sexta-feira, 6 de abril de 2012

Rogério

Rogério era um rapaz com trinta e poucos anos, cheio de vida, sonhos, esperanças e anos pela frente. Rogério não me era intimo, mas unia-nos a cruz da doença oncológica. 
Fui encontrá-lo no hospital, no mesmo hospital onde a minha mãe estava internada por doença oncológica. 
Rogério tinha um linfoma, mas ao contrário do meu, o dele era não-Hodgkin, pior do que o Hodgkin e no pulmão.
Quando visitava a minha mãe, visitava-o a ele também. Tentei fazê-lo crer que se podia curar. Tentei que acreditasse que não estava condenado e acho que ele acreditou, pois nunca o vi desanimado, mas sempre a olhar em frente com esperança, projectos e vida.
Rogério morreu com trinta e poucos anos, apesar dos muitos mais que tinha pela frente. Rogério não se curou e o cancro acabou por levar mais um de nós.

E eu apercebi-me que, na realidade, o tinha enganado...

9 comentários:

  1. Não o engamnaste, apenas lhe deste esperança para viver os últimos tempos.
    Força e boa Páscoa!

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  2. Oh querida, lamento imenso. Mas tu não o enganaste, quem o fez foi a Vida, que lhe roubou anos.
    Hoje ouvi dizer que uns cientistas estão perto de encontrar uma vacina, espero que seja desta que a luta contra o cancro, começe a ser feita.
    Mil beijinhos, desculpa a ausência**

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    1. Tenho tanta esperança nessa vacina...
      Estás desculpada, és sempre bem vinda!
      Beijinhos

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  3. Será que o enganaste? será que não foi ele que te enganou fazendo te crer que acreditou? vai se lá saber...

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  4. Mammy, não foi engano nenhum, porque a crença que lhe transmitiste fê-lo viver com mais gana, em vez de desanimar!
    Não digo isto para te animar, mas porque vi a crença da minha mãe contra a doença oncológica e sei que ela viveu mais tempo porque acreditou sempre!

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  5. Lamento muito. Não o enganas-te, todos temos esperança até ao fim, mesmo, mesmo ate ao fim.

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  6. Eu não fui a principal causadora da esperança dele, mas fui mais uma que, ao dar-lhe o meu exemplo, tentou convencê-lo que ia sobreviver ao cancro.
    Acho que maior esperança estava já dentro dele...

    A minha grande decepção é com a vida, é com a forma aleatória com que a selecção é feita dos morrem ou dos vivem. Entristece-me a linha que separa a vida da morte não depender nada da nossa força, coragem ou determinação, entristece-me não ter sido capaz de lhe garantir que iria viver, em vez de o ter feito apenas acreditar numa coisa que acabou por não ser verdade.
    Beijinhos a todas

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  7. Soube ontem tambem que uma prima minha esta com cancro na traquia, veja-se só com 34 anos, fiquei estupefacta! Ainda estou em choque.

    http://sermaedesaltosaltos.blogspot.pt/

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    1. Cada vez acredito mais que o cancro aparece de um forma completamente aleatória!
      :(((
      Que corra tudo bem com ela!
      Beijinhos

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