segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Polícias: Essa Escumalha Maldita!

Pegando no caso do polícia condenado a nove anos de prisão pela morte de uma criança que seguia no carro do pai durante um assalto em que este participava (no vídeo abaixo) devo dizer que acho muito bem!



O sacana do polícia não devia estar ali, nem perseguir o desgraçado do ladrão, que não estava a fazer mais do que a cumprir a sua honrosa função de ladrão.
Um homem que tem a coragem de encetar a nobre tarefa de desprover outrem dos seus bens, que são em excesso com certeza, devia receber uma medalha, não um filho morto que o acompanhou apenas para aprender o louvável ofício do pai.
Na minha humilde opinião, o polícia devia era ser linchado em praça pública para aprender a não interromper o trabalho de um criminoso sério. Pensando bem, nem consigo perceber porque é que estas pessoas são autorizadas a andar armadas com pistolas, navalhas, bastões, algemas e afins. A sério, não percebo mesmo! É para andarem por aí a matar crianças filhas de criminosos inocentes? Pior, é para matar os desgraçados dos criminosos? Ou é para andarem a brincar aos cowboys quando não têm nada que fazer e depois, ups, acertam numa coitada de uma pessoa que vem num carro com criminosos que andaram a roubar, violar ou assassinar?

Acho que, neste caso, além da pena de prisão e da indemnização aos quais o polícia foi condenado, o Estado, portanto nós, também devíamos contribuir para indemnizar o coitado do ladrão que, além do filho que levou para o assalto, também perdeu aquilo que roubou, porque um sacana de um polícia que não tinha nada mais importante para fazer, resolveu armar-se em cowboy e persegui-lo com o intuito de o prender. 

E, voltando às armas, estas deviam ser retiradas a esta escumalha policial e oferecidas aos criminosos e aprendizes de criminosos, aquando da sua emancipação, para as usarem na digna carreira que é a do crime.
Sei que é um pouco dispendioso para um Estado pobrezinho como o nosso oferecer uma arma a cada criminoso, mas, vá lá, é só uma ideia que poderia acabar com essa escumalha maldita que não nos deixa andar por aí a assaltar, violar e matar à vontade!

Pseudo

Adoro deparar-me com a ignorância dos pseudo-intelectuais.
É uma ignorância super intelectual, porra!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Convicção

Nós os três a ver a escolha dos jogadores das universidades para as grandes equipas da NBA, no canal NBA, numa gala tipo a dos Óscares...
O jogador escolhido para a equipa X levanta-se, leva com um boné na cabeça com Equipa X inscrito, dá abraços e beijos ao pessoal que lhe faz companhia na mesa redonda, onde espera ansiosamente que o chamem, e dirige-se ao palco para fazer umas breves declarações. 
Enquanto o J. faz o relato da "coisa", eu digo: 
- Olha, estão lá os pais, todos contentes, a dar-lhes beijinhos e abraços!
O J. responde:
- Um dia vão ser vocês a estar ali!


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Televisão #2

Mudámos da Meo para a Zon por causa do canal NBA que o miúdo tanto queria ter. O técnico veio fazer a ligação no sábado e já não consigo ouvir falar aquele "amaricano" nem aquela musiquinha "roscofe".  
Pensando bem, a ideia da televisão no quarto não era assim tão má... (Brincadeirinha!)
"Mãe, que é mãe, sofre de sorriso nos lábios!" já dizia um espertalhão qualquer que devia ser tudo menos mãe.

Oh, I really love this game!

Do Google Images

PSP ou MEMEQL

Não, não é a Polícia de Segurança Pública, é mesmo a PlayStation Portable!

Tal como a televisão no quarto, é um alvo a abater, ou melhor a evitar! Ou seja, o meu filho não vai ter! 

Pior do que a televisão no quarto, as MEMEQL (Máquinas de Entreter Meninos em Qualquer Lado) são demasiado perigosas! 
"Oh, que dramática!", dirão alguns. 
Prefiro ser dramática a ter um filho sossegadinho e fechado, permanentemente, num mundinho virtual!
"Ah e tal, mas eles ficam entretidos, enquanto temos coisas para fazer!". 
Entretidos não, hipnotizados! Prefiro ter um filho que não se cala um minuto, que faz perguntas atrás de perguntas, que cansa, podem crer que cansa até bastante, a ter filho que mais parece um zombie.
"Ah, mas são óptimas para eles sossegarem, quando vamos, por exemplo, jantar fora!"
Pois... Prefiro mesmo passar o jantar a dizer "está quieto!", "tem calma, que já nos vamos embora!", "não mexas aí!", "aguenta, que é só mais bocadinho!" e incluí-lo nas conversas, do que ter um robot como companhia ao jantar! Ou se não estou mesmo com paciência (sim, às vezes, também não tenho paciência, não é nenhum crime, ou é?) para ter um jantar atribulado e quero estar descansada, deixá-lo em casa dos avós e ir sozinha jantar com o pai dele é a opção mais sincera, mais sensata, mais leal. E opto por ela várias vezes! Mas quando estou com o meu filho, estou realmente com ele, não com um boneco engraçadinho que não mexe outra coisa senão os dedos, que não fala outra coisa senão "ganhei!" ou "perdi", que não olha para outro lado senão para um pequeno ecrã com bonequinhos a correr para um lado e para o outro. Tenho uma criança comigo, com tudo o que isso implica! Porque ter filhos não é só fazê-los, vesti-los e dar-lhes de comer. Ter filhos é estar com eles, é aturá-los, sim aturá-los, eles às vezes são chatos e nós, como pais, temos que os aturar. Tal como eles têm que nos aturar a nós. É assim! As relações fazem-se muito de paciência e onde há amor, tem que haver paciência, muita paciência até! 

O pacote "filhos" não vem só com coisas boas e fáceis, vem também com coisas más, chatas e difíceis. Filhos não são sinónimo de serenidade! Filhos são atribulação, são instabilidade, são medos, dúvidas, interrupções. Quem tem filhos não tem sossego nunca! Até quando os deixamos em casa dos avós para termos um jantar sossegados, eles estão sempre connosco em pensamento. Pensamos se estão bem, se comeram tudo, se estão divertidos, se se sentem bem. No fundo, eles continuam a estar presentes no jantar, apenas não estão lá fisicamente. 

E as "Máquinas de Entreter Meninos em Qualquer Lado" são perigosas porque nos tiram os nossos filhos, eles deixam de ser nossos para serem filhos das máquinas e são elas que os educam. A realidade deles passa a ser o mundo virtual das máquinas e dos jogos e nós, pais reais, passamos a ser os virtuais.
Eu não quero ser virtual, nem quero ter um filho sossegadinho mas ausente. Quero o pacote todo. Com tudo o que isso implica! Quero o meu chato a chatear-me de vez em quando e poder dizer-lhe "sossega um bocadinho, ok?".

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Extra-Terrestre

Filho no quarto a descobrir Vivaldi. 


Definitivamente, estou a criar um extra-terrestre!


CAMBADA DE IDIOTAS

Podia, devia, vir aqui, dizer mal do governo. Sim, podia e devia. Talvez isso fosse o mais acertado, o mais correcto, o mais normal. Mas não. Venho apenas "consternar-me". Com o governo, com o país, com este povo. Especialmente com este povo.

Somos uma camabada de IDIOTAS!

(Desculpem-me se feri susceptibilidades, mas se feri, aviso já que este texto tem uma bolinha vermelha no canto superior direito e se estão sensíveis hoje, voltem cá só amanhã, ok?)

Esta camabada de IDIOTAS, que nós somos, é tão execrável que me dá vómitos! 
Ouvir o meu homem dizer "vamos embora, vamos embora desta merda de país! Já não aguento mais esta merda de gente!" e ler o desalento nos seus olhos, porque grande parte desta CAMBADA DE IDIOTAS concorda que lhes cortem os braços e as pernas para sustentar uns vampiros que nos querem chupar o tutano para encherem os bolsos de grandes grupos económicos, e que ainda lhes oferecem os restantes membros ao corte em nome de uma invejazinha mascarada de benevolência, mostra-me que este túnel não tem luz ao fundo.

Arrumei o politicamente correcto na gaveta e a partir de agora só me vai sair sinceridade, doa a quem doer. Desculpem lá, mas se se sentirem ofendidos, vão ler outro blogue mais simpático, que hoje não estou nada simpática, e só de pensar que pode haver aí alguém amuado me irrita. 
Somos uma merda de povo que deixa que nos caguem em cima e pede mais! Somos uns pacóvios armados aos pingarelhos com a mania das importâncias, mas sem um pingo de dignidade. Deixamo-nos manipular por uma data de otários, para parecermos uns meninos bonitos aos olhos dos "camones". Até os angolanos já nos toparam! Pensávamos que os enganávamos com a nossa ganância disfarçada de bondade, mas até eles, que durante tantos anos fingiram que nos perdoaram todas as atrocidades que lhes fizemos durante a guerra, perceberam que somos um engodo. Só a CAMBADA DE IDIOTAS é que ainda não percebeu o quão idiota é. E continua a "idiotar" por aí como se ainda houvesse amanhã.
Perdoamos os cabrões que nos fodem todos os dias, lixamos o nosso parceiro e quem nos dá a mão, gozamos com quem luta pelos nossos direitos, pelos direitos de que abrimos mão para agradar aos gajos do poder e do dinheiro, lambemos botas a impostores, e no fim, ainda dizemos que somos todos muito bonzinhos e que queremos o bem ao nosso irmão.

Vão-se catar, seus filhos da puta! Vão-se catar, sua cambada de idiotas! Peguem no pingo minúsculo de dignidade que ainda vos resta e ergam-na sobre as vossas cabeças em prol de um país de jeito, de uma sociedade condigna, justa e verdadeira. Lutem por todos e não só por alguns! Lutem por vocês, pelos vossos filhos e netos e deixem de envergonhar os vossos avós que passaram as passas do Algarve para vos darem a oportunidade de falarem e de fazerem alguma coisa para mudar esta merda!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Adenda à Televisão

Comprámos uma televisão nova, sem que a antiga estivesse estragada, porque, antes, tínhamos comprado um móvel "muita" giro onde "televisões da cauda" não cabiam.
Somos tão anormaizinhos que, ao contrário da maior parte das pessoas que compra primeiro a televisão e depois o móvel à medida da mesma, comprámos primeiro o móvel e só depois nos apercebemos que nele havia o risco da televisão cair. 
E os totós lá tiveram que arranjar uma sem cauda para que não ficassem com o chão da sala cheio de gente famosa entornada de uma televisão partida e a sala pudesse ficar muito mais gira do que antes.

E não é que ficou?

Televisão

- Não tens televisão no quarto?! - pergunta, indignado, um amigo ao J.
- Não! - responde ele na boa.

Pois não, o meu filho não tem televisão no quarto!
"Ah!!!!"
Nem vai ter, enquanto o conseguir evitar!
"Ah!!!!"
Pois... 

A televisão é um dos principais causadores do afastamento das pessoas, por isso, enquanto conseguirmos gerir os canais que queremos ver, sem andarmos todos à chapada nesta casa e para que não tenhamos que nos espalhar pelas divisões da casa, só vamos ter uma televisão! Chega bem, e sobra!
Aliás, temos a televisão antiga guardada num armário e nem sequer está avariada. Está só guardada. Não precisamos dela! 
Imagem DAQUI
Esta é uma luta pessoal. Uma luta muito minha.
O pai do J. já me tentou aliciar a pôr a televisão antiga na cozinha, ao que eu lhe respondi com um redondo "NÃO! No way, José!". Ok, até podíamos pô-la no nosso quarto, mas só porque é um óptimo sonífero para mim e evitaria os problemas de costas que ando a cultivar por adormecer no sofá. Mas na cozinha? Nem pensar! Para que é que precisamos de uma televisão na cozinha? Não conto passar lá muito tempo. Até porque só lá vou cozinhar e volto logo para a sala. Nem sequer conto comer por lá... 
Já o pai do J. é apologista de fazermos as refeições na cozinha... 
"Nã! Não quero!" A sala é que é lugar para comer, estar e ficar! Todos juntos na sala! A única refeição que faço na cozinha é tomar café para poder fumar ao mesmo tempo sem poluir o resto da casa. E para estar em sossego, por exemplo a conversar ou a ler o jornal, e sossego não é sinónimo de televisão.

Já chegam os computadores a afastarem-nos...
Temos pena! Televisão, chega bem uma! E na sala!
Tenho dito!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Dar Um Tempo

Custa-me tanto ver o meu filho ter dias maiores do que ele...

Ele é dez horas de escola e ATL, desporto, banho, TPCs, jantar, o resto dos TPCs e cama tardia, quase todos os dias.

E brincar, hã? Dá para arranjar um tempinho para as crianças brincarem? E para não fazerem nada? Não há nem uns minutinhos para não fazer nada, olhar para o ar, ou simplesmente respirar?

Porra, que raio de merda é esta que andamos a fazer às crianças?!

Estudar a Brincar

Durante o jantar.

- Mãe, depois ajudas-me a estudar?
- Estudar? Ou a fazeres os TPCs?
- A estudar. Preciso estudar os ossos.
- Podemos começar agora. Começa lá a dizer os ossos!
- Frontal, parietal, temporais, occipitais. - diz muito rápido enquanto vai colocando as mãos nos sítios onde acha que são os ossos. - Está bem?
- Hum, não sei, repete lá!
Repete um pouco mais devagar.
- Frontal, parietal, temporais, occipitais.
- Eh pá, já não me lembro muito bem. Tens a certeza que os occipitais são aí? - ele tinha apontado para o maxilar.
- Não. 
- Pois... Acho que não são ai. Temos que ver no livro depois do jantar.
- Mas eu não tenho cá o livro...
- Isso é que está mal. Já não me lembro bem dos nomes dos ossos, preciso ver num livro.
Continuámos o jantar com o J. a dizer os restantes ossos e eu, e o pai, a tentar corrigir. O pai foi corrigindo os das pernas e braços e eu lá me safei com os das mãos e pés. Ficaram os da cabeça por verificar.

Depois do jantar.

Abro um dos vários livros que o J. tem sobre o corpo humano e mostro-lhe onde estão descritas as várias partes do cérebro, já que todos os livros têm o crânio numa peça inteira e não discriminam os diferentes ossos que o constituem.
- Vês, o osso occipital é aqui atrás, e é só um, cobre o lóbulo occipital?
O livro tem daquelas janelinhas que mostram mais informação quando as abrimos. Abro-a e o J. lê e depois diz:
- Esta parte do cérebro controla a visão.
- Não é engraçado ser esta parte detrás do cérebro que controla os olhos, que são à frente?
- Pois é.

Podíamos ter ficado por ali a descobrir mais ossos e funções do corpo humano, mas a hora tardia não nos deixou. Fomos para a cama e mal nos deitámos o J. diz:
- Vamos fazer o jogo das palavras! A... ... ....
- Stop!
- Letra I.
- Igreja.
- Idiota.
- Índia.
- Itália.
- Índio.
-  Mãe, índio não vale, já disseste índia.
- Vale, vale, disse Índia país, agora estou a dizer índio das tribos de índios.
- Ah, ok. Inglaterra.
- Ivone.
- Humm, humm... Espera estou a pensar...
- É melhor ficarmos por aqui. Já é tarde e tens que dormir.
- Não, quero continuar. Agora é a tua vez de dizeres o abecedário.
- Não, J., tens que dormir. Continuamos amanhã. Beijinho!
- Oh, está bem.
Despedimo-nos e fui à casa de banho. Quando estou na sanita, oiço:
- Intenso!
- Inventor! 
No caminho para a sala:
- Investidor!
- Boa noite!
- Boa noite, mãe! Inverno!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

#23 Músicas Que Entranham



Como é Bom Sentirmos Que Não Estamos Sós

Travar lutas contra o mundo e chegar à conclusão que estamos sós nas nossas opções é difícil. Não, não é difícil, é dificílimo. 

Eu e o pai do J. tivemos que tomar uma decisão bastante complicada relativamente ao futuro próximo do nosso filho. Tentámos adiá-la, pensámos em conjunto, discutimo-la, demos voltas e mais voltas, mas acabámos por decidir de acordo com as nossas convicções do que era melhor para ele. 
Juntámos esforços e, em conjunto, enfrentámos o mundo, um mundo pequeno, é certo, porque se circunscreve a uma área pequena, mas não um mundo insignificante. Apesar do esforço, a nossa árdua decisão abalou a vida do nosso filho, mexeu com amizades, com ambições, mudou-lhe rotinas e gerou uma data de inimigos, vá lá, opositores.
Durante a luta, sentimo-nos balançar, duvidámos várias vezes se estaríamos a fazer o mais correcto: Será que estamos a fazer bem? Será que vale a pena toda esta luta? Será que não o estamos a fazer sofrer desnecessariamente? Será que não teria sido melhor deixar a coisa andar para ver o que é que aconteceria? Eram perguntas que nos assaltavam constantemente. O assunto era conversa na ordem do dia e preocupação de todos os dias. 
Mas como a convicção era unânime, o princípio era o mesmo e os valores eram demasiado fortes para que os abandonássemos, conseguimos resistir a voltar atrás com a decisão tomada e armámo-nos até aos dentes para a luta que estava, ainda, no início. Fomo-nos apoiando mutuamente quando o outro se deixava levar pelo desânimo, agarrámo-nos às nossas crenças e defendemo-las com todas as nossas forças sempre que a luta assim o exigia. Ao mesmo tempo, fomos apoiando o J. incutindo-lhe os valores que defendíamos e dando-lhe a confiança de que tudo iria acabar em bem. 
Deixámos o tempo passar sem nunca descurarmos de observar as consequências da nossa acção. 
Mas a dúvida, se éramos nós que estávamos correctos ou o mundo, continuava a perturbar-nos... 
Até que, finalmente, apareceram pessoas a dar-nos razão. Pessoas que dominavam o tema vieram dizer-nos que estávamos certos, que o que fizemos foi o mais correcto, que é assim que as coisas funcionam, que o resto do mundo é que está errado e não nós.
E sentimo-nos confortados, apaziguados e acompanhados numa luta desigual em que o mundo é imenso e nós meras formigas. Descobrimos que, afinal, há mais formigas neste deserto e que o difícil, não, dificílimo, é mesmo encontrá-las.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Desumanidade

Uma e cinquenta da tarde. 

Os carrinhos de supermercado dos "sem-abrigo já meus conhecidos" são entornados num carro do lixo da CML e uma carrinha-de-caixa-aberta recolhe os carrinhos vazios.
Um único sem-abrigo presencia a cena, imóvel, com os pertences que conseguiu salvar ao lado, em silêncio. Não grita, não esbraceja, não refila. Observa a brutidade, o desprezo, a frieza, com que deitam fora o que amealharam. Observa, parado, em silêncio.

Eu passo e os pêlos dos braços arrepiam-se-me. 
Acabou tudo outra vez para aquela gente. Agora, há que recomeçar o nada do nada, reconstruir a sobrevivência a partir de um novo vazio. 
A imobilidade do homem é assustadora. Não luta. Não há força. Há resignação e tristeza.
E a frieza é tanta, o desprezo, a brutalidade, que sinto os olhos encherem-se de água... E o arrepio percorrer-me o corpo... 

Como é que um sol tão brilhante quanto este que nos ilumina, de repente, deixou que ficasse aqui tanto frio?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Nada Saber

Saber da incapacidade de preencher esse espaço vazio que te atormenta
Saber que a forma de amar nem sempre coincide com a que pretendemos ser amados
Saber que o meu vácuo se te estende, e magoa
Saber da impossibilidade de sair deste quarto escuro e da eventualidade de não te encontrar 
Saber que a distância a que me encontro se deve à proximidade do meu fundo
Saber que viver para dentro nos faz perder o que nos toca

E nada saber