domingo, 31 de março de 2013

Porque Hoje é Páscoa...

My mind is clearer now.
At last all too well
I can see where we all soon will be.
If you strip away The myth from the man,
You will see where we all soon will be. Jesus!
You've started to believe
The things they say of you.
You really do believe
This talk of God is true.
And all the good you've done
Will soon get swept away.
You've begun to matter more
Than the things you say.

Listen Jesus I don't like what I see.
All I ask is that you listen to me.
And remember, I've been your right hand man all along.
You have set them all on fire.
They think they've found the new Messiah.
And they'll hurt you when they find they're wrong.

I remember when this whole thing began.
No talk of God then, we called you a man.
And believe me, my admiration for you hasn't died.
But every word you say today
Gets twisted 'round some other way.
And they'll hurt you if they think you've lied.
Nazareth, your famous son should have stayed a great unknown
Like his father carving wood He'd have made good.
Tables, chairs, and oaken chests would have suited Jesus best.
He'd have caused nobody harm; no one alarm.

Listen, Jesus, do you care for your race?
Don't you see we must keep in our place?
We are occupied; have you forgotten how put down we are?

I am frightened by the crowd.
For we are getting much too loud.
And they'll crush us if we go too far.
If we go
too far....

Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
But it's sad to see our chances weakening with every hour.
All your followers are blind.
Too much heaven on their minds.
It was beautiful, but now it's sour.
Yes it's all gone sour.

Listen, Jesus, to the warning I give.
Please remember that I want us to live.
C'mon, c'mon
He won't listen to me ...
C'mon,listen,listen to me...
C'mon,listen to me...
C'mon,listen to me...
Listen,listen to me...
C'mon,listen to me...
Listen to me...
Listen to me...

Analfabetos Religiosos

De regresso a casa, passámos por uma igreja. 
- Olha, está tudo decorado cá fora. - digo quando vejo uns arranjos de flores à porta da igreja.
- A igreja ainda está aberta a esta hora? - pergunta o pai do J.
- Claro, amanhã é Páscoa e hoje passam-se coisas nas igrejas. - respondo.
- Coisas?!
- Sim. Assim, coisas tipo convívios de oração, e eventos religiosos do género... - respondo.
- Ah, pois, amanhã é Páscoa. Já não me lembrava. - diz o pai do J.
- Mas tu é que devias saber essas coisas, pois tu é que andaste na catequese e tens uma daquelas fotografias de velinha na mão e vestido branco...
- Ah , mas já não me lembro de nada... Andava lá como andava nas aulas de economia e física. Tudo o que me ensinaram, esqueci.

sexta-feira, 29 de março de 2013

J. das Cruzes

Imagem retirada da Internet

O J. tem um casaco ao estilo do Tom Cruise em Top Gun - Ases Indomáveis.
Comprou-o a avó, depois de ele lhe ter dado a volta.
Na loja, vestiu-o, todo vaidoso, e passou todo o tempo, com ele vestido a ver-se ao espelho e a fazer poses todas "estilosas". Por fim, a avó, embevecida com o cachopo, comprou-lho.

O pai do J., que é o gozão-mor cá de casa, começou na brincadeira com ele:

- O J. da Cruzes está na carteira da sala de aula como se estivesse numa esplanada. Vê a C. (outra miúda dos Pontapés, amiga da D.) e atira-lhe um F16 de papel à cabeça. Ela repara na camisola do J., cheia de medalhas, não das de metal, mas daquelas que o esparguete lhe fez quando lhe caiu na camisola, porque o J. não se aproxima da mesa para comer, gosta de se recostar na cadeira à estiloso. Ele olha-a com o seu olhar mais irresistível, espreita sobre os seus óculos Ray Ban, pisca-lhe o olho e diz "Oi boneca, queres vir almoçar comigo na cantina da escola?". A miúda fica impressionada com as medalhas que lhe adornam a camisola e aceita o convite.

O J. ri-se às gargalhadas e o pai continua:
- Ou então, pergunta-lhe "Oi boneca, queres trocar de lanche comigo, que eu já estou farto das maçãs e das peras que a minha mãe me põe na lancheira?"

Eu intervenho:
- Ou diz-lhe "deixa-me comer o teu Bolicao, que a minha mãe só me põe fruta na lancheira!"

O J., na sua inocência de menino, responde-me:
- Ah ah ah ah! Mas a C. quase não traz lanche quanto mais Bolicaos!

Glup! Calámo-nos.

Estás, Realmente, a Fazer o que Te Faz Feliz?


quinta-feira, 28 de março de 2013

Umbiguismo

Se há qualidade que admiro nas pessoas é a capacidade de olhar para uma determinada questão sob vários prismas. 

Podemos estar envolvidos na questão em causa ou não, mas conseguirmos distanciarmo-nos e colocarmo-nos no papel do(s) outro(s) é fundamental. Analisar determinado assunto sem termos esta capacidade de distanciamento, faz-nos tender a análises demasiado subjectivas. 
Claro que a primeira análise é sempre "a subjectiva". Examinamos a questão e sentimo-la na pele. Mas depois, há que conseguir sair da própria pele e tentar entrar na pele do(s) outro(s). É aí, exactamente aí, que conseguimos aproximarmo-nos da verdade das coisas. 

Aflige-me haver gente que se recusa a tal exercício. Uma coisa é não se conseguir, outra é negar-se a isso e agarrar-se ao seu próprio umbigo como uma lapa. 
"Só olho para isso, se me atingir!", " não quero saber desse assunto, porque não sofro desse mal!", ouve-se por aí, não directamente que parece mal, mas com acções que o demonstram abertamente. Aponta-se o dedo, espeta-se, até, o dedo no peito do outro e acusa-se "és assim e assado, porque fizeste isto ou aquilo!".

E tentar compreender a coisa primeiro? Não?

Imagem roubada por aí

quarta-feira, 27 de março de 2013

J. Socrático

J. a ver a entrevista a José Sócrates...
- Fogo, não conseguimos ouvir o José Sócrates, eles estão sempre a interrompê-lo!
- Pois J., costuma ser assim...
- Porquê?
- É para depois poderem fazer uma coisa que se chama "especular". Se o deixassem acabar as frases não podiam especular à vontade, pois ele poderia acabar o raciocínio.
- O que é especular?
- É fazer suposições, ou melhor inventar que ele queria dizer isto ou aquilo, conforme lhes dê mais jeito. Isto acontece muito nas entrevistas a políticos para porem as pessoas a falar no assunto e venderem mais notícias.
- Ah! Já estou a gostar mais do Sócrates.

terça-feira, 26 de março de 2013

Californication's Effect

Preparo-me para ir ver a série Californication com o pai do J.. Sento-me no sofá ao seu lado e começo a descalçar as botas. O pai do J. olha-me com o seu olhar matador e pergunta:
- Vais-te despir todinha?
- Não, vou-me só descalçar.- respondo.
- Despe, despe, que esta é uma série para se ver nu!

Imagem retirada da Internet

Sentimento de Impunidade

Por esta Internet fora mora o sentimento de impunidade.
As pessoas pensam que podem fazer, e dizer, tudo, escondendo-se atrás de um ecrã, de um nickname, do anonimato.

Quando viajo pelos jornais, pelo youtube e por outros sites, que não sendo redes sociais propriamente ditas, ganham contornos das mesmas, vejo aquela caixinha de comentários, por baixo da notícia que estou a ler ou do vídeo que estou a ver, cheia de maldade, insultos e parvoíces. As frases que a enchem destilam veneno e cheiram mal, cheiram mesmo muito mal!

#19 Músicas Que Entranham


domingo, 24 de março de 2013

Amar-me

Quero amar-me como tu me amas, quero amar-me como te amo... Encontrar aquela que é digna do teu amor, dentro de mim. Onde está ela? 
Porque a vês tu, e eu não? 
Procuro-a na sombra que me persegue quando caminho, no reflexo das poças de água, nos contornos do vento, no vazio escuro que se reflecte no espelho. 
Porque a vês tu, e eu não?
Procuro-a incessantemente nos momentos em que tão só me sinto na minha pele, na pele que envelhece e se torna flácida. Flácida como a minha alma que já não estica ao que foi um dia e que transpira ecos de silêncio.
Quem me dera ver o que tu vês em mim, e amar com a mesma força este imenso vazio que me percorre as veias. Procuro-o em vão, sem nunca o encontrar...
Porque o vês tu, e eu não?
Quero sentir o teu corpo no meu sem repulsa pelo que sou, deixar-te entrar em mim num todo, ficar na tua pele que será minha, e largar a minha flácida e vazia. Tornar-me uma extensão de mim em ti, respirar pelos teus poros e descobrir o que te une a este corpo desalmado.
Quero amar-me como tu me amas e amar-me como te amo...

sábado, 23 de março de 2013

A Gabarolice É Uma Cena Tramada!

Geralmente, a gabarolice é sinal de insegurança. Eu, insegura confessa, não me gabo. (Olhem só para mim a gabar-me por não me gabar! Tramado, não?).

Mas, por vezes, a gabarolice é necessária.
Eu explico como:
A maior parte das pessoas pensa que quem não exibe os seus feitos ou as suas capacidades não vale nada, não tem confiança em si próprio, não é capaz. A ausência de demonstrações de aptidões é vista como a ausência das próprias aptidões, o que não é, de todo, verdade, mas se não as demonstramos as pessoas são preguiçosas e não as conseguem ver nas entrelinhas do nosso ser. Não estão para isso, porque dá muito trabalho tentar analisar os outros para além daquilo que eles nos atiram olhos adentro. É difícil, trabalhoso, mas não é impossível. É preciso uma certa abertura e vontade para escarafunchar as personalidades alheias, é preciso ter um certo gosto nisso também. Eu tenho esse gosto. O que gosto mais nos outros é mesmo o que está escondido. Fascina-me aquilo que não se vê facilmente, fascina-me escarafunchar personalidades e descobrir o que, intencionalmente, não se quer mostrar. Podíamos chamar-lhes "os podres dos egos", mas não são só podres que se descobrem... Descobrem-se coisas maravilhosas dentro de cada um de nós, que se não nos dermos ao trabalho de procurar, nunca conheceremos. É por isso que a gabarolice me passa um bocado ao lado...
Quando alguém se gaba diante dos meus olhos, deixo-o gabar-se. Não o aprecio, é certo. Às vezes, irrita-me, mas sei que depois dessa exibição de competências, vem o meu presente: a verdadeira essência daquele ser que está ali à minha frente. É a ela que me agarro, é com ela que tento justificar a extrema necessidade de afirmação daquele ego, é dela que gosto, mesmo com todos os seus "podres".

Há uma linha que separa a gabarolice da não-gabarolice há, pois há! Ela está exactamente na necessidade que cada um tem de se sentir aprovado pelos outros. Pessoalmente, não sinto grande necessidade que os outros me olhem com admiração (cá estou eu, outra vez, a gabar-me de não ter necessidade de me gabar). Claro que gosto que gostem de mim, seria completamente estúpida se o negasse, mas não tenho grande necessidade que me admirem e digam "ah, és óptima nisto ou naquilo!". Tento ser melhor, não pelos outros, mas por mim, o compromisso que tenho é comigo, por isso a gabarolice não é muito a minha praia.
No entanto, compreendo a necessidade que algumas pessoas têm em se afirmarem. Se não atirarem à cara dos outros o boas que são, esses outros nunca o verão: Porque dá muito trabalho, porque só se darão a essa imensa trabalheira se acharem que a pessoa em causa vale a pena. É preguiça sim, mas não só... É também uma poupança de recursos - que eu compreendo, mas não adiro - porque o que me dá prazer é o  "escarafunchanço" e, porque a minha relação com os outros é quase sempre sustentada na essência deles, e na minha também, claro!

E a razão pela qual acho a gabarolice tramada é porque, não sendo ela um atributo admirável, não deixa de ser necessária a certas pessoas e não deixa de ser um veículo que nos leva, a nós seres sociais, aos outros e, especialmente, à verdade que está nos confins dos outros.

sexta-feira, 22 de março de 2013

"Só Sei Que Nada Sei"

Ok, Sócrates está de volta! Vem de França, com um curso de filosofia no bolso, comentar política para a RTP. 
"A vida sem desafios não vale a pena ser vivida" deve ter pensado José Sócrates, quando aceitou a proposta da RTP... Está-lhe nos genes, ou melhor no nome, pensar assim.

Se as sondagens apontaram para as descidas do PS e do PSD, os eleitores que pensavam em contrariar a descida do PS, votando em Seguro, vão agora pretender votar no PSD, pois a pouca credibilidade de Seguro aliada à imagem de Sócrates, a receber o salário pago pelos contribuintes, ofende o povo. Ah pois ofende! (Parece que o Sr. não vai receber salário, como refere esta frase, aqui, abandonada no final desta notícia, mas isso não interessa nada, porque o povo ofende-se na mesma). Confrontando estes factos com a hipocrisia e indiferença de Passos Coelho à opinião e aos protestos populares, o povo prefere o Coelho do Relógio ao Sócrates Filósofo, porque nesta batalha, o Seguro já não está assim tão seguro e já não é perdido nem achado.

Assim, atropelam-se petições sobre petições: Petição Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP e Petição Apoio de Sócrates na RTP
Baralham-se, confundem-se e desviam-se as atenções do que é realmente importante: já não se está atento ao que o governo faz, já não se nota que o Coelho do Relógio já não vê as horas, e apenas exibe o adorno; já não se repara que a oposição PS é fraca e que vive à custa de maledicência; e qualquer outro tipo de oposição passa, agora, a ser uma mera miragem. 
Fazem-se as contas ao que Sócrates irá receber como comentador (mesmo que não tenha salário, há-de receber uns agradozinhos e assim a gente já terá com que se indignar), investigam-se as condições contratuais com a RTP, esquecem-se o défice, a Troika, o FMI, o IVA, o IRS, os duodécimos, os cortes nos salários, e reformas, e os pedidos de facturas obrigatórios e concentram-se todas as atenções na imagem de Sócrates, sentado dentro dos nossos televisores, a filosofar, a filosofar, a filosofar...

Chegam as eleições...
E temos Coelho do Relógio por mais um mandato!

A propósito, que horas são, hã?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dondoca

Hoje, armei-me em "dondoca". Corri todas as lojas de roupa do Centro Comercial. Fui à Zara, Bershka, HM, Pull & Bear, Stradivarius, Promod e mais a umas tantas sapatarias.
Acabei na Fnac. Tudo o que comprei foram dois livros.

Estado "dondoca": disable!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Então...É Isto!

Porque acho que há muita gente que precisa de ler isto...










Só tenho pena é que essa gente não leia este blogue.

Todas as imagens foram roubadas da Educação como prática da liberdade no Facebook

A Sentença

Tudo bem com as análises, tudo bem com o raio do x. Ecografia marcada para ver se o gangliozito, com aproximadamente 1 cm, é dos bons ou dos maus. 
As saudades, que a médica queria vir a sentir de mim, vão ter que ficar para mais tarde. Em Maio voltaremos a ver-nos para nova sentença.

#18 Músicas Que Entranham

Chamem-me pirosa à vontade, mas eu gosto desta música. Gosto mesmo!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Inspecção Periódica Obrigatória - IPO

Hoje, foi dia de IPO, ou Instituto Português de Oncologia, ou Inspecção Periódica Obrigatória. Escolham a definição que preferirem, mas vai tudo dar ao mesmo.
Foi dia de alterar a data das análises da tiróide para uma mais próxima da consulta, de fazer o raio do X (raio-X) e de fazer análises para a consulta de hematologia. 
O regresso ao IPO nunca é encarado de ânimo leve. Assaltam-me pensamentos menos bons sempre que lá estou. É como viajar no tempo e aterrar em cheio no ano de 2006. Volto a ver pedaços de gente num sofrimento atroz, recordo perucas e cabeças sem pêlo, revejo caras de pele cinzenta, corpos demasiado magros ou demasiado inchados. A dor está estampada em quase todos os rostos, as vidas apenas se seguram por um fio, a revolta e a vontade de abandonar os próprios corpos traidores, lêem-se nas expressões. A ponderação de prioridades e o desespero é texto corrente naquele lugar.
E recordo-me de mim, sete anos atrás, ali à espera de mais uma sessão de tortura, à espera de mais uma sentença de vida, ou de morte. Lembro-me do mal-estar; do cansaço; da agonia; do sono provocado pelos anti-histamínicos; dos fios de cabelo que caíam aos molhos; das dores de garganta causadas pelas radiações; da escassez de saliva que não me deixava comer; dos fungos, que decidiram vir morar na minha boca; do corpo deformado; da alma trucidada; e da imagem do J. sempre sorridente, alegre e ingénuo, a nascer enquanto pessoa, ali mesmo diante dos meus olhos.
E o medo de perder aquela imagem e deixar de acompanhar aquela maravilhosa escalada na vida, que era a dele, apoderava-se de mim. Medo este, maior do que o medo da minha morte. Deixei de ter medo de morrer ali, naquele espaço de gente moribunda. Irónico, não?
Nos momentos em que via aquela pequena criatura, que nada percebia do que se passava, o amor rasgava o meu peito com uma intensidade lancinante, quase insuportável. Não podia ter a audácia de perder o desabrochar daquela flor, seria uma traidora, tal como o meu corpo fora, quando me virou as costas naquele instante tão importante da vida do meu filho. Não podia abandoná-lo a um crescimento órfão. Simplesmente, não podia.
Mas a vontade de desistir segredava-me palavras de desânimo ao ouvido, fazia-me confissões de derrota, tentava demover-me da luta.
E era aí que ele vinha pedir os meus braços, negros pelos químicos que os percorriam; era aí que soltava "mamãs"; era aí que me dava beijos cheios de baba ternurenta; era aí que me apercebia quão alheio ele estava ao estado decrépito da mãe, que nem a distinguia da mãe de outrora, e era aí que meu coração esfarrapado se enchia de um amor gigante, que já não doía, e de vida, até. E era aí, que uma erupção de felicidade me assaltava, e me gritava "estás viva, porra! Tens que continuar assim, se queres continuar a senti-lo no teu peito! Agarra-te a essa brisa de afecto e não a largues mais!".
Ouvi as palavras dela e gravei-as no meu cérebro. Quando a vontade de desistir, me vinha com segredinhos maléficos, olhava para o J. e fazia ecoar aquelas palavras de alento. Se é culpa de alguém eu continuar a ir às Inspecções Periódicas Obrigatórias, essa culpa é dele, do J., que me obrigou a olhá-lo com olhos de ver, que impediu que me abandonasse à sorte, que me iluminou com os seus olhos de amor quando eu era escuridão e, nada mais.

Fuminhos

Na verdade, não me interessa se o Papa é:
- Velho,  novo ou assim-assim; 
- Europeu, americano, africano ou asiático;
- Jesuíta, monge, franciscano ou, até mesmo, católico.

Na verdade, verdadinha, o que quero saber é o que é que eles queimam para fazerem, ora fuminhos pretos, ora fuminhos brancos!
Isso é que era uma informação digna para se dar ao pessoal!

Foto descaradamente roubada da página do Facebook Yronikamente

quarta-feira, 13 de março de 2013

Ideias Estilizadas

São pré-feitas, concebidas com determinado objectivo, impermeáveis ao pensamento, insensíveis ao conhecimento, estranhas ao debate, avulsas, disformes, imberbes, vagas, vãs, opacas, tendenciosas, mal-formadas, inaplicáveis, ínfimas, imaturas...
Enfim, são estilizadas! 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Expurgação

Este blogue tem-me dado a conhecer um prazer que desconhecia: o prazer da escrita.
Ao longo deste ano e tal a escrever neste espaço, tenho-me apercebido que, cada vez, gosto mais de escrever e, por estranho que pareça, que me faço entender melhor por escrito do que oralmente. 
Além de ser um gosto recém-descoberto, a escrita permite-me expressar alguns sentimentos e pensamentos que, de outra forma, não expressaria. Deixá-los-ia escondidos dentro da minha cabeça e ficariam aqui nas profundezas do meu cérebro para a eternidade. O que seria uma pena. Não por os pensamentos serem alguma coisa de especial, que não são, mas porque eu tenho um mundo a acontecer dentro de mim muito maior do que o que tenho fora.
Este mal de que sofro, a constante inquietação e interrogação, acaba por ser expurgado no papel, ou melhor, neste caso no ecrã do computador. E quando expurgado, não conspurca tanto a minha mente, que sofre amiúde por não encontrar respostas às inquietações com que se cruza a cada esquina desta vida.

O expurgado, não sei se servirá para algo mais do que para esta limpeza de alma, mas se apenas se cumprir nesta função, terá executado a sua missão em pleno.

domingo, 10 de março de 2013

Sou Uma Chorona

Esta noite, fui ver este filme


e chorei durante quase o tempo todo. 
Cheguei a pensar em sair da sala, pois atingi um tal estado de convulsão chorosa que achei que não me iria conseguir controlar. Mas aguentei firme até ao fim.
Aconselho a irem ver: boas interpretações, tema forte, questões que dão muito que pensar e imagens poderosas. Só não se esqueçam de levar lenços!

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Flor

Hoje, o J. chegou da escola e deu-me isto:


Feita por ele, esta é a A MAIS LINDA FLOR DO MUNDO!

Dia da Mulher

Eh pá, não me apetece falar do Dia da Mulher!

Ficam as imagens, ok?











As imagens são todas roubadas por aí.

Da Miséria

De vez em quando, vou almoçar a um Centro Comercial. Ultimamente, tenho visto, neste Centro Comercial, várias pessoas em busca de comida nos tabuleiros que são deixados nas mesas, e de beatas, com ainda alguma coisa para fumar, nos cinzeiros.
Atenção, o Centro Comercial de que falo é cá, em Portugal! 

Assim, está o nosso país.

Imagem retirada da Internet

terça-feira, 5 de março de 2013

"A Spy In The House of Love"

No sábado, não era suposto eu ir à manifestação. Inscrevi-me para participar num estudo que iria, ou melhor irá, determinar o rendimento adequado para se viver com dignidade neste país. Resolvi participar porque acreditei que o meu contributo iria ser importante. Pode parecer-vos presunçoso, mas penso que tenho umas ideias um bocadinho diferentes da maior parte dos portugueses e, por isso, acreditei que iria abrir o leque de opiniões nos debates programados. O facto de pagarem o dia aos participantes não contribuiu em nada para a minha decisão. Achei, sincera e inocentemente, que iria valer a pena levantar-me cedo a um sábado, se com isso ajudasse a dar a ideia que o nível de vida dos portugueses é mau, baixo e que precisa urgentemente de ser aumentado. 
Mais uma vez, enganei-me. O grupo onde me inseriram era homogéneo. Apenas com uma pessoa a destoar: eu!
Tudo o que eu dizia, não valia de grande coisa. Comecei a sentir-me a ovelha negra do rebanho e a achar que não tinha valido a pena levantar-me cedo, nem desperdiçar um dia de luta por um país melhor, por ... AQUILO.
Quando chegou a hora de almoço, pensei "o que é que eu estou aqui a fazer? Vai haver uma manifestação esta tarde, que poderá abanar este país, e eu vou continuar aqui a brincar às casinhas com esta gente? Não! Vou-me, mas é embora daqui!".
As restantes participantes por lá ficaram, pois ainda faltava almoçarem à borla, receberem o dinheiro pela tarde de conversa e decidirem o grau de importância de ter um serviço de loiça de melhor qualidade na sala do que na cozinha para servirem as visitas.

Eu fui-me embora. Bazei. Liguei ao pai do J., que já ia para a manifestação, e lá fomos os dois.

Ele dedicou-se a fotografar, eu a ouvir, ver e cheirar o ambiente.
Recebia todos os panfletos que me ofereciam, ouvia as palavras de ordem, cantava a Grândola, e todas as outras músicas que se cantaram do Zeca, e apontava as frases que se diziam em conversas paralelas.
(Tenho, por mania, um especial prazer em sentir-me A spy in the house of love. E ali, conseguia ser a espia que vive intensamente do amor dos outros.)
Como não estava incluída em nenhum grupo, e tinha que me manter atenta ao meu homem para não o perder de vista no meio da multidão, acabei por não ser muito participativa na manifestação, limitando-me a vivê-la através dos outros e a cantar sempre que assim se propunha. (Não canto nada de jeito, mas ninguém me iria tirar o prazer de cantar Zeca Afonso em plenas ruas de Lisboa!)
O ambiente era intenso, as pessoas estavam unidas, mas tristes, muito tristes. A tristeza pairava no ar de uma forma muito dura. O desânimo era evidente, apesar da força com que gritavam. Mas no meio disso tudo, a voz do Zeca, que se ouvia aqui e ali, enchia-me o coração de esperança, ao mesmo tempo que me reportava para as histórias de luta de há 30 anos, tão tristemente idênticas às que travamos hoje.

E agora, olhando de uma perspectiva menos romântica da coisa, quero destacar alguns pontos estranhos da manifestação:

1- Estas duas frases, das que apontei:
- "Eu não tenho partido, tenho clube e tenho religião, mas partido não!", disse uma senhora orgulhosa, no metro; - Ok, partido é que não! Que coisa mais horrorosa de se ter... Clube e religião é que são dignos de se ter. Já partido...
 - "É preciso o governo não prestar para a gente se encontrar!", disse outra senhora, toda contente, a amigos, no meio da manif. - Uau! Fixe! Queremos mais governos destes, que nos proporcionem estes magníficos convívios!

2- Também notei uma ou outra coisa "que me fizeram espécie". E elas são:
-A quantidade de gente com cachecóis do Sporting; - Estavam ali de passagem, certo? Iam para o jogo, mas cortaram caminho para ver como é que aquilo estava a correr, mas iam mas era para o jogo, que era muito mais importante.
-A quantidade de pessoas que se escondiam, atrás do que estivesse à mão, para não serem fotografadas pelo pai do J. - Estavam com medo de serem identificadas pela PIDE, não era? Ou "damos a cara, mas nem tanto assim. Afinal, viemos só para fazer número! Nós não queremos que o Passos ou o Gaspar se zanguem connosco, ok?" 

domingo, 3 de março de 2013

A Carne de Cavalo

Estive para aqui a pensar se me fazia impressão esta questão da carne de cavalo misturada com a de vaca em certos produtos alimentares. (Como sabem sou amante confessa de cavalos). Mas cheguei à conclusão que não me faz especial impressão.
Na verdade, comer cavalos, vacas, borregos, porcos, ou outro animal qualquer fazem-me precisamente a mesma impressão. Se enquanto como um animal, estiver a pensar no animal, e não na refeição, fico incomodada. Não sou vegetariana, nem estou próximo de o ser, mas perturba-me a maneira como, os animais que comemos, são tratados nas pecuárias, nos matadouros e afins. O poderio humano é demasiado cruel. E essa crueldade é a que mais me impressiona nisto tudo.
Claro que sinto uma maior afinidade com os cavalos e, se pensar na hipótese de ter comido algum cavalo  meu conhecido, sinto-me uma canibal. O mesmo aconteceria se comesse uma vaca ou um borrego meus amigos. 
Porém, acho que, enquanto como, consigo mais ou menos bem, alhear-me do facto da carne que está ali no prato ter sido, um dia, um animal. No momento em que lhe espeto o garfo, é tão só carne, comida e nada mais.
Também não me importaria de deixar de comer carne, se achasse que isso mudaria a maneira como as pessoas tratam os animais. (Até nem gosto assim tanto de carne). Mas não acredito que mudasse alguma coisa, por isso acho que não vale a pena o esforço e a ginástica para arranjar legumes que substituam as proteínas da carne.
A crueldade continuaria, mesmo que todos nós deixássemos de comer animais.
A crueldade é inerente ao Homem. Se não fosse nas pecuárias ou nos matadouros, o Homem arranjaria outro sítio qualquer para torturar animais. Tal como continua a torturar pessoas, apesar dos circos romanos e da escravatura já terem sido abolidos.