quinta-feira, 31 de maio de 2012

Afirmações Falsas

Bem, já que ninguém arriscou nas afirmações falsas do post ali em baixo, a não ser a Art and Life, venho dizer que ela acertou em duas.

Assim, as afirmações falsas são:
1. Tenho um golfinho tatuado no tornozelo. Tenho uma tatuagem, mas não é um golfinho (que associo sempre ao "Amor de Mãe" do ultramar pela quantidade enorme de gente que os tem estampados no corpo), nem no tornozelo.
2. Tenho 10 primos. Tenho muitos primos, mas não são 10, são 8.
6. A experiência mais radical que tive foi saltar de pára-quedas. Nunca saltei de pára-quedas e acho que nunca vou saltar.

Art and Life, eu também não gosto de frutas cristalizadas! Blhac!!

Pois é, parece que não tenho jeito nenhum para esta história dos selos com desafios ou para posts interactivos. Vocês nunca dizem nada! :(((

Sinceramente, estes também não são os posts que mais aprecio. Vou, mas é deixar-me disto!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pirilampo Mágico

Já disse aqui que não sou grande adepta de se fantasiar demasiado a realidade às crianças, que não gosto de mentiras, nem das mais caridosas, mas quando o meu filho esteve entre a vida e a morte, deitado numa cama de hospital com dores terríveis, que lhe levaram, durante aquele duro período da sua curta vida, o sorriso permanente que o caracteriza, fantasiei e tentei arranjar um motivo, uma fé ou uma crença para que ele não perdesse a esperança de que ia ficar bom outra vez. Esse motivo, fé e crença, encarnaram no Pirilampo Mágico.

O J. sempre sentiu um grande fascínio pelos Pirilampos, talvez por terem a palavra "mágico" no nome, talvez porque são uns bonequinhos simpáticos, não sei. 

Quando vim a casa pela primeira vez, desde que ele deu entrada no hospital, tentei levar-lhe referências positivas da sua vida normal, numa tentativa de recuperar o meu sorriso preferido, o dele. 
Peguei no Rafa, que é um boneco de pano que dorme com ele desde que o comprei (engraçado, numa campanha de uma instituição de solidariedade, penso que da Aldeias SOS), nalguns brinquedos e no Pirilampo Mágico.
No hospital, disse-lhe que ia colar o Pirilampo à cama para que o ajudasse a ficar bom mais depressa, porque a razão dos Pirilampos serem mágicos é ajudarem as crianças doentes a ficarem boas. 
Quem me conhece sabe que não sou nada destas coisas, mas naquele momento valia tudo, e de tal maneira, que até cheguei a rezar. Digo isto sem quaisquer problemas que me julguem incoerente. Não acredito em Deus, bruxarias, espíritos, ou coisas do género, mas só quem já sentiu a dor de ver um filho a fazer equilibrismo na linha que separa a vida da morte, pode compreender que numa situação destas mandamos tudo às aranhas, princípios e convicções incluídos, e recorremos a qualquer coisa numa tentativa de os salvarmos.
Foi o que aconteceu naquele momento e funcionou tão bem que, quando regressámos a casa, ele ficou preocupado por termo-nos esquecido do Pirilampo no hospital e só sossegou quando lhe disse que ele ficou lá para poder ajudar a criança que, de seguida, se iria deitar na sua cama.

Contei este episódio a uma amiga que, amorosamente, lhe ofereceu uma caixinha cheia de Pirilampos, que ele adora. 

Ontem, ele trouxe para casa mais um, que comprou à professora. Substituiu o que tinha na sua cama e, recorrendo a um que tinha na caixinha, pôs dois na cabeceira da nossa cama, um no lado do pai, outro no meu lado, para nos proteger das doenças.

Hoje, a criança que há em mim sente-se melhor! 
E não é que funciona mesmo?!

O meu
O do pai


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Namoradas

-Mãe, o pai já teve outra namorada antes de ti?
-Já! E tu já tens alguma namorada? - aproveitei a deixa para sondar a vida amorosa do meu filho.
-Não!
-Porquê? Não queres ou não gostas de nenhuma menina lá da escola?
-Eu quero, mas não gosto de nenhuma.
-E não há nenhuma que goste de ti?
-Há, a S., mas eu não gosto dela.
-Porquê?
-Ela não é muito esperta e está sempre "do contra".
-Está sempre "do contra"? Porquê?
-Não sei, mas não é muito bom por causa da política!
-Da política? Mas vocês falam de política????
-Não, mas quando formos maiores vamos falar, porque ela vai ter que deixar de pensar só em pulseirinhas da Pandora e nessas coisas. E, quando falarmos de política, não é bom ela estar sempre "do contra"!

OK!

Solidariedade ou Caridade(zinha)?

Hoje, fui às compras. Estavam lá as brigadas do Banco Alimentar Contra a Fome.
Fiz as minhas compras e quando estava na caixa para as pagar, oiço uma das senhoras, que distribuía os sacos de plástico do Banco Alimentar, falar com um homem, negro que vestia calças de ganga e uma daquelas t-shirts dos clubes de futebol, que se desculpava por não aceitar o saco que ela lhe estendia.
(A descrição do homem serve apenas para conseguirem visualizar o perfil que a senhora desenhou do seu interlocutor).
A dita senhora respondeu assim às desculpas dele:
- Sim, compreendo, também é pobrezinho, não é?

Há anos que não ouvia este "pobrezinho", que tem vindo a ser substituído por "carenciado". Confesso que o "pobrezinho" me caiu mal, não por eu preferir o "carenciado", mas por o "pobrezinho" me cheirar sempre a caridadezinha.
Fiquei a matutar na real motivação das pessoas que contribuem nestas iniciativas (das voluntárias e de quem, como eu, faz compras para o Banco Alimentar). Será esta uma acção solidária ou um gesto de caridadezinha?
À partida, pode parecer-vos que não tem grande importância tratar-se de uma ou de outra, desde que as pessoas ajudem quem precisa. A mim, que sou uma eterna céptica e que tenho esta estranha mania de questionar tudo e mais alguma coisa, parece-me que faz toda a diferença. Vejo a caridade(zinha) como uma atitude egoísta e de desprezo pelos outros, na medida em que quem a pratica está centrado em si próprio e apenas preocupado em parecer bondoso e em garantir o seu lugar de 5 estrelas no Céu. Enquanto quem é solidário preocupa-se realmente com o outro e coloca-se ao seu lado com a verdadeira intenção de o ajudar.
Esta "onda de solidariedade", como lhe chama a comunicação social perante o número de toneladas de alimentos recolhidos, não pode ser apenas uma "onda de caridadezinha"?
Eu inclino-me mais para o lado da segunda opção, até porque se a relacionarmos com as batalhas campais instaladas nos supermercados Pingo Doce no primeiro dia deste mês, verificamos que só faltou as pessoas comerem-se umas às outras para obterem aquele pacote de arroz que ficou esquecido na prateleira.
O egocentrismo está tão bem instalado nesta sociedade, que não consigo deixar de desconfiar quando oiço falar em solidariedade.
E, depois de ouvir sair o "pobrezinho" da boca daquela senhora, parece que tudo passou a fazer mais sentido. Na minha cabeça, juntaram-se os fios que estavam soltos, e comecei a perceber (ou a julgar perceber) porque, em tempo de crise, acorre a maior parte das pessoas a acções de voluntariado e "solidárias". Acredito que haja pessoas que o fazem por verdadeira solidariedade, mas também acredito que estas são pouquíssimas.

Por momentos, senti-me quase igual àquela senhora...
Será que eu, quando enfio umas compras dentro do saco do Banco Alimentar, estarei realmente preocupada com as pessoas que vão receber aqueles alimentos? Ou estarei simplesmente a aliviar a minha consciência, convicta que estou a fazer alguma coisa por elas?
Não gosto de me sentir caridosa, até porque não acredito em Deus ou que tenha um lugar 5 estrelas, no Céu, à minha espera.
Preferia ser solidária, porque acredito que quem é/está carenciado (ou "pobrezinho") não está assim tão longe de mim, não é menos do que eu por isso, ou tem menos direito a ter uma vida onde as suas necessidades estão satisfeitas e as oportunidades são uma panóplia de caminhos à escolha.

Mas o que eu gostava ainda mais era que não houvesse tanta necessidade de IPSS ou de voluntários, o que significaria que viveríamos numa sociedade mais equilibrada e, por isso, mais justa.
Mas isso... sou eu a sonhar, que além de céptica, também sou sonhadora.

domingo, 27 de maio de 2012

Selo Da Pretty in Pink



Ok, além de indisciplinada também sou desnaturada! 
Pretty in Pink ofereceu-me este selo quando atingiu 700 seguidores e eu, por ser tão desnaturada, ainda não tinha respondido ao desafio que ele traz em anexo, assim vou fazê-lo agora logo a seguir a agradecer-lhe. 
Obrigada, Pretty in Pink e desculpa o atraso desta blogger desnaturada!

As regras são as seguintes:
1. Dizer 7 factos sobre ti (dos quais 3 são mentira);
2. Desafiar os seguidores a descobrir quais os 3 que são falsos;
3. Fazer um post a denunciar as tuas mentirinhas uns dias depois;
4. Passar o desafio, bem como o selo, a 5 seguidores que consideres merecedores, e a quem queiras agradecer o carinho que têm tido contigo;

Mais uma vez, não vou passar o desafio devido à indisciplina que me caracteriza, mas sintam-se à vontade de o levar!
Os 7 factos sobre mim, dos quais 3 são mentira, são os seguintes:
(Agora é que vamos ver quem me conhece!)

1. Tenho um golfinho tatuado no tornozelo;
2. Tenho 10 primos;
3. A gastronomia que prefiro é a indiana;
4. Fui à Polónia em adolescente sem os meus pais;
5. Trabalhei na Bélgica durante 3 meses;
6. A experiência mais radical que tive foi saltar de pára-quedas.
7. Não gosto de frutas cristalizadas.


Agora, descubram lá quais são as 3 afirmações falsas!


Daqui a uns dias, digo quem acertou!

sábado, 26 de maio de 2012

Prendinha Com Desafio



Dreams do blogue Pensamentos Difusos ofereceu-me este selo que me deixa muito lisonjeada e agradecida. Obrigada, menina!

As regras são as seguintes:
1. Escolher 5/6 blogues recentes, com menos de 200 seguidores para atribuir o mimo;
2. Mostrar o agradecimento a quem o repassou fazendo um link para o seu blogue;
3. Listar quem serão os escolhidos para receber o agrado, com os seus respectivos links e avisar sobre o selo;
4. Partilhar 5 factos aleatórios acerca de mim que ninguém conheça ainda.


Quanto às regras 1 e 3, vou desrespeitá-las. Como já disse num outro desafio, sou indisciplinada, por isso não posso fazer isto tudo direitinho. 


Os 5 factos são os seguintes (acrescentei o "c" aos factos só para acentuar a minha indisciplina. Na realidade, até gosto muito do acordo ortográfico, especialmente se for para os brasileiros usarem!):

- Gosto de me vestir de preto;
- Os meus pés são feios, no entanto acho que têm um quê de "pés de Cristo";
- Desde o cancro que acho que tenho sempre um outro, ou o mesmo, cancro em desenvolvimento numa qualquer parte do corpo, por isso deixei de pesquisar sobre os sintomas que vou sentindo;
- Tenho um nariz muito sensível que dá sinal à mínima ofensa;
- Geralmente, não tenho paciência para conversas de chacha, o que não quer dizer que, de vez em quando, não as tenha. Especializei-me em conversar com algumas pessoas, sem ouvir uma palavra do que dizem.

Finito!

Mães E Filhas- Melhores Amigas?

Na rubrica Ser ou não ser da revista Pais & Filhos, li um artigo de opinião escrito pela jornalista e mãe de dois adolescentes, Sofia Barrocas, sobre Mães & Filhas, que expressa a ideia que as mães e as filhas não podem ser "melhores amigas".
Confesso que fiquei chocada com a imensidão de disparates escritos por esta senhora. Além de discordar com cada palavra por ela teclada, eu, e mais umas quantas pessoas que conheço, somos a prova viva de que as mães e as filhas podem ser "melhores amigas".


Senhora jornalista e mãe de dois adolescentes:
A minha mãe já foi, e ainda vai, comigo para os copos; sabe mais sobre mim do que qualquer outra pessoa (e não apenas por sapiência maternal, mas essencialmente pelas nossas conversas); conheceu todos os namorados que tive (por acaso nem foram muitos, o que a poupou a um desfilar de rapazolas burbulhentos e de voz esganiçada); falamos sobre tudo, inclusivamente de sexo, tanto de uma como da outra; tem plena consciência de todos os disparates de adolescente que fiz (e não foi por isso, que alguma vez deixou de me aconselhar e/ou reprovar alguns deles); para sermos "melhores amigas" nunca precisámos de nos imitarmos mutuamente (ela nunca precisou de vestir os meus vestidinhos de adolescente, nem eu precisei de calçar os sapatos de salto alto dela para sairmos juntas); sempre reprovou os copianços e as cábulas (e não foi por isso que eu deixei de os fazer quando andava para aí virada, ou que não aprendi que era uma estupidez fazê-los, especialmente por ser um insulto à minha inteligência dar a avaliar conhecimentos que não eram meus).

A minha mãe é, e sempre foi, a minha melhor amiga e isso nunca a impediu de ser acima de tudo a minha mãe!

"Misturar fronteiras"? Tenha dó, minha senhora! 
Não se pode ser mãe e amiga em simultâneo? 
"As mães têm a obrigação de não deixar que estes papéis se confundam?" E vão confundir-se porquê? Só se vão confundir se alguma das pessoas (mãe ou filha) pretender ser aquilo que não é! 
Nem eu, nem a minha mãe alguma vez quisemos ser a outra, ou da idade da outra. A minha mãe sempre foi mais velha do que eu 19 anos (ou melhor, nas quase 3 semanas que separam os nossos aniversários, é mais velha apenas 18); nunca me quis roubar namorados, nem eu a ela; nunca entrou em esquemas parvos de adolescentes, nem eu entrei em esquemas parvos de adultos; nunca "alinhou com a filha e as amigas nas suas aventuras para ludibriarem seguranças de bares e discotecas" ou participou "em planos que lhes permitam entrar sem pagar" ou desatou "aos gritinhos histéricos de cada vez que se dá de caras com alguma cara conhecida da televisão ou da música" para parecer cool. (Mas... eu também não!) 

Será este um problema das mães melhores amigas das filhas, e das filhas melhores amigas das mães? Ou será um problema de gente com cabecinhas cheias de ar? É que talvez seja melhor não se "misturarem as fronteiras"...

Resumindo, a senhora jornalista e mãe de dois adolescentes não percebe nada do assunto de que tentou falar, talvez porque não teve a oportunidade de ter uma mãe que fosse também sua amiga, talvez por não ter a oportunidade de ter uns filhos que sejam seus amigos, ou talvez por ambas as razões... 
Infelizmente para si, é o que tenho a dizer!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Olá!

É só para dizer que ainda estou viva e que voltarei em breve com mais das minhas dúvidas existenciais!
FUJAM!!!
:-))

sábado, 19 de maio de 2012

A Prenda

Conhecem algum miúdo que, como prenda pelos seus 8 anos, peça aos colegas um livro de exercícios de matemática do 3º ano?
Não???
Eu conheço! O meu!

Miúdo, se continuares assim, estás tramado estás!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Depois de Cada Eu Próprio, Virá Sempre Outro Eu Não Tão Próprio (Ou Mais Ainda)

O meu filho está quase a fazer 8 anos. Fogo!!! 8 anos!!!!
E eu que cheguei a pensar que não o iria ver a lavar os dentes sozinho, a ler, a escrever, a ir à escola, a arranjar o pequeno-almoço sem ajuda...
Ele já faz tudo isso e eu tenho estado cá para assistir ao seu crescimento; à conquista gradual pela sua independência; ao seu amadurecimento. 
Estou orgulhosa dele e contente por ainda aqui estar, e a assistir.
Gosto de acompanhar cada passo, cada descoberta, cada conquista, cada "depois de".

Essa história, que nos foi impingida pelos reality shows de "sermos sempre nós próprios" não passa de uma treta!
Nós não somos sempre "nós próprios", nós somos um agora e outro depois. E quem pretender ser eternamente "eu próprio", recusa-se a viver, a evoluir, porque a vida mantém-nos em constante mutação,  numa constante transmutação de "eus".

Eu não sou sempre "eu própria". Hoje, sou uma "eu", amanhã serei outra "eu". Espero continuar assim toda a minha vida, é sinal que vou aprendendo alguma coisa, é sinal que os acontecimentos da vida me vão obrigando a evoluir e a adaptar-me.
Fui umas antes dos acontecimentos mais marcantes da minha vida: a separação dos meus pais, os cavalos, o pai do J., o nascimento do J. o meu cancro, os cancros da minha mãe, o acidente do J. E a partir de cada um deles, passei a ser sempre outra diferente. Fui uma ontem, sou "eu própria" hoje e agora, mas serei outra amanhã (espero!). Só sou "eu própria" agora e o agora está sempre a fugir, portanto estou sempre a deixar de o ser para passar a ser "outra própria".
Não quero com isto dizer que a mudança de "eus" seja sempre de um "eu" menos bom para outro melhor, por vezes, é precisamente o contrário, mas penso que o realmente importante é haver mudança de "eus". Se não as há, é porque já não estamos aqui a fazer nada.

São a todos estes "depois de" e "eus" que quero assistir no meu filho.
Não sei se estarei cá quando ele tiver que fazer a barba todos os dias, talvez já não venha a conhecer os meus netos, ou a conhecer o J. adulto, mas até aqui, eu sei, que conheci imensos J. e encho-me de orgulho, de baba, lágrimas e ranho, de ele ter tido sempre a capacidade de ser INÚMEROS.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Desassossego

Gostava de conseguir transpor o meu desassossego para o papel. Utilizar a escrita para despejar a minha cabeça de tudo o que por aqui borbulha. Transformar em caracteres tormentas, palavras, sensações, dúvidas (imensas dúvidas) que me esvaziaria e me devolveria o silêncio revitalizante. 
Este cérebro não pára um segundo, o que, às vezes, me cansa, cansa-me muito. É como se estivesse sempre alguém a fazer-me perguntas ao ouvido.
Algumas questões consigo pôr de lado, como quem separa a comida e coloca a de que não gosta à borda do prato. Mas quando sinto fome, vou lá buscá-la outra vez.
Outras não me largam. Infernizam-se a vida, pulsam-me nas têmporas. 
E quero encontrar as respostas, preciso!
Este cepticismo obstinado é doentio. Mas se não fosse ele, eu não teria vontade de estar aqui, nem de tentar sorver toda a espécie de conhecimento possível. Toda a espécie, não, porque há coisas que o meu cérebro rejeita. E rejeita tão veemente, que acabo por me sentir culpada por não querer saber, por não conseguir querer saber.
E o desassossego invade-me! Invade-me com tanta força, que preciso de fugir de mim mesma, ou alienar-me com porcarias para lhe escapar.
Mas ele acaba por voltar sempre e cada vez com mais convicção em inquietar-me. E inquieta-me. E eu fico a absorver tudo o que me rodeia: o sol, o céu, as pessoas, as palavras, os desenhos, os gestos, a música, o ar, até sobre o ar eu reflicto...

Maldita hora em que nasci pensante! Porque raio de carga de água não nasci em forma de gato?

Vou, mas é jogar Bubbles, pronto!

domingo, 13 de maio de 2012

"A Mãe Que Chovia"

Este livro do José Luís Peixoto é verdadeiramente delicioso.
Li-o ao meu filho, numa noite destas, e ele também o adorou. Nem a linguagem, nem a profundidade dos sentimentos são fáceis de entender pelas crianças, mas a beleza das ilustrações e das palavras é tanta que torna-se impossível não nos apaixonarmos por ele.
Este foi o único livro de que fiquei à espera para o ir, a correr, comprar. Não me arrependi! Valeu bem a pena!
LINDO!


sábado, 12 de maio de 2012

MEDOOOOO!!!!!

Ontem, almocei no Wok To Walk. 
Como sabem, os funcionários desta cadeia de restaurantes são maioritariamente imigrantes, brasileiros, com pouca formação académica, de baixo nível económico. Apesar disso, todos os que me atenderam foram simpáticos, bem-educados, cordiais.
Enquanto esperava pela minha vez, fui observando a cliente que estava à minha frente. Rapariga nova, de uns vinte e poucos anos, bem arranjada, com sinais de quem tem dinheiro suficiente para o telemóvel caro, para a mala e os sapatos de marca, com aspecto de quem tirou um qualquer curso superior. Portanto, em vantagem aparente no que diz respeito ao nível de educação recebido, relativamente aos empregados que a atendiam.

Mas a rapariga fez o seu pedido de uma tal forma, que me deixou envergonhada. A petulância com que se dirigia aos empregados tocava a má-educação, tocava não, estava mesmo para lá da má-educação. Tratava-os como se fossem seres menores, se é que isso existe, como se tivessem a obrigação de a servirem, como se fosse essa a única razão da sua existência, servirem-na. 
Confesso que me deixou com vontade de lhe bater. Como é possível haver pessoas assim, que, segundo o que parecia, reunia todas as condições para ser bem-educada?

Vi ali confirmada a minha velha teoria que a formação, a aparência ou o nível económico nada têm a ver com a educação. Os empregados estiveram a anos-luz da menina nessa matéria! 

Este país está cheio de meninas (e meninos) como esta, que nos tentam enganar com a aparência, e conseguem. 
Não vejo fazer-se nada para combater isto, não vejo o Estado, ou melhor o Governo de Portugal porque o Estado já não existe, mexer uma palha que seja para promover a Educação. 
E isso assusta-me... Oh se assusta! 
MEDOOOOO!!!!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Calor Afirmativo

-Mãe, hoje está um dia de Verão na Primavera!
-Pois, está! Está um calorzinho bom!
-Uma colega minha até estava com aquelas camisolas de mangas cavas e com o decote assim. (Esgargala a t-shirt). Está mesmo calor! 
-Disseram que amanhã ainda vai estar mais calor. Vão estar 30º!
-E afirmativos, não é?
-Afirmativos???
-Sim, 30º afirmativos!
-Positivos?!
-Oh, é isso!

Sol

E lá apareceu o Sol... 
Já estava cheia de saudades e, mal o vi, desatei a fazer fotossíntese como se não houvesse amanhã.
Ah pois, que eu sou meia animal já vocês sabiam, agora que também me dá para ser planta é uma novidade. É ou não é?


Imagem retirada da Internet

terça-feira, 8 de maio de 2012

Onde Acaba o Instinto de Protecção Altruísta e Começa o Egoísta Espírito Protector?

Gostava de saber:

Onde mora essa linha ténue que separa o famigerado instinto protector das mães, da necessidade egoísta de se preservarem ao sofrimento;

Se quando impedimos um filho de fazer alguma coisa que nos atormenta, estamos a impedi-lo apenas por medo do que lhe possa acontecer ou se é também, e principalmente, para nos pouparmos à preocupação que nos invadirá ao deixá-lo;

Se a beleza de ser mãe é assim tão bela como a pintam;

A verdade do sentimento de protecção. Sinto-o tão difuso e tão misturado com outros sentimentos...

O limite da protecção. Até onde nos é permitido ir e a partir de onde se passa a chamar superprotecção.


Eh pá, gostava de saber tanta coisa, que acho que, por muito tempo que viva, nunca vou ter vida que chegue para acumular tanto conhecimento...

Garçon, sai outra vida aqui para a mesa do canto, se faz favor!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mãe

A segurança que me dás é tão imensa que durante nove meses vivi em ti.
Se um dia, desejei sair da protecção do teu corpo, foi na certeza de te ter, cá fora, à minha espera.
Se cresci (e como cresci!) foi porque acompanhaste cada centímetro que se me acrescentava.
Se aguentei algumas tormentas da vida, foi por te saber lá... cá ao meu lado.
Em todo o teu sofrimento, que se tornou meu também, sempre acreditei na tua força de guerreira, e de lapa que se cola à vida sem a largar, apesar da pressão e insistência das ondas.
Nas dúvidas (que também as houve) se a tua resistência suportaria tanta mossa, tanta pancada, tanta porrada desta vida injusta às vezes, era no fundo dos teus olhos que encontrava a esperança. Por vezes, ténue, mas lá estava ela em forma de brilho.

Mãe, porque este e todos os outros dias da minha vida são teus, porque a tua ausência me deixa sozinha, porque o mundo não seria o mesmo sem ti e por mil e uma outras razões, hoje, quero dizer-te


AMO-TE


Imagem retirada da Internet

sábado, 5 de maio de 2012

O Meu Dia da Mãe Já Começou!

Já comecei a receber prendinhas do Dia da Mãe! 
Entre outros desenhos, recebi estes, que retratam as várias fases de um coração de mãe. Estas são baseadas no livro Coração de Mãe de que já falei AQUI


Quando vai buscar o filho à escola
Quando um filho aprende
uma palavra nova










Quando um filho diz uma piada


E agora, roam-se lá de inveja dos meu desenhos tão lindos!!!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ser Criança Ou Ser Adulto? Eis a Questão...

- Mãe, tu gostavas de ser criança outra vez, não gostavas?
- Gostava!
- Porquê?
- Porque podia estar sempre a brincar, não precisava de ir trabalhar, tinha menos responsabilidades...
- Mas se tu fosses criança, eu não existia...
- Pois não!
- Então não era bom seres criança! 
- Pois não, não tinha piada nenhuma tu não existires!
- Podias era, depois, teres-me outra vez... Ou podias ter outro menino e não ser eu...
- Podia ter uma menina.
- Não, mãe, é melhor assim! 
- Também acho! 
   E tu, gostavas de ser adulto?
- Gostava!
- Porquê?
- Porque se eu fosse adulto, podia jogar basquetebol e ser guarda-redes a sério e ganhar dinheiro.
- Mas agora também és basquetebolista e guarda-redes, só não ganhas é dinheiro. Querias ser adulto para ganhares dinheiro?
- Sim, mas era a sério. Na escola, não sou guarda-redes a sério, nem sequer há linhas no chão. E ganhava dinheiro.
- Mas precisas de dinheiro para quê? Agora, não tens as coisas que precisas?
- Tenho, mas se eu fosse adulto era eu que tinha que fazer as compras e isso...
- Ah! Então tu querias era ir às compras?!
- Si... NÃO! (Cara de pânico).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mais Um Grande Pingo da Minha Doce Ilusão Se Desvanece

José Saramago, no seu Ensaio sobre a Cegueira, foi um autentico visionário. Ele viu o que aconteceria se um Pingo Doce da vida real fizesse uma promoção diabólica no 1º de Maio, onde todos os compradores, de quantias superiores a 100€, teriam 50% de desconto.
Na história dele (do Saramago) as pessoas tinham cegado. Na nossa história, as pessoas não são cegas, mas aspiram por ser em troca de 50% de desconto.
Os valores, os princípios e, tudo o resto a que chamam conversa fiada, são deitados pelo cano abaixo, se puderem lucrar (ou poupar, como preferirem) 50% do capital investido.
Se preciso for, matam, esfolam, roubam produtos dos carrinhos de supermercado dos outros ou vendem os seus carrinhos vazios depois de já terem a sua cota parte da promoção assegurada.
A empresa Pingo Doce conseguiu, com este gesto de bondade extrema, atirar por terra qualquer esperança, que ainda me restava, neste país e nesta gente.

Ao ver as reportagens na televisão sobre o que passou ontem, imaginei-nos a todos dentro de um Titanic conduzido por loucos gananciosos, de onde se vê ao fundo o icebergue, mas ainda se tem hipótese de girar o leme para nos desviarmos dele. 
Os homens do leme não o querem girar, pois possuem um helicóptero à espera que o barco se aproxime do alvo para os vir salvar. Alguns passageiros esgatanham-se para chegarem primeiro aos botes de salvação, outros atiram-se à água num acto de desespero, mas ninguém toma a iniciativa de unir todas as pessoas com o objectivo de destronar os homens do leme e desviar o Titanic do icebergue.
É do senso comum a existência do icebergue, e o possível, não certo, mas possível, choque com ele, mas empenhar-se para o evitar... Ninguém!

As greves que Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio e Serviços convocou para o Dia do Trabalhador foram por água abaixo, o direito que estes trabalhadores deveriam ter ao feriado de ontem, foi junto. Porque, dizem os grandes defensores do capitalismo, "os trabalhadores do Pingo Doce receberam este dia de trabalho a triplicar, tiveram direito a um dia de férias extra e acesso a esta mesma promoção noutro dia à sua escolha!". 
Bravo! Óptimo! Mas perderam o direito ao feriado do Dia do Trabalhador! E de direito em direito se vão perdendo batalhas, anteriormente ganhas. E de direito em direito se vai perdendo mais um pouco da democracia almejada. E de direito em direito se vão perdendo anos de vida...

"Que se lixe! Nós temos é que trabalhar para ajudar o país a sair da crise!", dirão alguns. "Nós temos é que fazer de tudo para levarmos mais uns eurozitos para casa!", dirão outros. "Nós temos é que aproveitar estas promoções, porque a vida está cara, porque a austeridade está a acabar com a nossa qualidade de vida!" dirão outros, ou os mesmos, ou todos...

Não amigos! Vocês estão é a ajudar os homens do leme a pagarem o helicóptero que os irá salvar, quando este barco for ao fundo e, vocês, amigos (nós, amigos) vão estar dentro do barco, não do helicóptero! E os eurozitos, que amealharam à custa da venda dos vossos (nossos) princípios, valores e conversa fiada, não vão dar para comprar nem um botezinho insuflável!

terça-feira, 1 de maio de 2012

A Menina do Capacete Cor-de-Rosa

Imagem retirada da Internet
A menina do capacete cor-de-rosa atirava comida aos pombos, atirava literalmente, como se os quisesse alvejar com os pedacinhos de pão, ou milho, não sei. Os pombos fugiam a cada investida sua. Queriam comer, mas não a queriam ali. Não queriam toda aquela energia e agitação, que lhes eram ameaçadoras.
Ela insistia, "tomem pombos!", "comam!".
O pai, ou avô, esperava abstraído da cena, enquanto segurava a bicicleta, que ainda tinha as rodinhas para quem não se equilibra sozinha a pedalar. Olhava o infinito, enquanto a pequena impingia comida, e a sua presença, aos pombos.

O acto da menina a alimentar os pombos era de uma crueldade ingénua, e o de eles a fugirem-lhe de uma crueldade instintiva.
No seu todo, formavam um quadro de uma beleza incrivelmente... cruel!