quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Virgindade à Venda

Parece que está na moda vender-se a virgindade. 
Aqui, temos dois tontinhos que vendem a sua primeira vez a quem pagar mais. 
Já conseguiram outros dois tontinhos que pagam caro para serem os primeiros. 

Estava aqui a pensar e fiquei na dúvida de quem é mais totó nesta história: se os tontinhos que põem à venda a virgindade, e apregoam aos sete ventos que não são prostitutos (como se alguém se preocupassem realmente com isso), porque é só uma vez; se os tontinhos que pagam uma pipa de massa para fazerem sexo com quem ainda não percebe nada da coisa...

Confesso que não consigo chegar a uma conclusão.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tóni

António nasceu numa pequena aldeia perto de Elvas. Os seus pais tinham um pedaço de terra de onde tiravam o sustento de toda a família. 
A contar com António eram oito a viver numa pequena casinha branca, rodeada de planície.

António frequentou a escola até à quarta classe. 
Mal acabou o ano lectivo, começou a ajudar os pais a pastar as ovelhas, a tempo inteiro.

Levantava-se às cinco da manhã, pegava no canito ruivo e lá iam os dois, planície fora, seguidos por vinte ovelhas lãzudas.
Ficava horas a ver as ovelhas pastarem. Sentava-se sempre no mesmo pedregulho, com o cajado na mão, a vê-las comer aquele pasto amarelo.
Ao mesmo tempo, sonhava... Um dia, iria sair daquele Alentejo sem fim. Iria ser rico e poderoso, como o Ti Manel da casa grande, lá quase no fim da aldeia. Teria empregados para tudo e só bastaria mandar, que eles fariam tudo o que ele quisesse. Não precisaria de se levantar tão cedo, nem de andar a pastar aqueles novelos de lã com pernas. 
António sonhava alto, tão alto, que, por vezes, esquecia-se dos animais e, se não fosse o olhar atento do canito, eles dispersavam de tal forma que depois muito dificilmente os conseguiria juntar novamente. Bendito canito que o acompanhava, e lhe obedecia como ninguém!

António cresceu, tornou-se um homem, deixou de ser o António sonhador, para dar lugar ao Tóni amargurado.
Tóni já não sonhava. Agora, lutava. Mas lutava pela vida que sempre sonhara.

Deixou o Alentejo e aventurou-se lá para os lados de Lisboa, a capital. 
Agora, vivia perto da capital e mais perto dos sonhos, que pretendia tornar realidade. Trabalhava numa fábrica de cimento, onde respirava pó cinzento, doze horas por dia.
À noite, cuspia uns escarros cinzentos e doía-lhe o peito quando, finalmente, tomava a posição horizontal. Por vezes, junto com o cinzento, via uns bocadinhos vermelhos de sangue. Era nesses momentos, que se lembrava das ovelhas, e dos sonhos...

Trabalhou arduamente naquela fábrica, deu anos de vida ao pó cinzento. 
Mas, ao fim de vinte anos a respirar pó, conseguiu amealhar uns bons tostões.

Largou o trabalho e dirigiu-se às Finanças. 
- Quero ser patrão. O que preciso fazer? - perguntou à rapariguinha, ruiva como o seu antigo canito, que estava do outro lado do balcão.
- Patrão? - perguntou a rapariguinha.
- Sim, patrão. Quero abrir uma churrasqueira minha, assar frangos para vender para fora, ter empregados, contabilidade, etc. Enfim, quero ter um negócio meu!
- Ah! O senhor quer ser empresário?! - diz a rapariguinha, enquanto sacode o cabelo ruivo.
- Sim, é isso!

Tóni abre a churrasqueira.

Agora, é um homem realizado. Tem o seu próprio negócio, vende centenas de frangos por semana, tem uma loja toda catita e tem empregados... 
Já passaram por lá uns tantos... Na sua maioria brasileiros. Uns incompetentes, que não querem trabalhar! Preguiçosos até dizer chega! 
O último que arranjou, Jéferson, até que não é mau de todo... É lento, é verdade, e é um pouco calado demais, mas antes assim, pelo menos não lhe responde com maus modos, quando ele o manda trabalhar. 

Jéferson fá-lo lembrar-se do canito ruivo, que o acompanhava quando pastava as ovelhas... É fiel como o cão, não resmunga e, se ele quiser, pode enxotá-lo à vontade, tal como fazia ao canito. Jéferson é seu, é sua propriedade, ou não fosse ele o patrão e o outro, o empregado.

Agora sim, agora é o patrão, que sempre sonhou quando era menino!
Depois de tanta luta, e tanto pó respirado, finalmente, sente-se um verdadeiro Ti Manel! Os seus pais, se ainda fossem vivos, haviam de se orgulhar dele!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ásterix e Obélix

Fomos ver...


Mas não foi dos que mais gostei, talvez por ter visto a versão dobrada em português, talvez por não ser, na realidade, tão bom quanto os anteriores. Não sei! Só sei que me soube a pouco...

domingo, 28 de outubro de 2012

Alhos e Bugalhos

Tenho a mania da teoria da conspiração! Sim, é verdade, tenho! Está enraizada em mim, de tal forma, que não consigo separar alhos de bugalhos. 
Para mim, os alhos e os bugalhos têm sempre uma qualquer ligação. Umas vezes, ela é directa, clara e aos olhos de todos, outras vezes, ela é camuflada e vive nas entrelinhas.

Hoje, li ESTA notícia e não consegui deixar de pensar que isto não passa de uma preparação da sociedade, e da opinião pública, para o que aí vem - O FIM DA ESCOLA PÚBLICA.

Contabilizar-se o custo para o Estado dos alunos da escola pública e compará-lo com o dos das escolas privadas, frisando que os da pública são mais caros, é manipular-se a opinião pública para que esta se torne oponente à existência das escolas mais caras!
Por favor, não me venham com tretas, que é manipulação pura e dura! 

A alucinação geral, mais recente, é a poupança desenfreada nos gastos do Estado. Por isso, toda a gente está concentrada em encontrar áreas onde este pode poupar, para que não lhes aumentem os impostos, para que não lhes roubem os subsídios e para que não inventem mais artimanhas políticas para lhes sacarem dinheiro.

Esta questão está na ordem do dia: Poupar é a obsessão deste governo! Que já conseguiu contagiar toda a população com a doença de que padece: A poupança nos gastos do Estado.
Desde que só atinja aquela entidade longínqua a quem se chama povo e desde que não infrinja um simples arranhão aos grandes grupos económicos ou às altas personalidades políticas (que estão directamente ligadas aos primeiros), o lema é poupar. O objectivo passa, assim, a ser cortar em tudo o que é direito da população, dos mais desfavorecidos, dos que estão longe dos olhos, e do coração, dos nossos governantes (se é que algum deles tem coração)...

A escola pública, por sua vez, não interessa nem aos grandes grupos económicos, nem às altas personalidades políticas! No entanto, o ensino privado sim. Interessa tanto a uns quanto a outros. A uns, porque podem apostar nisso como um próximo e próspero negócio. E a outros, porque os seus filhos só estudam no privado, pois o público é muito rasca para eles.

Se o ensino público é mais caro para o Estado, do que o privado, eis a desculpa necessária para acabar com ele! Desculpa esta, que será apoiada pelos mais lerdinhos a ler nas entrelinhas... Estes dirão "acabem-se com essas escolas todas caríssimas e de má qualidade, onde há professores a ganharem rios de dinheiro, que têm horários reduzidos e regalias imensas!". 

Porém, estes lerdinhos esquecem-se, se não pertencerem a nenhum dos grupos interessados no cultivo do ensino privado, que, depois de sepultarem o ensino público, terão que ser eles, digníssimos lerdinhos, a pagarem por inteiro as escolas aos seus digníssimos lerdinhos rebentos!

Mas isto é só a opinião de quem (lembram-se?) tem a mania da teoria da conspiração e não consegue separar alhos de bugalhos!

sábado, 27 de outubro de 2012

Como Despolitizar uma Criança de Oito Anos?

O J. vai para a escola falar de política.

Hoje, pediu à professora para lhe perguntar quem eram os ministros: das Finanças; dos Negócios Estrangeiros; da Economia; o Presidente da República e o Primeiro-ministro.

Ela perguntou-lhe e ele respondeu:
- Vitor Gaspar. Paulo Portas. Álvaro Santos Pereira. Cavaco Silva. Passos Coelho.
Uma colega perguntou-lhe:
- Como é que tu sabes isso tudo?
- Sei! - respondeu orgulhoso.


- Os meus colegas nem sabem o que são as Finanças! - disse-me no carro, a caminho do supermercado, como se fosse uma enorme gaffe da parte dos colegas.
- E tu sabes?
- Sei. São os impostos.
- Sim, mais ou menos... São os dinheiros do Estado.

Mas tamanha sabedoria também é invadida por dúvidas... Como esta:
- E o Relvas, mãe? É Ministro de quê? - perguntou-me. 
Disse-lhe que era Adjunto dos Assuntos Parlamentares. 
- Adjunto? - achou pouco.
- Sim, acho que é adjunto!

A cabecinha dele deve ter ficado a matutar naquilo...
"Como é que um ministro, de quem se fala tanto, é só Adjunto? Devia ser mais importante, não? E, se é só um adjunto, porque lhe dão tanta importância?".

Durante o jantar, falou do Orçamento de Estado e do IRS, como qualquer português indignado e, maior de idade.

De vez em quando, inventa letras para músicas conhecidas a desancar nos ministros e na política do governo actual. É um fã ferrenho das Mixórdias de Temáticas do Ricardo Araújo Pereira, que ouve em sessões contínuas e que imita na perfeição, dizendo o texto quase como se o estivesse a ler e reproduzindo com mestria as vozes das personagens do Ricardo...

Quer-me parecer que estou a criar um pequeno, grande, revolucionário... Ainda estou na dúvida se isso será bom ou mau...

Agora digam-me, por favor: Como despolitizar uma criança de oito anos?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Vou Contar-vos Um Segredo #3

Tenho andado a pensar, seriamente, em emigrar!
Sim, eu sei que não é bonito virar-se as costas ao país, mas quando o país nos vira as costas primeiro, será uma atitude assim tão condenável?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

E Já Agora, Vejam Lá Isto...


A Estúpida Ideia Do Secretismo Da Informação

Trabalho neste país há 15 anos. 
Nestes 15 anos, saltitei por vários empregos, mas em todos eles encontrei um denominador comum: A ESTÚPIDA IDEIA DO SECRETISMO DA INFORMAÇÃO.
Muitos trabalhadores guardam uma grande quantidade de informação só para si, retêm-na e não a partilham propositadamente para se sentirem em vantagem relativamente aos colegas. Têm medo de serem ultrapassados pelos outros. Pensam que se partilharem aquilo que sabem, os colegas vão singrar mais do que eles, vão ser promovidos e vão tornar-se mais importantes aos olhos dos chefes. E estancam a informação. De tal modo, que acabam por comprometer toda a dinâmica da empresa onde trabalham, porque esta passa a ser mais lenta, e cheia de defeitos e lacunas.

Normalmente, estes trabalhadores também não perguntam nada aos colegas. Fingem que sabem e que conseguem fazer tudo sozinhos. Porque são muito competentes. E são tão competentes que só fazem porcaria. E escondem a porcaria debaixo do tapete. Vão varrendo, diariamente, as asneiras, que podiam ter sido evitadas se tivessem a humildade de perguntar aquilo que não sabem, para debaixo de um tapete enorme. 
Um dia, é necessário tirar o tapete para limpar o chão, e descobre-se um acumulado de porcarias apinhadas, bolorentas e irremediavelmente estragadas. Quando isto acontece, eles arranjam, à pressa, um bode expiatório: o colega do lado a quem eles não quiseram fornecer a informação solicitada, ou o outro colega do lado que não lhes disse aquilo que eles não lhe quiseram deliberadamente perguntar, porque já sabiam tudo.
Ardilosamente, conseguem centrar o problema na procura de um culpado, que nunca são eles e são sempre todos os que os rodeiam. Desviam a atenção do mais importante, a resolução do problema. Baralham toda a gente e conseguem fazer com que a empresa, em peso, passe a andar de rabo para o ar à procura do sacana do culpado, em vez de resolver a questão, melhorar a dinâmica previamente, por eles, sabotada e produzir mais e melhor.

Enfim, assim é Portugal!

sábado, 20 de outubro de 2012

Observação da Espécie

Faço um exercício, quase diário, que consiste em observar as pessoas sem as ouvir, e ouvi-las sem as ver.
Gosto de ver as expressões faciais e os movimentos dos seus corpos e inventar as palavras que poderão estar a dizer. Gosto de tentar analisar / interpretar os sons que proferem, imaginando um contexto e ilustrando-o com semblantes.

Faço jogos sozinha, no silêncio da minha mente: Serás capaz de adivinhar do que estão a falar? Que sentimentos descrevem estes movimentos? O que é que aquela cara quererá dizer?

A entoação da voz é tão reveladora... O franzido da testa, a posição dos lábios, o nariz que se contorce e o olhar, oh o olhar, que pode dizer tanto ou tão pouco...

Faço o mesmo jogo comigo, ao espelho: O que queres dizer com esse olhar? Esses olhos muito abertos desejam devorar o mundo ou assustam-se com ele? Será que quem te vê, vê-te na realidade? E quem te ouve? Entende o significado subjacente das tuas palavras?


Gosto da clarividência da adivinhação; gosto de tornar o desconhecido, conhecido; gosto da dúvida permanente que me exulta a mente; gosto do exercício cerebral, apenas e só, pelo exercício; gosto de observar a espécie para a descobrir e me tentar adivinhar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Jéferson

Jéferson saiu do Brasil há dois anos. Mineiro de origem, boiadeiro de profissão, deixou o seu país, família e arte para procurar uma vida melhor além-mar.

Jéferson é pai de cinco filhos. O mais velho tem 20 anos e a mais nova fez, no mês passado, 6. Casado com Araci, morena bonita do seu coração, com quem dividia uma pequenina casa, de duas assoalhadas, na fazenda do seu antigo patrão, fazia das tripas coração para sustentar, e arrumar naquela casa, os 5 filhos.
Quatro dos filhos dormiam na sala. Dois na cama de ferro ferrugenta de corpo e meio e os outros dois no sofá. Daniela, a mais pequenina, partilhava a cama com os pais.

Araci trabalhava como criada na casa do patrão. Saía de casa antes do sol nascer e só voltava depois de ele se pôr. Tal como Jéferson. 

Depois de Araci tratar da arrumação do lar e dos filhos se deitarem, o casal juntava-se no alpendre de casa. Jéferson pegava no violão e tocava a banda sonora daquele amor, que tinha nascido com Araci a dançar  ao  som da música do seu, agora, marido.

Numa dessas noites de cumplicidade, Jéferson disse:
- Vou tê qui emigrá, Araci! Vou tê qui ir embora e trazê dinheiro p'rá esta casa! Tenho pensado muito nisso... Não temo manera de dá uma vida melhor p'rós nossos fihos, se eu continuá aqui. 
- Oucê qué ir embora? E deixá nós aqui, sem oucê?
- Não quero não, amô, má vou tê qui ir!

Jéferson escolheu Portugal como destino. Nos EUA já não recebiam brasileiros com tanta facilidade como antigamente, o ideal era a Europa, e na Europa, Portugal era o único país onde Jéferson iria entender a língua.

Deixou Araci e os 5 filhos para trás. Disse ao patrão que iria tentar melhorar de vida no estrangeiro, mas que voltaria 2 ou 3 anos depois e esperava que ele o recebesse de volta, nessa altura. 
O patrão assentiu. Gostava de Jéferson e conhecia-o desde pequenino. 
O pai dele trabalhou na fazenda até a morte lhe bater à porta. O filho substitui-o com toda a competência de filho de boiadeiro bravo.

Dia 25 de Setembro de 2010, chegou a Lisboa. Pensou que a capital seria o melhor sítio para se instalar, mas mal se apercebeu dos preços proibitivos das rendas de casa e dos quartos, mudou de ideias. Tentou nas redondezas e lá acabou por encontrar um quartinho para partilhar com mais três compatriotas.

Arranjou alguns trabalhos como servente nas obras, por períodos curtos. Dois, três meses e mandavam-no embora. Até que conseguiu um por seis meses, numa churrasqueira que vendia frangos assados exclusivamente para fora. 

Hoje, Jéferson ainda lá trabalha, dez horas por dia para receber 500€. 
Recepciona os frangos crus de manhã, caixas e caixas de frangos crus, e assa-os até à noitinha, caixas e caixas de frangos, agora, assados. 

Já quase não sente o calor das brasas que o desfaz em suor, já quase não ouve o patrão que lhe grita e o insulta, cada vez que ele não personaliza o que lhe vai em mente, já não toca a banda sonora do seu amor no violão, que tem encostado à cabeceira da cama, pois as pontas dos dedos queimadas já não sentem as cordas. 

Daniela entrou para a escola este ano, Jéferson não assistiu à filha caçula se tornar numa menininha crescida. Edson, o filho mais velho, vai casar para o mês que vem, e Jéferson não vai estar lá para dar a sua bênção. Araci tem dois vestidos novos, que ele viu nas fotografias que ela lhe enviou, e Jéferson não vai poder vê-la dançar com eles. 
Todas as noites, antes de dormir, olha a fotografia e pensa "como Araci deve ficá linda dançando com aqueli vestido das frôrzinhas..."

Mas Jéferson ainda não perdeu a esperança de ver Araci dançar com aquele vestido. Juntamente com os 200€, dos 500 que ganha mensalmente, e que manda religiosamente para Araci, envia um cartão que diz:

EM BREVE, NHÁ MORENA, EM BREVE OUCÊ DANÇARÁ P'RÁ MIM E EU TOCAREI P'RÁ OUCÊ.

Em breve...

sábado, 13 de outubro de 2012

#7 Músicas Que Entranham



Expliquem-me Lá Isto Como Se Eu Fosse Muito Loira, Se Fazem Favor!

- Quem é que está no governo?
PSD e CDS/PP, não são?

- Quem é que esteve no governo, há pouquinho tempo, e fez a mer** que todos nós sabemos?
PS, não foi?

- Quem é que nunca esteve no governo?
CDU e BE, não foram?

- Isto está a porcaria que está, por causa de quem?
Hã??? Não ouvi! Hã???

- E agora, digam-me lá, (que eu sou loira verdadeira e pintada, em simultâneo, e não percebo nada destas coisas) porque é que as intenções de voto são ESTAS?


Estamos num país nórdico, ou quê?!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Portugueses e o Dinheiro

Imagem retirada da Internet

Portugal divide-se por dois grandes grupos e dois pequenos grupos.
Os dois grandes grupos são: 
- O dos portugueses que têm orgulho em não ter dinheiro;
- O dos portugueses que têm vergonha em não ter dinheiro.

O português-tipo do "grupo dos que têm orgulho em não ter dinheiro" exige tudo a todos os outros: ao Estado, ao pai, à mãe, ao primo afastado que está emigrado na Suíça, ao vizinho do lado, ao cão, ao periquito...
Verbaliza: "se eu não tenho dinheiro, quem tem é obrigado a sustentar-me"; "eu tenho direitos!" (e obrigações, não?).

Esta conversa pode parecer-vos um pouco "fascistolas", mas não é! Longe de mim querer, sequer, aproximar-me de tal ideologia!

Eu explico para evitar equívocos:
É por tanta gente exigir direitos, sem nada fazer para os merecer, que a divisão da riqueza é tão deficiente neste país. É por existir gente que se abotoa e se "encosta à sombra da bananeira" que quem realmente precisa fica em carência. É por existir tanta contra-produção, vestida de um exacerbado direito de ter e de poder, que sair deste rame-rame é um acto falhado.
Este português, porta-estandarte da ideologia do "eu tenho direito a isto e àquilo, porque sou pelintra e quero tudo de mão beijada", mata, à nascença, o que poderia ser um trabalho em conjunto para o conjunto.

Nunca, jamais e em tempo algum, direi que um português não tem direito a todos os direitos que lhe são legítimos! No entanto, terá que fazer alguma coisa para isso, nem que seja, apenas, esforçar-se por fazer alguma coisa (que nos dias de hoje, já é trabalho de merecido mérito, porque é extremamente difícil arranjar emprego e porque há quem tente boicotar tudo o que os outros tentam fazer!).

Por outro lado, o português-tipo do "grupo dos que têm vergonha em não ter dinheiro" também não é melhor.
A vergonha enche-o de desejos de grandiosidade. Quer tudo o que faça aparecer aos outros que nada diariamente numa piscina cheia de moedas: Quer a casa com 50 divisões; o carro-banheira; os cartões de crédito em tons de dourado com ""Eng." ou "Dr." a preceder-lhe o nome; o cão de raça, cuja trela não consegue aguentar; a escola, que obrigue o uso da farda, para os filhos; o telemóvel, que o avise quando deve ir à casa-de-banho ou que lhe diga que "afinal, não está assim tão aflitinho"; ser atendido num hospital luxuoso, onde haja quartos individuais, mas não há quem se lembre de lhe vir mudar a garrafa do soro, etc., etc...
Este português inveja um outro português, que virá, a seguir, e que pertence a um grupo mais pequeno, mas não menos expressivo no que diz respeito ao assassínio da divisão justa e igualitária da riqueza. Por causa desta inveja que sente, produz menos e exige mais numa tentativa de sustentar a aparente riqueza.

Por fim, temos dois grupinhos pequeninos de portugueses:
- O dos que têm dinheiro, com muito orgulho;
- O dos que se estão a cagar para o dinheiro.

O português-tipo do "grupo dos que têm dinheiro com muito orgulho" é petulante e arrogante. Atira à cara, sempre que pode, dos elementos dos restantes grupos que "quer, pode e manda"; amealha todas as moedinhas que apanha a cair dos bolsos dos outros e junta-as à sua enorme fortuna; inventa estratégias para multiplicar cada tostão e para se apoderar do que é dos outros; esmifra o adversário até ao tutano; usa e abusa de quem não o consegue enfrentar ou quem, pura e simplesmente, não o quer enfrentar, por medo ou por inveja disfarçada de admiração.
O grande problema deste português é que, normalmente, além de dinheiro, ou talvez associado ao dinheiro, também tem poder, que usa, única e exclusivamente, a seu bel-prazer.

At last, but not least, encontramos o português-tipo do "grupo dos que se estão a cagar para o dinheiro". Este português desejava não ser necessário ter dinheiro. Quer o necessário para usufruir em pleno do que a vida tem para lhe oferecer, nem mais, nem menos. Produz para viver, mas não vive para produzir, muito menos para amealhar ou exibir. Não quer o que não lhe pertence, nem pretende dar o que é seu. Divide os excedentes, mas não sustenta gulosos.

Porque não tem dinheiro, nem a mais nem a menos, orgulho, inveja ou vergonha, este português-tipo é desconsiderado por todos os tipos anteriores e, devagarinho (mas nem tanto assim), vai-se extinguindo como se da Grande Barreira de Coral se tratasse, consumida pela poluição e pelas águas quentes demais.

domingo, 7 de outubro de 2012

O Fósforo

Hoje, decidi dar para as mãos do meu filho uma caixa de fósforos. Tirei um fósforo e demonstrei-lhe como se acendia. 
Disse-lhe:
- Agora tu. Acende!
- Como, mãe?
- Pegas na caixa assim... e acendes assim!
Raspei o fósforo na lixa da caixa e fez-se luz, o fósforo acendeu.
- Wow! - disse ele afastando-se.
- Vá, toma. Agora acende tu!
Agarrou na caixa a medo e perguntou:
- Mãe, como se pega na caixa? É assim?
- É! 
- E agora?
- Passas o fósforo aqui e acendes!
- Não consigo! Tenho medo!
- Não precisas de ter medo! Achas que se fosse muito perigoso, eu estava a dizer-te para fazeres isso? Tens é que passar o fósforo no sentido contrário ao teu corpo. Assim, para fora! E só o fazes quando eu estiver ao pé de ti!
- Ok! Mas não sei se vou conseguir... Isto não é só quando eu tiver 10 anos?
- Não, já podes acender um fósforo agora. Já estás grande!
Tentou várias vezes sem sucesso. Foi para o pé do lava-loiças e perguntou:
- É aqui que se faz?
- Sim, aí é bom, mas não precisas de ir para aí, podes acender o fósforo aqui ao pé de mim.
- Vou tentar aqui!
- Ok!
- Não consigo!
Peguei-lhe nas mãos e acendemos o fósforo juntos. Quando viu a chama, a mão dele estremeceu.
- Não tenhas medo, desde que não o inclines para ti e que o apagues antes de te queimar os dedos, não faz mal.
- Vou tentar agora sozinho!
- Boa!
Tentei não olhar fixamente para ele, mas pelo rabinho do olho... Com muito cuidado lá ia tentando sem sucesso, até que...
- Olha mãe, consegui, consegui!
Soprou logo para o apagar mal o fósforo acendeu.
- Posso tentar outra vez?
- Podes!
Acendeu outro. Todo ele era felicidade.
- Boa! Mas nunca vais fazer isto sozinho, só quando eu estiver ao pé de ti. Ok?
- Sim mãe, claro!

E foi para o quarto brincar com aquele andar de orgulhoso, que lhe é tão característico, quando se sente um homenzinho.

Mas eu fiquei na dúvida "será que fiz bem?".

Imagem retirada da Internet

sábado, 6 de outubro de 2012

Vou Contar-vos Um Segredo #2

Tenho por hábito escrever rascunhos de mensagens no telemóvel com os temas que pretendo escrever aqui.
Também tenho por hábito usar o telemóvel como despertador.

No outro dia, meia a dormir, agarro no telefone para desligar o sacana do despertador...
E sabem o que faço?

Envio uma mensagem com um desses temas, já bem desenvolvido, para o ex-infantário do meu filho!

Imagem DAQUI

A minha sorte, é que era sobre religião, não tinha palavrões nem indecências.

Ai Tancinha, Tancinha...

(E foram 3 segredos, em vez de um. Hoje, estou generosa!)

- E o Estatuto Do Aluno?

Voilà!!! Está AQUI!

Vou focar-me apenas neste artigo:

1 — A manutenção da situação de incumprimento consciente e reiterado por parte dos pais ou encarregado de educação de alunos menores de idade dos deveres a que se refere o n.º 2 do artigo anterior, aliado à recusa, à não comparência ou à ineficácia das ações de capacitação parental determinadas e oferecidas nos termos do referido artigo, constitui contraordenação. 
2 — As contraordenações previstas no n.º 1 são punidas com coima de valor igual ao valor máximo estabelecido para os alunos do escalão B do ano ou ciclo de escolaridade frequentado pelo educando em causa, na regulamentação que define os apoios no âmbito da ação social escolar para aquisição de manuais escolares. 
3 — Sem prejuízo do disposto no número seguinte, quando a sanção prevista no presente artigo resulte do incumprimento por parte dos pais ou encarregados de educação dos seus deveres relativamente a mais do que um educando, são levantados tantos autos quanto o número de educandos em causa. 
4 — Na situação a que se refere o número anterior, o valor global das coimas não pode ultrapassar, na mesma escola ou agrupamento e no mesmo ano escolar, o valor máximo mais elevado estabelecido para um aluno do escalão B do 3.º ciclo do ensino básico, na regulamentação que define os apoios no âmbito da ação social escolar para a aquisição de manuais escolares. 
5 — Tratando -se de pais ou encarregados de educação cujos educandos beneficiam de apoios no âmbito da ação social escolar, em substituição das coimas previstas nos n.os 2 a 4, podem ser aplicadas as sanções de privação de direito a apoios escolares e sua restituição, desde que o seu benefício para o aluno não esteja a ser realizado. 
6 — A negligência é punível. 
7 — Compete ao diretor -geral da administração escolar, por proposta do diretor da escola ou agrupamento, a elaboração dos autos de notícia, a instrução dos respetivos processos de contraordenação, sem prejuízo da colaboração dos serviços inspetivos em matéria de educação, e a aplicação das coimas. 
8 — O produto das coimas aplicadas nos termos dos números anteriores constitui receita própria da escola ou agrupamento. 
9 — O incumprimento, por causa imputável ao encarregado de educação ou ao seu educando, do pagamento das coimas a que se referem os n.os 2 a 4 ou do dever de restituição dos apoios escolares estabelecido no n.º 5, quando exigido, pode determinar, por decisão do diretor da escola ou agrupamento: 
a) No caso de pais ou encarregados de educação aos quais foi aplicada a sanção alternativa prevista no n.º 5, a privação, no ano escolar seguinte, do direito a apoios no âmbito da ação social escolar relativos a manuais escolares; 
b) Nos restantes casos, a aplicação de coima de valor igual ao dobro do valor previsto nos n.os 2, 3 ou 4, consoante os casos. 
10 — Sem prejuízo do estabelecido na alínea a) do n.º 9, a duração máxima da sanção alternativa prevista no n.º 5 é de um ano escolar. 
11 — Em tudo o que não se encontrar previsto na presente lei em matéria de contraordenações, são aplicáveis as disposições do Regime Geral do Ilícito de Mera Ordenação Social.



Vamos lá então começar?

Aqui vai:

Número 1 do presente artigo:

... ineficácia das ações de capacitação parental determinadas e oferecidas nos termos do referido artigo, constitui contraordenação. - "Ineficácia de acções de capitação parental determinadas"? O que é isso? Refere-se, entre outras coisas, a isto: c) A não realização, pelos seus filhos e ou educandos, das medidas de recuperação definidas pela escola nos termos do presente Estatuto, das atividades de integração na escola e na comunidade decorrentes da aplicação de medidas disciplinares corretivas e ou sancionatórias, bem como a não comparência destes em consultas ou terapias prescritas por técnicos especializados. (presente no nº 2 do artigo 44º). - O teu educando é hiperactivo (ou a escola assim o determina)? 'Tás lixado se não o levas às consultas! Bad boy! Bad bad boy!

Número 2 do presente artigo

As contraordenações previstas no n.º 1 são punidas com coima - Medida sancionatória super-pedagógica!!! O teu filho e tu portam-se mal? Pagas e não bufas!
Tens muito dinheiro? Então o teu filho pode ser um malcriadão, tu podes estar pouco te lixando para ele e para a escola, porque vais pagando de cada vez que ele faz porcaria, ou que não compareces na escola, e não precisas de te preocupar mais! That's it!

Número 3 do presente artigo

...resulte do incumprimento por parte dos pais ou encarregados de educação dos seus deveres relativamente a mais do que um educando, são levantados tantos autos quanto o número de educandos em causa. - És uma porcaria de pai de muitos filhos? Então paga por cada um deles! Hay que pagarlo! "Mai" nada!


Saltei o número 4? Pois saltei, foi de propósito! É que hoje estou boazinha...

Número 5 do presente artigo

Número inteiro - És pobrezinho, não tens dinheiro para mandar cantar um cego, não tens educação para ti, quanto mais para dares ao teu educando? Ficas sem os apoios que poderiam ajudar-te a dares aquilo que não tens aos teus educandos. Toma lá, que já "fostes"!

Número 6 do presente artigo

Número inteiro - Pensavas que te safavas se não ligasses nenhuma a esta treta? Tarau! Toma lá mais esta!

Número 7 do presente artigo

Número inteiro - O director é rei, tal como no Estado Novo. A moda é cíclica: o que vai, acaba sempre por voltar!

Número 8 do presente artigo

Número inteiro - A escola, ou agrupamento, está à rasca, porque o Ministério cortou na sua subsidiariedade? Toca de ir buscar dinheiro aos alunos e pais faltosos! Ajuda lá a escola, que o Estado está pobrezinho!

Número 9 do presente artigo

Número inteiroO director é rei, tal como no Estado Novo. A moda é cíclica: o que vai, acaba sempre por voltar!

Número 10 do presente artigo

Número inteiro - Se não tens dinheiro para o teu filho andar na escola e o director não te grama: "Prontos", não te rales, é só mais um anito que o teu filho leva para acabar a escola... Enquanto isso, os filhotes dos ricalhaços acabam-na mais cedo, vão para o mercado de trabalho mais cedo e têm, quiçá, mais hipóteses de arranjar emprego... Quiçá!!!

Número 11 do presente artigo

Número inteiro - Tudo o que não estiver aqui, está ALI.

Vou Contar-vos Um Segredo (Nova Rubrica Aqui Do Cantinho Mais Lindo da Blogosfera, Ah Ah Ah)

Quando eu era menina de uns 17 anitos, p'rá aí, um amigo chamava-me Tancinha. 
Sabem porquê? 
Por ser grande e desajeitada. 
Desajeitada ainda sou, grande é que já nem tanto!


Lembram-se? Esta era a verdadeira Tancinha!
Ups, era ao contrário... 
Que desajeitada!!!!


Imagem da Net, claro!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Papagaios

Imagem retirada da Internet

Já vos disse que não lido muito bem com CARNEIROS, mas ainda não vos falei de quanto me irritam os papagaios...

Papaguear qualquer coisa sem lhe dar um cunho pessoal é monótono, triste, chaaaaato! No entanto, esta técnica, de papaguear, é muito utilizada por comerciais e, especialmente, por comerciais do telemarketing. Vá-se lá saber porquê...
Quando este pessoal me telefona, geralmente, "mando-os dar uma curva" respondendo-lhes uns "porque não quero" aqui e uns "hum hum" ali. Às vezes, digo-lhes que não sou eu e que só chegarei a casa muito tarde para que não me voltem a ligar.
Desenvolvi-lhes uma alergia terrível!

Acreditem ou não, hoje ligaram-me do Círculo de Leitores e, não era um papagaio! Era uma pessoa real! Dá para acreditar?
Essa pessoa foi capaz de adaptar a publicidade, que era obrigada a fazer, ao seu próprio discurso: gaguejou algumas vezes; hesitou; foi simpática; teve-me em consideração; não me quis impingir nada, nem manipular. Estranho, não?
Podia ver-se que não tinha jeito nenhum para aquilo: não agia by the book, não falava como uma máquina para outra máquina, era humana...
Sentia-a viva do outro lado da linha! E conquistou-me! Conseguiu ganhar a minha atenção (normalmente, não oiço nada do que me dizem essas pessoas por telefone, não é culpa minha nem delas, é da alergia que bloqueia os meus ouvidos automaticamente) e comover-me.

Acreditam que me vieram as lágrimas aos olhos?

Ela falava, e a mim só me apetecia chorar. Não era chorar de desespero de já não conseguir sentir mais (porque, lembram-se, eu deixo de as ouvir) aquele som monocórdico, era chorar de sentir que havia alguém extra-profissão, com sentimentos, com imperfeições e de carne e osso, no outro lado da linha.

Fiquei susceptível e desarmada, como é tão raro acontecer-me quando me telefonam a vender-me produtos que eu não preciso e, mesmo que precisasse, passava a não precisar, só por me abordarem daquela forma.

Ouvi tudo o que me tinha a dizer, enquanto tentava segurar as lágrimas. Permiti que me voltasse a telefonar para saber se eu não estaria mesmo interessa no catálogo do Círculo de Leitores...

Sei que não estou. Mas também sei que aquela pessoa chegou a mim por ser tão imperfeitamente real.

E fiquei, sinceramente, contente com isso!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cumprimentos

Se há coisa que me deixa fula é, certos homens, cumprimentarem-me as mamocas em vez de me cumprimentarem a mim...

Ando seriamente a pensar em passar a cumprimentar-lhes os genitais com ar reprovador... só para ver se conseguem manter o sorrisinho estúpido estampado na cara!


E o Estatuto do Aluno?

-Está a marinar...