domingo, 30 de setembro de 2012

Stress Felino

O meu gato tem uma infecção urinária, há séculos, que me obriga a comprar-lhe uma ração caríssima, que ele não adora, preferindo sempre aquilo que nós estamos a comer.

O meu gato
Teve uma crise recentemente, porque, segundo a veterinária, uma das principais causas das infecções urinárias nos gatos é o stress. Segundo a mesma fonte de conhecimento felino, esta crise pode ter sido devida a eu ter estado de férias ou a tê-lo reduzido a uma única casa-de-banho;

Passa os dias em casa a dormir, a comer, a brincar e a fazer asneiras;



Eu
Só tenho uma casa-de-banho, que divido com mais duas pessoas; 

Passo os dias numa correria infernal para fazer mil e uma coisas em escassas horas e, quando chego a casa, ainda tenho que levar com as "asneiradas" dele.


E ele é que sofre de stress?!

sábado, 29 de setembro de 2012

Em Véspera de Manisfestação

Já disse aqui que não acredito em manifestações. Não por as achar estúpidas ou coisa no género, mas por crer que não são suficientes. Hoje, as manifestações não acordam os governos. A petulância política é tanta que quem está no poder, pura e simplesmente, ignora a voz do povo. E o pior é que também há povo que ignora o povo. 

Mas amanhã, vou à manifestação...
Porquê? Porque sim! Porque estou descontente e preciso de manifestar o meu descontentamento. Enquanto posso...

Acredito sim na greve de zelo, no voto em consciência e na união das pessoas.

A greve de zelo poria o país em câmara lenta, tão lenta que nada funcionaria (como na realidade não funciona, mas presentemente devido aos cortes nos gastos do Estado, nos ordenados dos contribuintes e ao excesso de burocracias). 

Acredito no voto em consciência porque, para se ir votar, não se pode ir a pensar que a cruzinha se põe à frente da fotografia da cara mais laroca, da do candidato que mais canetas e bandeirinhas oferece ou da do que apresenta mais sinais exteriores de riqueza. A cruzinha põe-se em frente da fotografia de quem acreditamos que pode fazer alguma coisa por isto, mesmo que a cara seja feia, mesmo que dono da cara não tenha oferecido bandeirinhas durante a campanha eleitoral, mesmo que ele não tenha qualquer noção de moda e estilo, ou seja daqueles que ainda tem a coragem de andar de transportes públicos (apesar dos atrasos e das greves) e pense deslocar-se assim para o Parlamento. 

O absentismo não é resposta a nada. Talvez o seja o voto em branco, quando não acreditamos em nenhum dos candidatos, mas o absentismo é um voto na maioria, seja ela qual for. É concordar com o que nos impuserem. É dizer "ok, por mim tudo bem, tomem-me e façam-me o que quiserem!". 

E acredito na união das pessoas. Penso que esta será a arma mais poderosa, se bem utilizada. Acho que se não nos juntarmos e lutarmos por todos nós (todos nós, não só por alguns) nunca conseguiremos que isto se endireite. 
Foi a roubar, cada um para seu lado, que este país chegou até aqui; foi a desunião e a luta desenfreada por poder e riqueza, que nos atirou por terra; foi o umbiguismo; foi a mania das grandezas; foi o chico-espertismo; foi tudo isto junto e foi a (ainda) crença de alguns na humanidade que nos levou a este abismo. 
A crença na humanidade desses, poucos, alguns agarrou-nos pelos cabelos, levou-nos à beira do abismo e mostrou-nos a altura a que estávamos. A queda iria ser grande! 
A culpa deles é, tão só, terem-se deixado ludibriar e roubar pelos espertalhões, que de humanos nada tinham (têm), e permitirem que a sua ingenuidade crédula nas pessoas os traísse.

Eu sinto-me traída, apesar de não ter votado em quem está no poder! Sinto-me traída pelo povo que partilha este país comigo, sinto-me traída por mim própria por não me ter esforçado o suficiente para pôr um travão a estes impostores, por não ter sido austera com a austeridade, por ter acreditado que a humanidade, mesmo que desprezasse a Natureza, amaria sempre a humanidade.

E amanhã, vou expressar esta minha raiva de mulher traída!
Olá se vou!















Fotografias encontradas por AQUIAQUI e AQUI.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

E o Estatuto do Aluno? Já Está Lido? - Perguntam Vocês.

E eu respondo:

-Ainda não. Vai, mas vai muito devagarinho!

"Post" Interdito a Menores de 18 Anos

Desculpai-me senhores, mas terei que dizer-vos, a vós leitores inveterados, que a leitura não passa de um acto de masturbação. Masturbação da mente, mas ainda assim masturbação. Se pensais que sois pueris, tirai daí o cavalinho da chuva, porque sois é uns depravados despudorados!


Por vezes, sinto a leitura como um orgasmo interminável. Interminável até já não haver mais páginas por ler. 
Quando a mão direita fica vazia de livro, quero mais, torno-me insaciável de letras, de sons a ecoarem nas paredes do meu cérebro. Verto litros de saliva, tal cão de Pavlov ao som da campainha. Estremeço. Preciso de continuar a ler, mas a rejeição à monotonia não me deixa recomeçar o mesmo livro. Sou obrigada a soltá-lo. Solto-o... e escrevo.




Desculpai-me senhores, mas terei que dizer-vos, a vós escritores inveterados, que a escrita não passa de uma pole dance. Pole dance da mente, mas ainda assim pole dance. Se pensais que sois pueris, tirai daí o cavalinho da chuva, porque sois é uns depravados despudorados!


Quem me lê, neste momento, está, na realidade, a ver-me dançar agarrada a um varão. Tento seduzir-vos com contorcionismos eróticos. Exteriorizo o fogo que há em mim para vos queimar de desejo. E quero-os a arfar. 
Podia mentir, na tentativa de vos parecer uma Lolita da escrita, e dizer que escrevo só para mim. Mas vocês iriam, depressa, descobrir-me a careca. 

Quem escreve num blogue, nunca escreve só para si. Quem escreve, nunca escreve só para si. Escreve sempre para os outros, sejam eles quem forem. Escreve em voz alta. Escreve aos gritos. E espera ser lido. 
Se não o é, pára. 

E lê. E não lê em voz alta. Lê em surdina, com medo que alguém lhe roube as palavras. Lê ao som dos pensamentos, afim de se saciar numa torrente de espasmos egoístas.

E se não consegue atingir o clímax, lê de novo ou...

...muda de livro.

Imagem retirada DAQUI

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A Lâmpada

Hoje, na minha hora de almoço, fui passear-me pela livraria do Centro Comercial. Não sei se já disse aqui que adoro livrarias... Especialmente a secção infantil (sim, sou meia criançolas!) e especialmente nas minhas horas de almoço. Sou capaz de sorver o almoço em 15 minutos, para passar o tempo que me resta de liberdade na companhia dos livros. Gosto de me ver rodeada de letras, histórias, informação, arte. 
Corro as livrarias de uma ponta à outra e, tanto me perco na secção infantil, quanto nas de arquitectura, fotografia, autores estrangeiros, autores portugueses, roteiros turísticos, filosofia, psicologia ou gastronomia.  Gosto do cheiro a cultura!

Durante este meu passeio livresco, descobri uns livros de Alice Vieira que desconhecia. O J. gosta muito desta autora, por isso costumo dar uma espreitadela à prateleira onde ela se encontra. (Ela, salvo seja, os livros dela). Pensei em comprar-lhe um, mas como o tempo era escasso, se fosse para a caixa, não teria tempo para ver mais nada.  Deixei esta ideia de lado e continuei o meu passeio higiénico.

Qual espanto é o meu, quando me deparo com um Top Ten da Fnac e encontro o livro da Pipoca em quarto lugar, logo a seguir ao d' As Cinquenta Sombras de Grey
A minha boca aberta de espanto não se deveu a mais nada senão ao facto do livro da Pipoca, cujo título é Estilo, Disse Ela, ser sobre futilidades (roupas, acessórios, maquilhagem, etc., etc.) e As Cinquenta Sombras de Grey ser sobre uma Gata Borralheira dos tempos modernos, enfeitiçada por um príncipe encantado lunático montado num carro de luxo, e nela. (Ups, desculpem a descida de nível, mas foi incontornável).

Ainda com a boca aberta, começam a passa-me várias ideias, ilustradas, pela cabeça. O sucesso da Casa dos Segredos, as capas das revistas deste verão, cheias de fotografias dos carros e das casas de luxo dos Mourinhos e dos Cristianos Ronaldos, as primeiras páginas dos jornais repletas de títulos austeros, a história que o nosso Ministro da Administração Interna nos contou sobre haver muitas cigarras e poucas formigas em Portugal... 

De repente, faz-se luz! Uma lampadazinha (fosca, que eu sou loira) acende-se mesmo por cima da minha radiante melena amarela. 
As cigarras do ministro existem! As formigas do Miguel são autómatos alheios a tudo o que faça mexer os neurónios! Este país está perdido! Vamos todos morrer à fome, enquanto vemos uns porcos a engordarem a uma velocidade avassaladora! É o fim, é o fim!

Os meus neurónios começam a vibrar e depressa entram em colisão...

Nããããããooooo!!!! Nããããããooooo!!!!!


Olho para o relógio. Tenho dez minutos para chegar ao trabalho.

Ufa, ufa, ufa!! Já passou, ufa, foi só um pesadelo! 

Na realidade, no sábado, vai estar imensa gente na manifestação! Tanta, ou mais gente do que na de dia 15! Gente unida e a lutar por um país melhor. Que não se vai vender ao desbarato, que não vai aceitar um fatinho bonito, um I-Pad, um carro de luxo ou um contrato chorudo a apresentar a meteorologia numa qualquer estação de televisão, em troca das suas convicções, em troca de um país mais justo, mais honesto, onde o bem comum representa o bem individual.
Esta gente não se vai deixar levar. Não! Eu sei que não!

Ok, o pessoal lê livros e revistas e vê televisão sobre assuntos fúteis, mas é só para se distrair. No fundo, está concentrada na mudança e na luta por um país melhor. Sim, é isso! 

És muito dramática, miúda! Já, quando eras pequena, a tua mãe dizia que fazias sempre um drama por tudo e por nada. Até o teu baby diz que és muito dada a fazer filmes! Foi só um delírio, um pesadelo de rapariga alucinada e dramática.


Mais descansada, dirigi-me ao meu carreiro, tal formiga trabalhadeira. Pus os phones, dei descanso aos neurónios, desliguei a lampadazinha fosca e hibernei por mais 4 horas.

Amanhã talvez haja mais... 
...ou então, começarei a passar os serões a ver a TVI, substituirei as livrarias pelas tabacarias, onde comprarei a Caras, sonharei com a casa do Cris, passarei a vestir chique até para lavar a casa-de-banho e apagarei de vez a lampadazinha fosca, que apesar de fosca, só me faz sofrer.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

"Os Cavalos Também se Abatem"

Esta frase não me sai da cabeça desde que a égua morreu.

Quando paguei a conta da veterinária, senti que fechei um ciclo na minha vida. Um ciclo cheio de amor.

Apesar de ultimamente já não estar muito com a égua, sentia-a sempre próxima. Quando estava muito calor, pensava se ela teria sombras para se abrigar, quando estava frio, pensava se lhe tinham colocado o cobrejão, quando chovia, se estaria muito molhada. Olhava o céu e pensava nela. Todos os dias, havia um motivo para pensar nela. E quando o fazia, o meu coração ficava cheio.

Hoje, se está sol, frio, ou chuva, já não importa. A razão para pensar nisso já não existe. Foi-se embora e levou com ela a ligação que me prendia à terra, ao ar, ao vento, à chuva, ao céu, aos cavalos...
A ligação quebrou-se. Os cavalos estão mais longe de mim. Tão longe, que este coração fica apertadinho. Sinto-me mais pobre e mais vazia por dentro. Tão vazia que quase oiço o eco do meu coração a bater.

Estatuto do Aluno

Ainda ando a lê-lo...
Isto vai devagarinho, mas vai.

domingo, 23 de setembro de 2012

Próxima Estación: Esperanza

Barcelona sob o olhar de uma criança de oito anos:

























A publicação de todas as fotografias foi devidamente autorizada pelo autor.

Actualização: A fotografia que faltava.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Em Breve...

Um post sobre o novo Estatuto do Aluno.

E olhem que eu estou furiosa!!! Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrr!!!!

TPCs e AECs, ou seja, Trabalhos Para Casa e Actividades Extra-Curriculares

Assumo-me, aqui perante todos vós, uma convicta opositora aos TPCs, durante a semana e quando os miúdos frequentam as AECs!

Crianças com uma jornada laboral maior do que certos adultos, que apenas têm 4 horas em casa com os pais, e que nessas 4 horas ainda tenham que tomar banho, vestir-se, brincar um bocadinho à pressa e jantar, não deviam nunca, jamais, e em tempo algum, ter trabalhos de casa para fazer! Tenho dito!

As AECs foram inventadas para quê? Não foi para ocupar as crianças o resto do dia, enquanto os pais não chegam do trabalho para as irem buscar à escola? Não foi para alguns pais poderem prescindir dos ATLs (Actividades de Tempos Livres) e não terem que pagar uma mensalidade a estas instituições para irem levar e buscar os seus filhos à escola?

Pois se é para isso que elas existem, e até há uma delas que se chama Apoio ao Estudo, porque é que os miúdos não fazem os TPCs durante o período em que estão nestas actividades, ou, mais propriamente, nesta que tem um nome tão sugestivo?

E ainda querem que sejamos nós, pais, a educar os nossos filhos?!

Como podemos fazê-lo em 4 horas diárias, nas quais temos que os pôr a tomar banho, jantar e ainda ajudar a fazer TPCs? 
Digam-me, por favor, que eu estou "à nora"!

Concordo com TPCs, mas para os fins-de-semana, concordo que devem ser os pais a educar os filhos (detestaria ter que delegar essa tarefa a outras pessoas), mas em 4 horas diárias, cheias de outras coisas para fazer, como é possível desempenharmos o nosso papel de pais de uma maneira minimamente aceitável?

Alguém me sabe dizer?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Praxes

Ontem, numa conversa com a minha mãe sobre as praxes, que já se fazem aos miúdos do 5º ano, ela diz-me:

- Para mim, as praxes não são mais do que uma forma de bullying!

Eu concordo plenamente com ela. As praxes são bullying! E, na maior parte das vezes, são bullying consentido, o que me parece ainda mais grave. 
Permitirmos que abusem de nós, nos humilhem, nos façam fazer coisas contra a nossa vontade, só para sermos bem aceites ou porque temos medo de nos impormos, é grave, muito grave! Reflecte falta de personalidade, auto-estima diminuta e, essencialmente, falta de TOMATES! 

Há quem defenda as praxes como uma forma de integração no meio escolar. Há quem diga "nos dias de praxe, os alunos têm a oportunidade de conhecer os colegas, de perceber como funciona a nova escola, de fazer amigos".

Sim???

Acham que vale a pena os alunos passarem por sessões contínuas de humilhação para se integrarem, conhecerem os colegas, perceberem como funciona a nova escola e fazerem amigos?
Não haverá outra forma de conseguirem tudo isso?

E acham mesmo que ISTO é giro?




Imagens retiradas da Internet.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Estou Toda Selada!



A Benedita do blogue Aqui não pousam corvos... não se cansa de me oferecer selos e lá me ofereceu mais um...
Este selo é oferecido a blogues com menos de 200 seguidores e, como o meu, apesar de ser um espanto de blogue (ah ah ah ah, sou tão modesta!), só tem 79 seguidores (poucos, mas de alto gabarito!) foi contemplado com este liebster selo. 
E como "não há bela, sem senão", vêm 11 perguntas a reboque e o desafio de passar o selo, e as perguntas, a outros 11 blogues.

  1. O que achas do meu blogue? Benedita, o teu blogue é um dos meus preferidos. Não digo isto por me ofereceres selos, que até nem são a minha especialidade, mas porque gosto do que dizes, da maneira como escreves e da profundidade das tuas palavras. Já gostava do teu blogue anterior, mas sinceramente prefiro este, pois aqui sinto-te mais feliz e positiva.
  2. O que achas da blogosfera? Acho que a blogosfera é um retrato fiel desta sociedade que nos rodeia. Por aqui, encontramos de tudo um pouco: gente boa e gente merdosa; verdades e mentiras; futilidades e recantos profundos da alma; textos impecavelmente escritos e lixo em forma de texto. Enfim, a blogosfera é um universo a explorar.
  3. Coisa mais bonita? O meu filho, claro!
  4. Principal objectivo? Ser feliz.
  5. Maior vício? Ainda... outra vez, fumar.
  6. Música preferida? Já disse aqui, não me vou repetir. Porque não me lembro qual foi a que disse anteriormente e não me apetece ir procurar. Porque não é só essa (a que disse anteriormente), porque há mais, porque sou chata, do contra e porque tenho preguiça de pensar nisso agora.
  7. O que mais odeias? A falta de respeito pelos outros, a maledicência cheia de veneno, a mentira. Odeio muitas coisas, sou um bocado radical no que diz respeito a sentimentos, odeio algumas coisas com a mesma intensidade com que amo outras. 
  8. Qualidade? Vão lendo o blogue e descubram. Ora, ora, querem a papinha toda feita, não?
  9. Defeito? A mesma resposta da pergunta anterior.
  10. Qual o teu ídolo? Ídolo, ídolo acho que não tenho. Admiro várias pessoas pelas mais variadas razões.
  11. És feliz? Às vezes.
Passo o selo, e as perguntas, a todos os liebevollsten Blogs que por aqui passarem.
(Eu sei, eu sei, estrago sempre estes desafios com a minha indisciplina.)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ok, Fui de Férias...

...Mas já voltei...
Este país conseguiu surpreender-me negativamente em apenas cinco dias de ausência...
Estou aqui há cinco horas e já me ia embora outra vez!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Isqueiro

Já disse aqui que consigo ser extremamente antipática. Também já disse que tenho uma costela malévola. Talvez não tenha sido por estas palavras, mas mesmo que tenha sido por outras, acho que já deu para entenderem que às vezes sou um bocadinho bruta, ríspida, dura, ou má como as cobras.

Na adolescência, quando comecei a fumar, havia imensos miúdos na mesma situação que eu, que começavam a fumar. Porque achavam giro, porque era cool, porque pensavam que assim se integrariam melhor no universo dos grandes. 
Uns, como eu, tinham isqueiro e compravam tabaco, ou seja, alimentavam o vício de maneira autónoma. Outros, achavam muito mais fixe andar ao crava. 
Os cravas cravavam tudo, desde um cigarrito aqui e acolá, até ao lume para acenderem o cigarrito cravado. Por vezes, gamavam o isqueiro, que lhes emprestavam, para o perderem uns minutos mais tarde e tornarem a ter que cravar lume ao próximo fumador autónomo.
Os cravas sempre me irritaram solenemente. Porque eram cravas por opção, porque escolhiam viver numa dependência permanente dos outros...

Eu, quando irritada, era má. Ainda hoje sou, não tanto como naquela altura, mas, de vez em quando, a costela malévola vem-me pedir satisfações, e eu... satisfaço-a.

Cheguei a ser conhecida no meu círculo de amigos como aquela a quem só se pede cigarros ou lume se não houver mais ninguém nas redondezas. À pergunta "dás-me lume?", atirava vezes sem conta um redondo "não!". Em certas circunstâncias, acompanhava-o com um "vai  comprar um isqueiro!". 
Detestava mais que me cravassem lume do que se me cravassem cigarros. Ficava a ferver por dentro. Achava que, se queriam ser fixes e esfumaçar como homens, tinham que pelo menos ter um isqueiro.

Ontem, cravaram-me lume, como nos velhos tempos. 
Hoje, cravaram-me lume, como nos velhos tempos.
Dei-lhes, ontem e hoje.

Mas se amanhã, alguém me voltar a melgar e me vier pedir lume outra vez, não sei se conseguirei segurar o meu "não!" redondo. E aviso já, esta minha costela malévola, anda de novo, e violentamente, a palpitar e, quando ela anda assim, eu costumo transformar-me num bicho mau!

Da Net, da net...