domingo, 30 de março de 2014

Aperto no Peito

Tenho um aperto no peito permanente.
Já respirei fundo várias vezes seguidas, já abri a caixa torácica ao máximo, já tentei esquecer-me do aperto. Ele continua aqui. Como se tivesse cintos à volta das costelas, ele continua aqui a apertar-me.
A vontade de expelir qualquer coisa não me larga. Só não sei o quê.
E o aperto aperta-me muito.
Maldito!

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Arte de Abanar o Rabo

Aqui a mocita não se abana lá muito bem. Adora dançar, mas o pé, a perna e o rabo pesam que se fartam e sensualidade é coisa que escasseia por estes lados. Mas a mocita decidiu (a bem da sua sanidade mental, que também se estava a esgotar, e da saúde, que às vezes ameaça abandoná-la) deixar de fumar (já vai para o terceiro mês sem poluição atmosférica), comer melhor - ou menos mal, vá - e fazer exercício físico. 

Quanto ao tabaco, começou pelos cigarros electrónicos, passou para as pastilhas Niquitin (passo a publicidade, até porque já as retiraram do mercado) e acabou nas pastilhas comuns, que tem vindo a diminuir o consumo e servem apenas para a distrair a seguir às refeições. 

No que diz respeito à alimentação, diminuiu o consumo de carne e doces, aumentou o de legumes, de água e tisanas e apostou de tal forma nas especiarias que o filho já está enjoado de caril.

Em matéria de exercício físico, inscreveu-se num ginásio e corre um bocadito aos domingos. 

E era aqui que queria chegar: à cena do ginásio, porque há danças a dar c'um pau e daquelas pseudo-qualquer-coisa-a-cair-para-o-lado-que-te-der-mais-jeito! 
A miúda não se mexe com glamour, é certo, mas gosta de se mexer ao som de um qualquer sonzito manhoso (vulgo "dançar"). E no ginásio que frequenta, sonzito manhoso e aulas para abanar o esqueleto são coisas que não faltam. O problema é que o abanar de esqueleto mete quase sempre o abanar de rabo, que esqueleto sem rabo não tem piada nenhuma e rabo sem esqueleto não se consegue mexer! E quando mete rabo na história, a mocita atrapalha-se: Se o rabo é para ir para a direita, a miúda abana a perna para a esquerda (quando não é o braço), se é para ir para a esquerda a miúda atira a mamoca direita em direcção aos céus (pronto, não é aos céus, é ao tecto do ginásio). A verdade, é que há uma clara descoordenação entre rabo e som, ou, quiçá, entre o rabo e o cérebro da mocita...

À primeira vista, abanar o rabo pode parecer uma cagadice simples-simples, mas se olharmos com atenção, não é qualquer amadorzeco que o abana na conta e medida certas, e para o lado correcto. Abanar o rabo é coisa que exige coordenação, atenção e alguma leveza. Desculpem-me, mas abanar o rabo é tão-só coisa para profissionais ou artistas! Abanar o rabo é algo extremamente... Eu sei lá....

Só sei que, mais dia, menos dia, EU CHEGO LÁ! Ou não me chamo Mammy!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Outros Festivais

Eu - Tenho que ir ver o Eddie Vedder ao Super Bock Super Rock!
J.- Sabes que o Caetano Veloso e os Pixies  também vêm cá?
Eu- Sim, mas eu quero é ir ver o Eddie Vedder!
J.- Eddie Vedder-Eddie Vedder ou Eddie Vedder-Pearl Jam?
Pai - Não há Eddie Vedder-Eddie Vedder e Eddie Vedder-Pearl Jam. Há ou Eddie Vedder ou Pearl Jam.
J.- Sim, mas a mãe entendeu. 
Eu - Sim, entendi. É só Eddie Vedder! 
J. - Também quero ir ver!
Pai - Eu quero ir ver os Pixies. Se fosse Pearl Jam, até preferia a Pixies, mas assim...
J. - Ok, então eu vou ver Pixies e Caetano Veloso com o pai e Eddie Vedder com a mãe!

Simples!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Dos Esboços

Tenho dezasseis esboços de posts no telemóvel que podia começar a despejar para aqui, mas hoje já não consigo escrever mais nada. Estou cheia de sono.
Boa noite, pessoal! Durmam bem!

A Prenda

O J. dá a prenda que fez na escola ao pai. Dá-lhe um envelope grande com uma espécie de placa identificativa lá dentro, daquelas que se põem em cima das secretárias, mas esta em vez do nome, tem uma mensagem escrita por ele e é feita de cartolina e não de metal. 

O pai diz:
- Tão giro, foste tu que fizeste isto tudo?
- Não, eu só escrevi a frase, o resto foi a professora que fez. Vês, como a professora é tão querida que faz prendas para ti?

Dia de Qualquer Coisa

Acho graça a esta coisa dos dias disto e daquilo. Se já achava uma certa piada na vida real, começo a descobrir um encantamento diferente na vida em ecrãs de x polegadas. Se a loucura por estes dias, nas lojas, já era um exagero, a loucura pela mensagem mais pronta e sentida, no mundo cibernético, excede todas as minhas expectativas. 
Pergunto-me "andamos à procura de quê?", "queremos provar o quê?". E as respostas que me assaltam são qualquer coisa entre a afirmação pessoal, a demonstração de que a embalagem não está vazia e o sentido da vida. E não me excluo do pacote, pertenço a este "nós", ou não tivesse eu este blogue onde escrevinho "cenas que me ocorrem na alma". Ou acho eu que ocorrem... Ou quero afirmar que ocorrem... Ou a vida só faz sentido se ocorrerem cenas dessas... Não sei. 
A verdade é que não precisava de um Dia do Pai para me aperceber que o meu, e do meu filho, são os melhores pais do mundo (porque são o meu e do meu filho), ou de um Dia da Mãe para me sentir a Super-Mulher cá de casa, ou de um Dia da Mulher para ver o quanto estamos atrasados nisto da "igualdade de género", ou da Criança para amar um pouco mais o meu filho e perceber que este é um dia que já não posso celebrar como meu há anos. 
A verdade verdadinha é que não precisava de nada disto para saber que cá dentro ainda há qualquer coisa que me mantém viva e que essa coisa não se compra nas lojas, que pode ser dada sem todo o mundo ter de saber e que não precisa de dias marcados para sair. 
A verdade verdadinha é que o dia ser de qualquer coisa não nos faz melhor do que nos dias de nada e que o que andamos à procura, ou que queremos provar, ou está lá todos os dias... Ou, simplesmente, não está. 

sábado, 15 de março de 2014

Hoje, A História Pré-Sono Foi Minha!

Hoje, fui eu que tive direito a história pré-sono. Mais propriamente a Mixórdias de Temáticas

O miúdo leu-me esta




E não é que me fartei de rir com a voz do Ricardo Araújo Pereira a sair de dentro do meu filho?

Vá-se lá explicar estes fenómenos...

terça-feira, 11 de março de 2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

Às Vezes, Gostava de Ser Pequenina Outra Vez...

Às vezes, gostava de ser pequenina outra vez... 
Passar as tardes em casa da minha bisavó a fazer roupinhas para as bonecas. Acordar com o cheio do café da cafeteira da minha tia-avó e almoçar sopa de legumes e carne assada com puré. 

Às vezes, apetecia-me ouvir a voz da minha bisavó outra vez, sentir o cheiro a sabonete das mãos do meu avô e ouvi-lo comer sopa e beber vinho tinto. Queria dar voltas de bicicleta à casa da minha avó até ela gritar para eu parar de marcar o chão do terraço com os pneus da bicicleta. Queria subir às árvores e ver gatinhos nascer. 

Às vezes, queria sentar-me ao colo do meu pai a ver televisão, jogar crapô com a minha avó, comer pão com manteiga e Ovomaltine e fingir que ando a cavalo no corrimão do varandim. Queria andar de patins como se fosse uma patinadora que ganha todas as provas e cantar como uma cantora da Eurovisão.

Às vezes, queria ser uma índia e navegar de canoa debaixo da mesa da sala. Queria fazer suflé de peixe com a minha mãe e chamar-lhe brincada, brincar aos polícias e ladrões e ser os polícias, os ladrões e todas as outras personagens da história. 

Às vezes, gostava de pedir desejos que eu só poderia formular quando me caíssem pestanas, que eu apanharia e apertaria entre o indicador e o polegar e teria de adivinhar se estariam coladas ao dedo de cima ou ao de baixo. Os meus desejos ainda seriam pintar-me como a minha mãe, ir à terra dos índios e atravessar a estrada sozinha.

Às vezes, queria ser pequenina outra vez e achar que ainda me falta muito tempo para ser grande.

sábado, 8 de março de 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ecos de Nada

Vazio de folha branca. Caracteres que chegam aos soluços mas nada dizem. Estado de folha e mente silenciosas. 
Ecos de nada.