segunda-feira, 23 de abril de 2012

Agamémnon - Vim do Supermercado e Dei Porrada ao Meu Filho

Mais uma vez, fui ao teatro e trouxe de lá uma história para pensar.
Não só sobre o conteúdo em si, pois o assunto que aborda já anteriormente preenchia as minhas dúvidas, exaltações, indignações, mas sobre a forma como parte do público encara o teatro.

A peça é pesada, mexe connosco, utiliza elementos tabu como crianças, comida, livros, palavrões. Elementos estes que não nos deixam indiferentes e fazem-nos pensar, fazem-nos remexer nas nossas vidas , interrogarmo-nos sobre o que andamos aqui a fazer e sobre o significado de um mundo industrializado demais, capitalista demais, onde apenas consumimos e não criamos nada, porque já está tudo criado, pronto a digerir o mais rapidamente possível e antes que arrefeça, pois mal arrefeça passa a ser inconsumível.

No final da peça, tivemos a oportunidade de ter uma conversa com o actor (Gonçalo Waddington), o encenador (John Romão) e a assistente de encenação (Solange Freitas). Fizeram-se perguntas, cujas respostas foram extremamente esclarecedoras para mim, porque me deram a conhecer outras perspectivas do que tinha acabado de ver. Mas alguns elementos do público, revoltados com a presença das crianças, da comida e dos livros, deixaram-nos perceber que devem ter-se enganado na porta e que o lugar para onde se tinham preparado para ir não era o teatro, talvez o cinema, onde assistiriam a uma comédia romântica sensaborona que os faria rir ou chorar por segundos e de que se esqueceriam no momento preciso em que entrassem no carro de volta às suas vidas insípidas.

Não sou especialista em teatro (já o disse aqui), mas cada vez, o aprecio mais. Cada nova peça a que assisto e que mexe comigo, faz-me sentir mais rica, cultural e humanamente mais rica. Gosto de vir cheia de dúvidas e de respostas e as respostas não precisam de ser àquelas dúvidas, podem ser a outras que já moravam na minha mente há algum tempo.

E choca-me, isso sim choca-me, que haja gente que sai do teatro igualzinha ao que era quando lá entrou, que não cresça nem um bocadinho, que não aproveite a experiência que acabou de vivenciar... 

Devo informar essas pessoas que, como eu, foram ver esta peça, mas que, por alguma razão que desconheço, não a viram realmente:

- O Teatro não nos deixa incólumes, deixa marcas... Marcas que, de preferência, serão para sempre! 
   Para a próxima, não digam que não vos avisei!

Imagem descaradamente roubada do perfil de
Gonçalo Waddington no Facebook

A quem interessar, esta peça está em cena até 28 de Abril, no Teatro da Politécnica.

11 comentários:

  1. Tremendo Gonçalo!
    Vi e aprovo!

    Beijos

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    1. Eh eh eh!!!
      Se calhar até fomos no mesmo dia...
      Bjs

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  2. Todas as pessoas têm a sua "vivência". e não é justo classificar
    conforme nos agrada.
    filhota..(é de pai)
    Tens de ter mais tolerância ...respeitar e não julgar os pontos de vista (que podem parecer contorversos e embora não nos agradem), são manifestados por outras cabeças "vivências".
    Mas deves sempre afirmar a tua visão sobre os acontecimentos e do dialogo nasce "sempre algo" (só espero que seja positivo)(no ponto de vista de """"ALGUEM"""").

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    1. Eu tenho tolerância e respeito muito os outros e os seus pontos de vista. Às vezes até demais.
      Já levei muita patada à custa da minha tolerância, porque respeito, porque tento compreender e porque sempre, mas sempre, me coloco na posição do outro quando o tento analisar.
      Se há coisa que não me podem acusar, é de falta de tolerância.
      Mas não tolero mesmo (e porque todos nós temos as nossas irritaçõezinhas de estimação), é a ignorância como escolha, é o fechar de olhos por opção, é o não querer ver para não ter que agir...
      E essas pessoas, como as que assistiam à peça, que se fecham ao mundo e aos pontos de vista que não lhes agradam, com os quais não concordam ou simplesmente não entendem e se recusam a tentar entender, é que são intolerantes. Essas sim, são intolerantes!
      Bjs

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    2. Ah e não tenho nada contra quem vê comédias românticas, eu também as vejo.
      Só acho que não se pode ir aos dois sítios esperando terem-se as mesmas emoções.
      Bjs

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  3. Vim agradecer as palavras de conforto deixadas no meu blog...mt obgd e um grande beijinho

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    1. Não era preciso agradeceres, foi de coração! Espero que corra tudo bem com a tua mãe.
      Beijinhos e coragem!

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  4. Eu não percebo como essas pessoas se dão ao trabalho de gastar dinheiro numa coisa que não lhes serve absolutamente para nada, nem os deixa sequer a pensar...mais valia terem ficado em casa!

    Beijinho*

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  5. Adoro o actor, deve ser uma peça forte mas marcante. Não sou grande fã de teatro, é um facto, mas talvez isso se deva ao facto de nunca ter visto uma grande peça.

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    1. Tens que experimentar ir ver uma boa peça, vais ver que não te vais arrepender!
      ;)

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