segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Imediatismo Educacional

Já AQUI falei sobre este tema, é verdade, mas como este é um tema cada vez mais actual, não posso deixar de voltar a falar nele.
Desta vez, ele vem a propósito DESTE TEXTO e de eu ter ido, recentemente, à reunião da escola do meu pequeno e ter constatado que cada vez há mais miúdos medicados na turma dele. 

Confesso que me assusta, pais, professores, psicólogos e pedopsiquiatras, defenderem o uso de medicamentos para controlarem as suas crianças. Parece-me, e digo "parece-me" porque não tenho qualquer formação na área, além da de ser mãe, que a utilização de medicamentos e a rotulagem das crianças mais mexidas são motivadas pela preguiça e pelo desejo de uma fórmula mágica e imediata para a resolução de um problema, que por vezes é mais fácil de solucionar do que nos parece à primeira vista.
Assusta-me ainda mais a educação de certas crianças estar mais dependente de químicos, do que de educação propriamente dita. Comparo-a aos comprimidos para emagrecer, que substituem o exercício físico e a alimentação equilibrada, e que utilizamos quando não temos paciência, nem vontade, para nos mexermos ou para comermos coisas saudáveis: Engolimos 3 comprimidos por dia na esperança que as gorduras que acumulamos, e que continuamos a ingerir, se evaporem.
Assim se faz a crianças que de hiperactivas não têm nada. Não quero, com isto, dizer que não existam crianças hiperactivas, não duvido que existam, mas sei, por observação atenta, que também existem muitas que não o são, e que andam a ser medicadas porque é mais fácil dar-lhes medicamentos do que as educar.

Esta ideia de imediatismo na educação vem agregada ao conceito de imediatismo de um modo geral. A informação na hora, a formação em três tempos, os prazeres instantâneos, a pressa, o stress e as vidas a correrem a 1000 à hora, são os principais "culpados" desta ideia de imediatismo: tudo se quer rápido e à distância de um simples click. Ora, a educação das crianças não pode estar à distância de um click,  não é imediata, pois arrisca-se a ser totalmente ineficaz. As crianças precisam de tempos próprios, precisam de constatar os erros através da experiência, precisam de regras e de quebrar as mesmas, precisam de saltar, cair e levantarem-se e, precisam, acima de tudo, que as guiemos por esta estrada sinuosa da vida.
Mas, por vezes, o pouco tempo não nos deixa estar lá, presentes de corpo e alma, quando de nós precisam, e é por isso que, também, é tão importante darmos-lhes ferramentas, através das quais, elas consigam ultrapassar os seus próprios obstáculos, e essencialmente, aprender com eles.

Estarão agora a pensar "quem és tu para saberes tão bem do que é que as crianças precisam?".
Na verdade, não sou ninguém, nem sei se o que tenho feito para educar o meu filho tem sido o mais correcto. Provavelmente, não. Talvez, só daqui a muitos anos, quando ele for adulto, saberei se o que fiz foi, ou não, o mais correcto.
Mas uma coisa, penso, que tem sido de extrema importância, tanto para ele como para mim, e essa coisa é duvidar sempre e questionar-me infinitas vezes se o que estou a fazer é o mais correcto. Não aceito verdades universais sem as questionar variadíssimas vezes. Pura e simplesmente, não aceito. Tal como não as aceito, também não acredito em pílulas milagrosas e acho, sempre, que os medicamentos só se dão em último caso. São um último recurso, quando mais nada funciona.
Por isso, me assustam tanto os pais e técnicos de saúde e de educação que a primeira solução, que lhes vem à cabeça, nos casos das crianças mais mexidas, é a medicação. Penso que a pressa em solucionar este problema é a maior inimiga da eficácia e que esta é a principal causa do abandono das funções parentais por estes progenitores.
Quando estes pais se demitem da sua função de educar, os seus filhos passam a ser órfãos, pois mais do que as importantes tarefas de alimentar, vestir e dar formação aos filhos, os pais devem educá-los.

Quando a educação deixa de existir, temos filhos deficientes, não porque lhes falte uma perna, ou porque tenham algum problema congénito, mas porque lhes falta a técnica para usarem as asas que lhes permitirão voar.

2 comentários:

  1. Mammy este post é tramado de tanta verdade que apresenta infelizmente é uma realidade constante, pouco ou nada acrecentaria aqui. Mais importante do que tudo como referes, é parar para pensar nas causas que produzem determinados efeitos, mas a correria da vida é a desculpa mais fácil para permitir estes comportamentos cada vez mais rotineiros. Incrivelmente e por muito triste que seja o rotulo de hiperativo é aceite como trunfo! Enfim...
    Um beijinho grande

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  2. Olá Adoro-te Mamy!
    Escusado será dizer que adoro o nome do teu blogue! Eh eh eh!
    Bem-vinda!

    Parece-me que há pessoas que se recusam a parar para pensar, pois se o fizerem, desabam!
    É uma defesa como outra qualquer, mas, por vezes, esquecem-se que são os filhos que mais sofrem com essa recusa! :(
    Bjs

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...