segunda-feira, 30 de junho de 2014

Troca de Garlaitinhos

J. a ver fotos na máquina do pai.
- Tchiii, adoro esta! E esta. E esta. Eh pai, tiras fotos espectaculares! Não sei como consegues tirar sempre fotos tão boas...
O pai olha-o com cara de "estás-me a dar graxa, estás".
- Não, pai, isto não é troca de garlaitinhos! É a verdade!
- Troca de quê?
- Garlaitinhos.
- De quê?
- Troca de garlaitinhos.
- Ah, troca de galhardetes?!
- Pois... Mas não é!

Imagem DAQUI

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Coração Elástico

Cheguei à conclusão que o meu coração é elástico. 
Com os anos, vai-se a elasticidade da pele, mas fica a do coração. Melhora a do coração. Com a idade, tenho aprimorado a capacidade de encolher e esticar o coração num, cada vez, menor espaço de tempo. 
Numa questão de segundos, o órgão que me comanda as pulsações passa de minúsculo a enorme. Ora me ocupa o peito todo e ainda me sobra para a barriga e pescoço, ora tenho que o procurar duvidando se não se perdeu por algum vaso sanguíneo. 

Não digam a ninguém, mas ando desconfiada que a culpa desta elasticidade cardíaca é do meu filho... À medida que vai crescendo e saindo debaixo das minhas saias e asas, o meu coração intensifica os exercícios de estica/encolhe, estica/encolhe. 
Volta e meia, o puto faz algo grandioso (sim o meu filho faz muitas coisas grandiosas) e o meu coração deixa de caber em mim. Meia volta e uma, está longe da saia e da asa e eu de rabo para o ar à procura de um coração minúsculo que me saltou do peito.

Dizem as más-línguas que isto não fica assim, que quanto mais os filhos crescem, mais os corações dos pais se exercitam e ficam qual fanático do desporto. 

Oxalá se enganem...

DAQUI

Rubrica "O Melhor do Meu Dia"

Aderi a está rubrica, criada pela Catarina Beato, do blogue dias de uma princesa, porque a achei uma boa ideia, positiva, alegre, para cima.
Hoje, cheguei à conclusão que não faz sentido continuar com este sol ali ao lado. Não por achar que a rubrica deixou de fazer sentido, mas porque acho que nunca fez grande sentido neste blogue.
Não sou uma pessoa positiva (pronto não sou, tenho que admitir) e as coisas boas da vida também não me impelem a escrever. Não escrevo só desgraças, é certo, também gosto de escrever humor, amor e outras coisas acabadas em "or", como dor por exemplo, mas "o melhor do meu dia" não é aquilo que me faz pegar na caneta, ou melhor abrir a folha das mensagens do blogger, e desatar a escrevinhar cenas. Não é, pá, pronto!
Por estas razões e por outras, como por exemplo a vontade de fazer remodelações aqui no cantinho-mais-lindo-da-blogosfera, vou retirar o sol dali, ok? 
No heart feelings! Amigos como dantes!

dias de uma princesa

quarta-feira, 25 de junho de 2014

"A Morte Saiu À Rua"

Não se chorava ali. Cruzavam-se conversas do tempo, da escola, de negócios. De vez em quando do T.. Amigo, diziam. "Ele costumava passear-me na altura em que me separei. Pensava que estava pior do que realmente estava e achava que me distraía se me passeasse". Fez o mesmo com a minha mãe, lembrei-me. Passeou-a bastante para a distrair. 
"Todos os sábados, ligava ao T. para tomarmos café. Este sábado ele já não está cá". Este sábado, o café já não vai saber ao mesmo e o mundo será mais pobre. Perdeu um amigo. 
Não se chorava ali. E o assunto mudava. Falava-se do tempo, da escola, de negócios. De vez em quando do T.. "Não trataram dele como deviam no hospital. Um dia, cheguei lá e o ar-condicionado estava a quinze graus. O T. tremia."
Já não treme agora. Nem o encontramos mais na rua. Ficamos à espera de o ouvir falar sobre o estado do país. Ficamos à espera das suas palavras tão certas. E da sua resistência. Resistência ao mundo, e às doenças. Era um sobrevivente, diziam. E o mundo perdeu mais um.

"Onde estiveste, mãe?"
"No cemitério" 
"Quem morreu?" 
"O T." 
"Porque não me contaste antes?"

Para te poupar... Talvez... Pensei que podia não ser preciso contar-te...

"Não sei como reagir à morte, mãe."

E eu não sei como explicar-te a morte, filho.

"Eu conhecia-o. Falei com ele. Não sei como reagir à morte." 

E eu não sei explicar-ta. 

"Devias ter-me contado mais cedo."

Pois devia. Talvez... Podia não ter sido preciso contar-te...


terça-feira, 10 de junho de 2014

De Capa e Espada. Ups, não! De Capa e Fitas.

Por influência dos pais, o J. disse que não queria capa com fitinhas de finalista do quarto ano. Disse que não gostava, que não queria porque não queria. Pronto.
A mãe, cheia de peso na consciência de fazer a criança ter estes arranques de personalidade de quem está sempre do contra, pergunta:
- Tens a certeza? Não queres mesmo a capa?
- Não, mãe, não quero. Aquilo é uma parvoíce!
- Mas no fim da festa de finalistas, vão dar a capa a todos os meninos e tu vais ser o único que não tens. Não vais ficar triste?
- Não, mãe, qual é o problema? Aquilo não tem piada nenhuma...
- Mas vão chamar cada um de vocês ao palco para entregar a capa e a ti não vão entregar nada. Tens a certeza que não queres que eu compre as fitas?
- Tenho, mãe, já disse que não quero!
- Então, quando fores grande e andares no psicólogo, não me venhas cá culpar de não teres uma recordação do quarto ano, ok?
- Pronto, mãe, está bem, compra lá as fitas!

Chego Tarde

Tento adivinhar-te
Aqui, a esta pouca distância

Será que já dormes?

Imagino-te o sono lento
E solto
A respiração compassada
As costas trémulas
Acordar-te
Ou adormecer-te no meu regaço

Será que já dormes?

E chego tarde
Como sempre.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Tempo Sem Fim

Cheiro da rua sem escapes
Ar, narinas adentro, até ao fundo
Céu rosa e amarelo lá longe onde a paisagem se faz tela

Saudades da terra e da erva
Saudades dos fios da palha nos dedos

Rua que passa na janela do comboio à distância do vento na face
Boca aberta e língua encortiçada pela pressa da viagem

Saudades do tempo sem fim

domingo, 8 de junho de 2014

Liderança

DAQUI

Há pais que aspiram ter filhos líderes, que saibam comandar, que se sintam à vontade em qualquer ambiente, que brilhem sempre, que mobilizem multidões. Há pais que tentam que os filhos frequentem todos os ateliers, actividades, ou workshops para adquirirem, entre outras, capacidades de liderança.

Nós não somos desses pais. Mas o nosso filho é desses filhos.

O sacana do rapaz é um líder nato. E, ao contrário dos pais que querem filhos líderes, nós não ficamos inchados quando o vemos a comandar as tropas, ficamos assim como que envergonhados. Não gostamos de o ver a querer mandar nos outros, achamos que é um pouco prepotente.
Quando lhe dá para brilhar e destacar-se num qualquer espectáculo escolar, não nos esticamos, para quem procura os pais daquele miúdo nos encontrar, mas encolhemo-nos e tentamos esconder-nos um atrás do outro para que não nos descubram. Somos uns pais mais recatados do que o filho e a exposição pública incomoda-nos. Mas o miúdo gosta de dar nas vistas e, ainda por cima, tem jeito, o que, por outro lado, nos deixa orgulhosos quando faz das suas "gracinhas". Ficamos assim como que orgulho-envergonhados. O que é lixado, pois não sabemos muito bem como reagir a este mix de sentimentos.

Apesar de nunca aspirarmos um filho líder, o miúdo é líder e até é um bom líder... Não entra muito naquelas cenas parvas de gabarolice, consegue mobilizar um grupo de miúdos pela causa que defende e leva-os a darem o melhor si próprios (o que me parece uma boa qualidade num líder).
Como líder e como quem gosta de dar espectáculo, o puto está sempre no centro das atenções (quando não está, faz por estar), facto este que nos deixa demasiado expostos para o nosso gosto e que faz com que ele vá criando inimizades com outros miúdos que também pretendem a liderança e com que alguns dos pais desses miúdos se aproximem de nós cheios de falsidade e de segundas intenções. (Como se serem nossos amigos, fizesse com que o nosso filho deixasse o deles liderar... Ah ah ah! Se pensam assim, além de falsos e mal-intencionados, também são um bocado ingénuos...)

E pais destes põem-me a pensar na tristeza de sociedade em que vivemos, onde os pais se esquecem que os filhos são pessoas a respeitar que têm de encontrar o seu lugar nos grupos por onde vão passando, e no mundo, e que têm de perceber onde se sentem melhor e onde querem estar, e nem todos se sentem bem a liderar ou é isso o que desejam. Se não é na função de líder que se sentem bem porque insistem os pais em torná-los líderes? Porque não os ajudam a procurar o seu lugar em vez de os obrigarem a tomar posições que os deixam desconfortáveis? Nós também tivemos que nos resignar ao papel de destaque que o J. gosta de desempenhar e não o obrigámos a ficar numa posição mais discreta que seria bem mais confortável para nós.
A imagem destes pais faz acentuar o fosso que há entre nós, pais do J., e a maior parte dos seres que educam crianças neste mundo, o que faz com que também se acentue o fosso que vai nascendo entre o nosso filho e a maior parte dos colegas e que tornará tudo isto a que chamamos vida bem mais difícil para ele.
E nesta altura, penso que as dificuldades também nos fortalecem, deixo para trás todas as outras dúvidas, volto à pergunta "O Que Desejamos Para os Nossos Filhos?" e agarro-me ao

"QUE SEJAM FELIZES!".

terça-feira, 3 de junho de 2014

Olha a Bola, Manel. Olha a Bola, Manel, Foi-se Embora. Fugiu!

Portugal está completamente inebriado. Nada mais vê a não ser bola. Podem aumentar impostos, cortar ordenados, tirar direitos que ninguém repara. Só o mundial, o Ronaldo e a selecção interessam. O resto que se lixe!

Triste país o meu...

Não Batam Mais No Carlitos!

Li por aí várias críticas, tanto à entrevista do Dr. Carlos González, quanto aos comentários do Dr. Mário Cordeiro à mesma entrevista. Para ser sincera não li os comentários do Dr. Mário Cordeiro, apenas a entrevista do Dr. Carlos González e não achei nada de tão terrível na entrevista do espanhol que valesse tamanha exaltação. Antes pelo contrário, concordo com a maior parte das opiniões ali expressas, mas penso que a mensagem ou não foi passada da melhor maneira ou a maior parte das pessoas que a critica sentiu-se picada e começou a defender-se desenfreadamente como se o Carlitos a estivesse a recriminar de algo abominável.

Dividindo a entrevista por temas, escolho os seguintes, que me parecem mais relevantes:
1- Castigos
2- Dormir com os pais
3- Disciplina (qualidade interna versus imposição externa)
4- Creches
5- Importância do instinto na educação
6- Comparação das crianças com adultos

1- Pegando nos castigos, já falei AQUI sobre eles. Acho que está praticamente tudo dito. Concordo com o Carlos, os castigos são inúteis. E são-no porque não ensinam nada. Tal como o Carlos diz, deve haver limites, mas apenas os que são razoáveis e lógicos, e acrescento, os que ensinam alguma coisa às crianças e as protegem. Todos os que resultam de autoritarismos devem ser deitados ao lixo.

2- Quanto a dormir com os pais, não acho que seja necessário, acho que é apenas preguiça dos pais para se levantarem 150 vezes durante a noite. Uns acham que vale a pena cederem à preguiça, que compensa o incómodo de dormirem apertados. Enquanto outros - onde me incluo - preferem levantar-se as 150 vezes por noite e as outras 150 vezes que se deitam poderem realmente dormir, confortáveis e sem estarem sempre a pensar se vão ou não acordar com a criança esmagada. 
Penso que o co-sleeping não é tão centrado naquilo que a criança quer ou precisa quanto nos querem fazer crer, mas que surge mais agarrado aos confortos dos pais do que aos dos filhos. (Atenção, que digo isto baixinho para não ferir susceptibilidades!) E não me parece nada mal assumir-se isso. Não se é melhor ou pior pai/mãe por se dormir com os filhos. É-se apenas mais ou menos preguiçoso. (Eh eh eh, bricadeirinha!) Porém, parece-me que a partir de uma certa idade os filhos precisam de se tornar mais autónomos dos pais e de que essa autonomia pode passar por dormir sozinho.

3- Aqui, mais uma vez, concordo com o Carlitos. A disciplina vem de dentro! Imposta é efémera. 
O que temos de ensinar às crianças é a auto-controlarem-se, não a serem rodeadas de regras e proibições para que estejam controladas. Ou seja, o controle deve ser imposto por elas próprias, com a nossa ajuda, claro, e com regras, claro, mas apenas as estritamente necessárias para que as crianças entendam porque se devem controlar e de que forma o auto-controle as protege.

4- As creches não são realmente o local mais agradável para se entregar um filho de meses, porém são necessárias quando não há mais licença de maternidade ou paternidade que nos valha, nem avós reformados que nos acudam. Podendo escolher, um ambiente familiar e acolhedor é sempre preferível. Acho que aqui não há polémica.

5- O instinto é muito importante na educação dos filhos. Tal como a racionalização e o conhecimento. O ideal é doseá-los todos. E além destes, o exemplo que lhes damos também é muito importante, talvez um dos mais importantes e talvez um dos que mais vezes falhamos.

6- Por favor, o homem só comparou as crianças com adultos para que os adultos percebessem melhor como as crianças funcionam! Segundo parece, não funcionou! Bad choice, 'ma friend!