quinta-feira, 31 de julho de 2014

O "Post" do Adeus

Lá na outra chafarica...

A cópia que fiz deste blogue no Blogs do Sapo despediu-se.

ADEUS ESTÁ AQUI.

Do Prazer da Escrita

Ando a frequentar um curso de escrita criativa em que escrevo sobre as mais variadas coisas num tempo cronometrado. Saem-me as ideias aos jorros e a caneta raramente consegue acompanhar a rapidez do pensamento. 

Sinto que era capaz de fazer isto oito, nove, dez horas por dia. Para o resto da vida.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Criminalização de Maus-Tratos a Animais de Companhia, Guerra na Faixa de Gaza e Selfies aos Molhos

Aparentemente, estes três assuntos nada têm a ver uns com os outros. Aparentemente não, não têm mesmo nada a ver uns com os outros. Se procurarmos bem, talvez encontremos um ténue ponto em comum. Esse ponto quase invisível estará situado lá para os lados do ridículo de cada um deles, mas só os mais perspicazes o encontrarão, já que o ponto se vê mesmo muito mal.

A criminalização de maus-tratos a animais de companhia traz o "ridículo" nos animais de companhia. Haver animais denominados "de companhia" já é um maltrato mais do que suficiente, já não é preciso sequer dar um safanão ao animal. A existência de animais-coisas basta-se a si própria como agressora. Mas o Homem de tão poderoso que é, não se podia deixar ficar numa amena posse animal, e inventou uma classificação para certos animais que os coloca abaixo de animal-coisa ou "de companhia". São os animais cuja agressão gera dinheiro e que, por isso, já se podem bater e abater à vontade. Estes animais além de serem considerados coisas, são umas coisas mais reles do que as outras, as "de companhia", por isso são legalmente agredidas e servem essencialmente para isso, para serem agredidas.

DAQUI

Ainda no ridículo desta lei, constatamos que a maior parte dos seus apoiantes são os auto-proclamados "defensores dos direitos dos animais" que, na minha opinião, são do piorzinho no que toca a defender os animais, pois atribuem-lhes direitos humanos e não direitos animais que, podendo parecer a mesma coisa, não é e contribui para os agredir praticamente o mesmo que umas pauladas ou uns encontrões. Mas como estes auto-proclamados defensores dão "banho ao cão" todas as semanas e cortam-lhe as unhas com regularidade para o bicho ficar todo janota e "muito limpinho", já não faz mal que o cão se sinta realmente bem é quando se rebola na lama ou desgasta as unhas ao escavar um buraco onde esconder o osso mais precioso. Que se sinta bem e no direito de o fazer quando lhe apetecer e não quando o "dono" assim o decidir e se o decidir. 
Enfim, visões diferentes da mesma realidade e talvez seja mesmo eu que estou errada. Para variar!

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Saltando de ridículo em ridículo e aterrando no da guerra em Gaza percebemos que o mesmo Homem dos direitos dos animais "de companhia" (que não são "dos animais" mas "de humanos" e que talvez por isso mesmo não se devessem chamar "direitos") mata indiscriminadamente seres da mesma espécie que fazem parte de uma tal de "Humanidade" por causa de uma coisa super importante que apelida de "religião" e de um ser (ou dois ou três, ou cem) que nem sabe se realmente existe.
Enfim, visões diferentes da mesma realidade e talvez seja mesmo eu que sou fundamentalista e ande a precisar de mudar de óculos. 

Daqui
Por fim, não será difícil esborracharmos a cara no ridículo de uma selfie qualquer, basta haver um único elemento da dita espécie "humanidade", um aparelhómetro que tire fotografias e um ego narcisista às pazadas que, voilà, esta revela-se ao mínimo clic.

DAQUI
*Afinal enganei-me, os pontos ténues são dois e não um, além do "ridículo", há uma sombra quase transparente, que apenas se vê se pusermos uns óculos de infra-vermelhos e que passa facilmente despercebida a qualquer um de nós, diz que se chama qualquer coisa parecida com "Homem" e segundo parece a junção destes dois pontos costuma resultar em selfies. É o que dizem, eu cá não sei de nada!

domingo, 27 de julho de 2014

Sei Que Estás Aqui

Às vezes, sinto-me sozinha. Tão sozinha, neste mundo, que acho que ninguém me entende. Nessas alturas, falo contigo e sinto-me menos sozinha. Ou acompanhada na minha solidão. Vejo-nos aos dois, juntos e sós, no meio de uma multidão. Chega a ser claustrofóbico. Tento respirar o ar dos outros, mas ele não me chega. Não nos chega. Tento falar-lhes, mas não me ouvem. Ou fingem que não ouvem. Ou não me saem palavras que queiram entender.

Às vezes, esta solidão preocupa-me. Outras não. Sei que estás aqui.
E isso chega-me.

sábado, 26 de julho de 2014

Trabalho a Favor da Comunidade

Eu - J., vai pôr a mesa!
J.- Oh mãe, não, isso é que não!
Eu - Vai lá, é a tua função nesta comunidade.
J.- Oh não! Então quero mudar de comuna.
Eu - Muda, muda. Vê se arranjas outra comunidade onde te dêem de comer, vestir, amor e carinho como nesta. E onde nem sequer tenhas que pôr a mesa.
J.- Pronto, ok, já vou pôr a mesa!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Leituras

Vim aqui só avisar que ando a ler a Biografia Involuntária dos Amantes para o caso de alguém estar interessado em saber.

DAQUI

Continuo com a síndrome das folhas em branco que no meu caso nunca foi página, já deixou de ser folha para passar a ser folhas e vou a caminho do caderno. Ou seja, continuo aparvalhada. Não me liguem, ok?

domingo, 20 de julho de 2014

Por Falar Em Tontinhos...

Olhem Lá Estes!

Estamos Tontinhos, Não? (Segundo Episodio)

Qualquer dia fazem-se selfies em cagalhões, não?


Estamos Tontinhos, Não?

Voltando ao avião da Malaysia Airlines, ISTO está a fazer-me um bocado de impressão!

Síndrome da Folha Em Branco, aka (also known as) "Aparvalhice" Minha

Ando numa fase desastrosa. Tenho uma vontade imensa de escrever, mas primeiro que saia alguma coisa desta cabeça são altas horas da madrugada e acabo por ir para a cama sem uma palavrinha escrita que seja. Se eu fosse uma escritora, podia dizer-se que estava a sofrer a síndrome da folha em branco, mas como não sou, ando apenas a aparvalhar.
Visto que já me superei e escrevinhei uma linhecas, vou dormir que já está na hora.

Boa noite, meus doces!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Do Jornalismo

Tenho reparado que o acidente/atentado do avião da Malaysia Airlines motivou uma onda de consternação e revolta quanto à exploração das imagens da tragédia pela comunicação social. O jornal mais atacado pelas vozes indignadas foi o Correio da Manhã pela capa de hoje. 
Detesto o Correio da Manhã. Acho que é do piorzinho jornalismo que se faz em Portugal (reparem que estou a ser uma querida por ainda chamar àquilo "jornalismo"), mas neste caso venho aqui para o, mais ou menos, defender. 
Na verdade, não me espantam nada estas capas de jornais, em que se explora a imagem da desgraça para se vender notícias. Não concordo, não gosto, desprezo, mas não me espantam. O que me espanta é as pessoas indignarem-se todas quando se trata de mortos e esquartejados, mas adorarem, e até incentivarem, quando se trata da devassa da vida de gente de corpo inteiro e vivinho da silva.
Mas adiante.
Por outro lado, não posso deixar de chamar a atenção para o caso da imagem abaixo, que foi divulgada por todo mundo aquando do desabamento de uma fábrica no Bangladeche, e sobre a qual não li nem ouvi ninguém mostrar tamanha indignação. Até, antes pelo contrário, foi encarada como uma ode ao amor. Também aqui aparecem corpos mortos que se exploraram por estas Internet, capas de jornais e telejornais fora. Mas aqui a componente romântica abafou as vozes que se tentaram elevar em defesa da privacidade destas duas pessoas e seus familiares.

DAQUI

Por ainda outro lado, e talvez o lado mais relevante, o objectivo da comunicação social é vender jornais e notícias, ao mesmo tempo que constituiu uma via para divulgar pelo mundo o que se vai passando neste mesmo mundo. Precisamente por esta ordem: vender notícias e só depois informar. Não ao contrário, como seria desejável. E aí reside o problema, na vertente comercial da informação, que tem, ao longo dos anos, impedido que esta se mantivesse isenta e desinteressada (se é que alguma vez o foi e não passou apenas de uma pretensão lírica).
A partir do momento em que o jornalismo em particular e a comunicação social em geral, se tornam convertíveis em dinheiro, em muito dinheiro, o principal interesse é vender e só se vende aquilo que as pessoas querem comprar.

E finalmente, cheguei onde queria, ao que as pessoas querem comprar. Este sim, é o cerne desta questão. Infelizmente e com muita pena minha, não posso culpar o Correio da Manhã pelo mau jornalismo que fabrica e comercializa, tenho mesmo que, contra vontade, apontar o dedo a quem o compra, porque é este "quem" que o torna assim tão medíocre.
E aqui venham daí as pedras, porque o que vou dizer a seguir não vai agradar à maior parte das pessoas!
As pessoas, leia-se "a maioria", gostam do horrendo, da tragédia, da intriga, da devassa alheia e da perversão. Gostam sim. (O sucesso dos reality shows corrobora bem esta minha afirmação no que concerne à intriga e à devassa e o sucesso que terá o livro da mãe do Ronaldo no que diz respeito à tragédia e... à devassa alheia outra vez). Por vezes, até deliram com isso, mas têm vergonha de o admitir e encobrem esse fascínio sob uma capa de consternação. É esta capa (não a dos jornais) que me enoja, porque esconde os verdadeiros podres desta sociedade e a torna tão hipócrita quanto desprezível.
(Ok, já me estou a desviar das pedras, mas agarrem mais umas quantas que isto ainda não acabou!)
E uma vez mais, não vou poder atacar o Correio da Manhã (oh!) e dizer que não tem o mínimo de sensibilidade para com a dor dos familiares das vítimas do acidente/atentado ou respeito pelas próprias vítimas, quando explora a sua privacidade ao expor, numa fotografia enorme na capa do jornal, os seus corpos despidos e em pedaços...
Vou ter mesmo que dizer que a culpa é nossa, sociedade de merda, que consumimos toneladas de lixo encapotado nas mais variadas formas de dissimulação de dejectos, entre elas está o jornalismo claro, mas também estão muitas outras coisas de que não vou falar aqui. Hoje.



E pronto, acabei de perder os poucos seguidores que restavam a este blogue...

Alguém pode, por favor, tirar estas pedras de cima de mim? Hu hu, está aí alguém? 

Castelos

Ver-te, o tempo todo, a encestar no cesto do quarto, no da rua, nos caixotes do lixo ou num cesto imaginário é ver-me a fazer rodas em todas as ruas sem trânsito e pinos em todas as paredes sem portas ou janelas.  
Sempre que te observo a imaginares jogos em que todos os jogadores és tu, lembro-me dos concursos de ginástica em que todas as concorrentes era eu. Ralho-te, porque é a minha função evitar o exagero e despertar-te para outras coisas, mas sinto essa obsessão que se apodera de nós quando gostamos realmente de alguma coisa. Sinto a força que nos domina e nos faz ultrapassar os limites que o corpo nos tenta impor. E sei que a nossa vida se vai alimentando disso, da transposição de barreiras e da criação de novas, em que vivemos dessa adrenalina e respiramos as nossas secretas vitórias. Uma após outra, como se de tijolos se tratassem, vamos construindo o nosso castelo imaginário, onde somos reis e senhores.

Sabes, filho, ainda hoje tenho os meus castelos? Mais pequeninos do que em criança, mais fáceis de construir, mas também menos belos e desejados. 
Às vezes, fico com medo de destruir os teus, pelo exemplo do insucesso dos meus e por não te deixar voar demasiado alto para que, se caíres, não te magoes, tanto. 
E fico com medo de não ser capaz de te ajudar a ser feliz e de fazer tudo errado. Tenho pavor de fazer tudo errado e de te ver perder essa ânsia de construir castelos e de te superares a cada tijolo. 

DAQUI

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ó 'Faxavor, Tenho Uma Dúvida!

DAQUI

Será que não é possível lutar-se por uma causa sem a tornar numa espécie de religião cheia de mezinhas e rituais parvos?

Só para saber...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vampirizar

Uma multidão cerca-nos. Olhamos em volta e só caras desconhecidas. Tentamos decifrar expressões, ler pensamentos, ver para além das expressões e dos pensamentos. 

E nada. 

Fechamos os olhos e inventamos histórias para as caras que se gravaram na nossa mente. Imaginamo-las íntimas entre elas, a amarem-se e odiarem-se num quotidiano monótono em que as conseguimos ver a acordar, a lavarem-se, a vestirem-se, a comer, a abandonarem-se. 

Caras estremunhadas, caras desconhecidas estremunhadas. Abandonadas.

Somos nós que as rodeamos agora. Tal predador em volta da presa, cheiramo-las, inspiramos-lhes o odor até nos inebriarmos de fome e nos fixarmos na ideia de as devorar. 
Num salto, atacamos-lhes o pescoço da alma e sorvemos-lhes a essência. Sugamo-las por inteiro até as possuirmos. São nossas. São nossas. 

É a partir deste momento que as podemos estampar numa folha de papel e escrevê-las, desenhá-las, apagá-las e reescrevê-las novamente a nosso bel-prazer. São nossas.



sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sessenta Anos

Sessenta anos. Fazes hoje sessenta anos e eu lembro-me bem de ti com menos de trinta. Mais novo do que eu agora. Quase dez anos mais novo do que eu agora. 
Olho para trás e vejo que o tempo passou sem que nos tivéssemos dado conta. Houve várias vidas que deixámos lá longe, à distância de muitos dias, e de ausências, e de vozes perdidas. Deixámos lá atrás o som da música que ouvíamos, a beleza das paisagens, as conversas, o mar... Deixámos lá e não podemos voltar para ir buscar esses momentos. 
Apenas a memória nos devolverá a sensação que eu criança e tu jovem trintão. A memória e o aperto no peito... Lembro a espera. Lembro tão bem a espera. Sabes, pai, se há coisa de que me lembro em criança é da espera? De te esperar sem que viesses. E, quando vinhas, da cabeça fora da janela do carro e do vento que me embaraçava os cabelos e me secava a boca. E do vento, pai. Lembro-me bem do vento. E da tua voz entre o vento...

Pois é, pai, sessenta anos e eu quase quarenta. E vidas deixadas lá atrás, amarradas a lembranças que esgotámos e fizemos renascer quase puras. Porque o que deixámos antes, ficará para sempre guardado nas nossas memórias e ressuscitará em quadradinhos de afecto embrulhados em papel celofane que ofertaremos um ao outro em dias de anos. Como este.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Passinhos Pequeninos

Lembram-se DESTE POST?

O meu filho foi o único miúdo da escola que se recusou assinar aquela treta.

-A minha mãe diz para eu não assinar! - respondeu à professora que lhe colocou aquela porcaria à frente.
-Se não assinas, vou ter que te anular o exame! - ameaçou a professora.
Desfez-se em lágrimas em pleno exame de Português e assinou. Perante a aflição do meu filho, a professora foi verificar com o secretariado de exames a veracidade das suas palavras. Confirmou que estava errada.
-Afinal se não assinares, não temos que anular o teu exame! Riscamos a tua assinatura?
-Sim. - respondeu o meu pequeno revolucionário.

-Mãe, sob ameaça tive que assinar! - justificou-me.
-Fizeste bem. Só tenho pena que tivesses que passar mais esse stress... Pensei que não iam entregar esse papel este ano... Perguntei à tua professora e ela não sabia. Pensei que tinham desistido dessa porcaria... Desculpa.
-Como me tinhas dito para eu não assinar, que ainda não era responsável, disse que não assinava, mas sob ameaça, tive que assinar.
-Fizeste muito bem. Estou muito orgulhosa de ti. No próximo exame, levas um papel escrito e assinado por mim para substituírem pelo outro. Assim, já não tens que te preocupar com isso.

E assim foi. O meu pequeno revolucionário levou um papel meu que entregou em substituição do outro e apesar de mais estes stresses a juntar aos cinco minutos para preencher o cabeçalho, ao uso exclusivo de caneta preta e ao "escreve aqui a lápis", "escreve aqui a caneta", teve os melhores exames-ratoeiras da turma.

Vai buscar, ó Crat(ino)!