quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Juro Que Não Queria, Mas Teve Mesmo Que Ser...

É verdade, eu estava um bocadinho renitente em vir aqui falar da greve, mas este assunto está a começar a fazer-me aquela comichãozita no céu-da-boca, por isso vou ter mesmo que dizer umas coisitas!

Perdoem-me os grevistas e os antigrevistas, mas acho, sinceramente, que esta greve é inútil! Fizeram-se tantas greves ultimamente e qual foi o resultado? Nenhum! Está tudo igual ou pior!

Grevistas amigos, acham mesmo que o governo se ressentiu, um bocadinho que seja, com as últimas greves da função pública, dos transportes ou mesmo com as gerais?
Eu, na minha profunda ignorância, penso que não!
(Atenção: sou a favor do direito à greve, sempre!)

Queridos antigrevistas, acham mesmo que o facto de não terem feito greve os protegeu de alguma coisa? Que lhes assegurou o emprego, que produziram alguma coisa de extraordinário nos departamentos quase vazios?
Mais uma vez, na minha profunda ignorância, acho que não!

Será que não percebem que hoje em dia e nas condições em que estamos, a greve não serve de grande coisa? E que a não-greve também não...

E agora, de certeza, que me querem perguntar se eu fiz greve, já que estou para aqui a criticar quem a fez e quem não a fez...

Não fiz greve, porque não posso, estou desempregada, mas se pudesse, talvez não a fizesse, porque acho que não iria servir para nada! Acho que, nos dias de hoje (e com muita pena minha) é uma forma de luta inútil! E ainda digo mais, se eu acreditasse que mudaria alguma coisa, por mais pequena que fosse, era bem capaz de ir ao Centro de Emprego dizer para não me pagarem o dia de hoje por eu estar em greve (acreditem que sou suficientemente parva para isso e muito mais, quando acredito numa causa!).

Se, em vez de greves, umas atrás das outras, de manifestações empestadas de gente que quer é fazer porcaria (claro que com as devidas excepções) e ter desculpa para beber uns copos, saíssemos todos da praia ou do conforto do lar e fôssemos às urnas votar (nem que votássemos em branco), não seria mais interventivo? Não seria a melhor maneira de mostrarmos o nosso verdadeiro descontentamento com os sucessivos governos que temos tido?

E porque será que, em Portugal, são sempre os mesmos partidos a ganhar as eleições e esses partidos são os que têm mais dinheiro, que dão mais jantaradas, que oferecem as bandeirolas mais coloridas, que têm os candidatos que dão mais beijinhos e aparecem mais vezes na televisão?

Não será, porque quando há a ideia do luxo, do contacto com gente famosa, do mediatismo, da farra, o povo português fica deslumbrado? Dêem-lhe festarolas, copos, boa comida em grandes quantidades, futebol e um brindezinho da treta, que o povo vota todo contente e acredita que estes gajos é que são fixes, estes gajos é que vão fazer de nós um povo à maneira, cheio de LCDs, de telemóveis, de carros caros, de jóias pirosas e roupa de marca estrangeira (porque o estrangeiro é que é bom!).

(Pois é, a minha triste ignorância, leva-me a pensar todas estas coisas horríveis!)

E agora, pensem comigo, por favor, pois a minha loirice, às vezes, impede-me de raciocinar com clareza:
Se as roupas, os carros, as televisões, as jóias e até a comida que consumimos são estrangeiras, porque raio querem que produzamos mais, porque raio querem que trabalhemos mais meia hora por dia? Vamos produzir coisas para quem comprar? Se até nós rejeitamos o que é nosso, se até nós achamos que o produto estrangeiro é melhor do que o nosso... Quem acham que vai acreditar que temos coisas boas se nem nós próprios acreditamos?

Não pensem que, com isto, estou a chamar o povo português de estúpido, pois não estou! O povo português não é nada estúpido, antes pelo contrário... Especialmente, quando acha que vai tirar algum proveito das situações, especialmente quando pensa que pode ficar em vantagem sobre os restantes, que vai ficar mais rico e ser mais admirado!

Mas o povo português também é um dos melhores a trabalhar quando emigrado... Pois é, quando emigrado!
Quando tem chefias que dão o exemplo, quando tem chefias que organizam o trabalho de maneira a tornar cada um dos trabalhadores mais produtivo, quando a própria chefia é mais produtiva... Porque o problema aqui não é da classe trabalhadora, do povo, mas é das chefias, dos governantes, dos exemplos que vêm de cima...
E quem coloca os governantes no poder? Nós, o povo!
E porque não elegemos governantes de jeito? Porque, simplesmente, não vamos votar...
Temos uma percentagem de abstenção assustadora, porque é mais fixe ir curtir uma prainha do que ir para as bichas nas mesas de voto... Se, pelo menos, oferecessem umas "bejecas" ou umas "sandochas de coiratos" ainda valia a pena levantar o rabo da toalha de praia ou do sofá, mas assim...

E salvo SEMPRE as devidas excepções, que se não fossem elas, estaríamos muito, mas muito pior...

12 comentários:

  1. Olá! Não tem nada a ver com o post, porque ainda não tive tempo de ler, mas queria o teu e-mail, pode ser?
    Beijinhos

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  2. Eu poderia ter escrito tudo isto, com o qual concordo em absoluto. Assim, apenas assino por baixo.

    (Obrigado pela visita a outra mãe que também só quer que o seu filho seja feliz. :)

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  3. Dorushka,
    Já enviei um e-mail para ti!
    Beijinhos

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  4. Pseudo,

    Fico contente por ir encontrando pessoas que, como tu, partilham da minha opinião.
    Por vezes, sentimos-nos um pouco sós e parece que ninguém compreende o que dizemos ou porque nos explicamos mal ou porque simplesmente não nos entendem...

    Obrigada pela tua visita e volta sempre!

    Beijinhos

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  5. Mammy concordo com a quase totalidade do que escreveste, com uma pequena excepção talvez...
    Tenho na ideia de que os portugueses já não acham tanto que o produto estrangeiro é melhor. No meu caso, tenho exactamente a opinião oposta: gosto muito mais do que é nacional, e até arrisco dizer que é de boa qualidade, comparativamente com outros produtos similares de marca estrangeira. No entanto, e nos dias que correm, infelizmente o produto nacional paga-se bem mais caro e lamentavelmente temos que fazer contas à vida e por mais que queiramos comprar nacional, o nosso orçamento nem sempre o permite...

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  6. Naná,
    Eu também prefiro os produtos portugueses, especialmente os alimentares.
    O que dizes não deixa de ser verdade, no entanto, não me parece que esse seja o caso da grande maioria...
    Bjs

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  7. Mammy, tento sempre comprar o que é português mas às vezes simplesmente não há, porque os hipermercados não têm, ou não querem comprar. Devia começar por eles.
    Quanto à greve? é como escrevi no meu post: concordo com quem faz e com quem decide em não fazer.
    Bom fim-de-semana. Bj**

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  8. E quem fala assim não é gago! Bjs

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  9. Eu acho que a greve nao devia ser faltar ao trabalho. Devia ser trabalhar e nao cobrar nada aos passageiros (no caso dos transportes). Ser um dia gratuito. Porque se querem chamar as empresas onde trabalham a atenção so assim conseguiam.

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  10. Honestamente, também acho que não valeu de grande coisa... mas temos direito ao protesto, à indignação, à greve... e acho que fizeram bem em usar esse direito.

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  11. Nutella,
    Talvez fosse mais eficaz, sim...

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  12. S*
    Direito à indignação, ao protesto, à greve, SEMPRE! Sou totalmente a favor do direito de expressão e da reivindicação!
    Apenas acho, que hoje em dia, já não produz o efeito desejado, infelizmente...

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...