segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Importância do Não

Sei que sou uma chata, mas sou uma chata consciente da minha chatice. Não sei se é melhor ou pior, mas sou assim e vou continuar a ser até chegar à conclusão que devo mudar.

Digo "não" ao J. muitas vezes e digo-o à frente de todos sem o problema típico do que os outros vão pensar...

Podem achar-me uma chata ou demasiado rigorosa, mas eu estou convicta que sei quando dizer não ou sim, porque sei que ele tem plena consciência das regras e que sabe que todas elas têm excepções e que quem tem autoridade para as ditar sou eu ou pai e mais ninguém.

Por vezes, em casa de familiares, tentam tomar as rédeas da autoridade sobre ele e aí, eu dou largas à minha chatice e não deixo... Na minha presença ou na do pai, a autoridade máxima é nossa e penso que é assim que deve ser sempre. 
Na nossa ausência, quando ele fica com os avós, os bisavós ou com outras pessoas, podem (e devem) mimá-lo à vontade e mimá-lo onde nós não podemos, porque termos que educar, que lhe dar limites e regras para que se sinta seguro e orientado. E ele sabe, como todas as crianças sabem, que tem limites diferentes com cada pessoa, que com umas pessoas a "red line" é aqui e com outras é mais além. E fico irritada quando tentam manipular ou usurpar a nossa autoridade de pais (que é máxima e não pode respeitar qualquer espécie de hierarquia familiar, que não a nossa).
Não contesto nem critico que mimem muito o J., até gosto, "quem meu filho beija minha boca adoça", mas não tolero que ponham em causa o meu NÃO. (Ele, já por si só, é tão difícil de dizer, quanto mais quando mo criticam). Quando, por exemplo, ele quer comer mais um chocolate, e já comeu imensos, e eu ou o pai dizemos não, este não tem que ser respeitado, porque só nós sabemos porque o dizemos e porque nós somos os maiores defensores do que é melhor para ele... Dizerem-nos "coitadinho, dá-lhe lá o chocolate" ou outra frase do género, só me enfurece e de nada adianta!
Nós, os pais, podemos errar (e erramos muitas vezes), mas tentamos sempre fazer o que achamos melhor para ele. Agradeço, do fundo do coração, que nos chamem a atenção quando erramos, que nos dêem conselhos, que nos orientem sob toda a experiência que os anos consagram, mas não posso permitir que nos desautorizem! 
Aceito todas as opiniões que, devidamente fundamentadas, vão contra as regras que estipulei. Mudo de opinião, mudo as regras e a minha maneira de agir, se me provarem que estou errada. Não sou uma cabeça dura, nem uma teimosa inconsequente, mas têm que me chamar à razão à parte, sem me desautorizarem perante o meu filho, porque aos olhos dele, sou eu (e o pai) que tenho que o orientar e dar segurança. Essa função é minha e do pai e a última palavra tem que ser a nossa. E claro que tenho dúvidas, e claro que peço a opinião dos mais experientes e orientações para este meu papel tão difícil que é o de ser mãe, mas não posso, não quero e não vou deixar que me substituam enquanto eu cá estiver!

Não gosto de ver pais a agirem como avós, nem avós a agirem como pais. Na existência de ambos, cada categoria parental tem as suas regras, os seus mimos, a sua função e nenhuma pode ser desprestigiada perante a outra, e nenhuma é menos importante do que a outra. São diferentes e é essa diferença que contribui para os nossos filhos serem mais ricos nas relações interpessoais que mantiverem e serem pessoas mais completas.

Aos avós compete, essencialmente, o mimo bom, as brincadeiras repletas de fantasia e de histórias que vão preencher as recordações de uma infância feliz; à escola a instrução e a preparação para se viver em meio social, mas a função de educar, de transmitir valores, de contribuir para a formação daquela pessoa enquanto ser uno, é sobretudo dos pais, não é dos avós, da escola ou de outra entidade qualquer, mas sim dos pais...
É óbvio que este não é um padrão rígido, mas gosto de o ver como uma espécie de linha orientadora...

E é por isso que o NÃO é mais dos pais, do que de qualquer outra pessoa, e é por isso que nos calha a nós, pais, sermos os desmancha-prazeres, os castradores e os chatos, e é por isso que não nos podem tentar tirar o direito de dizer NÃO, nem nós nos podemos, nunca, demitir dessa tarefa!

8 comentários:

  1. Eu também sou mãe chata e também detesto que se imiscuam nos meus "Não!".

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  2. Concordo com o que dizes, primeiro sempre a palavra dos pais. Se algum dia alguém me contestar um Não fico passada. Aliás nem eu contesto o Não do meu marido nem ele o meu.
    Bj**

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  3. Concordo plenamente contigo! Um dia que tenha filhos, a minha palavra vai ser a ultima e ai de quem ache que deve ser de outra maneira...É a unica maneira de impor limites para que as crianças saibam o seu lugar....

    Beijinho*

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  4. Concordo plenamente e tento nunca desautorizar os pais ou quem usa a palavra "NÃO". Mas como avô, só tenho de mimar, mas com limites, senão vão nascer vários "NÃO" pelos pais..

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  5. Pretty in Pink,
    No meu caso, o NÃO não é tanto para que as crianças saberem o seu lugar, mas para lhes proporcionar segurança fazendo-as saber com que o que podem contar da nossa parte. Os limites dão-lhes a percepção de até onde podem ir.
    Beijinhos

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  6. Luis,
    Para mim, ser avô é isso mesmo!
    Só espero, que quando chegar a minha vez, conseguir agir em consonância com o que acho correcto, pois penso que se ser mãe/pai é tramado, ser avó/avô não será muito mais fácil!
    ;)))
    Beijinhos

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  7. Em plena sintonia, Sofia! Considero que o quadro que partilhas, é muito, mas mesmo muito pertinente,ontem, hoje e amanhã. Acredito que esta linha orientadora é muito saudável, trazendo benefícios para todos: primeiro para a criança, depois para a família e por fim para a sociedade.

    beijinhos

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  8. 100% de acordo...tenho dois filhos, um de 8 anos e uma bebé de 3 meses...Detesto mesmo qd alguém contesta o meu Não...
    bjs**

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...