sábado, 31 de março de 2012

Férias de Mim

Imagem retirada da Internet

Estou a passar por uma fase um bocado estranha...
Sinto-me sozinha, mas esta solidão é provocada por uma quase auto-reclusão, sou eu que me isolo do que me rodeia, pessoas incluídas, parece que me fechei num mundinho só meu. Vivo nos meus pensamentos, mas não vivo na realidade, existo numa espécie de ficção. 
Tenho a sensação que não deixo ninguém chegar realmente até mim. É como se tivesse construído uma barreira entre mim e o mundo. Quero derrubá-la, mas, ao mesmo tempo, não quero. Vou sempre construindo novas fileiras de tijolos e tenho medo de, um dia, já não conseguir ver para lá da barreira que eu própria construí sem ter que me pôr em cima de uma escada, ou de quando me empoleirar para espreitar para o outro lado, já não estar lá ninguém.
Viver alienada neste submundo imaginário não me está a fazer bem... 

Preciso de férias, férias de mim.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Chico-Esperto Criativo, Precisa-se

Ando sem paciência para Chicos-Espertos. Para os que estão sempre a tentar passar à frente dos outros no trânsito ou nas bichas dos supermercados, para os que fingem que não vêem as grávidas e os velhotes nos comboios só para não lhes darem o lugar, para os que vêm com conversas parvas a tentar darem-nos uma grande tanga, para os vendedores de banha-da-cobra, para os que se julgam dotados de uma lábia e de um poder de manipulação infalíveis, enfim para toda essa vasta colecção de Chicos-Espertos.

Será que não têm consciência que são chatos? Ainda não perceberam que, quem vive neste país há uns aninhos, já os conhece de ginjeira e que os identifica a quilómetros de distância?

Inovem lá um bocadinho, por favor e, pelo menos, tentem usar esses vossos cérebros maravilha para saírem da monotonia de serem Chicos-Espertos, de baixo nível a tempo inteiro, e ousem surpreender-nos com criatividade e imaginação! Uma originalidadezita, só para variar, já nos faz ficar radiantes.
Arranjem novas estratégias, por favor! Não é preciso ser-se nenhum génio, puxar só um bocadinho pela imaginação é suficiente. 
Vá lá, eu sei que vocês conseguem!

As buzinadelas e os encontrões para passar à frente, o olhar para o infinito na tentativa que fiquemos com a sensação que não estão a ver nada e esse "blá blá blá" e mais "blá blá blá" já não pegam. Sejam criativos, porra!

As tacadinhas indirectas também já não têm piada, já estão tão vistas, mas tão vistas, que falham redondamente no efeito surpresa. Estão ruças de tão usadas! Comprem novas, ou tinjam as velhas, mas por favor, não as usem assim!
Sabemos logo que são para nós e, sim, claro que vocês são muito mais espertos, e inteligentes, e cultos, e sabem enganar os outros como ninguém... Sabem? Não sabem nada, porque já toda a gente se apercebeu que a vossa intenção é essa! Vocês é que ainda não perceberam que esse método já não funciona!

INOVEM o vosso cardápio de sacanices, experimentem receitas novas, elaborem novos sabores, aromas e formas de degustação, que nós agradecemos, vocês são capazes de ganhar alguma coisa com isso e no fim até, talvez, consigam mesmo enganar alguém!


domingo, 25 de março de 2012

Crianças esterilizadas e estilizadas

Em tempos, quando ainda era muito verde nesta coisa de ser mãe, cometi alguns exageros. Tinha demasiado cuidado com a chucha que caía ao chão, com a esterilização dos biberões, com as mãos lavadas para mexer no bebé, enfim, com essas coisas de galináceas que algumas de nós adoptamos.
Confesso que não era muito ponderada e que levava a higiene muito a sério no que dizia respeito ao meu filho bebé.

Ele cresceu um bocadinho e eu fui-me apercebendo que não o podia enfiar dentro de uma redoma de vidro. 
Quando ele fez mais ou menos um ano de idade, comecei a libertar-me e a libertá-lo. Lentamente, fui percebendo que as crianças só conseguem produzir imunidades se tiverem algum contacto com bactérias e com toda essa bicharada microscópica.
Nunca cheguei ao ponto de o desinfectar, mas sei que há quem esteja muito perto disso.

Hoje, que estou num processo de amadurecimento da minha faceta maternal, posso dizer que a minha visão relativamente a este assunto está muito longe do que era inicialmente. 
Hoje, sou uma acérrima defensora da existência de alguma porcaria na vida das crianças.

Não gosto de ver crianças esterilizadas. Não gosto de ver pais que impedem os filhos de rebolar na terra, na relva ou que lhes ralham cada vez que fazem uma nódoa na roupinha de ir a casamentos com que os vestem.
Acho que as crianças precisam de ter liberdade de movimentos, de sujar a roupa e as mãos, de mexer nos bichos e de uma quantidade razoável de vitamina M (de mer**), como a minha avó lhe chama.
Fazem-me impressão as crianças vestidas de adultos e com comportamentos de adultos, cheias de cuidados infundados com a roupa e com a aparência. Fazem-me impressão os adultos que exigem que as crianças digam "com licença" quando ainda não sabem sequer pronunciar bem as palavras.

Atenção, que também não sou a favor da má-educação, antes pelo contrário, mas acho que as regras de etiqueta que contemplam os "obrigados",  os "se faz favor" ou os famosos "com licença" têm que ser introduzidas progressivamente e têm que vir essencialmente através de valores muito mais altos do que estas simples palavras, como, por exemplo, através da consciência do que é o respeito pelo próximo. 
Se uma criança souber respeitar os outros desde tenra idade, todas essas palavras bonitas vêm naturalmente e por sua auto-recriação, sem que ninguém tenha que lhas impingir, bastando apenas dar-lhes o exemplo fazendo-as ouvi-las com regularidade.

O excesso de preocupação dos pais pela boa educação dos filhos, muitas vezes, fica limitado à utilização destas normas sociais e acaba por menosprezar outros princípios que, na minha opinião, são muito mais importantes para o seu crescimento saudável e para a relação com o mundo que os rodeia.

Ver crianças que ignoram totalmente o que os adultos lhes dizem, que a qualquer chamada de atenção, respondem mal ou reagem com agressividade e prepotência, preocupa-me mais do que ver crianças com a roupa suja que depois de nos darem um encontrão, que não foi precedido de um "com licença", ficam genuinamente preocupadas se ficámos magoados.

Mas isto sou eu que, como já devem ter reparado, sou meia estranha!

Imagem retirada da Internet



sexta-feira, 23 de março de 2012

Extremismos

Já o disse aqui e volto a repetir: Detesto extremismos!
As pessoas extremistas são cegas de um olho.
O outro olho, o que ainda vê alguma coisa, enxerga mal, muito mal e a má visão é agravada pelo estrabismo do olho vidente, que só as deixa ver em determinada direcção.

Os extremistas, estejam de que lado estiverem, só têm a percepção do outro extremo para o tentarem aniquilar ou converter, converter aos seus ideais, que são, geralmente, qualquer coisa tendencialmente fundamentalista. A intenção dos extremistas não é mudar nada e, se alguma vez vos disseram isso, enganaram-vos.
Os extremistas fazem-me lembrar aquelas pessoas que não viram a medalha por não quererem ver o seu reverso e, que quando o fazem, fazem-no muito discretamente para ninguém notar e cheias de medo de passarem a gostar mais da face inversa.

Ontem, assisti a imensas discussões, no Facebook e no Twitter, sobre a carga policial infligida a jornalistas e manifestantes e fiquei com aquela sensação estranha que estas discussões não servem para outra coisa senão para as pessoas se agredirem mutuamente (neste caso, apenas de uma forma verbal e virtual, mas aposto que se estivessem cara-a-cara, de certeza que continuariam os confrontos que a polícia e os manifestantes deixaram a meio!).
(Pensando bem, talvez assim até seja melhor, pois todos podem expiar as suas frustrações sem falarem alto, nem derramarem sangue, o que nos poupa a alguma poluição sonora e torna tudo muito mais higiénico.)

Nas ditas discussões, os apoiantes dos manifestantes desataram num disparate de ofensas aos polícias. Por sua vez, os apoiantes da polícia (alguns deles declaradamente polícias), desataram num disparate de argumentos para justificar o injustificável.

A violência desmesurada não tem justificação possível em nenhum dos extremos da barricada. Nem do lado dos manifestantes, que atiram pedras e ofendem as forças policiais, nem do lado da polícia, que lhes responde com pontapés e bastonadas a torto e a direito.

Não consigo defender ninguém, sem os defender a todos, tal como não consigo apontar o dedo a uns, sem apontar o dedo aos outros.

Lembro que a polícia, apesar de dar a cara pelo governo que a comanda, é constituída por homens e mulheres igualmente descontentes com a situação que o país atravessa e relembro as várias lutas que a PSP tem travado pelos seus direitos, sem ser atendida. E, como homens e mulheres limitados, das mais variadas formas, ao poder de contestação, também sentem revolta e indignação, que muitas vezes se reflectem em atitudes grosseiras e abusivas.

Os manifestantes, portadores de todo o legítimo direito a manifestarem-se, não devem, em caso algum, ser agredidos, física ou psicologicamente, pelas forças policiais, muito menos da forma grotesca como foram.

Os jornalistas, para fazerem o seu trabalho, estão bem no centro da batalha, e é ali que devem estar, pois só ali podem testemunhar os acontecimentos e as movimentações de ambos os lados. Eles arriscam-se (tal como os seus colegas especializados em guerras se arriscam a levar um tiro, com uma granada ou a pisarem uma mina) a levar uma bastonada, com uma pedra da calçada ou uma chávena de café na cabeça.
Eu acho que a grande nobreza desta profissão situa-se precisamente no risco que correm para nos informarem e para denunciarem as atrocidades cometidas por este mundo fora.

Se os polícias agiram mal, que agiram, os manifestantes também não se portaram muito bem, pois atirar pedras, chávenas de café, ou ovos não me parece que contribua positivamente para se fazerem ouvir.
E os jornalistas? Esses arriscam-se.

É por assistir a este tipo de debates que acho que o extremismo é contra-evolução e que quem só vê um lado da questão, não vê a questão toda e nunca lhe conseguirá dar uma resposta à altura.

Por fim, não quero abandonar este texto, sem antes lembrar o seguinte:
Enquanto andam todos distraídos à sapatada uns aos outros - manifestantes e seus defensores contra polícias e seus defensores - o governo continua a olhar-nos, lá bem de cima, com ar altivo, a fazer das nossas vidas o que bem entende, a tirar-nos A TODOS direitos e, sem dúvida, a pensar "que estúpido é este povo!".
E eu não lhe posso tirar a razão, porque enquanto o povo não se unir pelo bem COMUM, não deixará de ser, um tanto ou quanto, estúpido!

terça-feira, 20 de março de 2012

Dia de Derby

Imagem retirada da Internet

Hoje, não fales comigo. Tenho que estar concentrado. Por favor, não me venhas falar de desgraças.
Não, não quero saber do Passos, do Gaspar, do Relvas ou da Troika... 
Hoje, o meu Benfica vai jogar contra aqueles "morcões"! E vai ganhar, olá se vai!!!
Se o Glorioso ganhar, até beijo o Passos, o meu amigalhaço! Até lhe dou uns trocos, de bom grado, para ajudar a pagar a penhora deste país! Sim, porque hoje nada mais me interessa... E eu pago para ver o Benfica ganhar, pago o coiro e o cabelo se for preciso, desde que ganhe.
Claro que é só com esta condição, porque eu, benfiquista de corpo e alma, sou um gajo exigente, exigentíssimo!

Olha, vai começar...
Agora, CA-LU-DA! Só quero ouvir o comentador! 
Querida, podes sair com as tuas amigas, vai e leva aquele teu amigo com quem costumas dormir, quando eu não estou.
Só não venham é cá para casa, que eu tenho que ver a bola. Vai lá!
Sim, sim, mas sai da frente da televisão...
O que é que estás a dizer? A minha mãe foi para o hospital?! Não podemos falar sobre isso no intervalo?
Goooolooooo!!!!!
Espera, espera só um bocadinho...
Vai, vai, vai!!!! Porra, este árbitro é mesmo uma merda! Foi falta! 'Tás zarolho, ou quê???
Diz????
Ah, a minha mãe... Mas que raio!!! A velha tem estado tão bem e, logo hoje, foi-lhe dar o fanico!...
Depois do jogo, vou visitá-la, ok? Está bem assim? Já não te zangas?
Agora, vai-te embora que chegas atrasada...
Ai!!! Mas o que é que o cabrão do puto está a fazer em frente da televisão? E tu deixas?
Eh pá, também não serves para nada, mulher! Tira-me mas é o puto daí, antes que eu lhe dê um chapadão!
Ah, e já que vais à cozinha traz-me mais uma "mine"! 
Pronto, se faz favor! Estás contente, agora?
Não ias sair? Aproveita que eu hoje estou bem disposto... Amanhã já não é dia de jogo...
Olha, e leva o puto contigo.
Então, deixa-o na minha mãe...
Ah pois, ela está no hospital... Então, deixa-o na tua!

Porra, mas ainda não te foste embora?!
Podes, por favor, deixar-me ver o jogo?!

Aviso: O doente em causa podia ser adepto do Sporting, do Porto ou de outro clube qualquer.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aquele Homem Grande

Aquele homem grande nasceu numa ilha. Viveu os primeiros anos da sua vida rodeado por mar, pelo mesmo mar que hoje lhe devolve a tranquilidade quando larga o computador da sua informática e se agarra à cana de pesca para pescar peixes e sonhos... Sonhos da criança que ainda vive nele, sonhos da criança que nunca o largou...
Aquele homem grande, um dia, também já foi pequenino e brincou como todos os meninos pequeninos. Correu campos sem fim, saltou, jogou à beira-mar, nadou no mar frio e rebolou na areia como qualquer menino pequenino.
Aquele homem grande, filho de um veterinário e de uma funcionária administrativa, viu o pai sair de casa para tratar dos animais do campo e a mãe a dar-lhe chineladas quando se portava mal. Porque aquele homem grande, um dia, também fez asneiras de criança e também esfolou os joelhos...
Aquele homem grande perdeu o pai cedo, cedo demais... E cresceu, cresceu apoiado no amor da mãe, que à custa de tentar ser mãe e pai, o amou a dobrar...
Aquele homem grande tornou-se num adolescente rebelde da Era da rebeldia, das conquistas, das lutas pelos direitos que hoje são adquiridos... que foram adquiridos por homens grandes como ele.
Aquele homem grande tinha cabelo comprido e montava numa mota que acelerava até ultrapassar o vento, até chegar perto do horizonte, do seu horizonte... dos seus sonhos...
Aquele homem grande foi pai cedo, cedo demais... Com apenas 21 anos, viu sair uma filha, da mulher que amava, num parto do mais natural que a inconsciência juvenil poderia permitir...
Aquele homem grande conseguiu ser um pai com a maturidade que a idade ainda não lhe disponibilizara, mas que a responsabilidade lhe impusera.
Aquele homem grande estava avançado na sua Era e tratou da filha como a maior parte dos pais ainda não conseguia tratar dos filhos. E era ali, onde a ternura e o carinho imensos, que ele transbordava, se reflectiam... Ali, no olhar de uma criança feliz, no olhar de uma criança que se sentia amada... 

Aquele homem grande, cujo coração ocupa todo o espaço do seu corpo grande, é meu pai.

domingo, 18 de março de 2012

Desafio da Naná

A Naná do blogue Arrifanasea lançou-me este desafio que tem como propósito contar 11 factos aleatórios sobre mim e responder a mais 11 perguntas da Naná.
Obrigada por me escolheres e desculpa o atraso, Naná!

Aviso já que não vou responder a todas as perguntas com a mesma seriedade para vocês não ficarem a saber tanto quanto eu e para este blogue continuar a ter algum interesse (por mais minúsculo que ele seja, o interesse, claro). 
11 factos aleatórios sobre mim:
  1. O peixe de que menos gosto é o bacalhau. Verdade, verdadinha! (Portuguesa má!)
  2. Tenho nojo dos cabelos que tiro da escova depois de me pentear. (Traumas da quimio!)
  3. Detesto que me toquem enquanto falam comigo. Quando me dão aquelas cotoveladinhas irritantes, só me apetece esmurrar o meu interlocutor.
  4. Os meus pés cresceram durante a gravidez, passei de sapatos 39/40 para 41. Este facto, impede-me de arranjar sapatos "à senhora". (E aqui que ninguém nos ouve, ainda bem! Thank you, big feet!)
  5. Adoro chá, de todos os tipos e feitios. Bebo litradas dele, se me deixarem!
  6. Não sei desenhar, faço desenhos miseráveis!
  7. Prefiro pessoas assumidamente antipáticas a pessoas cínicas.
  8. Em adolescente, havia uma pessoa que me chamava peixe-espada por eu ser chata e comprida.
  9. A minha vida sexual é um mundo! (Será esta afirmação verdade ou estará aqui só para eu parecer uma pessoa mais interessante e chegar o mais depressa possível ao 11º facto?)
  10. Detesto música pimba!
  11. Sou impossível de aturar quando tenho fome, frio ou sono. Acho que já tinha dito isto, mas não vou tirar, pois agora já só me falta responder às perguntas! (Com esta última afirmação, não se ficaram a perguntar se o facto nº 9, não será na realidade uma tremenda mentira?) 
As perguntas da Naná:
1. se pudesses beijar alguém inacessível, quem seria? O meu avô.
2. passaste no exame de condução à primeira? Of course! Mas no de código...
3. se pudesses alterar alguma coisa na tua vida, o que seria? Gostava de ter saúde para dar e vender. Venderia alguma, cara, bem cara, ao sr. Ministro da Saúde, só para ele sentir na pele a boa porcaria que anda a fazer.
4. mel ou açúcar? Definitivamente, mel.
5. com quem nunca casarias? Não gosto de casamentos, acho que não são importantes e que qualquer ligação com amor é mera coincidência. Casei-me para legalizar uma situação que seria igualmente boa se continuasse ilegal. 
6. se ficasses sem um sentido (visão, olfacto, audição, tacto, paladar), qual deles preferias perder? Não preferia perder nenhum sentido, se pudesse escolher...
7. já traíste alguém? Trair é uma palavra muito forte, não é?
8. se pudesses ser uma estrela de cinema por um dia, quem quererias ser? Ninguém, ser estrela de cinema não faz parte das minhas aspirações.
9. qual o desporto que mais detestas? Boxe. Acho estúpido ver dois estúpidos a esmurrarem-se estupidamente.
10. carro de sonho? Não gosto de carros, prefiro motas e cavalos.
11. história infantil preferida? A minha.

E, só não vou formular perguntas para vocês responderem, porque, sinceramente, prefiro conhecer-vos devagarinho e através dos posts que vão publicando nos vossos blogues.

sábado, 17 de março de 2012

Justiças e Injustiças

Imagem retirada da Internet

Detesto injustiças! Detesto mesmo! Talvez seja por isso que sofro de uma honestidade parva e doentia.
É verdade, que tenho melhorado um pouco, já não sou tão parva nem tão honesta. A vida tem-me ensinado que honestidade desta só me prejudica e que, além de me prejudicar, também não beneficia ninguém. Apenas me prejudica...
Não passei a dizer mentiras, não! Continuo honesta, especialmente comigo mesma. Passei apenas a omitir algumas verdades, para não me lixar.
Também não passei a cometer injustiças a torto e a direito, passei tão só a deixar que acontecimentos (que são justos para mim, são sempre injustos para alguém) me beneficiem. Passou a ser uma questão de sobrevivência. Não podia continuar a prejudicar-me em prol de uma justiça utópica, não podia continuar a deixar que o justo para os outros, fosse injusto para mim...
Pode não ser a atitude mais certa, mais honesta, ou mais justa, mas bater em mim, para não bater nos outros é uma completa estupidez. E eu optei por deixar de ser estúpida (pelo menos no que diz respeito a este assunto).

Pergunto-me, vezes sem conta, como poderei preparar o meu filho para as injustiças da vida, pergunto-me, porque eu ainda não sei se eu estarei preparada para elas, porque ainda não sei se eu saberei realmente lidar com elas...
Ele, com esta idade, já tem sido alvo de algumas... Porém, ainda não se apercebe da dimensão de todas elas, felizmente...

Deverei ensiná-lo a lutar pela mesma justiça utópica que eu tenho vindo a abandonar? Ou deverei ensiná-lo a ser imune aos efeitos nefastos das injustiças?
Qual destas hipóteses o fará mais feliz? 
Talvez um pouco das duas, não sei...
Quais são os critérios que lhe poderei transmitir para que distinga uma da outra, para que opte sempre (ou quase sempre) pela mais correcta? E onde está o limite que separa a luta pela justiça e a indignação perante as injustiças, de uma batalha inglória e penosa que nos desfere golpes, atrás de golpes e nos magoa de morte?

Quem me dera saber...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Bebés Felizes, Leite, Chocolate e Camarões

-Mãe, tu comeste muitos chocolates quando estavas grávida de mim?
-Comi, por isso é que tu ficaste um bebé tão feliz!
-Eu também vou comer muitos chocolates quando tiver filhos.
-Quando a tua mulher estiver grávida?
-Não, para as sementinhas!
-Para teres sementinhas felizes?
-Sim. Tu comias muitos chocolates quando eu bebia do teu leitinho?
-Comia... E depois dava uns saltinhos e tu bebias leite com chocolate!
-A sério?!
-Não. Estou a brincar!
-Oh! Era fixe se desse para eu beber leite com chocolate das tuas maminhas.
-Pois era, mas não é possível...
-E daquela vez que comeste camarões e eu tive alergia, o leite sabia a camarões?
-Não! Mas ficaste cheio de borbulhas...
-Eu tinha muitas borbulhas quando era bebé?
-Não, ficaste com borbulhas por causa dos camarões que eu comi.
-Onde?
-No corpo todo! 
-Os camarões foram para o leite?
-Sim, tudo o que as mães comem vai para o leite.
-Mas o leite não sabe ao que elas comem?
-Não!
-Oh, que pena! Gostava mesmo que o leite soubesse a chocolate...
-E a camarões?
-Era giro, não era?
-Não sei, mas leite a saber a camarões não me parece muito bom...
-Pois não, mas a saber a chocolate...

terça-feira, 13 de março de 2012

J. - O Conselheiro de Moda

Como sabem, prefiro andar confortável do que andar jeitosa e, pelos vistos, o meu filho concorda comigo...

Hoje de manhã, disse-me:
-Mãe, não gosto nada de te ver de saltos altos.
-Não? Porquê?
-Não gosto! Tu gostas? 
-Não muito, não são muito confortáveis. Prefiro os que não têm saltos.
-Então porque andas com esses?
-Porque fico com umas pernas mais giras e porque tem que ser.
-E também não gosto quando andas assim e vêem-se as maminhas.
-Mas não se vêem as maminhas, só tenho um decote um bocadinho maior do que de costume. Vês, até tenho esta camisola por baixo da camisa para não ficar com as maminhas de fora.
-Vêem, vêem! - olha para as minhas maminhas com um ar crítico, como quem diz "eu estou a vê-las, porque estás para aí a dizer que não se vêem?". 
- Essa camisa também não fica nada bem com essas calças!
-Bemmmm!!! Não gostas de nada!
-Gosto, gosto. Gosto de ti com outros sapatos e com outra roupa.

Também eu, J., também eu...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Motivação

Há alguns anos, dei aulas de equitação a crianças e a melhor dádiva com que me podiam agraciar era virem motivadas. A alegria com que chegavam às aulas era metade do meu trabalho feito. Quando não estavam motivadas, tentava mostrar-lhes as coisas boas da equitação e dos cavalos e reconquistar a alegria e a vontade de montar, pois sempre acreditei que quando se gosta realmente de uma coisa pode-se ser muito melhor.

Ter alunos motivados é a melhor coisa que um professor pode ter, pois basta ensinar-lhes a técnica e moldar-lhes a motivação para que os alunos tirem o maior proveito do que lhes ensinamos.
É por eu acreditar tanto na importância da motivação, que me fazem impressão aqueles professores que tentam acabar com ela sem dó nem piedade, que fazem questão que os seus alunos desanimem, que permitem que eles se sintam em baixo e que se dão ao trabalho de inventar verdadeiras manobras acrobáticas para tornarem as aulas num verdadeiro tormento.

Especialmente quando se trabalha com crianças, as aulas têm que ser dadas de uma forma o mais lúdica possível, porque não podemos carregá-las com o peso da responsabilidade, senão elas não aguentam a pressão e o stress e acabam por desanimar.

Corrigir os erros de forma castradora e autoritária, destrói a auto-estima e, um aluno sem auto-estima, é meio caminho andado para que não seja bem sucedido.
Não me parece que o objectivo de um professor, que goste de ser professor, seja ver os alunos falhar, mas infelizmente vejo alguns a retirarem algum prazer nisso, coisa que me aflige particularmente. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Alimentar o Monstro

Estou chocada! 
Acreditam que ontem ouvi a história de um miúdo de 8 anos (leram bem, 8 anos) que ainda usa chucha para dormir e que deixou de dormir na cama dos pais há 6 meses?
Pois eu nem queria acreditar! 
Ainda perguntei à mãe, a medo, se não havia maneira da chucha desaparecer. Ao que ela me respondeu " Ah, nem fazes ideia como ele fica, não dorme a noite toda, nem nos deixa a nós dormir, e ainda por cima, tem duas chuchas!".
"Oh!", saiu-me. 
Ainda tentei dar o exemplo do meu filho que nunca dormiu na nossa cama, deixou de dormir no nosso quarto com 6 meses e largou a chucha de um dia para o outro, tudo isto pacificamente, mas ela estava tão decidida que aquele era um problema completamente insolúvel que nem me ouviu.
"Mas... e se lhe explicassem?", tentei eu mais uma vez.
"Não dá, é impossível, ele não consegue dormir sem a chucha!"

Desisti! Aquele era o grande problema dela e ela não abriria mão dele de jeito nenhum. Qualquer solução que lhe apresentasse seria imediatamente rejeitada em prol do seu drama. Deixei-a dramatizar, largando uns "sim...", "pois...", "realmente é terrível!".

Que há a fazer quando as pessoas gostam de alimentar os seus problemas para que eles se tornem, cada vez mais gordinhos, anafadinhos, e de preferência, insolúveis?
Ajudá-las a alimentar o monstro!
E eu lá fui dando umas bolachinhas ao seu monstro com todo o carinho e dedicação possíveis, assentindo com a cabeça às queixas sobre as suas dificuldades e atirando uns "hum, hum", "claro", "certamente" para que se sentisse apoiada.

Mas depois fiquei a pensar ("lá está ela a pensar outra vez, mas que raio de mania!") que o que me parece mais dramático nisto tudo, é que o problema dela, não é só dela, é principalmente do filho, que aos 8 anos, não consegue dormir sem chucha; que aos 8 anos, tem uma dependência da chucha e dos pais, que já não devia ter; que aos 8 anos, não o ajudam a crescer, porque não lhe sabem dizer "não" ou porque querem fazer parecer que lhe consentem tudo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Adolescente Rebelde Que Ainda Há em Mim

Não sou de desrespeitar gratuitamente as pessoas. Considero-me uma pessoa educada o suficiente para não cair em parvoíces de ofender os outros por "dá cá aquela palha".
No entanto, em adolescente, era frequentemente alvo de piropos nojentos e ofensivos, especialmente vindos das bocas dos trabalhadores das obras. Talvez, por sempre ter sido alta, talvez por ser loira, talvez pelas duas razões ou talvez por nenhuma delas... 
Não sei, mas lá que gostavam de me chatear, gostavam!

Eu tinha a mania que era rebelde e, como eles me ofendiam, eu ofendia-os a eles (ou tentava). Respondia-lhes "vai p'ró caral...!", "Vou ali vomitar-te num instantinho, seu monte de mer...!" e coisas do género, cheias de palavrões...

Hoje, os homens das obras são, maioritariamente, ucranianos (muito mais educados do que os portugueses e fartos de ver gajas altas e loiras). 
Hoje, os homens das obras de antigamente estão vestidos de fato e gravata, à porta de um qualquer escritório; sentados num café, a ver um jogo de futebol e em amena cavaqueira "à macho"; dentro de um carro desportivo, cheio de luzinhas azuis ou noutro sítio qualquer do seu agrado, mas já não estão nas obras.
Hoje, eu sou mais velha e imponho mais respeito (digo eu!) ou então tenho menos atributos que lhes agradem (felizmente!).

Mas hoje, a adolescente rebelde adormecida que ainda há em mim, despertou. E quando eu estava dentro do carro, com uma bolacha na boca, a fazer manobras, um rapaz, que me fez lembrar os homens das obras de antigamente, olhou para mim insistentemente, com aquele olharzinho nojento que eu tão bem conheço, e saiu-me instantaneamente um "O que é que foi, ó palhaço?".

Confesso que já tinha saudades de despejar a minha fúria num cretino qualquer! 
Obrigada, soube-me tão bem, ó palhaço!

Hoje, Dia da Mulher, Vou Falar de Mulheres... e de Homens!

Ok, sou do contra! Devia vir para aqui dizer o quão maravilhosas as mulheres são, fortes, lutadoras, autodidactas, boas mães, boas pessoas, etc., etc... É verdade, são... ALGUMAS! Outras não são! Outras são umas boas filhas da mãe, sacanas por natureza, mesquinhas, invejosas, etc., etc...

E, já que também vou falar de homens, e os homens como são?
Os homens são maravilhosos, fortes, lutadores, autodidactas, bons pais, boas pessoas, etc., etc... ALGUNS! Outros não são! Outros são uns bons filhos da mãe, sacanas por natureza, mesquinhos, invejosos, etc., etc...
Resumindo: Ambos, homens e mulheres, são pessoas, uns são assim e outros são assado! Mas todos são pessoas, com tudo o que isso tem de bom e de mau!
Ser mulher (ou homem) não é uma dádiva nem um sacrilégio, ser mulher (ou homem) é um acto aleatório da Natureza! Temos duas hipóteses, ou somos homens ou somos mulheres. Das duas, uma pode calhar-nos na sorte... 
Mas o que nos está, antecipadamente, garantido é sermos pessoas e é com esta garantia que temos que jogar, fazendo com que sejamos cada vez melhores pessoas...

Ou não...

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Meu Bebé


Adoro ver o meu filho dormir! Não é que não o adore ver, também, acordado, mas quando ele está a dormir inspira-me uma calma e harmonia maravilhosas.
Ele dorme muitas vezes, na posição fetal e, quando o vejo assim, quase o sinto na minha barriga. Imagino os pontapés que me daria e lembro-me que, quando estava grávida, ele tinha horas certas para entrar em rebuliço, a que chamávamos "a hora da caça". 
Quem tem gatos sabe que, quando anoitece, eles são atacados pelos instintos de caça e começam a correr de um lado para o outro, de tal forma que parecem uns loucos. Pois os bebés, na barriga das mães também têm horas de grande agitação (pelo menos o meu tinha), por isso lhe chamávamos "a hora da caça".

Tenho saudades dele em bebé, do cheiro a bebé, das mãozinhas pequeninas, de o ouvir palrar, de o ver sorrir com aquele ar de tontinho de quem ainda não sabe nada da vida. 
Às vezes, consigo ver, na cara dele, o bebé que ele foi... 

Ele pede-me para lhe contar como era, as gracinhas que fazia e, adora que lhe relate o dia em que nasceu: o que o pai me disse durante o parto; a sensação que tive quando o levaram e me deixaram sozinha, sem ele, pela primeira vez em nove meses; as minhas nabices de mãe inexperiente; o facto de ele ter passado as primeiras 24 horas a dormir e as maldades que as enfermeiras lhe fizeram para o acordar... Ri-se com aquele riso "dobrado" dos bebés, e enternece-me, e faz-me senti-lo tão próximo como se o tivesse, outra vez, dentro mim...

Imagem retirada da Internet

terça-feira, 6 de março de 2012

Gatices #2


O Gatossoa, além de estar convicto de que é uma pessoa em vez de um gato, também colecciona uma boa quantidade daquelas características que não apreciamos muito nas pessoas.
E elas são:
- Teimosia
- Ciumeira
- Espírito vingativo
- Asneiradas compulsivas para chamar a atenção
- Inveja.

Quando lhe digo "não" a alguma traquinice, volta a tentar fazê-la, até levar a sua avante ou me fazer perder completamente a paciência;

Mal me deito na cama do J. para lhe contar a história da noite, salta, imediatamente, para cima da secretária e desata a deitar tudo o que lá estiver para o chão;

Se me zango com ele, quando me apanha distraída, arranha-me as pernas;

Entorna o recipiente da água, nos dias em que não lhe damos comida de lata e o coitadinho só tem granulado para comer;

Está sempre a cobiçar a nossa comida e quando não temos restos para lhe dar, salta para o lava-loiças, aproveitando os momentos em que não estamos a olhar, e comporta-se como um gato de rua esfomeado, à procura de qualquer coisinha que se coma.

Se já era difícil ter um gato que pensa que é pessoa, ainda é pior quando a pessoa que está dentro dele é cheia de personalidade e carregada de mau feitio!
Haja paciência!

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Ida

Sei que vou ser a primeira a partir, não estou preocupada, porque sei que eles se vão aguentar bem sem mim e porque prefiro ser eu a ir do que eles. Sem falsas modéstias ou falso altruísmo, prefiro ser eu a ir primeiro, sou a mais velha e a que já estou preparada. Já fiz o meu estágio com a morte, já a vi de perto... 
Sei que vão sentir falta, que vão sofrer, mas sei que vão acabar por conseguirem ser felizes. Eles têm uma grande capacidade para serem felizes... os meus amores...

A doença foi-se por uns tempos, mas vai voltar, volta sempre. Já voltou para tanta gente, porque não irá voltar para mim? Talvez não apareça no mesmo sítio, talvez apanhe os médicos desprevenidos, mas a mim não me apanha desprevenida, porque sei que ela vai voltar...
Já levou tanta gente, esta maldita doença... Gente jovem e aparentemente saudável, gente de valor, gente grande de alma e coração. Porque me deixaria a mim aqui?
Tenho medo, claro que tenho medo, tenho medo de não ver o meu filho adolescente, de não o ver adulto, de não conhecer os meus netos... Mas não estou desprevenida, apenas finjo que não estou atenta, apenas finjo que não sei que ela anda por aí a espreitar-me. Por eles, por mim, pelos objectivos que tenho que arranjar para continuar a viver feliz.
Sim, sou feliz, apesar da espada que balança sobre a minha cabeça, sou feliz. 
Bem feito para ela que não me consegue fazer infeliz, que não consegue que eu deixe de gostar de viver e me entregue a uma qualquer depressão. 
Vivo e continuarei a viver cada dia com a mesma intensidade, mesmo no dia em que ela voltar e me levar partes do corpo ou me tirar todos os cabelos e me queimar os órgãos.

Podes tirar-me a saúde... Mas nunca... estás a ouvir, sua filha da mãe? Nunca me vais tirar a felicidade de viver! Só mesmo quando me conseguires matar... 
Até lá, vais ter que levar com a minha felicidade, sua parvalhona!

domingo, 4 de março de 2012

Pavilhão do Conhecimento

Ontem, fomos ao nosso adorado Pavilhão do Conhecimento, participar nas Tardes Oceânicas que estão relacionadas com a exposição O Mar é Fixe.


Não vimos a exposição, mas iremos visitá-la noutro dia.
Pavilhão do Conhecimento é um museu com exposições interactivas muito interessantes e o J. adora sempre que lá vai, pois pode experimentar e mexer em tudo, coisa que noutros museus é impossível.
Se nunca o visitaram, aconselho a levarem lá os vossos filhos, pelo menos uma vez na vida. Eles vão adorar!



sábado, 3 de março de 2012

Chegaram os Crachás!

O simpático e talentoso Paulo Galindro do blogue O Voo do Pintarriscos ofereceu-me estes bonitos crachás, porque o meu nome foi AQUI sorteado. Obrigada, Paulo!


O J. adorou e mal abrimos o envelope, encheu a roupa com eles.


Ficou ou não ficou giraço?

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do "Post" Polícias (aquele que está ali em baixo!)

Para os mais curiosos, o texto que li no Facebook é o seguinte:

"EU SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
... No passado dia 11 de Fevereiro, decorreu um pouco por todo o país, uma marcha/concentração de cidadãos devidamente enquadrados por uma frente sindical, que em plenos pulmões gritavam contra o fantasma do endividamento, a famosa crise e suas maleitas.
A mim, foi-me confiada a missão de zelar por estas mesmas pessoas e ao mesmo tempo fazer por que tudo corresse dentro daquilo que tantas vezes se ouve falar, a liberdade democrática.
E assim foi, como sempre, mas não para sempre, dentro do espírito sereno da malta Tuga, lá fomos indo desaguar na Praça do Povo, outrora conhecida por Praça do Comércio, cantando, berrando e mandando umas asneiradas, enquanto pelo canto do olho, alguns davam uma mirada Tuga a uma ou outra menina, enquanto emborcavam uma imperial à pressa porque não podiam largar o cartaz muito tempo.
Dentro daquilo considerado normal.
Discursos, apupos, vaias e aplausos, termina a parte oficial.
Eis senão quando, foi-me dada a ordem de recolher o pessoal, visto que o evento estaria na sua fase de rescaldo. Assim, juntei a malta e devidamente enquadrados, deslocamo-nos para a nossa viatura para que pudéssemos trincar uma bucha.
Nesse mesmo deslocamento, há um garoto, que encoberto pela multidão, grita “…vão trabalhar seus chulos… parasitas… filhos da puta…fascistas…” .
–Cabrão! Pensei eu; -Devias-me dizer isso lá no café, na folga, ou no tempo dos cowboys lá no faroeste, paneleiro, covarde!
Ignorei e dei ordem para ignorar, fomos à bucha. A minha sandes devia estar estragada, caiu-me mal…
Eu sei que agora é tarde, mas mesmo assim a esse covarde e outros que para aí andam, tenho duas ou três coisas para vos dizer, cá vai;
“..Vão trabalhar…”???
Os chulos, ganham 780€ por mês, trabalham 45 horas por semana que se às quais somarmos os gratificados passam para 60, isso, 60 horas semanais.
Os parasitas, trabalham os feriados todos, sim, todos sem direito a compensação, as noite e os fins de semana sem direito a qualquer pagamento de hora nocturna, na chuva no sol, no frio no calor e por aí fora.
Os Filhos da Puta, depois de saírem de serviço, vão para tribunal com o bêbado que podia muito bem atropelar a tua família toda quando saíste para ir jantar e celebrar uma merda qualquer que te tenha acontecido. Ficam no trabalho a acabar o expediente que vai de manhã para tribunal, com o bando que assaltou à mão armada, ou com o que roubou, matou, assaltou a farmácia, a ourivesaria, o carro, o puto que vinha da escola, a velha no autocarro, o camone no eléctrico e por aí fora, que por mim, podias ser tu, a tua mãe, o teu filho o teu irmão, que o trabalho seria feito de igual forma.
Os fascistas, chamam o reboque quando não consegues sair com o carro, quando um como tu, abusa da sua liberdade e deixa o carro mesmo na saída da garagem. Entendes este conceito de liberdade? Penso que sim.
Os chulos abrigam e protegem a mulher, as crianças que levam porrada de um esterco qualquer, só porque lhe apetece e leva-o a tribunal, na hora de folga.
Os parasitas, entram em casas em chamas, enfrentam armas de fogo, embrulham-se á facada, perseguem a grandes velocidades, lidam com todo o tipo de doenças, correm na direcção oposta quando todos os outros fogem dali para fora.
Os chulos saíram do seu seio familiar e social e deslocaram-se, alguns para mais de 400km de casa, deixando tudo para trás, para fazer vida de forma honrada sem pedir nada a ninguém. Sem pedir nada a ninguém, sabes o que isso é?
Os parasitas, vivem num estatuto aprovado há mais de dois anos e regem-se pelo estatuto antigo, não conseguem passar um fim de semana inteiro com a família esperam 12 anos por uma promoção (única na carreira de 36 anos) e se quiserem algo mais, concorrem 1300 para 50 vagas.
Aqueles que insultaste, têm família, trabalham duro, são esforçados e honrados e são montes de merda como tu que colocam isso em causa? Não! Definitivamente não! Estes mesmos Homens e Mulheres apoiam os idosos que alguém como tu abandonou ao consumo do esquecimento, levam-lhe as compras, mudam-lhe a garrafa do gás e dão-lhe a medicação apenas em troca de um olhar grato, e isso sim, justifica tudo. Tu apareces quando tudo acaba, para vir buscar o ouro e ficar com as chaves de casa. E nós é que somos os chulos!
Aqueles que olhas com desprezo sabem um pouco de tudo, são Padres, Juízes, Médicos, Socorristas, Bombeiros, Rambos, Psicólogos, Professores, Mecânicos, e se somares isto tudo e mais qualquer coisa tens um Polícia.
Quando é que vais perceber que só falas em liberdade porque nós existimos?
Quando é que vais entender que tipos como tu são a razão da minha existência enquanto profissional.
Se nós não existíssemos, ias à praia? Ao futebol? Jantar fora? Deixavas o teu filho ir à escola? Quer-me parecer que não.
Será que não entendes que ao insultares-me, estás a insultar aquilo que és, um homem livre?
Tudo isto funciona com combustível que concerteza encontrarás em abundância num qualquer Homem ou Mulher de farda; Abnegação, Generosidade, Espírito de Sacrifício e Altruísmo. Googla estas palavras e saberás a definição, bom era que aprendesses o conceito.
Já hasteei a minha Bandeira à chuva, já a arreei ao som do clarim, já representei a minha Mui Nobre Nação, já chorei a cantar “A Portuguesa” caso não saibas, é o título do nosso hino, conheço muitos Homens e Mulheres que cozeram a nossa Bandeira no braço que fazem de ti uma cabeça de alfinete num mundo de cabeçudos. A minha farda é rica em sangue suor e lágrimas, minhas e de tipos como tu, que quando precisam, ao ver-me encontram refugio e protecção.
Olha, o meu Pai nunca me deu um carro, nem me pagou a universidade, mas deu-me coisas sem preço, entre elas o valor de um Não, Educação, Humildade e Espírito de Luta.
EU SOU POLÍCIA, ORGULHOSAMENTE!
E TU, O QUE É QUE TU JÁ FIZESTE PELO TEU PAÍS?"
Autor anónimo

Polícias

Ontem, li um texto no Facebook, supostamente (por não estar devidamente identificado) escrito por um polícia. Esse texto fez-me pensar na maneira como as pessoas olham para as nossas forças policiais...

Conheço polícias de várias espécies. Tal como em todas as profissões, existem polícias bons e polícias maus, pois existem pessoas boas e pessoas más.
Os polícias são, antes de serem polícias, pessoas e, como tal, não formam uma classe homogénea. 
Estas pessoas têm como principal função proteger-nos e penso que devem ser, especialmente, respeitadas por isso.

Vejo, e oiço, muita gente dizer "esses brutos", "são umas bestas", "pensam que mandam em nós", "estão sempre a ver se apanham uma pessoa em falta", "são uns corruptos", "armam-se em cowboys", "não fazem nada e depois só apanham os criminosos pequenos", "estão sempre à espera de uma desculpa para exercerem a força e mostrarem que são homens " e mais uma quantidade imensa de ofensas gratuitas...

Se, em certos casos, isto é verdade, na maioria dos casos, isto é uma tremenda injustiça!

Os polícias arriscam a vida para nos defenderem, para fazerem cumprir a lei que o Estado (todos nós), através dos sucessivos governos que elegemos, instituiu; prendem criminosos que são postos logo em liberdade, devido a um qualquer vazio legal; trabalham horas a fio em horários malucos; recebem mal; não têm condições de trabalho para o risco que correm; não têm material que funcione em condições; pagam as fardas e as amolgadelas que as viaturas policiais possam sofrer durante o exercício das suas funções; muitos, só dispararam uma arma no curso, pois não têm possibilidades de voltar a treinar o tiro e não conhecem as armas que possuem, pois nunca dispararam com elas; se falham ou cometem um erro estão automaticamente metidos em graves sarilhos...

Penso que há quem ainda olhe para os polícias como se fossem agentes da PIDE e tenha tendência a opor-se-lhes, logo à partida e, também penso que há quem ache que, por já não existirem agentes da PIDE, pode desrespeitar, enxovalhar, ofender e desafiar a polícia.

Os polícias são agentes da autoridade, por isso têm que ter autoridade, certo? Ou preferiam que eles não tivessem armas e que não fizessem nada quando nos vissem a sermos assaltados, violados, ameaçados e em perigo?

Acho piada a alguns pseudo-intelectuais, da nossa praça, que dizem mal dos policias "à boca cheia", que usam, com perverso agrado, uma das frases que referi, ali em cima, para os caracterizar e que, ao lhes ser roubada a mais pequenina coisa, ligam logo à polícia a exigirem que apanhem a todo o custo e, de preferência, à força, o safado do pobre que lhes roubou 1€ para comprar comida. Acho piada à transmutação de convicções e ideais que sofrem repentinamente e, ainda acho mais piada, quando vejo que a sua orgulhosa pseudo-intelectualidade permite que sejam tão burros ao ponto de perderem a coerência!

E sim, às vezes, sou má e não tolero cretinices!