sábado, 23 de junho de 2012

Que...

Faço (fiz) 37 anos.
Estive o dia todo a pensar "já viveste mais de metade da tua vida...", "já não vais viver outros 37 anos".

Por mais que tente ser positiva e esquecer-me que um dia tive (tenho porque, doente oncológica uma vez, doente oncológica toda a vida. Essa história da cura, que nos tentam impingir, é treta!) uma doença incurável, às vezes lembro-me, e lembro-me com muita força, que os meus dias estão dependentes de ela me voltar a espreitar... 
Hoje, foi um dos dias em que me lembrei...
Talvez porque na segunda-feira vou ter consulta, e tenho umas novidadezinhas para contar à médica; talvez porque, em cada ano que passa, sinto que podia não ter escrito essa data no tempo presente; talvez porque desde que um cancro morou em mim, há uma secreta hipocondríaca por detrás da minha cara mais alegre; talvez porque o medo de morrer nunca me largue... 

Hoje não foi um dia feliz!

9 comentários:

  1. Muitos, muitos parabéns!!! A tua história com cancro é triste mas felizmente estás aqui e é isso que interessa. Quando fores avózinha vais recordar esses momentos e vais ver:"Ena sou avózinha!!" :P Tens que ver as coisas pelo lado positivo é a melhor forma de continuares. Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Bom dia,
    Eu quero dar-lhe os parabens e agradecer as suas crónicas.
    O monstro que a espreita, espreita cada um de nós. Ninguém da nossa geração está imune.
    A minha irmã, que já não está entre nós dizia, " a vida é para viver - vivamo-la ".
    Comungo dessa opinião, temos que fazer disso a nossa máxima - Viver a vida o melhor possivel enquanto andamos por cá.

    ResponderEliminar
  3. Peço desculpa não disse quem era no post anterior

    Maria da Graça do Porto

    Já agora bom S. João.

    ResponderEliminar
  4. Por mais que seja difícil, há que pensar positivo...
    Os maus pensamentos não nos podem tramar!!!
    Beijinhos e coragem, vai tudo correr bem!
    http://mamaemcasa.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  5. Eu vejo as coisas pelo lado positivo, chego até, várias vezes, à conclusão que o cancro me tornou numa pessoa melhor. A sério... penso que se não tivesse passado por essa experiência, não valorizaria certas coisas que hoje valorizo.
    Mas há dias menos bons, dias maus e dias péssimos e nem sempre consigo manter-me positiva, e nem sempre consigo acreditar que tenho uma vida pela frente... São dias...
    Obrigada pelos parabéns, Oxygen!

    Maria da Graça,
    No dia em que nasci, ouviram-se foguetes das festas de S. João, por isso tenho um carinho especial por ele. :)
    E o mais engraçado é que no dia em que o meu filho nasceu também se ouviram foguetes após o nascimento dele, só que as festas eram outras, não as de S. João. :)
    Bem-vinda!
    Maria,
    Bem-vinda também!
    Beijinhos a todas

    ResponderEliminar
  6. Dias melhores virão;) sempre, a seguir a maus, vêm os bons e vamos compensando. O importante é aproveitar cada momento ao máximo, beijinhos e força, coragem e fé!!!

    ResponderEliminar
  7. Verdade, Dreams! Os dias melhores aparecem sempre!
    :)
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Vou dizer-te uma coisa que uma médica do IPO me disse, na altura que a minha mãe andava em tratamento de quimio (e quando eu, adolescente, achava que tinha contribuído para o despoletar do cancro nela): "quem pode dizer que o cancro nos mata? até podemos tê-lo e não chegarmos a morrer disso, mas de acidente de viação, ou ao atravessar a estrada!"

    Eu olho muito para o passado, para ter uma referência de mim mesma e de tudo o que passei, mas isso conforta-me porque se cheguei até aqui, chegarei muito mais longe!
    Assim como tu :)
    Parabéns atrasados

    ResponderEliminar
  9. Naná,

    No outro dia, estava a falar sobre isso com a minha mãe e disse-lhe "nós temos a certeza que, mais cedo ou mais tarde, vamos morrer de cancro, mas com um bocadinho de sorte acabamos por morrer num acidente qualquer". Ao que ela me respondeu "não tenho medo de morrer de cancro, quando morrer não me interessa do que será".
    Perguntei-lhe "e do sofrimento? não tens medo de sofrer aquilo tudo outra vez?".
    Ela respondeu " não, tenho medo é de causar sofrimento às outras pessoas por me verem sofrer"
    E é isso, morramos como morrermos, causaremos sempre sofrimento aos outros, talvez um bocadinho menos se for de acidente. Sinceramente, não sei...
    E descansa, que o cancro não é causado pelas outras pessoas e tu não contribuíste nada para o da tua mãe. O cancro é causado por tudo (o que comemos, o que respiramos, o que nos stressa) ou por nada...
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...