terça-feira, 30 de abril de 2013

Odores Mortíferos

Toda a gente sabe que os transportes públicos não transportam só pessoas. Há um mundo a viajar por aí de um lado para o outro. 
Toda a gente sabe que as pessoas não são inodoras. Umas cheiram bem, outras nem tanto assim.
Os transportes públicos transportam cheiros, para além das pessoas que neles viajam.

Numa das minhas viagens diárias de comboio, fiquei sentada em frente de uma rapariga que falou ao telefone durante todo o percurso. Até aí, nada de especial. 
Não fosse a dita rapariga ter um hálito terrível, eu não teria esta história para contar...
Durante esta tenebrosa viagem, tentei de tudo: cheirar as minhas mãos, virar a cara para o lado, snifar o livro que estava a ler, deixar de respirar... Mas não serviu de nada. O cheiro que a boca da menina exalava, vinha sempre de encontro ao meu nariz.
Rezei para que ela acabasse a conversa, mas claro, de nada adiantou, a rapariga tinha imenso que contar a quem estava do outro lado do telefone. 
Acabei por dar por mim a desejar que ela deixasse de ter rede no telemóvel; que houvesse uma travagem brusca que lhe fizesse saltar o telefone das mãos e o inutilizasse, pelo menos durante o resto da viagem; que algum "louco piedoso dos narizes ofendidos" lho arrancasse da mão e a impedisse de continuar a falar. Não aconteceu nenhuma das minhas preces, infelizmente, e tive que gramar aqueles jactos de mau odor o resto do caminho.

Mas o mau-hálito daquela menina não foi nada, se o comparar com o ultraje que o meu nariz sofreu hoje...
Uma outra menina teve o desplante de se sentar ao meu lado, depois de ter tomado banho em perfume de senhoras idosas com problemas olfactivos graves. 
Hoje, ia morrendo pelo nariz! O cheiro nauseabundo daquela essência dos diabos, apoderou-se de mim até aos ossos! Carreguei uma cruz fétida durante todo o trajecto que separa a estação da minha terra da estação da terra onde trabalho. E no final, saí crucificada!

O vómito teimava em tentar sair-me goelas a fora. E eu continha-o. 
A senhora que viajava à minha frente tapava discretamente o nariz. Eu, que já tinha atirado o discretamente pela janela fora, há muito tempo, tapei o nariz com a manga do casaco. Pensava "hoje, não é um bom dia para morreres, aguenta firme!" e intercalava o "respira o casaco, respira o casaco" com o "não vomites, não vomites".
Perguntei-me como suportaria, aquela rapariga, aquele cheiro, já que não se podia afastar dela própria. Óbvio que não encontrei resposta. Mas encontrei a porta do comboio uma estação antes da minha e ali fiquei na esperança que a mocinha não saísse na mesma paragem que eu, ou se o fizesse, se dirigisse a outra porta que não aquela.
Quando, finalmente, pensei que lhe tinha escapado e dei duas respiradelas convictas do ar puro da estação, vem-me o cheiro de novo ao nariz. 
Primeiro pensei que ele se me tinha colado aos pêlos nasais e que bastariam mais duas snifadelas de ar puro para afastar aquele mau-olhado dos cheiros, depois olhei para o lado... E lá estava ela, bela e perfumada, a espalhar o seu odor mortífero no ar que eu julgava puro.

Se não tivesse já saído da plataforma da linha do comboio, juro que me teria atirado para a frente do primeiro que aparecesse, mesmo não sendo este um bom dia para morrer!

Nariz roubado do sítio do costume

segunda-feira, 29 de abril de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

Esforço

- Oh mãe, porque é que eu me esforço mais do que todas as pessoas?
- Esforças-te mais em quê? E mais do que quais pessoas?
- Em tudo. Do que os meus colegas.
- Dá-me lá um exemplo.
- Por exemplo, nas coisas da escola. Eles não se esforçam para terem tudo certo...
- Se calhar, não se preocupam tanto com isso quanto tu.
- Mas deviam... Eu é que não quero passar pela vergonha de ter insuficientes!
- Não é vergonha nenhuma. Se calhar eles esforçam-se mais noutras coisas, que tu não te esforças. Por exemplo, tu não te esforças por fazer a letra sempre direitinha em cima das linhas, não te esforças por pintar bem...
- Agora, já me esforço por pintar bem! A letra, para escrever depressa, não dá para ficar sempre direita. Nos ditados tenho que escrever depressa!
- Mas os teus colegas, se calhar, esforçam-se mais nisso. O que quero dizer, é que as pessoas esforçam-se mais naquilo que é mais importante para elas. Provavelmente, o que é mais importante para ti, não é o mesmo que é mais importante para a maior parte dos teus colegas. Não acredito que não haja mais nenhum teu colega que se esforce por ter tudo certo...
- Não há, não!
- Já pensaste que eles podem esforçar-se mas não conseguirem fazer melhor?
- Oh, não acredito!
- Há pessoas que não conseguem, mesmo que se esforcem muito. Mas também há pessoas que têm preguiça de se esforçarem.
- Ah, eu acho que é preguiça!
- Pois...talvez seja. Ou talvez não. Mesmo que não se esforcem muito, tens muitos colegas com boas notas.
- Sim, mas não se esforçam.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Gente Estranha

Gente estranha 1
Estávamos sentados, eu e o pai do J., na sala de espera do hospital e eis que chega um casal com dois filhos. 
A mãe das crianças senta o mais pequeno (de mais ou menos quatro anos) numa cadeira e diz:
- Agora ficas aí sentado! Se te atreveres a levantar, parto-te os dentes todos!
Dois segundos depois, o pai da criança pega-lhe na mão e diz:
- Anda, vamos lá para fora que está mais fresquinho!
A mãe não lhe partiu os dentes (pelos menos naquele momento). 
Pareceu-me que a criança não entendeu nada daquela história. 

(Eu não entendi e tenho mais trinta e tal anos do que ela).


Gente estranha 2
A andar pela rua. Quando chegámos à esquina de um prédio, vemos uma criança aparecer sozinha a correr, quase indo parar ao meio da estrada. 
Três segundos depois, aparecem os pais em passo pachorrento. O pai grita-lhe:
- Se te afastas de nós outra vez, levas um chapadão!

(Se eu fosse aquela criança, afastar-me-ia daqueles pais sempre que me fosse possível. Mas isto sou eu que sou esquisitinha).

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dias Em Branco

Dias em branco precisam de noites em claro que procurem o sentido de tamanha lividez. 

Sei Que o Dia da Mãe se Aproxima, Quando...

...tenho muitas visitas, aqui no blogue, vindas atrás de pesquisas no Google começadas por "ser mãe é..."!

Liberté, égalité, fraternité!

Tenho seguido as notícias que vão aparecendo sobre as manifestações em França contra o casamento gay e a adopção de crianças por casais homossexuais. Tenho tentado, a muito custo, compreender quais as razões que levam tanta gente às ruas para se manifestarem contra uma lei como esta.

Sinceramente, tenho-me visto "às aranhas" para perceber esta gente!

França, a terra da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", cheia de gente indignada com uma lei que respeita em pleno o lema nacional?!

Na notícia que lerão (se clicarem no link acima) poderão ver algumas das palavras de ordem gritadas nestas manifestações: "vocês estão a assassinar crianças!";"um pai e uma mãe!".

Chego à conclusão que o que se passa aqui é uma total distorção do conceito de família. 
Se uma família se reduzisse à existência de um pai, uma mãe e os filhos, estávamos nós muito bem. Se essa fosse a fórmula ideal para termos crianças saudáveis e felizes e, consequentemente, adultos saudáveis e felizes, este seria um mundo muito perto da perfeição.

Mas não é. E não é, porque não basta as crianças terem um pai e uma mãe para que o seu crescimento saudável e a sua felicidade nos sejam garantidos. Se isso garantisse alguma coisa, não existiriam crianças vítimas de abusos físicos, psicológicos e sexuais pelos próprios pais; não teríamos pais a assassinar filhos e filhos a assassinar pais; não teríamos crianças completamente desequilibradas; não teríamos famílias completamente desestruturadas.
Teríamos sim, um mundo cheio gente alegre e bem formada.

Mas não temos. Por isso, é preciso mais do que a existência de um pai e de uma mãe para produzirmos crianças bem-formadas e felizes. É preciso muito mais do que isso...
É preciso respeito, atenção e amor pelas crianças, que um pai e uma mãe, só por serem de sexos diferentes, não asseguram. Ou asseguram?
Porque não poderão duas mulheres (ou dois homens) darem tanto, ou mais, respeito, atenção e amor a uma criança, quanto dão uma mulher e um homem? O que é que lhes falta para serem tão, parentalmente, competentes quanto um casal heterossexual?

Ah e tal, os filhos precisam de referências de ambos os sexos...
Precisam o tanas! E as crianças que são criadas por apenas um dos progenitores, ou porque o outro morreu, ou porque "deu de frosques", "bazou", "deu à sola"? E as que são criadas por uma avó e pela mãe?  Ou por um avô? Ou pela tia? Ou pelo tio? São menos saudáveis?
Se calhar, são menos felizes por terem perdido o outro progenitor, ou os dois progenitores, mas nunca pelo facto de quem ficou a criá-la ser de determinado sexo. As crianças não exigem variedade sexual no amor que lhes é dado. Exigem amor sim, sincero, puro e verdadeiro, venha ele de onde vier.

Franceses amigos, acordem! Deixem-se de hipocrisias démodé e de conservadorismos que já só conservam teorias velhas e insípidas.

A família é, apenas e só, o amor que nos liga. Tudo o resto são tretas!

Liberté, égalité, fraternitélembram-se?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Rocky e o Amigo

O J. passa em frente da televisão quando está a dar este filme e diz:
- Olhem, é o Rocky e António Bredas!

Foto roubada por aí 

domingo, 21 de abril de 2013

Os CTT Blogosféricos Agradecem

Mais um selo... A Benedita mais linda da blogosfera, do blogue Aqui não pousam corvos, selou-me de novo! 
Desta vez, o selo é da Campanha de Incentivo à Leitura. Um bom incentivo portanto.



Vamos lá às regras?

1.ª Regra: indicar 10 blogues para passar o desafio. É proibido passar o "laço" a quem quiser levar, não nomeando blogues:
- Ok, se é proibido, eu não passo a quem quiser levar, simplesmente não passo a ninguém, pode ser? E nomeio 10 blogues. Não para lhes passar o selo, mas porque gosto deles e porque é proibido não nomear blogues. Podem sempre levar o selo, mas só se não o quiserem levar, pois se quiserem, não podem, porque é proibido, ok?

Deste modo, aqui estão eles:

  1. Beijinhos Embrulhados
  2. Felina (tramo-te sempre, não é Felina?)
  3. Sem medo de ser feliz
  4. Pseudoblog
  5. arrifanasea
  6. O Gelo também Quebra
  7. É só por Amor
  8. O meu livro de mágoas
  9. Jonasnuts
  10. Luz Sombria
2.ª Regra: avisar os blogues escolhidos e colocar a imagem no teu blogue para divulgar a campanha:
- Primeira fase da regra nº 2, não cumpro, porque sou indisciplinada (já vos tinha dito, não tinha?). Segunda fase da regra nº 2... cumprida (olhem lá para cima).

3.ª Regra: comentar o blogue que te indicou:
- Comentar o blogue da Benedita não é muito fácil. Posso dizer que é muito bom, que é um dos meus preferidos, que é dos que sigo há mais tempo, que tive saudades dela, quando fez um intervalo e acabou com o seu antigo blogue e... agora, vão lá vê-lo, ora! 

4.ª Regra: Responder à pergunta: Qual o livro que indicarias a uma pessoa para começar a ler? 
- Para começar a ler como? A alguém que nunca tivesse lido nada na vida? Indicaria os livros do Tio Patinhas, depois os do Tintin e os do Asterix. Mais tarde, quando já estivesse mais habituado, livros policiais com muito suspense. Depois romances vários, de qualquer espécie. Por fim, qualquer um do António Lobo Antunes.

Confesso que ainda não consegui ler nenhum romance do António Lobo Antunes, mas as crónicas já "papei" algumas, que foram uma delícia!
Hei-de lá chegar! 
Espero...

Estou Triste

Não consegui ir ao evento Todos por um
O pai do J. tem andado com febre desde quarta à noite e no sábado tivemos que ir ao hospital, pois a dita não passava por nada. Era Ben-u-ron intercalado com Brufen e a febre não descia. E subia quase aos 40º.
Ainda pensei em ir depois do hospital, mas o homem estava desgraçado. Olhinhos tristes e mimo às pazadas. Deixá-lo sozinho mais um dia era uma maldade, já que ele tem estado desde quarta até sexta sozinho em casa e entregue às febres altas.
Por isso, peço desculpa ao Rodrigo. Ajudarei por transferência bancária e ficarei aqui a torcer para que se encontre uma maneira de se matar esse bicho malvado da leucemia.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bigode de Josés

No elevador, eu e o J.. 

Vejo-me ao espelho e digo:
- Tenho que tirar o bigode.
- Tu tens bigode?
- Tenho. Vês estes pelinhos aqui? - chego a cara perto dos olhos dele e aponto para o buço.
- Ah, mas são pequeninos...
- Sim, mas tenho que tirar na mesma.
- As mulheres têm bigodes como os daqueles Josés?
- Josés?
- Sim, aqueles homens que têm um bigode assim...- com os dedos faz um gesto que parece estar a afiar as pontas do bigode - Os Josés do Benfica, que vão ver os jogos para o café e bebem cerveja Sagres, sabes? 
- Humm, estou mais ou menos a ver...
- Quando o Benfica marca um golo dizem "Beeennnficaaaa!". - faz voz grossa.
- Humm... Esses homens têm todos bigodes assim?
- Têm. Como o daquele vizinho que sempre que me encontra no elevador diz "és do Benfica, não és?". O do bonezinho. 
- Sim, sei quem é. 
- As mulheres também têm desses bigodes? 
- Se calhar algumas têm... Mas acho que não são tão grandes.
- Pois os grandes são os dos Josés.

Bigode roubado por aí

A Sombra do Papel Pardo

Livros forrados de papel pardo inundam os transportes públicos nas mãos de donas-de-casa e profissionais de duvidosa satisfação emocional, escondendo cinquenta sombras de um príncipe (supostamente) encantado destes tempos (ditos) modernos. Mas não escondem só sombras. Escondem a atracção destas mulheres por aquele que encanta uma gata borralheira amestrada à laia de jogos eróticos e perversidades várias e que enche as suas vidas, que de tão descontentes que parecem, precisam de sonhos impressos em romances de cordel, mascarados de literatura, e escondidos sob forras de papel pardo.
Avé Grey!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Mundo Ensaboado

Extraio inspiração não só dos livros que outros escrevem como dos banhos que tomo.
Pudesse eu escrever nos azulejos embaciados do duche os textos que me assaltam enquanto lavo os pés ou esfrego o cabelo, construiria prosas de beleza inolvidável. 
No instante em que deixo o meu corpo à mercê da chuva quente do banho, frases escorreitas deslizam no meu cérebro com uma fluência assombrosa... sem, porém, terem por onde se revelar.
Não fosse eu ter que sair de debaixo de água para evitar o encarquilhar da pele, e as paredes do duche serem impermeáveis aos meus pensamentos, escreveria um mundo ensaboado em gel de banho e champô.

Este é o 500º "Post"!

Esta menina podia bem ser eu,
mas não sou. 
É uma imagem roubada por aí, 
para variar!
Quem diria que escreveria tanto por aqui?

Dos 500 posts há muita porcaria, é verdade, mas também há algumas coisinhas de jeito...

Mesmo assim, estou contente com o meu blogue dos coraçõezinhos!


Mais uma roubada ao Google.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ecos de Nada

Disse aqui algumas vezes que, na minha opinião, as pessoas são mais do que aquilo que possuem.
Hoje, vejo que me enganei. Há pessoas que se lhes tirarmos o Ipod, o Ipad, o carro de alta cilindrada, a casa da moda, ou a pulseirinha da Pandora, não são mais nada. Despi-las dos seus pertences, é como despi-las delas próprias. Sem coisas que lhes confiram um determinado estatuto imaginário, apenas encontramos nelas escuridão e vazio. O que sobra dos seus egos faz eco nas paredes despidas das suas almas. Resta apenas um silêncio que grita o vazio.

#20 Músicas Que Entranham


terça-feira, 16 de abril de 2013

Vamos ajudar o Rodrigo? Hã? Não ouvi nada. Gritem mais alto!

"Todos por um" é o tema do evento que terá lugar no próximo sábado, dia 20 de Abril, entre as 10h e as 18h, na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. Esta iniciativa foi criada no sentido de ajudar a encontrar uma solução para o Rodrigo, que tem leucemia e que precisa urgentemente de um dador de medula compatível. Uma vez que o IPO já deu alta ao Rodrigo e a solução poderá estar fora do país, esta iniciativa conta com uma venda solidária de artigos que serão doados por várias marcas, bem como por mães, amigas e bloggers. O valor total das vendas reverte a favor do Rodrigo, para que a mãe possa encontrar uma solução além-fronteiras. O evento, para além de uma venda solidária terá também unidades de recolha de sangue/medula (estamos só à espera da confirmação do CEDACE que se viu a braços com a nossa pressão de tempo. Não é capricho, o tempo é que não é amigo do Rodrigo...), actividades para crianças, fotografia e bloggers fixolas para vos receberem e darem três dedos de conversa (ou uma mão cheia). Gostaríamos de vos convidar a todos para aparecerem, trazerem amigos, namorados, vizinhos, ex-namorados, família por afinidade, colegas de trabalho. Sem desculpas! Uma picadinha aqui (não dói nada, já sabem!), uma compra gira ali, os miúdos brincam ali e temos um sábado bem passado em prol do Rodrigo! Quem quiser colaborar com a doação de peças novas para venda e consequentes receitas para o Rodrigo faça o favor de entregar em mãos ou enviar as mesmas (com indicação do preço de venda ao público) e com recepção garantida, no máximo até à próxima sexta-feira, para: Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa A/C Professora Sandra Alves Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa. Av. De Ceuta, edifício urbiceuta. 1350-125 Lisboa Esperamos por todos vós! O Rodrigo precisa de todos nós! Pólo Norte, SMS & Miss Glittering (Obrigada à Sandra, à Selma, à Filipa e à Erica que são as mais maiores grandes por se juntarem aqui às três mosqueteiras!)

Do Blogue da Ursa

Vamos lá? 
Sábado, dia 20 de Abril, entre as 10 e as 18h, na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.
Apareçam!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Leoa

A Silvina (sei que não se chama assim, mas para mim será sempre Silvina) é uma miúda de trinta anos, que ontem pôde, enfim, descansar em paz...
Depois de uma cruzada, de quatro anos, contra um cancro que não lhe deu sossego, pôde, finalmente, pousar a cabeça na almofada e serenar. 

Digo "é", porque a Silvina nunca deixará de ser. Por mais anos que passem sobre a sua partida, vai ficar sempre nos corações de quem, de perto ou de longe, foi seguindo os seus Episódios de Radio.
Não consigo falar nela no passado, porque ela nunca será passado!

Se ousasse descrevê-la, diria que a Silvina é um pouco do que há de bom por aí: o riso e o humor; a garra da leoa; a força das marés; a florzinha que nasce por entre as pedras da calçada; o último raio de sol que espreita, ao fundo, na linha do horizonte, quando a noite teima em tomar conta dos nossos dias; as águas do mar que nos embalam com a sua melodia e magnificência...

A Silvina partiu, mas não se foi embora.

Até já, menina!



Problemas de Expressão

Fui a uma reunião em que me passei. Tinha umas tantas verdades atravessadas na garganta, que me saíram de enxurrada. Disse tudo o que há muito tempo devia ter dito. Como não fui dizendo aos poucos, fui acumulando e, nesse dia, o da reunião, despejei o saco. Parecia uma metralhadora a disparar, não em todas as direcções, mas na direcção que eu queria. Disparei, disparei, disparei... Até que vi o meu alvo a enfiar-se cadeira abaixo. Fui abrandando os disparos, sem, no entanto, os cessar.  
Quando guardamos demasiada tralha velha no armário, ela começa a apodrecer. É mais acertado ir deitando fora o que não interessa progressivamente, à medida que vai entrando em desuso. Mas neste caso, eu não fiz isso. Por achar que as coisas se iam resolvendo, por achar que o meu alvo não era um alvo estático, que evoluiria, e que essa evolução o iria ensinar a deixar de ser tão merdas. Enganei-me. A merda continuou sempre a mesma, e pior, agudizou-se. Veio com prepotências e armada com condições e mais condições (como se estivesse em condições de condicionar alguma coisa ou como se tivesse alguma moral para falar sobre o que tentou falar). A mostarda subiu-me ao nariz, coisa que raramente me acontece, pois vou expiando os maus fluidos, em doses pequenas, mas com uma periodicidade maior. Desta vez, acumulei, por isso me saíram a jacto.

Depois da reunião, fui contando os acontecimentos à minha mãe, com o J. a ouvir algumas partes (não todas, mas algumas).
Às tantas, ele interrompeu-nos a conversa e disse:
- Ah "granda" mãe! Como é que consegues exprimir tão bem os teus sentimentos?
A avó explicou-lhe que as pessoas, à medida que vão crescendo, vão conseguindo, cada vez melhor, exprimir-se. Pareceu-me que entendeu mais ou menos a explicação da avó, mas aquela pergunta ficou-me aqui a martelar na cabeça...

O J. tem alguma dificuldade em exprimir os sentimentos negativos. A dor (não a física, mas a emocional), o desagrado, a revolta, a indignação, são assuntos que não lhe saem facilmente. Tem, talvez, algum pudor em pô-los para fora. Quando está mal, tenho que lhe arrancar tudo a saca-rolhas. Até os pesadelos lhe custam a contar. 
Digo-lhe várias vezes "tens que contar para eu te poder ajudar", "se contares o sonho mau, ele vai embora mais cedo".
Quando o caso é uma asneira, tenho que lhe prometer que não vou ralhar com ele para que me conte. E depois não ralho, tal como prometi. Explico-lhe porque não deve fazer aquela asneira e tento que ele se coloque no lugar das "vítimas" da sua asneira. Mas ele fica, normalmente, cheio de problemas com o que fez, problemas de consciência. Talvez por isso, raramente repete essa asneira. E eu fico a pensar se faço bem. Fico na dúvida se devia ou não lidar com ele desta forma. Se não haverá uma maneira melhor para que ele não fique com problemas de consciência. Afinal, ele é uma criança e todas as crianças fazem asneiras... irresponsavelmente fazem asneiras. Talvez eu, ao incutir-lhe um sentido de responsabilidade por aquilo que fez, o esteja a amedrontar sobre o que poderá vir a fazer e a obrigá-lo a responsabilizar-se cedo demais por actos que são naturais nas crianças... Talvez eu não o conforte como devia... Talvez o tome como mais maduro do que ele é na realidade e o deixe confuso na gestão de sentimentos tão complexos...

Não sei. Só que sei que acho que podia fazer melhor, que DEVIA fazer melhor. Quem me dera saber como...

Quá Quá!

Estávamos no jardim da Gulbenkian a ver uma mãe pata e seus patinhos. De repente, um pato, macho, aproxima-se. A pata, enfurecida,  ataca-o. Morde-o no bico como se lhe estivesse a dar "linguados". 
O J. pergunta:
- Eles estão a beijar-se?
- Não, estão à luta. - respondo.
A luta entre a pata e o pato continua.
O J. pergunta:
- Mas porquê?
- A pata está a defender os patinhos do pato. As mães (animais) são assim. O pato vem chateá-la e ela enxota-o, lutando com ele, para proteger os filhos.
- É como tu, mãe, a proteger os filhos. Quando alguém me quer fazer mal, tu atacas.
- A proteger o filho, só tenho um. Achas mesmo que eu sou assim?
- Acho, tu és mesmo assim, como a pata.

Continuámos o passeio. Mais à frente, o J. diz:
- Pai, agarra-me lá para a mãe me vir defender. Mãããee, o pai está a agarrar-me. Olha!

That's me! (Imagem da Internet)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ler

Imagem roubada do Google Imagens
Tenho ouvido algumas pessoas dizerem que obrigam os filhos a ler. Um livro por mês, x páginas por semana, um livro durante as férias, etc. Dizem que é para eles aprenderem a gostar de ler, para não perderem o treino, para se familiarizarem com os livros...

Eu nunca obriguei o J. a ler. Nunca. Todavia, ele aprendeu a ler aos cinco anos. 
Primeiro queria saber as letras, depois começou a juntá-las. Formou sílabas e depois palavras. Das palavras às frases foi um salto. Quando as frases não lhe chegavam, leu textos. Quando os textos lhe souberam a pouco, leu livros. O J. lê livros sozinho e lê livros connosco. Traz alguns da biblioteca da escola, que lê também nos intervalos das aulas, e às vezes eu compro-lhe um ou outro. Na verdade, compro-lhe muitos. Tantos, que quando chego a casa e lhe digo "tenho aqui uma coisa para ti!", ele responde-me logo "já sei o que é. É um livro, não é, mãe?".
Mas não o obrigo a lê-los. Trago-os, porque sou uma apaixonada por literatura infantil. Trago-os para ele, mas também para mim.
Para ele, ler é uma coisa natural, é um prazer que ele próprio foi cultivando. 
O meu papel nesta história dos livros, foi apresentar-lhos, foi proporcionar-lhe uma vasta gama de literatura para que ele escolhesse a que mais gostava, a com que se sentia mais identificado e, claro, foi partilhar com ele o meu gosto pela leitura, sem, porém, a impor.

Não acredito que os filhos, de pais que os obrigam a ler, vão alguma vez gostar realmente de ler. Pode ser preconceito meu, mas não acredito.

O gosto pela leitura, tal como qualquer gosto, não pode ser imposto, tem que ser natural, espontâneo, vir de dentro para fora (e não o oposto), senão não é gosto. É tortura!

Os Meninos Pequeninos

Cheguei à "brilhante" conclusão que não somos governados por adultos, mas por meninos.
Não por meninos "dos grandes"- aqueles que já passaram a fronteira entre o infantário e a escola primária - mas por meninos pequeninos que ainda fazem birras a espernear e a atirar os brinquedos quando são contrariados. 

- Buááá!!! O menino Sócrates é mau, desarrumou o país e agora somos nós que o temos que arrumar!

- Buááá!!! Os juízes do TC são maus! Não nos deixam fazer asneiras à vontade e vão-nos pôr de castigo! Assim, já não somos vossos amigos!

- Buááá!!! Os outros meninos tiraram-nos os brinquedos! Também lhes vamos tirar os deles! Se quiserem gastar dinheirinho nalguma coisa, têm que pedir aqui ao capitão do navio!

- Buááá!!! Puseram de castigo o menino mais mau da sala e vão-lhe tirar o curso que a mamã dele lhe comprou!

- Buááá!!! Porque estão sempre a tentar impedir que brinquemos com as vidinhas dos outros meninos? Nós somos crianças e temos o direito de brincar!

E que tal meninos grandes no governo, não?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Desengane-se...

Desengane-se quem pensa que pode controlar os gostos dos filhos, toda a vida;
Desengane-se quem pensa que a força e a disciplina os vão fazer sempre bem-educados;
Desengane-se quem acha que é a rédea curta que os prepara para a vida;
Desengane-se quem pensa que levar a vida demasiado a sério é o que os vai fazer felizes;
Desengane-se!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os Comprimidos

Fui com o J. à farmácia. 
Já no carro, ele pergunta-me:
- Para que são esses comprimidos, mãe?
- É a pílula. - respondo.
- Sim, mas é para quê?
- Para não ter filhos.
O rosto do J. torna-se lívido, os olhos trejeitam pânico, meio a gaguejar deixa sair um:
 - O quê?
- Estes comprimidos servem para não ter mais filhos.
- Mãe, não estás a falar a sério, pois não? Olha que já me está a dar vontade de chorar...
- Oh J., eu agora não quero ter mais filhos, por isso tomo estes comprimidos. Mas não precisas ficar assim. - digo tentando amenizar a coisa.
- Quanto tempo é que isso dura?
- O quê? O efeito?
- S-sim.
- Dura o tempo que eu tomar os comprimidos.
- Então, pára já de os tomar! Sabes que muitos remédios fazem mal, não sabes?- diz ele em estado de alerta.
- Sim, eu sei, mas agora não quero ter filhos, por isso é que os tomo.
- Mas eu quero ter um irmão... Antes dos dez anos.
- Pois J., mas não és tu que decides isso. Quando eu quiser ter outro filho paro de tomar os comprimidos e, pronto, já posso ter filhos outra vez.
- Quando tu e o pai quiserem.
- Sim, quando eu e o pai quisermos.
- Esses comprimidos dão para quanto tempo?
- Para um mês.
- Um mês inteirinho?
- Não, na verdade, dão para 21 dias, e depois, nos outros sete, vem-me o período.
 - O que é isso?
- É deitar sangue pelo pipi.
- Blhac, que nojo! E os comprimidos não tiram o sangue do pipi?
- Não. Se não os tomasse, deitava sangue pelo pipi na mesma.
- Não há comprimidos para isso não acontecer?
- Ah ah ah! Não. Há bocado não querias que eu tomasse comprimidos, porque fazem mal, e agora já queres outros comprimidos para eu não ter período?!
- Pois... mas isso é nojento.
- Mas é assim. 
- Porque é que deitas sangue do pipi?
- Não deste o aparelho reprodutor na escola?
- Dei, mas não aprendi muito bem... Explica-me!
- Ok. O sangue são os óvulos, que não são fecundados pelos espermatozóides, que saem. Todos os meses, eles saem dos ovários e descem pelas trompas, em direcção ao útero, para serem fecundados por espermatozóides. Se não são, saem cá para fora.
- Ah, o sangue são os óvulos! Os espermatozóides vão todos a correr, mas só um é que consegue chegar ao óvulo, não é?
- É. E só não tenho período se estiver grávida, ou seja, se tiver um bebé a crescer na barriga.
- Ah, já percebi. Mas mãe, eu quero ter um irmão...
- Isso depois vê-se, ok?

Belém Art Fest

Este sábado fomos AQUI
Saltitámos de museu em museu, ouvimos música por aqui e por ali, andámos de Lancia, a minha mãe espreitou o workshop da Loreal... Enfim passámos uma noite bem agradável.

O J. ficou enfeitiçado com o fado. Quem diria, hã? 

No Museu dos Coches, era ele a ouvir a música e a abanar a cabecita "à fadista" e eu, a minha mãe e o pai, pacientemente à espera dele para nos irmos embora. 
Adorou a Teresinha Landeiro que, segundo ele, "tinha uma voz perfeita", e os Teamen (homens com um barril de água a ferver às costas que, por lá, andavam a vender chás Tetley) que lhe (me) venderam "o melhor chá que alguma vez bebeu na vida".

Nesta noite, ficou a saber:
- que há vários tipos de coches, até uns para as crianças; 
- que os nossos Reis eram um bocado feios; 
- que o retrato mais giro dos nossos Presidentes da República é o do Mário Soares, pintado pelo Júlio Pomar; 
- que o Cavaco já devia estar a dormir àquela hora e que tem um bar Heineken só para ele no jardim; 
- e que os nossos antepassados tinham umas pilinhas um bocado grandes (segundo as esculturas do Museu da Arqueologia).

Portanto, foi uma noite muito produtiva em termos culturais.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Pessoas Feias

Há pessoas arranjadinhas, bonitinhas, muito lavadinhas, direitinhas, com ar queridinho.

E há pessoas feias...

Que podem ser precisamente as mesmas. Pois a fealdade nem sempre é visível. Especialmente, quando ela está lá bem dentro e escondinha.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Saudades

O tempo traz o vazio, as imagens foscas, os cheiros distantes, o som quase inaudível. 

Ela longe, deitada no chão, a adormecer. Eu ao lado, dorida, magoada, sofrida. O choro já não está nos olhos, mas na pele. Tento limpar as lágrimas que me percorrem as veias. Não saem. E faço-lhe festas. Sinto o pêlo que tão bem conheço. Acompanho as últimas inspirações. Será esta a última? Pergunto-me. Será agora que me vai deixar? Os olhos quedos, cerrados. O corpo ainda quente. Que estará a sentir agora? Estou a perdê-la. Perdia-a! Mas o corpo ainda ali, a poucos minutos de ter caído por terra. Está cheia de terra. Quero limpá-la. Quero que se levante. Mas já não se levanta. Cheiro-a. É ela, a minha égua, que se vai embora. Era. A partir deste minuto, foi. E deixou-me aqui sozinha a querer abraçá-la.

Eu Ia Falar No Relvas...

... mas como já não há Relvas frescas, decidi ir pastar para outro lado.

Imagem roubada do Google Imagens
(como sempre!)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Vou Começar a Babar-me. FUJAM!!!!

Contei à minha mãe, em frente ao J., o estado de stress em que me encontrava. Contei-lhe que hoje me senti mal, que toda eu tremia, que o coração estava tão acelerado que pensei que me ia dar um "treco", que até cheguei a ver estrelinhas (literalmente), que andava a dormir uma média de três horas por noite e que estava mesmo muito cansada. O J. , que foi ouvindo o que eu dizia, saiu-se com esta:
- Mãe, tu hoje não fazes mais nada! Deixa que eu descongelo o jantar. Pensas que eu não sei? Eu sei muito bem! Diz-me só quantos minutos são!
- Eh, J., não é preciso.
- Não, a sério, quantos minutos são?
- Deixa lá isso. Depois vemos. Mas obrigada!

Estávamos os dois (eu e o J.) a ver o programa Vale Tudo, que ele tinha gravado no domingo, e ele diz-me:
- Mãe, eles estão todos a rejeitar o coelhinho! Coitadinho! Já estive quase a chorar!
Eu, que ainda não tinha visto o coelho (pessoa mascarada de coelho cor-de-rosa), porque cheguei mais tarde ao pé da televisão, pergunto:
- Coelhinho, qual coelhinho?
Entra o coelho em cena.
- Este, vês? Olha, estão sempre a mandá-lo embora... Aquilo é uma pessoa que está lá dentro e ela tem sentimentos!
- Ó J., mas isto é tudo combinado... A pessoa já sabe que a vão mandar embora. Não fica triste. É só uma brincadeira! Não precisas de ficar, também tu, triste.
Lá se convenceu mais ou menos....  Até que aparece o coelho de novo e ele diz:
- Olha, estas duas senhoras já não o mandaram embora. Já são um bocado menos chatas!


Estão a ver a baba a escorrer? Não? Então devem estar com algum problema de visão, porque eu estou para aqui a babar-me aos litros!

É, ou não é, querido este meu bichinho? Hã?

Dia da Consciencialização do Autismo

Hoje, na escola do J. viu-se um filme sobre um menino autista. A intenção era explicar, aos outros meninos, como agem os autistas e como eles, meninos não-autistas, deviam reagir a alguns comportamentos que ainda não percebiam muito bem.
O J. explicou-nos que têm muitas rotinas e que se alguém as perturbar costumam ficar irritados, que, às vezes, se agarram à cabeça e a abanam ou batem-lhe.
Perguntei-lhe:
- E então, ficaste a saber o que se faz nessas ocasiões?
- Não.
- Mas o filme não era para isso? Para ficarem a saber o que fazer?
- Era. Mas já não me lembro. Ele era igualzinho ao M. (menino autista que o J. conheceu há pouco tempo).
- Pois, é normal o M. fazer coisas parecidas com o menino do filme. Os meninos com autismo têm problemas de sociabilização e, por isso devemos aprender a lidar com eles de maneira a não os assustarmos.
- O que é isso, sociabilização?
- É relacionar-se com as outras pessoas. Esses meninos vivem, um bocadinho, num mundo só deles e, às vezes, não nos podemos aproximar deles de uma maneira que os assuste.
- Ah! O M., às vezes, põe-se a andar aos ziguezagues e, se encontra alguém pelo caminho, não se desvia, vai contra a pessoa e nem sequer põe as mãos à frente.
- Pois... é normal. Se calhar, andar aos ziguezagues é uma rotina dele e tem que a acabar.
- No filme, o menino tinha a rotina de apanhar o autocarro para a escola todos os dias. Mesmo se fosse domingo, ele ia para a paragem esperar pelo autocarro.
- Pois, é isso. Essa era a rotina desse menino!
- O M., quando está contente faz isto. -  J. dá estaladinhas alternadas em cada uma das faces para me demonstrar.
- Vês, já percebes que essa é a maneira de ele demonstrar que está contente?!
- Pois já. - disse orgulhoso.
- E o P.? Nunca mais brincaste com ele?
- Não.
- Porquê?
- Não sei, agora jogo mais à bola com os colegas da minha turma.
- Mas dantes brincavas tanto com ele... Vocês gostavam tanto um do outro...
- Sim e eu continuo a gostar do P., só que me tem apetecido mais jogar à bola com os meus colegas de turma.

Pois... a integração destes meninos nas escolas dos ditos "normais" nem sempre é fácil... Há ainda uma longa escalada pela frente!
No entanto, parece-me que estamos no bom caminho e, COM CERTEZA, HAVEMOS DE LÁ CHEGAR!