sábado, 19 de janeiro de 2013

Ganga Forever

Sou daquelas pessoas que, entre o chique e o confortável, prefere sempre o confortável. 
No entanto, de vez em quando, gosto de me mascarar. Fico mais chique e menos confortável. Mascaro-me de senhora, de miúda fashion, de profissional de uma treta qualquer, enfim, do que me der na real gana. É raro mascarar-me, mas, às vezes, apetece-me, o que é que querem?

Hoje, foi um desses dias. Mascarei-me de mais-ou-menos arranjadinha. Vesti-me com um vestidinho curto, mas não curto demais (tive que o comprar um número acima para evitar andar de rabo ao léu, pois neste país as roupas grandes são largas, mas não são suficientemente compridas, ou seja, são feitas a pensar em pessoas gordinhas, mas esquecem-se das pessoas compridas), um casaquinho bem comportado, calcei umas botas altas, mas sem saltos, para não parecer uma torre, e vesti o sobretudo por cima disso tudo, que frio é coisa que não quero passar por nada deste mundo.

Esta máscara surtiu um efeito que, há já algum tempo, não surtia. Já nem me lembrava como era passar na rua e ir sentindo os olhares, distraídos de todos os dias, virarem-se na minha direcção. Coisa esta que não aprecio especialmente, pois sofro do trauma das pessoas grandes que vivem num país de pequeninos, que deve ser igualzinho ao das pessoas pequenas que vivem num país de grandes.

A princípio pensei "será que o vestido subiu tanto que estou de cinto em vez de vestido?". Discretamente, tacteei o fim da saia e verifiquei que não, que estava tudo no sítio certo. Depois, olhei para as meias para ver havia algum buraco de que eu não tivesse dado conta. Nada! Tudo direitinho! "E as botas estarão sujas?" Também não, estavam fixes!

Como estou mais gordinha do que estava, quando era aprendiz de modelo e as minhas curvas não são agradáveis à vista, como poderiam ser naquela época, como já me apareceu um mapa das estradas da vida estampado na cara, a que alguns teimam em chamar rugas (especialmente o meu querido filho), como não me sinto minimamente atraente, nem me tenho mascarado ultimamente, já não me lembrava que pertenço a uma espécie meio estranha a este habitat e que, este facto chama a atenção dos indivíduos pertencentes a outras espécies. Mulher grande com ar apresentável é alvo observação atenta. (Razão pela qual, me fiz adepta do confortável discretinho).
Confesso que me senti terrivelmente mal e cheia de vontade de dar meia volta para trás e ir a casa mudar de roupa. Mas como o tempo era escasso, não tive outro remédio senão levantar a cabeça e seguir em frente.

Adoro a minha privacidade (podemos também chamá-la de insignificância, se preferirem), adoro que me deixem sossegadinha no meu canto e que não estejam sempre a controlar aquilo que faço ou digo e, com esta máscara de hoje, perdia-a durante um dia inteirinho. 
Senti-me horrível... Foi como se me tivessem andado a bisbilhotar a gaveta da mesa-de-cabeceira, mesmo debaixo das minhas barbas. Os sacanas...

Por isso, amanhã estarei, feliz e contente, de volta às minhas queridas calças de ganga, não vá alguém querer bisbilhotar a gaveta outra vez...
A máscara serviu, pelo menos, para que eu valorizasse a "bela da ganga", até que me esqueça deste dia e, volte a apetecer-me entrar numa de Transformers (robot se transforma num carro e vice-versa, lembram-se?)...
Aleluia a quem inventou as maravilhosas calças de ganga! Talvez a... Levi Strauss?

2 comentários:

  1. Achei divertidíssimo este seu desabafo:):):)
    Eu também opto mais pelo confortável mas, de vez em quando, como vai acontecer hoje à noite aperalto-mee toda e gosto de me ver! Sou vaidosa, penso assim: ainda "metes muitas garotas no armário"! Pronto confessei! É horrível pensar assim, não é? Mas penso!:):):)
    Abracinho meu!

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  2. Maria Teresa,
    Não é nada horrível pensar assim.
    A verdade é para se dizer... e pensar!
    ;))))
    Bjs

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
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