segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MUDE

Como apreciadora que sou da Pop Art em geral e de Andy Warhol, Keith Haring e Roy Lichtenstein em particular, tudo o que são peças de arte ou de design coloridas, vanguardistas e a cair para o pós-moderno seduzem-me o suficiente para me fazerem sair de casa apenas para as ir contemplar.

Deste modo, e como as oportunidades não se devem desperdiçar, na hora que durou entre ir buscar os bilhetes reservados ao teatro e o início da peça, eu e este homem que me atura há uns aninhos, demos um saltinho ao Mude - Museu do Design e da Moda, na Rua Augusta, que já conhecíamos e que gostamos de revisitar sempre que possível, pois além de ser um dos pontos em que estamos em consonância, aproveitamos para nos actualizarmos do que de novo se faz em design.

Uma das peças que nos deixa sempre a salivar é este sofá, que ficaria perfeito na nossa sala, entre muitas outras coisas, que nunca poderíamos comprar, mas que ali podemos apreciar de graça!

Imagem roubada, a título de empréstimo, ao site do MUDE
Pois é, a entrada no MUDE é gratuita (ainda). Se partilham do meu gosto por design ou se são apreciadores de peças de vestuário inovadoras, criadas por designers de moda famosos, talvez fosse bom aproveitarem e fazerem-lhe uma visitinha, enquanto não se lembram de começar a cobrar bilhetes a peso de ouro!

Petra Von Kant

Folheto da peça

Finalmente, consegui ir ver As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia!!!!

Posso dizer-vos que satisfez as minhas expectativas, que eram um tanto ou quanto elevadas. 
A peça apresenta-nos o amor (personificado e centrado num triângulo amoroso constituído por 3 mulheres, que podiam ser 3 homens ou uma mistura de pessoas dos dois sexos), as relações onde o sujeito que ama não é, simultaneamente, o objecto de amor do outro, o desejo, a rejeição e o desespero a ela associado. É uma peça forte que nos deixa a pensar na veracidade das relações, na sua intensidade, no seu poder e nas suas consequências...
As seis actrizes que dão corpo às personagens, também lhes dão alma e fazem-nos acreditar que aquelas pessoas existem à nossa volta, mais próximas e mais reais do que poderíamos imaginar...

Recomendo a quem gosta que o teatro o faça interrogar-se, mas não aconselho a quem pretender sair da sala com a mesma leveza com que entrou...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Céu

Adoro o céu! É aquela personagem que está sempre presente na minha história, para a qual olho e sinto qualquer coisa de muito forte. O céu persegue-me e eu a ele, sempre. Como pessoa temperamental que sou, deixo que seja ele a ditar o meu estado de espírito diariamente e tanto me dá conforto e segurança, como me dá uma irritação terrível.

Não pensem que isto tem alguma conotação religiosa, até porque eu não tenho religião, nem sequer acredito em Deus ou Deuses. Respeito as crenças dos outros, porque acredito que elas lhes dão força para enfrentarem as coisas da vida e porque é um direito de cada um ir buscar forças onde bem entender. Porém, eu não acredito, que se houvesse um Deus ou Deuses, ele(s) permitiria(m) tanta injustiça, como a que há neste mundo.
Desculpem-me os mais crentes, que dirão que a injustiça faz parte do ensinamento de Deus, mas isso é uma treta! Se existisse um Deus todo-poderoso, ele já teria percebido que a altura de mudar de estratégia já tinha chegado, há muito tempo, pois esta não tem dado grandes resultados. Continua a haver guerra, fome, miséria, doenças cruéis e uma data de sacanas impunes. Há gente boa a sofrer p'ra caraças e má com uma vidinha maravilhosa! O castigo está depois da morte? O quê, vão para o paraíso ou para inferno? Que interesse tem ir para o paraíso, depois de se viver o inferno aqui na terra, ou vice-versa? A única vida que sabemos real é esta e é esta que temos que viver o melhor possível, senão nem sequer vale a pena estarmos aqui...
Atenção, não estou, de maneira nenhuma, a enxovalhar as vossas ideias religiosas, como já disse, respeito-as profundamente, mas como as respeito, peço-vos que respeitem a minha descrença e o meu ateísmo!

Poderão dizer-me "quando estiveres em apuros, vais ver se não vais rezar!". Já estive em apuros várias vezes e rezei, fiz mesinhas e tudo o mais que se faz quando se está, realmente, em apuros! Mas continuo a não acreditar que quem me salvou foi Deus ou o Diabo! Acredito no acaso, tanto para as coisas más como para as boas e acredito que nós podemos ter alguma mão nele. Para mim, a vida é constituída por uma quantidade de acontecimentos aleatórios, cuja resolução está na capacidade que temos em lidar com eles. Se lidamos bem, somos felizes; se não lidamos bem, somos uns tristes que se arrastam perante as dificuldades, que se queixam por tudo e por nada e não vivem. E depois da morte? Depois da morte, tudo acabou! Se houver alguma coisa que se lhe segue, nessa altura, preocupamo-nos com isso, pois de nada vale, sofrer por antecipação...

Voltando ao meu céu adorado, que é por ele que hoje escrevo, se mo tirassem, tenho a certeza que morreria... O céu azul, cinzento, negro, com sol, com nuvens, chuva, neve ou estrelas, não pode estar nunca ausente, pois é ele que me tem acompanhado nestes caminhos sinuosos da vida e me tem abraçado com a sua imensidão, sempre que preciso. É a ele, que através de um breve olhar, vou buscar a minha disposição do dia e a forma com que lido com os acontecimentos que me esperam. Se ele não estivesse lá, eu não saberia como viver, não teria aquela disposição, naquele momento, nem agiria daquela maneira naquele instante. Não pretendo com isto dizer, que tenho sempre a atitude certa, mas independentemente de certa ou errada, é a minha maneira de agir e é essa forma de actuar que determina o que sou hoje e o que serei amanhã e, a pouco e pouco, me vai definindo enquanto pessoa.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Coisas De Que Não Me Posso Queixar

Se há coisas de que não me posso queixar (se me ouvirem nem que seja numas breves lamurias, batam-me, por favor!) são o meu filho não comer ou não dormir bem.

Desde sempre que o miúdo cá de casa é bom a comer e a dormir. Posso até dizer que se especializou na coisa...
Enquanto mamava, nunca chorou com fome, nem me fez chorar por não comer e com um mês de idade já dormia a noite toda, de tal maneira que eu tinha que ir lá acordá-lo para lhe dar de mamar (esta mãe é mesmo má!).
Agora, come praticamente tudo, acompanha-nos na comida indiana, na chinesa, na japonesa e até na portuguesa, vejam só! Não faz fitas à mesa e a sopa é o prato que come com mais satisfação!
(Já estão cheios de inveja, não é? Então esperem um pouco, que o melhor ainda está para vir...)
Com seis meses, a cama dele saiu do nosso quarto e foi para o dele, sem choros de arrancar os cabelos, assim pacificamente...
Nunca adormeceu na nossa cama, a não ser em raríssimas excepções: quando estava doente ou quando "estava a ser atacado pelos monstros do escuro".
(Eu sei, eu sei, já se estão a roer todos de tanta inveja...) 

É verdade, que nós usamos, todos os dias, a técnica da história antes de dormir, que dá belíssimos resultados, acreditem! É um momento de partilha, mimos e atenção exclusiva, que mal termina, o deixa pronto para dormir, que nem um anjinho, pela noite dentro. 
Claro que também tem os seus medos, pesadelos e, às vezes, dificuldades em adormecer (pronto, comecem lá a saltitar de alegria!), mas são raros e se lhe deixarmos uma luzinha acesa numa divisão próxima, o medo não lhe assiste com tanta frequência...

E com isto, relembro-vos que se me ouvirem, ou lerem, queixar de uma destas coisas, façam favor de fazer o gosto ao dedo, pois estão autorizados a espancarem-me violentamente...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A Máquina

A máquina trabalha incansavelmente sempre ao mesmo ritmo. Faz o mesmo trabalho diariamente sem saber que o faz, repete, e repete, e repete...
A máquina não aceita velocidades sem ritmo, cadências desgovernadas, não aceita desequilíbrios, formatos diferentes... Trabalha independentemente da sua vontade e para isso, basta que lhe carreguem no on... Se por algum motivo pára ou dá erro, alguém tem que o resolver e voltar a pô-la a trabalhar... Só faz aquilo para o qual está programada, tudo o que fuja aos parâmetros convencionais, não está habilitada e pára, apita, dá erro. Se há algumas que permitem ser reprogramadas ou actualizadas, outras não... E ficam no mesmo movimento até que, enfim, alguém, cansado do seu barulho, ou do seu movimento monótono, prima off.

Se, por exemplo, observarmos com atenção, a máquina que coloca tampas em garrafas, podemos perceber facilmente que se lá pusermos um copo, ela não o tapa, deixa cair a tampa no seu interior como se não se tratasse de um copo e continua a trabalhar na sua intensa monotonia cadenciada. Ela não vê o copo, ela nem sabe que é um copo, porque só está programada para a garrafa. E o copo não fica tapado...

Se há monotonia que incomoda é a do ser humano que, tal máquina, cego da repetição do seu movimento e alheio à competência do seu gesto, carrega sempre na mesma tecla e carrega, e carrega, e carrega...
Por mais trombadas que leve, não aprende e mal cesse a dor que elas lhe provocam, continua a carregar na tecla para a qual está programado, sem dar espaço a reprogramações ou actualizações... E o pior de tudo isto, é que este não tem botão de off...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ao Contrário


Enquanto procurava o tal livro que explica como se fazem os bebés, encontrei estes dois. São histórias contadas ao contrário, onde conhecemos uma princesa que salva o príncipe, um burro inteligente, uma bruxa boa, um fantasma assustado, um rei sem trono e uma variadíssima quantidade de outras personagens divertidas que nos são apresentadas através de histórias que são, também, cantadas.
Cada um deles traz um CD, com as músicas que podemos ouvir e dançar. São uns livros engraçados que tornam as personagens-tipo das histórias para crianças em atípicas e mostram às crianças que tudo tem um outro lado e que as pessoas não são estandardizadas. Os mais pequeninos vão gostar e os maiorezinhos não desgostarão, com certeza...


Criança Suicida-se

Este fim-de-semana, tivemos a notícia de mais uma criança que se suicidou. Os motivos apontados são ter sido vítima de bullying e tratar-se de uma criança hiperactiva.

Ouvi, no programa da Sic, Querida Júlia, o jornalista Hernâni Carvalho e o psicólogo forense Paulo Sargento exprimirem algumas dúvidas quanto à escolha do método de suicídio para um menino de 10 anos.
Pelo que me pareceu ainda não há a certeza que se tratou realmente de um suicídio. Se não foi um suicídio possivelmente terá sido um homicídio... Um acidente parece-me menos provável...

Tanto no caso de um suicídio, de um homicídio, ou de um acidente esta história encheu-me de medo, muito medo, porque me fez tomar consciência (mais uma vez) que eu não consigo proteger o meu filho, nem dele próprio, nem dos outros, nem do mundo... 

E reportou-me para quando ele esteve mais perto do outro lado do que deste e não pude fazer nada para o proteger... 

Não estava com ele quando teve o acidente, não o acalmei no momento de pânico, não fui com ele na ambulância, não o salvei. Todas estas coisas foram feitas por outras pessoas e não por mim, que sou a mãe... Era eu que devia tê-lo salvado e não os médicos, porque eu é que sou a mãe e as mães é que deviam ter esta capacidade de salvar os filhos, de os proteger dentro de uma redoma de amor implacável!

A consciência desta incapacidade atormenta-me, porque antes do J. ter sofrido o que sofreu, eu achava que era capaz de o proteger contra tudo e todos (eu até me tornava numa fera quando sentia algum perigo em volta dele), mas não sou e nenhuma mãe o é... Infelizmente...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Desafio da Tanita

Vou, agora, responder ao desafio da Tanita:

5 Coisas a fazer antes de morrer:
-Levar o meu filho a ver um jogo de basquetebol da NBA;
-Dar a volta ao mundo de autocaravana;
-Conhecer o meu J. em adulto;
-Desenvolver um projecto inovador;
-Viver numa casinha à beira-mar.

5 Coisas que faço bem:
-Caril de camarão;
-Dar aulas de equitação;
-Tratar de animais (desde que não sejam peixes);
-Ouvir os outros;
-Pensar (pelo menos penso muito, não sei se bem...)

5 Defeitos:
-Pensar demais;
-Não suportar mal-entendidos;
-Ser preguiçosa;
-Não me calar perante as injustiças;
-Ser demasiado honesta (lixo-me sempre com esta!).

5 Coisas que adoro:
-O meu filho (claro!)
-O homem que divide a cama comigo;
-Melancia;
-Cavalos (claro!);
-Arte.

5 Coisas que detesto:
-Que me tentem enganar;
-Ver o meu filho triste ou doente;
-Arrumar coisas pequeninas;
-Coisas típicas de gaja (por cremes, ir às compras, fazer depilação, etc.);
- Açorda.

5 Pessoas a passar o desafio:
(Esta é mais difícil, como sabem tenho poucos seguidores que sejam também bloggers)
E não me ocorre mais ninguém que não tenha sido já desafiado pela Tanita!

Tipo de Letra II

A pedido da minha mãe (e como um pedido de uma mãe não se deve recusar) lá tive que mudar o tipo de letra outra vez.
Ela dizia que não se percebia nada da pontuação... E como professora de português que é, estava a fazer-lhe muita confusão...
Ok mãe, já está! Melhor assim? 

domingo, 23 de outubro de 2011

Beijos na Boca

-Há mães que não gostam dos filhos?
-Há, poucas, mas há. Há pessoas más em todo o lado, até mães...
-Como é que elas não gostam de uma pessoa que saiu de dentro delas e que cheira como elas?
-Não gostam...
-Mas se elas não gostam dos filhos porque é que os tiveram?
-Às vezes as pessoas têm filhos sem quererem... Acontece...
-Como?
-Estão a fazer amor e a sementinha vai para a barriga...
-Mas se não querem ter filhos não ponham lá a sementinha... Como é que ela vai para a barriga? Ah, já sei, é pela boca, não é? É com os beijos na boca...
-Não, J., as sementinhas vêm pela pilinha dos pais e, vão através dos pipis das mães, até à barriga...
-Mas como? Mãe, explica-me tudo e não me escondas nada!
-Ok, logo, vamos voltar a ver aquele livro que explica como se fazem os bebés e aí explico-te tudo, está bem?
-Vou já procurá-lo!
Ele procurou-o, mas não o encontrou. E eu também não... Onde poderá estar o raio do livro?

Socorro, preciso de um livro que me ajude a desenvencilhar-me desta!!!!! Alguém me pode ajudar?

Será impressão minha?

Será impressão minha ou Lisboa tem mais casais homossexuais assumidos?

Quando fui ontem ao Teatro do Bairro, vi tantos casais de lésbicas e gays, que fiquei a pensar se o número de pessoas que assumem uma opção sexual diferente não estaria a aumentar...
Se não for impressão minha e se estiverem mesmo a aumentar é um sinal que a sociedade (mesmo que seja muito lentamente) está a mudar e está a mudar para melhor.

A opção sexual de cada um, faz parte da sua vida privada, ninguém tem nada a ver com isso e se a assumem publicamente é porque têm coragem para enfrentar a discriminação a que passam a ser sujeitos. E se têm coragem é porque estamos perante um sociedade menos discriminadora e mais aberta à diferença. E se temos uma sociedade mais aberta à diferença é porque estamos a evoluir no caminho da verdadeira democracia e da igualdade de direitos. E se estamos no caminho da verdadeira democracia é porque a liberdade de cada um de nós está a aumentar. E se... E se... E se ...

-Pára de sonhar, rapariga! O despertador já tocou! Acorda! Acorda!

Comédia de Desenganos

Pois é, ainda não foi desta que vi As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant! Os bilhetes estavam esgotados mais uma vez, por isso, fomos ver a Comédia de Desenganos e desengane-se quem pensou que não foi uma boa peça, porque foi MARAVILHOSA

Eu estava um bocado renitente em ir vê-la, pensava que talvez fosse uma daquelas peças chatas em que a complexidade da linguagem não nos deixa perceber nada da história, mas fui agradavelmente surpreendida e, apesar da linguagem não ser das mais acessíveis, não teve nada de chata, pois a temática é actual e faz-nos pensar. (Para mim, tanto os filmes como as peças de teatro têm obrigatoriamente que nos pôr a pensar, senão não vale a pena o tempo que se perde e o dinheiro que se gasta).

Começando na luz, passando pelos figurinos, som, texto, encenação, e terminando na direcção e interpretação dos actores, posso dizer que me encheram a alma e fizeram-me vir para casa a pensar que a vida não passa de um acumulado de desenganos e que é através deles que nos vamos encontrando e aprendendo a estar aqui.

Pena foi ter sido hoje o último dia em que estava em cena e vocês já não a poderem ir ver, tenho a certeza que, se gostam de teatro, iriam sair de lá como eu! 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um Pouco de Hipoterapia


Não vou falar de hipoterapia de uma forma científica, primeiro porque não tenho um conhecimento assim tão aprofundado sobre a questão para que me possa atrever a ir por esse caminho, segundo porque seria maçador para a maioria de vocês.

Assim, venho falar-vos de uma hipoterapia a tender para a equitação terapêutica, mais centrada no meu conhecimento do cavalo do que nas necessidades da pessoa com deficiência. 

Pelo meu conhecimento do animal em causa, posso dizer que o cavalo é caracterizado por ser um animal dócil, de grande porte (que impõe respeito e algum medo salutar), com andamentos reguláveis que proporcionam movimentos tridimensionais a quem o monta.

A docilidade do cavalo facilita a aproximação do cavaleiro ao animal, enquanto o porte altivo impede o excesso de confiança e potencia uma atitude de sobreaviso.

Os andamentos do cavalo são o passo (movimento lento a quatro tempos), o trote (movimento intermédio a dois tempos) e o galope (movimento rápido a três tempos). Cada um destes três andamentos podem ser regulados na sua intensidade e permitem estimular várias áreas do cérebro e proporcionar uma melhor coordenação motora ao cavaleiro.
O estímulo das áreas do cérebro afectadas, tanto no caso dos portadores de autismo como nos de doença mental, tem apresentado resultados muito encorajadores, o que tem tornado a hipoterapia num método terapêutico em franca expansão.

A hipoterapia, propriamente dita, é realizada na presença de um equitador e de um terapeuta. Já na equitação terapêutica o equitador e o terapeuta podem estar acompanhados de educadores ou psicólogos.
A principal diferença entre elas reside no público a que são destinadas. Enquanto a hipoterapia se destina a pessoas com deficiência, a equitação terapêutica dedica-se a tratar necessidades educacionais, cognitivas ou psicológicas.

Mas não é só o acto de montar a cavalo que oferece estímulos positivos ao cavaleiro, o convívio com o animal é também extremamente benéfico, pois promove um relacionamento, que não sendo de igual para igual, permite a aquisição de competências tão importantes como a responsabilidade, a concentração e o cuidado, ao mesmo tempo que é uma experiência gratificante e divertida.

O meu conhecimento e gosto por este animal, impelem-me a aconselhar-vos a todos, sem excepção, que não prescindam de experimentar um primeiro contacto com ele.
Acreditem que depois de o experimentarem não vão querer outra coisa!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carta a Quem Me Lê (Especialmente a Quem Não Assume Que Lê)

Já que estou numa de cartas, aqui vai:

Caros leitores,

Venho, por este meio, informar-vos, que vos escrevo de coração aberto e recebo, com todo o prazer, as vossas opiniões, sugestões, críticas, conselhos, enfim, o que desejarem ...
Pretendo, acima de tudo, que este seja um espaço de partilha, troca de informações, desabafo, discussão.

Porém, prezados leitores, lamento desiludir alguns de vós, mas não posso deixar de vos esclarecer que aqui não se aceitam maledicência nem críticas desprovidas de qualquer sentido construtivo, no entanto, todas as outras são recebidas com muito gosto e de braços abertos. 

A todos aqueles cuja intenção for dizer mal só por dizer, pergunto:
- O que é que estão aqui a fazer? 

Vão mas é ver a Casa dos Segredos!

Carta Para Ti Que Me Aturas Há Tantos Anos

Escrevo-te esta carta porque:
Faz hoje cinco anos que fomos ao Registo Civil assinar um papel (que já nem se assinava), onde confirmámos legalmente que iríamos continuar a ser um para o outro o que tínhamos sido até aí, onde respondemos que não tínhamos alianças quando nos disseram que as podíamos trocar e onde não nos beijámos no final, porque o preferimos fazer, sozinhos, numa noite de núpcias que foi igual a tantas outras em que consumámos este amor que nos une.

Nesse dia, eu estava doente, feia, o pouco cabelo que tinha estava horrível, inchada dos corticóides, frágil e com poucas perspectivas futuras e, apesar de tudo, tu não me abandonaste, não deixaste de me amar e foste a principal razão, juntamente com o J., para que eu lutasse e não desistisse de gostar da vida.

Nunca deixaste de me olhar como se eu estivesse linda (apesar de todos sabermos que eu não estava), nunca duvidaste em ficar ao lado de uma pessoa que podia não ter muito tempo, nunca vacilaste, nunca desististe...

E, também, porque nos momentos mais difíceis da minha vida estiveste sempre lá, com a tua calma e paciência:
Na "sala de chuto" do IPO, a dizer parvoíces que nos faziam rir às gargalhadas parecendo dois tontinhos no meio de uma sala que cheira a morte e a doença. Só tu, com o teu humor contagiante, conseguias distrair-me do sofrimento que era passar por aquela sala...

Em casa, depois de um dia de trabalho, quando eu não podia com uma gata pelo rabo, tu tratavas de mim e do J., sem cara feia, sem desanimares e com a força que só um Homem com H grande pode ter.

À noite, quando o desespero tomava conta de mim e eu chorava com medo de perder esta vida, aqui, contigo e com o J., tinhas sempre aquele abraço e as palavras certas para um consolo quente que me davam o sossego necessário para adormecer com a esperança de que ainda ia ver o dia seguinte.

Quando existiu a hipótese de perder a minha mãe, tu deste-me esse ombro que eu enchi de lágrimas...

Quando o J. esteve em perigo de vida, tu vieste do outro lado da Europa, trazendo contigo o sorriso que ele tinha perdido.

E, sobretudo, escrevo esta carta porque te amo mais do que nunca e não quero deixar de te dizer

Obrigada


(Prometo que amanhã já não há lamechices!)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

I Just Want To Grow Old

Porque há cinco anos atrás, eu não sabia se iria estar aqui agora...



What were all those dreams we shared
those many years ago?
What were all those plans we made now
left beside the road?
Behind us in the road

More than friends, I always pledged
cause friends they come and go
People change, as does everything
I wanted to grow old
I just want to grow old

Slide up next to me
I'm just a human being
I will take the blame
But just the same
this is not me

You see?
Believe...

I'm better than this
Don't leave me so cold
I'm buried beneath the stones
I just want to hold on
I know I'm worth your love

Enough...
I don't think
there's such a thing

It's my fault now
Having caught a sickness in my bones
How it pains to leave you here
With the kids on your own
Just don't let me go

Help me see myself
cause I can no longer tell
Looking out from the inside
of the bottom of a well

It's hell...
I yell...

But no one hears before I disappear
whisper in my ear
Give me something to echo
in my unknown future's ear

My dear...
The end
comes near...
I'm here...
But not much longer.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Ma" Man

Se há pessoa que admiro, é este homem com quem um dia me casei. E casámo-nos, vai fazer depois de amanhã, 5 anos, após 10 anos de namoro. E só nos casámos por questões legais, porque se fosse por amor, não precisaríamos do casamento para o provar.
Eu estava a viver o meu problema oncológico, já tínhamos o J. e achámos melhor regularizar a situação, caso eu partisse desta para melhor (ou pior).
Nunca precisámos do casamento, ou de alianças, ou de frases feitas que soam bonitas, mas nada dizem, para termos a certeza que nos amávamos. Claro que tivemos e temos as nossas zangas, dúvidas e choques de personalidade, mas ao fim de tantos anos, posso dizer que as fomos conseguindo resolver, não só superficialmente, mas também e especialmente dentro de nós.
Ele foi e continua a ser a minha outra face, a minha alma gémea, aquele que me completa e sem o qual eu não seria como sou hoje. Ao longo de tantos anos, fomos aprendendo um com o outro e, acho eu, que o conseguimos devido ao respeito que temos pela individualidade de cada um. Nunca tentámos mudar o outro, nem nos moldámos ao seu ideal. Fomos sempre as duas faces da mesma moeda!

Este homem com quem vivo há, mais coisa menos coisa, do que 15 anos, é o homem da minha vida. Tenho a certeza disso, porque eu não encontraria outro alguém em quem me encaixasse com tanta perfeição. Ele distingue-se por uma originalidade estonteante, tanto pelo humor, que lhe é tão característico, como pela veracidade de carácter, não deixando, porém, de ter os seus defeitos que tanto me arreliam, como a teimosia, a distracção e o perfeccionismo levado ao extremo da exaustão.

Por todos estes motivos e mais alguns, posso dizer que sou uma privilegiada, porque tenho ao meu lado quem queria ter e como queria ter e, para mim, o amor é isto! 

"Gatossoa"


Como já disse anteriormente, temos um gato em casa. Tal como os restantes membros desta família, o nosso gato não é um gato normal. Ele pensa que é uma pessoa e eu começo a duvidar se ele não estará certo...

O felino mais novo cá de casa (porque o mais velho sou eu, que sou Gato no signo chinês) adora comida de gente, olha-nos como se percebesse perfeitamente do que estamos a falar e comporta-se como um menino mimado quando não lhe damos atenção...

Tenho-me visto, literalmente, às aranhas com ele, pois inferniza-nos a vida de tal maneira que nos tira do sério em milésimas de segundo. Se está descontente com alguma coisa, desata a fazer asneiras compulsivamente, umas atrás das outras e sem nos dar tempo de nos recompormos da anterior. 

Ele é de tal maneira inteligente, que quando pensamos que ele finalmente decidiu seguir o caminho do menino bem-comportado, nos dá a volta com uma pinta incrível e recomeça uma secção de asneiras inesperadas. 

Estou naquele ponto de desespero em que já perguntei a todos os veterinários conhecidos e desconhecidos e a todos os empregados das lojas de animais o que devia fazer para ele atinar, sem, no entanto receber uma resposta que resolvesse a questão. 

O meu último acto de desespero foi comprar um livro sobre o comportamento felino, que se chama Detective de Gatos, cujos conselhos estou a seguir religiosamente. Tenho duas casas de banho para o menino (enquanto nós, que somos três, temos uma e dividimo-la entre nós); escondo a comida dele em vários sítios diferentes, para que o menino não se entedie e se entretenha a procurar a comida (simulando o acto de caçar da vida selvagem); tenho dezenas de brinquedos de gato espalhados pelo chão e tenho que esconder qualquer prato com comida no microondas ou no forno, cada vez que saio da cozinha.

Depois desta trabalheira toda, se ele não muda, já não sei o que lhe fazer... Ainda por cima, o pessoal cá de casa está sempre a agoirar e a dizer "achas mesmo que isso vai fazê-lo mudar? Este gato já não muda, vais ver!".
Se todo o meu trabalho e empenho não servir de nada, juro que levo o gato ao psicólogo e aproveito para me tratar também, pois sei que no final, eu não vou estar muito melhor do que ele. 

Parece um anjinho, não parece?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Indignada

Fui à manifestação de sábado, porque estou indignada com o caminho que este país está a seguir e porque sou uma indignada por natureza!
Indigna-me este governo, tal como me indignaram os outros, indigna-me este povo adormecido, indigna-me este mundo agarrado à economia e esquecido do humanismo, indigna-me esta humanidade desumana...

Fui lá, a acreditar que seria mais uma a contabilizar num grupo que quer democracia verdadeira e crê que as pessoas são mais importantes que os euros.

Enquanto ali estive, não me apercebi de atitudes menos pacíficas, mas, um pouco mais tarde, parece que a coisa descambou por momentos, regressando depois à calma inicial.
Não assisti a actos de violência, mas encontrei algumas marcas de vandalismo enquanto regressava para o carro.

Por esse motivo, a minha indignação abrange alguns manifestantes, que aproveitam a ocasião para invadirem os super-mercados e cafés das redondezas onde compram (quando compram) litradas de cerveja com que se embebedam até caírem para o lado... E depois, já bem regados, vão fazer porcaria pela cidade, insultam os polícias, estragam o que estiver por perto e sentem-se uns grandes heróis, até porque têm toda a comunicação social de olhos em cima deles a registarem cada um dos seus feitos heróicos e claro, esta é uma oportunidade de ficarem para a História que não podem perder de maneira nenhuma.
No meio de tanta euforia, até se esquecem do que estão ali a fazer (se é que alguma vez o souberam) e fazem tudo o que é contrário às ideias defendidas!

Felizmente, a manifestação não era só constituída por elementos do partido da Super Bock, tinha pessoas convictas dos seus ideais e com força para lutarem pelos NOSSOS interesses, que empunhavam cartazes numa iniciativa de orgulho e esperança.

Esta manifestação foi mais frutífera do que eu esperava, pois além de ter sido a nível mundial e com a participação de tanta gente, também serviu para o J. aprender umas coisinhas: Já sabe o que é 99%, estar indignado, que as pessoas (às vezes) lutam pelos seus direitos, que a Assembleia é em São Bento e é onde os deputados se reúnem (como os vemos na televisão, a discutir uns com os outros) e que o Cavaco Silva é um pastel de Belém. 

Ontem, ele aprendeu mais do que num dia inteiro cheio de aulas. Se esta expressão colectiva não contribuir para melhorar o país, pelo menos o J. já pode por no curriculum que frequentou um workshop de cidadania, que, como sabemos, também não lhe servirá de nada, no futuro, para arranjar emprego... 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Guerra das Tampinhas

Imagem retirada da Internet
Estou em guerra aberta às tampinhas dos iogurtes líquidos que o J. traz nos bolsos das calças todos os dias.
Ele leva tão a sério a recolha das tampinhas que enche os bolsos delas...
Acho óptimo o seu sentido ecológico e solidário, mas o pior é que só as descubro depois das calças terem ido à máquina.
Estou farta de lhe dizer para as por na mochila, mas ele esquece-se, porque leva o iogurte para o recreio, põe a tampa no bolso e quando chega à sala nunca mais se lembra de a guardar na mochila. Como não estou habituada a que ele tenha coisas nos bolsos, não os revisto antes de pôr as calças na máquina e lá vão elas tomar um banhinho.

Se encontrarem por aí umas tampas bem lavadinhas e a cheirar a detergente da roupa, são as do J.!

Tipo de Letra

Alterei o tipo de letra dos posts, pois fui avisada pela Dorushka que com o outro não os conseguia ler muito bem.
Partilho a mesma opinião e já estava para o fazer há algum tempo, mas como ninguém ainda se tinha queixado, fui adiando...

Por favor, dêem-me as vossas opiniões... Se conseguem ler bem este, se gostam do novo visual, etc., etc...

Thank you

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Separação dos Pais

Imagem retirada da Internet
Este assunto tem andado na minha cabeça desde pequena. Desde que os meus pais se separaram, que tento perceber o que é que eu faria se fosse mãe e se me separasse. 
Possivelmente, teria feito o mesmo que eles, dada a época em que aconteceu, mas, sinceramente, não sei ...

Nos dias de hoje e a partir do momento em que deixei de ser só filha e passei a ser também mãe, comecei a achar que não lutaria por um poder paternal exclusivamente meu. Gosto da ideia da custódia repartida, acho-a mais saudável para todos, especialmente para os filhos. A imagem de os ver a saltitar entre a casa da mãe e a casa do pai, assusta algumas pessoas, mas eu prefiro-a às restantes opções.

Não será melhor, para as crianças, terem duas casas a serem privadas do convívio com um dos progenitores ou a só contactarem com ele num fim-de-semana em cada 15 dias? 

Eu acredito que sim, até porque ter duas casas, não é assim tão mau ... É possível fazer com que as crianças se sintam bem nos dois lados, basta que elas percebam que o seu ninho é constituído por dois quartos e duas vidas diferentes.

Como mãe poderia dizer "não, quero que o meu filho fique comigo!" Isso não seria verdade, porque realmente não quero que ele fique comigo, quero que fique com os dois e se estivermos separados ficará com os dois da mesma maneira, mas em separado.
Não me considero mais importante do que o pai na vida dele, nem sequer penso que temos papéis diferentes. Temos o mesmo papel de educadores e de pessoas que o amam e como tal completamo-nos a executá-lo da melhor maneira que conseguimos.

Se há coisa que me ultrapassa são os pais que utilizam as crianças como arma de arremesso entre eles, penso que há aqui uma total falta de respeito pelos filhos, enquanto seres únicos e independentes de quem os concebeu. 

Os nossos filhos são pessoas, não são meros instrumentos para chantagens emocionais. Eles têm necessidades, gostos, desejos e sonhos que devem ser respeitados e levados em consideração sempre e, especialmente, quando os pais se separam. Já basta a reviravolta que uma separação provoca na vida dos filhos, quanto mais ainda terem que levar com os "ódiozinhos de estimação" que as pessoas que mais amam nutrem uma pela outra!

Durante alguns processos de divórcio, os pais esquecem-se de proteger os filhos, por estarem demasiado concentrados numa luta que, à partida, já está perdida. Quando uma relação acaba, há que fechá-la e colocá-la no álbum de recordações. Não adianta tentar magoar o outro, porque se ele já não nos ama, não vai ficar magoado e, no final, quem sofre são os filhos.
Eu sei que não é fácil, mas é necessário fazer um esforço, nem que ele tenha que ser sobre-humano para não magoar os únicos inocentes da história que são indiscutivelmente os filhos.

Acredito que haja situações em que o melhor para os filhos é serem afastados de um dos pais ou até mesmo dos dois. Nos casos em que estes ponham em perigo a integridade física ou psicológica das crianças, devem ser imediatamente afastados e não só depois de matarem ou traumatizarem irremediavelmente alguém.
É nestes casos, quando o bom senso não chega ou não existe de todo, que é necessária a intervenção da lei e dos tribunais, até aí, penso que a capacidade de discernimento dos pais é suficiente.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ignorância

A ignorância é um mal maior do que a sida, o cancro, ou outra doença qualquer que há-de vir ...
A ignorância é um bicho que se instala no cérebro, reproduz-se, alimenta-se da massa cinzenta do hospedeiro e impede a entrada de qualquer coisa que não seja mais ignorância ...

- A ignorância é um mal do povo! - dirão alguns. 

Não é só um mal do povo é um mal do ser humano, mesmo do mais letrado, instruído, informado ou culto, que peca tantas vezes por ser portador do maldito parasita. 

Por vezes, a ignorância está apenas intrínseca no desconhecimento do próximo, nas vivências que se ignoram ou na história que não se presenciou. E aí, julga-se sem dó nem piedade ... Julgam-se os actos e as palavras, sem se saber o que realmente se está a julgar ... Esta ignorância é a mais mortífera, não só para os seres circundantes, mas também, e especialmente, para quem a transporta. 

É esta, a dos cultos, a mais cruel, pois possui laivos de superioridade que são arremessados com a intenção de aniquilar quem crêem ser-lhes inferior. 
E, no entanto, o dito inferior acaba por não estar tão cego pela ignorância quanto ele, porque, não só vê o que ele desconhece como também vê que ele desconhece ...

Este agente patogénico só pode ser exterminado através da tolerância, mas esta não abunda por aí e não há receita médica que garanta o seu fornecimento a quem tanto dela necessita. 

A compreensão ajuda a amenizar os sintomas, porém não é suficiente para acabar com a patologia. 

E o bicho continua lá, adormecido, à espera de uma oportunidade para voltar a ingerir os cacos cinzentos que restam de um cérebro infectado... Ao mais pequeno deslize na toma da medicação, ele ataca de novo e devora os restos que sobraram do seu último manjar, contagiando através do ar quem o respirar. Uma epidemia torna-se iminente ... O mal espalha-se, os cérebros corroídos multiplicam-se e a compreensão morre, acabando de vez com a possibilidade de recuperação dos enfermos.

No entanto, alguns seres, apesar da ignorância, transbordam felicidade e deixam a dúvida se não é aí que reside a cura para tamanha maleita ... 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desabafo

Às  vezes, quando faço um rewind à minha vida, penso que não consegui fazer nada de jeito.
Se morresse neste momento, o que ficaria de mim neste mundo? 

Algumas lembranças em quem me ama, nada mais!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Amor de Mãe

Tenho constatado, nestes últimos anos, desde que sou mãe, que o amor de certas mães pelos seus filhos tem peso e medida, que às vezes começa onde menos se espera e acaba quando menos se espera ...

Desconhecia este facto até me deparar com certas situações, no mínimo estranhas ... 
Não estou a julgá-las, mas a questioná-las, pois parecem-me "estranhas"... 

Quando uma mãe que só tem um bocado de carne em casa, o come, em vez de o dar aos filhos, com a desculpa de que se não o comer, não terá forças para tratar deles, fico a interrogar-me se este amor não será muito limitado ...

Ao ter-me apercebido que há vários tipos de amor de mãe, também me deparei com alguns infindáveis, que de tão grandes que são, não podem caber nos corações das mães que o sentem.

Conheci uma mãe, durante o período de internamento do meu filho, que admiro muito (e talvez inveje um pouco a sua capacidade de amar). 

Ela tinha uma filha que nasceu com uma malformação. Esta menina tinha cinco anos, já tinha sido sujeita a mil e uma cirurgias e ia continuar a ter que fazer inúmeras mais, até à idade adulta. Esta mãe não largava nunca a sua filha, ficando com ela internada, cada vez que a filha tinha que ir para o hospital. Era uma pessoa modesta, com problemas financeiros, mas sem nenhum problema em dar o seu amor incondicional à filha. 

A criança era o reflexo desse amor, pois era completamente saudável psicologicamente, apesar dos normais medos que tinha quando ia para o hospital.

Esta mãe ajudou-me a lidar com o medo que tive de perder o meu filho, que esteve mais perto do outro lado do que deste, e com o qual eu ainda não sabia lidar. 

Penso nela quase diariamente e penso nela, especialmente, quando sinto que não estou a ser a mãe que desejava ... E hoje pensei nela ...

domingo, 9 de outubro de 2011

Homens


Que me perdoem os (poucos) homens que se enquadram neste perfil, mas que apesar disso são meus amigos. Não pretendo com isto ofender-vos, nem a vocês nem a ninguém, mas estou a ficar velha e, por esse motivo, há coisas para as quais já não tenho grande pachorra... 

Homens que só falam de futebol, mulheres, carros e (muito) pouco mais, dão cabo da minha (pouca) paciência em três tempos (basta-lhes tocar num destes temas e os meus ouvidos bloqueiam instantaneamente).

Desculpem-me, mas a vida do Cristiano Ronaldo não me interessa nada! Se jogou bem ou mal, se vai casar ou não, se disse isto ou aquilo, é-me igual ao litro! 
Nem as más-criações do Mourinho me fazem qualquer mossa... Se falou alto, levantou o braço ao árbitro, ou lhe deu uma murraça, é-me totalmente indiferente...
Não tenho curiosidade em saber quanto ganham, nem quantas casas compraram ...
Se o campeonato está a correr bem ao Benfica ou se o Sporting jogou mal são temas que não me despertam grande interesse...

Lamento desiludi-los, mas quando começam a falar de mulheres são igualmente aborrecidos... Discutem se as mamas são de silicone ou verdadeiras, se o cabelo é pintado, se é boa na cama... (o que é que interessam, realmente, esses pormenores?)

E os carros... Expliquem-me por favor, como é que contribuem as jantes de liga leve para a minha felicidade, ou a cilindrada do carro, ou outra porcariazinha qualquer do dito veículo...


O pior é que "o (muito) pouco mais" que este tipo de homens fala é igual aos assuntos preferidos de muitas mulheres e que a mim me enfadam particularmente....

A depilação, os cremes para as rugas (para o corpo, para a unha do dedo mindinho do pé esquerdo), ou as roupas compradas em determinada loja não são assuntos que me façam saltar de entusiasmo! Se já dificilmente os discuto nas reuniões de gajas, a expansão destes temas ao universo masculino, está a dar cabo de mim, até porque a maioria dos homens tem muito mais pêlo para tirar e uma maior área por m2 para por cremes e vestir...



sábado, 8 de outubro de 2011

Beijos Invisíveis

Nós os três, no elevador ...

O J. diz:
- Dá um beijinho na boca do pai!
Obedeci, contrariadíssima ...
- Agora, dêem um beijinho na cara!
Nós demos...  mais uma vez, muito aborrecidos...
- Porque nunca dão beijos na cara?
- Nós damos...
- Então, porque é que eu nunca vejo?

Teatro

Isto do teatro tem muito que se lhe diga ... Ou saímos de lá completamente cheios ou completamente vazios ...

Ontem, fomos ver a peça O Apartamento, produzida pela Tenda Produções, no teatro da Comuna.  
Não sei se foi por irmos logo no dia seguinte à estreia e a peça ainda não estar bem consolidada, ou se eu estava com expectativas muito elevadas, mas não me convenceu.

Folheto da peça
Achei os actores demasiado "robóticos", pouco naturais e a faltar-lhes expressividade ...

Na plateia alguns "moranguinhos" assistiam, possivelmente para ver se aprendiam mais alguma coisita, pois um verdadeiro actor tem que passar pelo teatro, nem que seja na cadeira de espectador!

E eu vim-me embora de lá desconsolada e desejosa de ir ver outra peça o mais rapidamente possível para me livrar deste vazio que me invadiu as vísceras ...


A Petra Von Kant que me aguarde, pois brevemente estarei de lenço em punho, pronto para lhe secar as lágrimas amargas ...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pê de Pai


Não há só um livro para a mãe, o pai também não foi esquecido ... 

Se temos um coração de mãe em constante mutação, também temos um pai inteirinho que se transforma consoante as necessidades do seu pequenote. 


Este livro é para as noites em que são os pais a contar a história antes de dormir ...

Em poucas palavras diz tudo!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Coração de Mãe


Este livro é maravilhoso! Encontramos nele todas as "mutações" de um coração de mãe.


Aconselho a lerem-no com o vosso filho ao colo ...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Algumas Dicas de Segurança

Podem consultar AQUI algumas dicas de segurança para não perderem os vossos filhos de vista e para os encontrarem com maior facilidade.
Muito útil ...

Nome de Código

Quando estávamos na Dinamarca, o J. deparou-se com uma quantidade de novas palavras que, apesar de não serem nada estranhas a qualquer um de nós, para ele foram novidade e, como tal, não as sabia pronunciar ou não se lembrava quais eram.

Assim, decidiu inventar um dialecto próprio, que passou a funcionar como "private joke" durante toda a nossa estadia.

Dizia frases deste tipo:



Imagem retirada da Internet

-Não nos podemos ir embora sem vocês beberem uma Carbone!










Imagem retirada da Internet

  -Está-me a apetecer tanto um Trombone ...








Imagem retirada da Internet

-Neste hotel há Néstia no frigorífico!













Imagem retirada da Internet

-Estes dinamarqueses têm Dans Critians em todo o lado!










E nós riamo-nos que nem uns perdidos ... 
Acho que havia quem pensasse que "não jogávamos com o baralho todo"...

Mal eles sabiam que estavam certos ...

O Mundo ao Contrário II

Peço-vos que oiçam com atenção e integralmente o José Mário Branco, de mente aberta e independentemente das vossas escolhas políticas. Não se trata de propaganda de qualquer espécie a razão porque vos peço para o ouvirem, apenas penso que reflecte o Portugal de hoje e o caminho que estamos a percorrer com destino a uma total perca de valores e inversão das prioridades.

Oiçam-no sem juízos prévios, pois só assim conseguirão sentir a profundidade das suas palavras. Este texto tem a capacidade (pelo menos para mim) de tocar no mais profundo do nosso ser, remexê-lo e deixar vir à superfície a nossa essência, pois esta, que está muitas vezes adormecida, é o melhor que temos em nós.


(Não levem os palavrões muito a sério, encarem-nos como um desabafo).

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pessoas

É verdade, esta história de se ser mãe não é nada fácil, não só porque temos que dar o nosso melhor na educação dos filhos, mas também porque temos que lidar com uma grande variedade de pessoas que interagem com eles.

Quando nos deparamos com alguém que não se segue pelos mesmos padrões educativos que nós, a coisa fica muito complicada e piora quando essa pessoa têm um papel importante na formação dos pequenotes.

Assisti a uma dose de ressentimentos, expelidos por uma boca cheia de incompreensão do que eu sou enquanto mãe, convencida que estava repleta de sapiência ...

É doloroso para uma mãe, que se esforça tanto por gerir os elogios que dá a um filho, para que este não perca a auto-estima, com os desapontamentos que ele tem que viver para que se torne mais forte, ouvir dizer que é aquele tipo de mãe permissivo ao ponto de estar criar um pequeno ditador. Ainda mais, quando a pessoa que profere estas palavras não sabe do que está a falar por, simplesmente, se negar a tentar perceber a complexidade da situação em que a mãe teve que colocar o filhote debaixo da asa.

As regras existem dentro desta casa desde sempre e têm uma importância tal, que tivemos que as tornar mais flexíveis, pois estavam a carregar o meu filho de frustração ao ponto de ele explodir à mínima contrariedade e o estarem a tornar numa criança triste. No entanto, elas não deixaram de existir, continuam a ser as directrizes para um crescimento saudável e a ser respeitadas criteriosamente, apenas adquirindo uma maior margem de manobra.

O meu filho é das crianças mais respeitadoras das regras instituídas, ao ponto de respeitar uma dieta equilibrada mesmo quando lhe damos a oportunidade de dar uma "facadinha" na mesma e apesar de adorar doces e guloseimas. No entanto, só respeita as regras que lhe são explicadas. A autoridade isolada, sem uma explicação plausível não faz nele qualquer efeito a não ser aumentar-lhe os maus comportamentos e torná-lo frustrado e incontrolável por pessoas que lhe inspiram medo em vez de respeito.

Quando uma pessoa se quer dar ao respeito através do medo, em vez de ser através do próprio respeito (tanto o que exige aos outros como o que nutre pelos outros) está condenada ao fracasso. A incompreensão deste facto torna-a ainda mais vulnerável e, ao mínimo deslize, é derrubada do pedestal em que deliberadamente se coloca.

Quando uma pessoa destas nos julga por respeitarmos as fragilidades do nosso filho, é penoso e é-o, sobretudo, quando percebemos que por mais que lhe expliquemos, nunca nos vai entender ...


domingo, 2 de outubro de 2011

Nós, as Loiras

Se há coisa que aprecio é tomarem-me por estrangeira, quando visito um monumento em Lisboa ou quando vou a um qualquer estabelecimento comercial no Algarve.  

Se me mantenho em silêncio, posso ouvir tudo o que pensam realmente de mim, pois dizem-nos à boca cheia para se vangloriarem da sua (suposta) superioridade. É um privilégio, acreditem! As segundas intenções ao abordarem-nos, ficam escancaradas, esparramadas nas palavras que proferem. Depois, adoro mostrar-lhes que sou portuguesa e que entendi o que disseram e, para isso, basta-me proferir uma única palavra em português.
Ficam completamente desconcertados, encavacados e até corados!

Maldade minha? Talvez ...

Mas ser-se loira, em Portugal, não tem só vantagens ... até tem mais desvantagens! As anedotas de loiras, que fazem questão de nos contar, até são a parte mais divertida da coisa, pois algumas são bem engraçadas!

Muitas vezes, perguntam-me "és loira verdadeira ou pintada?", com a intenção de me catalogarem num determinado estádio de burrice (como se isso fizesse uma grande diferença), a que eu respondo "as duas!". Sei que as suas mentes iluminadas ficam um pouco decepcionadas, pois estão habituados a que as loiras pintadas não o admitam e porque assim fica mais difícil colocarem-me um rótulo. Quando estão acompanhados de uma boa dose de crueldade, ainda se saem com um "vê-se logo" (como se ser as duas significasse ser burra ao quadrado).

Julgarem-me burra não me faz, sequer, ficar perto da tristeza. Sinceramente, não me rala nada ... Mas tomarem-me como incompetente, confesso que me chateia! Posso só ter dois neurónios, mas eles dão-se suficientemente bem para que eu não me torne uma incompetente.

Detesto aquele cavalheirismo estúpido, quando vêem uma mulher (o que piora quando é loira) a estacionar um carro, de se porem a dar-nos indicações tipo arrumador de carros: "destroce, destroce ... agora venha para a frente ... pode vir mais, venha, venha ... ainda tem muito espaço". Será que eles pensam mesmo que não vemos o que estamos a fazer? É que eles normalmente não são loiros ...

Ou quando levamos o carro à inspecção e quase nos fazem um desenho do nosso carro para explicarem onde devemos mexer para ligar as luzes ou o limpa-pára-brisas. Hello!!!! Eu já conduzo este carro há algum tempinho para saber onde mexer!

Se temos um furo, param (muito simpaticamente) para nos ajudar, mas tentam sempre manter-nos longe, não vamos nós tentar sabotar a sua obra de arte!

Amigos, nunca ouviram dizer que uma mulher independentemente da cor do cabelo (pintado ou não) consegue fazer mais coisas em simultâneo do que um homem?

Esta capacidade (comprovada cientificamente), deve permitir que não sejamos assim tão incompetentes quando executamos uma tarefa isoladamente, ou não? Não sei ... Sou loira!

sábado, 1 de outubro de 2011

No Nosso Reino

A história do Carro-Explosivo está a mexer, de tal forma, com o cérebro do membro mais pequeno deste reino, que o mesmo passou a achar que tudo explode à mínima faísca.

Enquanto estes míseros servos reais se deleitavam no teatro, o infante ficou sob observação atenta da matriarca-mor, no nosso castelo desassombrado. 

Após o repasto, decide que precisa, impreterivelmente, entrar em contacto connosco a pedir autorização para utilizar o mensageiro electrónico, que dá pelo nome de computador.
A matriarca-mor, como justificação para a impossibilidade de nos contactar telefonicamente, alega que os nossos aparelhos se encontram desligados, devido a ser proibido o seu uso no interior do teatro. 

O infante, decepcionado, demonstra uma preocupação eminente, reflectida num esgar que lhe transfigura o rosto e questiona:

- Porquê? Se o usarem, o teatro pode explodir? E se resolvem fazer lá uns grelhadinhos, explode tudo?