPC. Os pais saem maravilhados do consultório sem se aperceberem que no momento que enfiarem aquela porcaria goela abaixo dos filhos perdem-nos para uma família de químicos que, além de os levarem para longe, os despersonaliza para sempre.

Alguém, na sua perfeita saúde mental, acredita que há crianças com vontade de fazer TPC? 
Alguém acredita que há um real interesse das crianças pela escola, nos moldes em que ela se lhes apresenta hoje em dia? 

Não me lixem!

(Sim, tive reunião de encarregados de educação e vim de lá lixada com F grande!)


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Felicidade ou Autonomia?

Vi este vídeo num blogue, mas já não sei qual, por isso não menciono a origem. Se o autor/autora desse blogue passar por aqui, deixe-me o link, por favor, para eu o poder acrescentar ao presente "post". 
Não gosto de ter por aqui coisas roubadas sem mencionar de onde roubei! Sou uma ladra com princípios, porra!

Devo dizer que vale bem a pena ouvir o que o Humberto Maturana, neurobiólogo, e  a Ximena Davila, professora, ambos chilenos, têm para dizer. Está relacionado e fez-me questionar aquela conversa ali do lado direito ao pé da minha foto... 
Queremos filhos felizes ou autónomos? 
Caraças, que esta história da maternidade é mesmo tramada!


Ódiozinho

Detesto aquela mania que a maior parte das pessoas, geralmente em grupo, tem de faltar ao respeito e gozar com as pessoas de aspecto frágil que mais demonstram consideração, e atenção, pelos outros!

Ó pá, detesto!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Boca Surda

Esta coisa de se dizerem as palavras certas não encaixa em mim. 
Tento ser assertiva. Não ofender, não desprezar, não magoar, mas normalmente não consigo. Saem-me os pensamentos em rajadas sem que consiga travá-los a tempo. 
E esta fúria que me obriga a pensar com a boca. Esta indignação perante os absurdos da vida, e dos outros. E o cérebro a ordenar à boca que se cale. E a boca surda. 
Confundem-se-me as funções e falo com a cabeça, depois de pensar com a boca. E o cérebro grita. E a boca surda. Raios, que se me desorganiza tudo! E as caras fecham-se. E a boca cega e surda.

Arre!

sábado, 20 de setembro de 2014

Cowboy do Mar

Carrega o mar aos ombros
Recolhe o céu no colo

Desfaz tristezas

Mordisca os cantos ao infinito
Flameja os ecos do silêncio

Dissolve a dor

Saboreia o sal da calma
Cheira o doce às águas

Pastoreia peixes 

DAQUI

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O Cabelo do Rapaz Castanho

O J. descrevia-me o cabelo de um miúdo lá da escola nova:
- Era assim como as cabeleiras dos palhaços, sabes? Mas só para cima - com as mãos desenhava o cabelo do miúdo no ar em volta da própria cabeça - E ele rapou-o assim nos lados - passou os dedos acima das orelhas, da frente para trás, como se traçasse dois riscos nos lados da cabeça.
- Estou mais ou menos a ver. O rapaz era preto?
- Ó mãe, não perguntes isso assim. Para mim isso é racismo! - ofendeu-se.
- Eu não estou a dizer "preto" num tom depreciativo. Sabes perfeitamente que não sou racista. Mas estamos a falar do cabelo de um rapaz e é importante para eu o imaginar melhor saber se o rapaz é preto ou não. Se é uma carapinha ou não faz toda a diferença. Além disso eu falo em "pretos" como falo em "brancos", quando a cor da pele é importante naquilo que estou a dizer. Não estou a fazer nenhum juízo de valor, nem considero as pessoas melhores ou piores consoante a sua cor.
- O que é uma carapinha?
- É um cabelo como os dos pretos, muito encaracoladinho, sabes?
- Sim, sei, mas não gosto que digas "preto". Soa-me sempre a racismo!
- Sabes bem que não é. Como queres que diga? Negro, castanho, escuro, de cor? 
- Castanho. Eles são mesmo é castanhos! O do cabelo até nem é muito castanho, é um bocadinho mais clarinho, assim como o LeBron James, sabes?
- Sei, é mulato, certo? Mas o LeBron James não é muito clarinho... Ok, passo a dizer "castanho". Mas dizer "preto" não é obrigatoriamente depreciativo. Para mim, é como dizer que "aquele rapaz é loiro, moreno, tem olhos azuis, verdes ou castanhos". São características das pessoas. Nada mais.
- Mas diz "castanho", ok?
- Ok, combinado!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Nirvana In Utero, Please!

Ok, confesso que estou um pouco nervosa. Tentei armar-me em fortalhaça, mas não estou a conseguir dar conta do recado.
O miúdo mudou de escola e saltou, num abrir e fechar de olhos, de ciclo. Ainda ontem estava eu a chorar nas escadas da creche por largar o meu piolhinho de quatro meses nas mãos de estranhas e hoje voltei a largá-lo numa escola enorme, com miúdos enormes (alguns já com barba e tudo) nas mãos de... de... DELE PRÓPRIO! Isto é assustador! Como é que ele foi capaz de crescer tão rápido, sem esperar que eu estivesse preparada? Como é que ele, assim de repente, foi capaz de ir para o segundo ciclo e passar a calçar o número quarenta e um sem sequer me avisar ou pedir autorização? O sacaninha do miúdo até já compra senhas para os almoços na cantina e tudo!

Expliquem lá, mães experientes, como é que se gerem estes medos, medos não, pavores, sem que nos colemos às costas dos filhos tal lapas às rochas? Sim, porque vê-los crescer é muito lindo e cheio de poesia, mas esta parte do abandono progressivo do ninho não tem piada nenhuma quando estamos no meio do ninho a vê-lo esvaziar-se! Porque nunca nos avisaram desta parte, hã?
Porque raio de carga de água há sempre o outro lado da questão? Aquele lado em que a beleza se esbate e em que começamos a ver tudo meio desfocado?
Fogo, pá, podiam fazer estas coisas à imagem do paraíso, onde tudo é belo e melodioso e em que as crianças crescem devagarinho e harmoniosamente sem atropelos e tropeções! E em que nós, mães apavoradas, podemos guardar os medos numa caixinha e curtir o crescimento dos rebentos em pleno nirvana!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

- Mãe, Acreditas Naquela História do Jesus Christ Superstar?

- Mãe, tu acreditas na história de Jesus?
- Que existiu um maluco com a ilusão de que podia mudar o mundo e que se chamava Jesus? Acredito. De vez em quando, ao longo da história, aparece um!
- Estás a falar com um desses malucos.
- Quem, tu? Acreditas que podes mudar o mundo? 
- Sim!
- Ah que bom! Esperemos que consigas!
- Mas o que eu queria saber era se acreditas naquela história toda, do Jesus Christ Superstar.
- Acredito que existiu aquele maluco que pensava que com amor podia mudar a humanidade. Mas no que toca aos milagres e essas coisas já não acredito.
- Eu não acredito em nada disso. Se as pessoas querem ser todas iguais umas às outras o mundo nunca vai ser melhor, porque elas são todas iguais. Jesus era judeu?
- Sim, acho que sim. Por isso o chamavam de Rei dos Judeus. Lembras-te daquela parte do filme em que o rei Herodes e Pilatos o chamam de king of the Jews?
- Lembro. Que milagres é que diziam que ele fazia?


- Diziam que fazia os paralíticos andar, os cegos ver e coisas do género. Mas como viste no filme, depois as pessoas só queriam que ele lhes fizesse coisas e quando foi altura de o apoiarem, viraram-lhe as costas e não o defenderam. É o que as pessoas costumam fazer, infelizmente.


- Eu também não acredito naquela cena da ressurreição. E tu, mãe?
- Também não.
- Aliás, eu não acredito em nada.
- Eu acredito que ele existiu, mas que a história à volta dele é fantasia dos homens.

Só espero que este meu maluco consiga mesmo mudar o mundo. Ou parte dele...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

(Des)parametrizar

Vivemos parametrizados, cercados por regras e padrões que nos prendem, que nos amarram, a convenções que, por vezes, nada têm a ver com as nossas. Vivemos presos a um cabelo assim, a um corpo assado, a padrões de pensamentos, de comportamentos, de opiniões, de bens materiais, de coisas e mais coisas. Vivemos sepultados numa imagem que não nos reflecte. E podemos viver assim anos, décadas. Podemos viver assim eternamente.

Ou podemos, um dia, abrir os olhos e enxergarmo-nos. Olharmos para dentro e vermos aquilo que somos. Sentirmo-nos bem num corpo menos estereotipado, gostarmos daquela cicatriz, afeiçoarmo-nos àquele dentinho torto, àquela assimetria do rosto. Sentirmo-nos bem num penteado que não está na moda, numa roupa que não se usa, gostarmos de comida picante, detestarmos gin, preferirmos andar descalços, adorarmos rebolar na areia, passarmos a olhar o infinito em vez do ecrã de um computador e libertarmo-nos de padrões que não nos dizem nada. Libertarmo-nos daquilo que não nos serve, libertarmo-nos daquilo que nunca nos serviu, porque é fútil, porque é oco, porque não cabe em nós.
E assim, leves e soltos, abandonarmos de vez a ideia da perfeição. E desabrocharmos num amor-próprio livre que nos permitirá encontrar prazer nos defeitos, especialmente nos defeitos, nos nossos defeitos, que se transformarão em, apenas, mais uma parte de nós, sem o peso do "errado" e do "imperfeito". Sem peso nenhum.
E assim, sem as coisas vãs que não nos enchem e só nos esvaziam, encontrarmos mais um pouco desse "eu", cuja procura justifica toda esta travessia.

Pégaso

Sonhei com a minha égua. No sonho, ela estava morta, deitada debaixo de um oleado há quinze dias e de repente mexeu-se. De repente, estava viva outra vez. O meu coração saltou de felicidade, mas a dúvida, a incompreensão de como aquilo tinha sido possível não parou de me importunar. Acordei. 
Passei o resto da noite a tentar continuar aquele sonho. Queria-a viva mais um bocadinho, mas não a consegui segurar no sonho.
Ela virou costas, e voou. Outra vez.

DAQUI

Sobre as "Primárias" do PS...

Não vi o combate/debate de ontem, mas algo me diz que vai ser um António a ganhar...

Às vezes, tenho destes pressentimentos estranhos...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Vícios Maus

Já disse aqui que sou viciada em livrarias, certo? Pois o pai do J. também é um grande adepto destas lojas. 
Já o "piqueno" J., que herdou o vício à força de ter de visitar umas quantas, resolveu o problema dos momentos mortos à nossa espera a procurar um livro igual ao que está a ler e continuar a leitura que interrompeu em casa.
Assim, mal entramos numa casa de livros é ver-nos cada um para seu lado a fim de tomar a dose livresca. 

Gostava de ver a nossa figurinha, gostava, gostava!