quinta-feira, 28 de junho de 2012

Roda dos Enjeitados

Li esta NOTÍCIA e fiquei de boca aberta. Não imaginava que isto ainda existisse...
Gostava de saber a verdadeira finalidade destas rodas... Salvar as crianças de serem assinadas pelas mães/pais? Desculpabilizar as mães/pais de um acto tão terrível, tão doloroso para ambas as partes? Evitar uma intervenção mais activa dos Estados nesta problemática? 
Não entendo...

Não acho correcto que se permitam abandonos de crianças assim, sem mais nem menos. Andamos a lutar para que as pessoas tomem consciência que abandonar animais é um acto hediondo e permite-se que se abandonem crianças desta maneira?
E ainda lhes dão uns folhetos informativos para o caso de mudarem de ideias? Se se arrependerem, vão lá buscá-las outra vez?
Uma coisa é quando se tem um filho que não é desejado, ir-se pessoalmente entregar o bebé a uma instituição, e para isso dar-se a cara, responsabilizando-se as pessoas pelos seus actos, dando espaço ao diálogo e à consciencialização dessa atitude. Outra coisa é facilitar-se o abandono permitindo o anonimato e a desresponsabilização, impedindo a intervenção de técnicos que poderiam ajudar as pessoas a reflectir. 
Acredito que, muitas vezes os abandonos dos filhos se dão devido a um desespero extremo, tornando-se actos irreflectidos que depois dão lugar ao arrependimento. Porque não ajudar as pessoas a pensar, quando estão incapazes disso? Sai muito caro aos Estados? Ou as crianças têm um fim que não o da adopção como a conhecemos, mas o da venda ou o da venda de órgãos, por exemplo? 

Estarei eu a ver mal onde não existe? Ou isto já está para lá do bizarro?

Princesa

Galã, hoje, chamou-me "princesa"!
Acho que vamos ter "molho" em breve...
Ai vamos, vamos!!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

A Quem Interessar...

Imagem retirada da Internet

Informo que a minha hemoglobina está tão boa que a médica apelidou-a de MARAVILHOSA!
Assim sim, vale a pena fazer uma viagenzinha até ao IPO!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Boas Notícias

Hoje, fui à revisão dos 6000 km (6 anos de remissão do bicho). Confesso que estava preocupadita com uns gânglios que tenho no lado direito do pescoço, que a médica desvalorizou por não terem 1 cm de diâmetro. 
Fiquei mais descansada...
Nos próximos dois meses, não me vou preocupar com eles, pois só lá volto em Setembro para ver se cresceram. 
Adoro poder ter um bocadinho de descanso e ignorar todas as porcariazinhas de sintomas que me atormentam!
Até Setembro, bicho mau!

Imagem retirada da Internet

domingo, 24 de junho de 2012

Novidades

Temos duas novidades aqui no tasco:
- Barra de pesquisa de posts (mesmo por cima da minha cabeça)
- Barra para traduzir, em diversas línguas, as barbaridades que eu vou aqui dizendo (mesmo por baixo do cartão de visita do facebook)

Usem e abusem!

Da Desilusão

Há pessoas que, cremos uma vida inteira, são de determinada maneira...
Ao fim de uns anos, por uma razão qualquer, aparentemente sem importância, apercebemo-nos que não são como pensávamos. Todos os ideais que defendiam são desacreditados pelas suas acções. Vendem-se em troca de fatinhos jeitosos, de pequenos luxos, de uma imagem que não era a que tínhamos delas. Juntamos frases soltas, ditas por elas com toda a convicção do mundo que, a partir de agora, deixam de fazer sentido. Elas já não são o que eram... ou nunca foram o que eram... 
E hoje revelam-se... e a mentira é mais forte do que a verdade em que acreditávamos... A desilusão instala-se com tanta força que começamos a duvidar se alguma vez conhecemos aquelas pessoas, se aquelas são as mesmas pessoas que, um dia, gostámos por serem daquela maneira, da maneira que nós pensávamos que eram.
A desilusão deixa um travo amargo na boca... Faz-nos proferir palavras amargas e rejeitar quem amamos...
Mas a desilusão não é culpa delas, é nossa! Porque fomos nós que as imaginámos diferentes, fomos nós que acreditámos na sua mentira!

sábado, 23 de junho de 2012

"A Felicidade Só É Real Quando Partilhada"

Para quem não viu o filme Into The Wild, ele retrata a vida de Christopher McCandless, este rapaz do vídeo. Ele seguiu numa viagem sem volta para o Alasca à procura dele próprio e da sua verdadeira essência. Possivelmente, encontrou-a, mas também encontrou a morte. Morreu sozinho, à fome e envenenado. 
A frase que está ali em cima é dele.


Já disse aqui que este é O Meu Filme... 
Está a aproximar-se a altura de ir descobrir o que ainda falta de mim... Não sei se vou precisar de ir para o Alasca, mas vou, com certeza, precisar de rever muita coisa!

Que...

Faço (fiz) 37 anos.
Estive o dia todo a pensar "já viveste mais de metade da tua vida...", "já não vais viver outros 37 anos".

Por mais que tente ser positiva e esquecer-me que um dia tive (tenho porque, doente oncológica uma vez, doente oncológica toda a vida. Essa história da cura, que nos tentam impingir, é treta!) uma doença incurável, às vezes lembro-me, e lembro-me com muita força, que os meus dias estão dependentes de ela me voltar a espreitar... 
Hoje, foi um dos dias em que me lembrei...
Talvez porque na segunda-feira vou ter consulta, e tenho umas novidadezinhas para contar à médica; talvez porque, em cada ano que passa, sinto que podia não ter escrito essa data no tempo presente; talvez porque desde que um cancro morou em mim, há uma secreta hipocondríaca por detrás da minha cara mais alegre; talvez porque o medo de morrer nunca me largue... 

Hoje não foi um dia feliz!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Estou Farta!

Estou farta:
das notícias sobre política, economia, futebol...
dos comentadores televisivos que comentam até um cão a fazer xixi...
dos programas de televisão para mentecaptos...
da mentalidade das pessoas...
das pessoas que nem sequer têm mentalidade...
dos carros, das casas, das compras, das promoções...
de ver capas de revistas cor-de-rosa a dizerem mal de toda a gente...
das figuras públicas que são públicas só porque sim...
das intrigas...
das conjecturas económicas...
da crise...
dos governos...
da falta de cultura, de educação, de informação credível...
da fome, das doenças, da pobreza, da pobreza de espírito...
dos negócios, da justiça, das injustiças...
das mentiras, das polémicas...
do mundo...

de ver passar os anos e eu ainda não ter feito nada de jeito...
desta vidinha de treta...
Estou farta!!!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Galã

Imagem retirada DAQUI

É um tipo de homem que me enerva! Talvez porque em tempos tive uma estranha paixão por um espécime destes (nesse tempo, eu era uma jovenzinha ingénua, a cair para o parvo!) e criei-lhes imunidades (thank you, God!), talvez porque me irritam solenemente frases feitas repetidas inúmeras vezes e sem qualquer significado, talvez porque simplesmente me enervam...

Tenho um colega de trabalho que insiste em vir falar-me com dois beijinhos melados. Coisa que detesto! Se já não sou grande apreciadora dos dois beijinhos sociais, com que as pessoas se cumprimentam, e tento escapar-lhes quando possível, agora estes, melados e em pretenso acto de cortejar, deixam-me possessa!
Quando vejo o galã ao longe, só me apetece esconder-me debaixo da mesa para que não me venha melar. Ainda por cima, olha para mim com um olhar tão meloso quanto os beijos, tenta dizer frases que criem sensação e depois fica  à espera para ver qual a reacção que causou a parvoíce que lhe saiu disparada da boca. Blhac!!!

No outro dia, passou por mim de carro, eu ia a pé, e perguntou se eu queria boleia. Como eu tinha os phones nos ouvidos, fingi que não o ouvi, nem vi, e continuei o meu caminho. Quando cheguei ao trabalho, disse-me:
-Esta menina não liga a piropos! Perguntei-lhe se queria boleia e nem me respondeu...
Respondi:
-Não o vi nem ouvi, quando ando na rua levo sempre os phones nos ouvidos, mesmo para não ouvir nada dessas coisas.
Acho que não percebeu a mensagem, pois continuou com conversas de chacha e com aquele olhar tão característico dos galãs que tanto me irrita... e continua a vir falar-me com os seus beijinhos melados...

Sinceramente, não tenho paciência nenhuma para cenas de engate. Acho-as tão estúpidas! 
Às vezes, nos bares, apercebo-me de situações, em que os gajos dizem tanta parvoíce junta, de uma maneira tão parva e com que as gajas se derretem e lhes respondem com mais parvoíces, que até fico enjoada.
Chamem-me esquisitinha à vontade, mas acho estúpido duas pessoas dizerem-se merdices, que fingem ser algo altamente profundas só para se meterem juntas numa cama, nos minutos mais próximos. 
Se se querem meter numa cama, metam-se, não precisam de conversas parvas para isso... Se querem conversar, digam alguma coisa de jeito! Esse ronhonhó da treta parece-me desnecessário! Até porque há ronhonhós porreiros, onde as conversas são interessantes e onde se conseguem debater e trocar ideias com conteúdo...
Porque escolhem sempre conversas sem nexo e desenxabidas? Porque optam sempre por se mostrarem pessoas ocas e sem interesse? Isso torna-as sexualmente mais atraentes? Ou pensam que lá por uma gaja dar atenção a conversas parvas, a estão a enganar?
Se vai em conversas parvas, ou é porque está na mesma onda parva, ou é porque também é parva, ou é por ambas as razões... Raramente, a estão a enganar!
Será que as pessoas parvas são capazes de maiores acrobacias sexuais?
Ou será porque como os galãs morrem de medo de gostar de alguém, escolhem a mais totó que houver para não correrem esse risco? Ou tentam fazer as gajas de totós para se sentirem alguma coisa de especial? E as gajas, que não são totós, será que acham que só têm hipóteses de ir para a cama com gajos com pinta de galãs? Ou sentem-se verdadeiramente atraídas pela conversa da treta dos pintarolas?
Na realidade, não consigo entender...

sábado, 16 de junho de 2012

OVNIS

A incompetência desceu num disco voador, há uns anos atrás, e aterrou em cheio no nosso Portugalinho. 
De dentro do disco saíram inúmeros homenzinhos e mulherezinhas de feições estranhas e corpos verdes que se instalaram e começaram a reproduzir-se como coelhos (há até alguns que têm Coelho no nome).
Passaram-se alguns anos e as feições estranhas ganharam parecenças com as dos terrestres que habitam este pequeno país, os corpos verdes foram-se "acorderosando", uns mais escuros, outros mais claros, mas todos dentro dos tons rosa. 
Se à partida conseguíamos distingui-los perfeitamente do portuguesinho comum, hoje isso tornou-se impossível. Eles andam por aí, e à paisana.
Como bons filhos "di sua mamãe", são orgulhosos das suas raízes e fazem questão em manter todas as características por ela delegadas. Por isso, espalham incompetência por todo o lado. Se é para fazer bem feito, fazem mais ou menos; se é para fazer mais ou menos, fazem mal; se é para fazer mal, fazem pessimamente. E sempre "com muito orgulho".
Assim, têm alastrado a incompetência por todas as áreas possíveis e imaginárias, de tal forma que, quando menos esperamos, lá está ela a derramar, quase a chegar-nos aos pés.
É por causa destes extraterrestres, convertidos em terrestres, que as coisas bem feitas estão quase a passar à História e que nós, portuguesinhos nativos, vamo-nos deixando enganar e contentar...
Até ao dia em que:
-ou os invasores dão cabo do Portugalinho e dos portuguesinhos;
-ou os portuguesinhos se transformam em homenzinhos e mulherezinhas verdes e de feições estranhas.

Imagem retirada da Internet

Oh, oh, oh... Quem é este???

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Isto é Uma Crítica Construtiva!

Para o caso de alguém pensar que vou para aqui dizer mal a torto e a direito das bloggers de moda, aviso já que isto é uma crítica construtiva e não depreciativa.

Nos meus passeios sem destino por esta blogosfera fora, tenho-me deparado com inúmeros blogues que têm como finalidade falar de moda, roupas, sapatos e acessórios, seguindo, muitos deles, o exemplo do blogue da Pipoca Mais Doce.
Nestas minhas viagens blogosféricas, encontro blogues de moda extremamente insípidos. Na tentativa de se igualarem, ao número de seguidores da Pipoca, imitam o que, na minha opinião, é o ponto fraco do blogue dela.

A razão que me fez seguir A Pipoca Mais Doce foi o humor dela, por vezes acutilante, por vezes original. Ultimamente, tenho pensado em deixar de o seguir, porque do humor que, no início apreciei, já só restam resquícios. O blogue está cheio de publicidade explícita, e não explícita, e a maior parte dela de fraca qualidade. Não quero com isto dizer, que o blogue passou a ser uma porcaria, mas que, simplesmente, tenho deixado de sentir qualquer prazer em lê-lo/vê-lo. Não critico quem encontra pontos em comum com ele e quem o aprecie verdadeiramente. São gostos, e cada um tem direito aos seus.

O que venho aqui criticar são as imitações, que por serem imitações perdem alguns pontos logo à partida, e que insistem em imitar o que de menos bom existe naquele blogue. 

Amigas, se querem ter blogues de moda, tenham-nos, mas exijam-se alguma qualidade!
Não é bonito ver fotos mal tiradas com modelos em poses estranhas e com expressões vazias. Não critico a escolha da indumentária, porque cada um gosta do que gosta, mas, a mim (que não sou grande apreciadora de roupa e afins) um blogue de moda agrada-me se as fotos forem boas, exprimirem atitude e as modelos forem mais do que Barbies plásticas e vazias.

A moda é um tema cheio de potencialidades, especialmente em termos fotográficos. Podem-se tirar fotografias de moda maravilhosas, cheias de conteúdo e beleza. 
Porque não exploram isso? 
Podem treinar em frente do espelho, antes de se fotografarem; podem pedir a alguém que vos fotografe, explorar cenários agradáveis, poses bonitas, expressões faciais... 
Garanto que se trabalhassem mais estas vertentes da moda, ganhariam mais seguidores e elevariam grandemente a qualidade dos vossos blogues.

-Mas quem sou eu para estar para aqui a dar conselhos sobre blogues e sobre moda? - estarão vocês a pensar...
E eu respondo: 
-Não sou ninguém! Mas aflige-me deparar-me com cópias, de originais pobres, tão mal copiadas.

E agora, que venham daí as pedras, que eu estou cá para as apanhar!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Distância

Ao mesmo tempo que a distância nos separa, ela une-nos...
As memórias e a valorização do que vivemos tornam-nos mais perto. Mais perto do fundo de nós mesmos e do fundo do outro, mais unidos no objectivo de nos voltarmos a ver.
A distância valoriza o que estamos a perder e tentamos recuperar, valoriza o vazio que só pode ser preenchido com o outro, valoriza o tempo, torna-o interminável e o desejo que passe rápido o cerne de todas as questões.
A distância diz-nos "devias ter aproveitado ao máximo!", chama-nos a atenção para os momentos que deixámos passar e que agora queríamos voltar a viver.
A distância faz-nos percorrer quilómetros dentro de nós, à procura do outro, e chegar, enfim, ao âmago do que sentimos.


sábado, 9 de junho de 2012

Cineminha

Fomos "pegá um cineminha" na secção das 19h. A Bela e o Monstro, versão 3D. 
Éramos os únicos espectadores do filme, portanto a sala era nossa! Nem sequer vieram ver se tínhamos os bilhetes. Cheguei a pensar que me tinha enganado nas horas, no filme ou na sala.
O J. ficou todo contente...
-Mãe, temos uma sala de cinema só para nós!

No intervalo, dançou ao som de um stunc, stunc qualquer. Parecia um Michael Jackson em versão negra, ups, branca!
Queria ir para o pé da tela dançar, mas só não o deixei porque achei que a segunda parte estava quase a começar e que depois ele ia ter medo de voltar para o lugar às escuras.
Este meu filho adora dar espectáculo e, nada melhor do que ter uma sala de cinema inteirinha só para ele, mesmo quando só com uma única espectadora, eu.

Na parte triste do filme, lá começou ele a chorar...
-Então J., não chores, o monstro não morreu. Vais ver que agora ele já vai acordar...
-Eu sei, mas deixa-me chorar! Choro sempre... Tu não choras?
-Agora já não, mas dantes chorava. Agora sei que há sempre uma parte triste, mas que depois fica tudo bem outra vez.
-Porque é que há sempre uma parte triste?
-É para depois haver a parte boa e ficarmos todos contentes. Os filmes americanos são quase todos assim... até os para adultos.
-Humm! São todos?
-Quase todos!

No carro, a caminho de casa, viemos a ouvir rádio. Deram imensas músicas de que eu gosto e fartei-me de cantar. O J. diz:
-Mãe, tivemos muita sorte hoje, um cinema só para nós dois e agora estão a dar as músicas todas de que tu gostas... Foi um dia em cheio!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Anti-Spanking Law

Este post vem a propósito daquele ali em baixo...

Numa das minhas noites de insónias (sofro de insónias amiúde, provavelmente estou a tornar-me noctívaga) vi um programa na televisão sobre a anti-spanking law da Suécia.
Pelo que percebi, na Suécia não se pode bater nas crianças e é-se preso por causa disso. O spanking deles, vai desde a ameaça até ao enxerto de porrada. Lá, cultiva-se o diálogo com os pequenos para lhes dar a volta e os controlar.

Não sou a favor de se bater em crianças, mas penso que uma palmada no rabo quando as coisas estão para lá dos limites razoáveis da birra, também não lhes faz mal nenhum. Pode servir para "abrirem a pestana".

Aqui por casa, já desistimos há uns anos de usar a palmada, não porque sejamos completamente contra ela, mas porque não resulta. Desde que verificámos que a cada palmada que dávamos na mão do J., quando ele mexia onde não devia, era motivo maior para que a mão voltasse ao sítio onde não a queríamos, desistimos delas.
No entanto, sei que há crianças com quem as palmadas resultam. Basta o barulho que a mão faz ao embater na fralda, para que se ponham em sentido.

Na Suécia nada disso é possível. Qualquer pessoa que assista a pais a baterem nos filhos, ou a ameaçá-los, pode fazer queixa à polícia.
No dito documentário, entrevistaram um casal que estava em prisão domiciliária e a quem tinham retirado a custódia dos filhos, porque um dos filhos pediu, no infantário, à educadora para não dizer aos pais que ele tinha feito asneira senão eles batiam-lhe. Apareceu também um casal que quando saía à rua, rezava para que os filhos se portassem bem, pois estes eram super endiabrados.

Fizeram entrevistas a quem defendia e a quem era contra a lei.
Os a favor da anti-spanking law defendiam, com unhas e dentes, os direitos das crianças e a sua integridade física e psicológica. Até aí, estou completamente de acordo. Mas chegou uma altura em que comecei a comparar aquela gente aos seguidores das seitas religiosas. Fundamentalistas demais para o meu gosto. Eu, que tinha a sociedade sueca nos píncaros da consideração, que a achava desenvolvida e o mais justa possível, fiquei meio desiludida.
Acreditam que, por existir uma linha telefónica para onde as crianças podem ligar se forem vítimas de maus-tratos (e os maus-tratos deles começam numa simples ameaça ou num agarrar de braço mais decidido), os miúdos fazem chantagem com os pais, para lhes darem isto ou aquilo, ou eles telefonam para lá a dizer mentiras? E que a maneira que os pais encontram para controlar os filhos é através de chantagem, tipo "se não te portas bem, não vês televisão ou não jogas playstation"?

Na minha singela opinião, estes métodos não são muito melhores do que a palmada.
Se é verdade, que há miúdos com quem podemos dialogar e explicar por A mais B, que não podem fazer certas coisas, também é verdade que há outros que são tão tortos e indisciplinados que só vão lá se mostrarmos que nós é que sabemos o que é melhor para eles. E há miúdos com quem a palmada resulta bem. Não estou a falar em espancamentos ou coisa parecida, estou a falar em "abre olhos". Para mim, é muito pior o despeito e agressividade, de que falei ali em baixo, do que uma palmada de amor. Não se riam, porque há palmadas de amor, elas são as assertivas, dadas no momento certo e que não têm como finalidade magoar, mas chamar a atenção da criança.

A chantagem psicológica dos suecos parece-me muito pior do que a palmada de amor. Soa-me a uma manipulação sem qualquer poder educativo. Não explica às crianças o bem e o mal das suas acções, apenas lhes dá, ou não, uma recompensa pelo bom comportamento, tornando-as bem comportadas por interesse e não por convicção. Pelo contrário, a palmada de amor serve para preparar as crianças para o diálogo. Também não lhes dá uma explicação, é certo, mas abre caminho para o diálogo, pois tem o efeito de um "clic" no cérebro delas para que estejam atentas ao que vem a seguir, a tão desejada explicação.

Resumindo, não é por eu não usar a palmada ou por ela não resultar com o meu filho, que não concebo que ela possa resultar noutros casos, ou que o caminho seja a sua proibição para acabar com a violência de pais para filhos. Penso que o desprezo, o desinteresse e a consequente agressividade, aliada ao despeito, são os principais responsáveis por este tipo de violência.

O Pontapé

Imagem retirada da Internet
No parque de estacionamento de um centro comercial, quando nos dirigíamos para o carro, olho para o J. e ele está com aquela cara de aflito...
Entramos no carro e pergunto-lhe:
-Que se passa?
-Não viste? Aquela senhora deu um pontapé à filha!
-A sério? Não?!
-Deu, eu vi! Não se dá pontapés aos filhos!
-Se calhar foi só um toquezinho com o pé no rabo dela...
-Não, foi um pontapé! Ela ficou a chorar!
-Não, ela já estava a chorar quando passámos por elas, eu reparei nisso!
-Mas ela deu-lhe um pontapé e não se dá pontapés aos filhos!
-Pois não, mas não deve ter sido com muita força... A menina caiu?
-Não! 
-E não a estamos a ouvir chorar muito, pois não?
-Não, mas tu não fazes nada?
-Não me posso ir lá meter... Só se a mãe a tivesse magoado muito...
-Ias? Se ela a tivesse magoado muito?
-Claro que ia, mas não me parece que seja esse o caso... É muito complicado metermo-nos assim nas relações entre pais e filhos...
-Se a menina tivesse ficado muito magoada, ias lá, não ias?
-Sim, já te disse que sim! Claro que ia!

Pareceu-me que ficou mais descansado, apesar de um pouco decepcionado de a mãe dele não ser a corajosa defensora dos oprimidos que ele desejaria. 
Confesso que fiquei um bocadinho envergonhada por o ter decepcionado e senti-me um tanto ou quanto cobardolas, mas como poderia eu ir meter-me naquela desavença entre mãe e filha sem ter visto o que se passou?

Noto que há uma grande agressividade em certas relações pais/filhos, mesmo sem lhes tocarem há pais que reagem com demasiada agressividade às birras dos filhos. Esta chega a afectar até quem apenas a presencia. Afecta-me a mim, e pelos visto, também afecta o J.

Às vezes, tenho um medo secreto que a minha falta de paciência, em determinados momentos, me torne assim...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Namoradas #2

Imagem retirada DAQUI

Em conversa com o J. e com a avó...
-Como vão as coisas com a S.?
-Nada! Ela gosta de mim, mas eu não gosto dela! Ela DIZ que gosta de mim!
-Diz?! E não gosta?
-Não, ela diz que gosta, mas... como é que eu hei-de de vos explicar?.. Nos sentidos é diferente, nos sentidos não gosta...
-Sentidos como?
-Na audição, no olfacto, na visão? - pergunta a avó.
-Não!
-Nos sentimentos?!
-Sim!
-E como sabes isso?
-Ela diz que gosta, mas quando lhe tento dar um beijo ela faz blhac, e já diz que não gosta!
-Talvez ela ainda não esteja preparada para beijinhos... Tu não tentas dar-lhe beijinhos assim com um bocadinho de força?
-Não, já não faço isso!
-Mas se não gostas dela, porque tentas dar-lhe beijinhos?
-É para testar...
-Para testar?!
-Sim, para ver se ela gosta mesmo de mim ou se só diz...
-Hummm!!!
-E ela não gosta, só diz!
-Ela pode só ainda não lhe apetecer beijinhos. Porque não começas antes por lhe dar umas festinhas, em vez de ires logo para os beijinhos?
-Porque isso é dar graxa! 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mãe Palhaça

Imagem retirada da Internet

Estávamos a ver o Telejornal (que já não se chama Telejornal, mas para mim será sempre Telejornal, seja em que canal for) enquanto jantávamos. A selecção nacional chega à Polónia e a SIC Notícias transmite a notícia como se tivesse rebentado, de novo, a Guerra do Golfo. 
Eu, que sou uma gozona de primeira, começo a relatar:
-Sai do avião Cristiano Ronaldo, aflitinho para fazer xixi, segue-lhe o não-sei-quantos, que ainda está mais aflitinho e ultrapassa o Cristiano. Querem todos uma casa de banho urgente, porque a do avião não estava em condições. Lá vão eles todos para o autocarro em passo acelerado... Todos, menos o Paulo Bento que segue com tranquilidade... Blá, blá, blá... blá, blá, blá...blá, blá, blá...

O J. ri-se a bandeiras despregadas...
Diz:
-Mãe, ah ah ah ah, eu não queria ter outra mãe. És a mãe mais engraçada do mundo! Ah ah ah!
Continuo:
-E não cabe toda a comitiva no autocarro... os restantes vão ter que ir a pé!  
-Ah ah ah ah!!!!
Com tanto riso, continuo na palhaçada...
-E o autocarro vai sair... não às nove e quarenta, não às nove e quarenta e dois, às nove e quarenta e UM! E ainda vão ter a oportunidade de comer uma refeição QUENTE no hotel! Bravo!!! Mas depois... CAMINHA! Nada de ver televisão até tarde, que amanhã é dia de treino!
O J. entra na onda...
-E no treino não se podem magoar, nem fazer um arranhão no joelho, porque depois vão ter jogo! Ah ah ah!!!
Entretanto, fui à cozinha levar uns pratos e trazer outros.
O J., da sala, diz:
-Mãe, anda cá dizer mais gracinhas! Olha, o autocarro está a ir-se embora...

Aparecem as imagens do Cavaco Silva a falar para os jogadores.
O J. :
- Mãe, agora estão com o Cavaco, anda cá! O Cavaco também está aflitinho para ir fazer xixi...

E é assim a vida nesta casa... Quem precisa de programas cómicos para se rir?
Aqui não, basta-nos as notícias!

domingo, 3 de junho de 2012

A Tua Ausência

A tua ausência está sempre presente. Foste há uma semana que sinto como um mês. Ainda faltam tantos meses para nos voltarmos a ver... 
O lugar vazio que deixaste na cama, na mesa, ao meu lado a beber os nossos cocktailzinhos e a ouvir música, nas nossas idas ao teatro, ao cinema, às exposições, nas nossas conversas, nas inconfidências que trocamos, nos corpos nus que não se podem tocar agora...
Arrependo-me, arrependo-me tanto de não te ter tentado demover da ida, de não te ter tentado convencer a ficares... 
A convicção de que teria que partir de ti, e só de ti, não ires, impediu-me de o fazer. É em momentos como este, que gostava de ser como as mulheres comuns que manipulam os maridos, que os convencem, a bem da família e do casamento, a tomarem as atitudes que elas querem. Mas não sou! Se nunca tentei controlar a tua vida, não seria agora, passados tantos anos que iria fazê-lo. Porque não sou assim, porque acredito que se não continuarmos a ser dois que formam um, deixamos de fazer sentido, porque amo a tua individualidade e por isso, não ta posso roubar...
Mas queria-te aqui, comigo. E não queria ter que passar por isto outra vez, porque a tua ausência corrói-me os dias, leva bocados de mim que afinal são os que estão aí contigo, no outro lado do mundo.
Confesso que não sei viver sem ti, não sei mesmo. Tudo me parece artificial quando não estás, movo-me como um autómato, porque preciso de continuar a viver e as fazer as coisas do dia-a-dia, porque preciso de dar apoio ao J. e tentar colmatar a lacuna, que é a tua ausência, também na vida dele. Sei que não o faço bem, sei que a tua ausência nunca pode ser colmatada na vida dele, tal como na minha, talvez por causa da individualidade que te faz único, talvez porque a nossa relação é tão profunda e inteira que nos desmembramos quando nos separamos.
Mas queria-te aqui, comigo, connosco...

Será Que Vale A Pena?

A eterna dúvida... Será que vale a pena?
Será que vale a pena colocarmo-nos em situações que nos fazem sofrer ou que simplesmente não nos dão prazer nenhum, por uns trocos a mais, por uma situação profissional estável, por uma carreira promissora, por uma vida certinha?
Será que não seria muito mais honesto connosco próprios arriscarmos e sairmos à aventura por aquilo que realmente desejamos?
Pegar nas tralhas, nos filhos, nos amores e irmos... Irmos com ou sem destino pré-programado... Metermos o pé na estrada e seguirmos o caminho que o nosso coração mandar, em busca daquilo que nos agitar a essência, daquilo que nos preencher a alma e nos fizer sentir VIVOS de verdade.
Procuro isso constantemente em mim. Não sei o que é, sei que existe, mas não está aqui. Não sei o caminho, mas sinto uma vontade gigante de partir sem rumo, em busca disso, em busca de mim. Sinto que não estou aqui, estou lá no fim de um percurso que desconheço. Mas tenho medo de arriscar. A insegurança permanente que me trava, que me prende com amarras das quais me tento incansavelmente soltar. Luto contra elas diariamente sem sucesso. E quanto mais luto, mais elas me apertam, quase me asfixiam.

Será que vale mesmo a pena não ir? Ou só não vou porque sou uma medricas?
Quero acreditar na primeira opção, mas talvez a segunda seja a certa...

sábado, 2 de junho de 2012

Post Irónico

Porque hoje foi Dia da Criança, vou dedicar este post a todos aqueles que, incapazes de resolver as suas frustrações pessoais, maltratam, de uma forma continuada, as crianças.
Não vou falar de pedófilos, abusadores sexuais ou outros autores de maus-tratos, pois esses são casos de tal ordem patológicos que ultrapassam a minha capacidade de análise. Vou concentrar-me naqueles, que parecendo pessoas normais, ofendem e humilham quem AINDA não tem capacidade para se defender.

Vou falar-vos de uma cena magistral, entre várias, a que assisti.

Um adulto, do alto dos seus um metro e oitenta e tal, a humilhar crianças com metade do seu tamanho e um terço da sua idade. 
Visão divinal, soberba!
Só me apeteceu aplaudir de pé a coragem deste ser. Por isso, mal ele abriu a boca, sentei-me logo com medo de cair para o lado com a emoção do espectáculo que me esperava.
Digam lá se não é digno de aplausos, ver alguém ter tomates para humilhar crianças? É preciso ter uma coragem muito superior à média para se enfrentar tão poderosos adversários! Ainda mais, quando a moral das crianças já está previamente em frangalhos! Adultos destes são do mais alto gabarito e confesso que me impressionam com a maneira destemida com que enfrentam adversários tão terríveis e assustadores. Fazem-me lembrar os cavaleiros das histórias que travavam batalhas de morte contra os pavorosos dragões. Fooogo! Isto é que são homens!
Enfrentar adultos da sua idade e tamanho?! Nãaaa!!! Isso são brincadeiras de meninos! Coragem que é coragem só se for com rivais à altura. E quem melhor do que crianças com a auto-estima lá bem em baixo para nos defrontar?
Não se bate em ceguinhos com um caniço oco, não, é logo com uma viga de ferro! Não vá o ceguinho ripostar no momento preciso em que nos vir a levantar o caniço... Ups, pois é, os ceguinhos não vêem! Ah, mas isso não passa de um pormenor sem qualquer importância, o que interessa é dar cabo dele ao primeiro golpe! E se houver assistência, ainda melhor! É sempre bom haver testemunhas dos nossos momentos apoteóticos! Claro que isto só é possível a pessoas completamente desprovidas de cobardia, não é coisa para um simples aventureiro!
E a ideia de se mascarar a cena numa demonstração de exigência e profissionalismo também me pareceu digna de mestre. A sério!!!!

Mas nesta exultação de ego, só lhe notei uma pequena falha, que me perdoe o herói, mas realmente há uma falha...
Exigência não é sinónimo de estupidez. Não, não é. Para se ser exigente não é obrigatório ser-se estúpido. Pode-se ser, mas não é obrigatório. Até porque a exigência que costuma vingar, é aquela que é contrabalançada com o reconhecimento do esforço e com a motivação.

Ah, pois é, perdão, estas palavras não costumam constar nos dicionários destes exímios corajosos!

Imagem retirada da Internet