sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Amadeus

Fomos ao teatro tirar a "barriga de misérias" dos nossos programinhas culturais, mas fomos só os dois, porque a peça não era adequada para crianças.


No teatro D.Maria II está a peça Amadeus, que nos surpreendeu pelas interpretações dos actores, especialmente a do Diogo Infante, que interpreta o papel de Salieri com uma versatilidade maravilhosa. Ele não sai de cena nem por um minuto, deve chegar ao fim completamente esgotado!

Mas o que me deliciou foi a articulação e o conteúdo dos textos, que manipulam a linguagem prodigiosamente e a dicção do Diogo só lhes deu mais encanto ...

Agora, estou a preparar-me para ir ver a próxima que será As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (está no mesmo teatro) e, segundo ouvi, também é uma boa peça, com óptimas actrizes ...



É que esta história dos "programinhas culturais", é extremamente viciante... 

Experimentem para verem se no período de abstinência não ficam cheios de dores e a coçarem-se freneticamente ...  

Eu já estava com a pele em sangue ...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Só Mais Uma Impressãozita, Se Me Permitem

Outra das coisas que me fazem comichão no céu da boca, são as crianças que dormem nas camas dos pais até acabarem, de vez, com a vida sexual do casal.

Não sou contra elas irem para a cama dos pais, longe de mim tal coisa!

Adoro que o meu filho venha ter connosco, para fazer miminhos, de manhã, enquanto ainda estamos todos naquele estado de sonolência agradável ... Ou quando tem um pesadelo que se venha confortar no calor do nosso abraço. Mas a noite toda, os três apertados na cama, a dormirmos todos tortos e sem que eu consiga chegar ao pai dele e vice-versa ... NÃO! Definitivamente, NÃO! 

Não me sinto, nem um bocadinho, pior mãe por ele não dormir connosco! Ele tem o canto dele e nós o nosso ...

Não é por acaso que se fazem camas de casal e não se fazem camas familiares ...
E as "king size"? Estarão vocês a pensar ...
As "king size" são para pessoas grandes ou para grandes aventuras, que não são (hoje) para aqui chamadas ...

Além de achar que as crianças precisam da sua autonomia e os pais da sua privacidade, dormir com os pais é um mau hábito. (Sei que ao fazer esta afirmação, muitos de vocês vão deixar de vir aqui, mas prefiro correr esse risco, a guardar esta opinião só para mim). E são um mau hábito, porque as engana ao fazê-las pensar que aquela cama é delas também e não as faz perceber que os pais têm um tipo de relação entre eles, diferente da que têm com os filhos.

E, mais uma vez, voltamos à história do comodismo ...
Na maior parte dos casos, os filhos dormem com os pais, porque é mais fácil não termos que nos levantar inúmeras vezes para ir ver se estão bem, para os confortar do medo do escuro, ou para os tapar ... É mais fácil, é mais fácil, é mais fácil ...

Quem disse que ser pai/mãe é fácil?


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Carrinho De Bebé E A Chucha Com Uma Criança No Meio

Entre uma quantidade enorme de outras coisas, há uma que me faz mesmo muita impressão ...  

Ver crianças com mais de três anos em carrinhos de bebé com uma chucha na boca, põe os meus (dois) neurónios numa luta desenfreada, à procura de uma explicação que seja suficientemente válida para valer tamanha atrocidade. 

Podem dizer-me que "as crianças cansam-se muito, estão sempre a pedir colo e assim vão ali descansadinhas, enquanto nós não precisamos de parar para atender às birras do "não quero andar mais"". Podem até tentar convencer-me que assim "vão mais calmas e entretidas" ... Em relação à chucha a frase que mais oiço é "não conseguimos tirar-lha, já tentámos de tudo"...

Desculpem-me, mas não me convencem que acreditem realmente que estas são umas boas justificações ou que não conseguem fazer melhor do que isso ...

Quando alguém me "atira" com histórias destas, só me apetece dizer: 
-Essa conversa cheira-me, unicamente, a comodismo "puro e duro"!

Ninguém disse que era fácil educar os filhos, nem que bastava dizermos para eles fazerem uma coisa, que eles iam logo a correr fazê-la ... Ninguém disse que nós (pais) sabemos sempre como convencê-los, nem que éramos perfeitos e donos da razão em todas as situações ...

Ser pai/mãe é uma tarefa árdua! É preciso tentar, tentar e tentar ... E se não chegar, tentar outra vez  e com todos os meios ao nosso alcance ...

Claro que é muito mais fácil deixá-lo andar de chucha até o dentista dizer que se não lha tiramos a criança vai ficar com os dentes todos tortos. Claro que é muito mais fácil ter os nossos filhos "arrumados" num carrinho de bebé enquanto fazemos compras, do que pegá-lo ao colo de 10 em 10 minutos ou ter que ralhar com ele, em público, quando faz uma birra.

Quem disse que na educação das crianças, o fácil é o melhor caminho?

Devem estar a pensar quem sou eu para ter a mania que percebo muito de educação ...

É verdade não sou ninguém especial, nem percebo assim tanto de educação, mas sou uma mãe que já passou, pelo menos, pelas birras na rua e pelo cansaço de um filho que "neste momento não dá jeito nenhum, porque tenho imenso que fazer!"

E ainda vos digo mais: quando estava grávida do J., desejava tudo menos ter um filho que se atirasse para o chão em plena via pública. E sabem o que aconteceu? O J., com cerca de dois anos, fazia birras, de eu o ter que trazer arrastado por um braço, aos gritos, nada menos do que dia sim, dia sim ...

Eu não sabia lidar com este tipo de teimosia (só com aquele em que dizemos "ok, tens razão" e depois damos meia volta e deixamos a pessoa a falar sozinha) e fui aprendendo.

Se aprendi logo? Se foi fácil? Se errei?
Não, não e sim, muito. Mas nunca optei pela via, aparentemente, mais fácil - enfiá-lo num carrinho de bebé com uma chucha na boca!

As crianças precisam de fazer birras para afirmarem a sua personalidade e nós precisamos aprender a lidar com elas, impondo limites para que elas saibam até onde podem ir.
É uma questão de quase sobrevivência para as crianças, elas precisam perceber que se não param antes do precipício, acabam por cair!
Evitar as birras não ensina nada a ninguém, antes pelo contrário, adia um problema que, mais tarde, será muito mais difícil de resolver, acreditem!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cromos

O meu rapazito já está tão grande, que além de me dar quase pelo ombro (e eu tenho 1,80cm), já leva livros para ler nos intervalos das aulas.

Não sei se será assim tão positivo, pois os miúdos que lêem não são lá muito bem vistos pelos restantes ...

Como o pai diz: "ou passa a ser moda e os miúdos substituem a bola pelos livros (o que seria bem engraçado de ver) ou ele está, definitivamente, metido em sarilhos!"

O rapaz prefere o basquetebol ao futebol, já sabe ler melhor que muitos miúdos de 10 anos, fala de assuntos de adultos com um à-vontade impressionante, passa as férias a conhecer novos lugares em vez de passar o verão a chapinhar na água do mar (por mais estranho que pareça, vem de lá todo contente) e agora passou a levar livros(?) para a escola, que lê nos intervalos ...

O que o safa de ser severamente ostracizado, é dar uns toques na bola e saber o nome de todos os jogadores de futebol e as equipas a que pertencem ...

E pensar que estávamos tão renitentes em comprar a caderneta dos cromos de futebol ...

Bendita sejas, Adrenalyn!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Puzitos

Estava eu nos miminhos com o J., a seguir à história da noite e ele diz:
-Mãe, vou ter que interromper este amor todo!
-Sim, então porquê?
-Vou dar um puzito!
(É como chamamos aos gases mal cheirosos)
- Ok, vou fugir!
-Pronto, mãe, então já não dou ...
-Ainda bem!
-Mas posso dar a qualquer momento ...

Mais Um Dia de "Mãe Babada"


Fomos ver o Capuchinho Vermelho ao cinema. O filme é engraçado, sem ser nada de especial! Gostei mais do primeiro ...

A minha "babadice" não tem a ver com o filme directamente, mas com o cinema a que fomos.
O J. sempre se recusou a ir a este cinema, pois tem uns "bonecos feiosos" no corredor que dá para as salas e, hoje, finalmente, conseguimos que ele passasse por eles ...

Foi de mão dada comigo ou com o pai, ou então, agarrava-se, discretamente, ao bolso das minhas calças ... 
Passou ao lado dos bonecos para entrar na sala e depois de ver o filme, teve que passar outra vez ao pé dos deles para irmos embora. 

No final, perguntámos-lhe se ele não se sentia bem por ter ultrapassado o medo e ele disse que sim, todo contente. 

Este meu filho é mesmo um corajoso, o único problema é que a mãe dele fica-se sempre a babar ...

domingo, 25 de setembro de 2011

Coisas Que as Crianças Sabem

- Mãe, eu gostava tanto do teu leitinho!
- Lembras-te do sabor?
- Não!
- Então, como sabes que gostavas?
- Sei ...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Conteúdo

Voltando ao assunto AQUI das criaturas que habitam a Casa dos Segredos e projectando-o para um universo mais abrangente, não quero deixar de apresentar a minha indignação (devem estar a pensar, que eu ando numa de indignações, se calhar ando!) quanto à "Cultura do Ter" que se tem vindo a impor face à "Cultura do Ser".

Encontramo-nos numa sociedade, em que as pessoas são avaliadas por aquilo que têm e não por aquilo que são, este facto justifica, em parte, a quantidade de pessoas desprovidas de conteúdo como as que se encontram, neste momento, numa certa casa na Venda do Pinheiro.

A "Cultura do Ter" tornou-se numa das maiores explorações agrícolas do país e, como tal, começou a investir em ramos, que dado a sua aproximação estratégica, lhe parecem fazer todo o sentido - a "Cultura do Corpo". 

O corpo passou a ter uma importância tal, que se tornou no cartão-de-visita de qualquer português. As pessoas passaram a ser avaliadas pela quantidade de esteróides consumidos, de exercício físico feito e de silicone administrado. O conteúdo do cérebro, a personalidade e as características pessoais passaram para um plano tão longínquo, que quando existem, já quase não são visíveis.

E há pessoas de todos os géneros: há aquelas que têm algum conteúdo, mas temos que lhes remexer nas entranhas até o descobrirmos; há os que têm conteúdo, mas não interessam nem ao menino Jesus; e por fim, há os que não têm mesmo nada a declarar.

Esta diversidade da espécie até poderia ser uma mais-valia, se nós não conhecêssemos pessoas com um valor inestimável pela sua originalidade, criatividade e genialidade.

De tudo isto, o que mais me assusta nem é a existência desta gente, pois eu detesto discriminação e sou das primeiras a não os discriminar ... 

O que mais me assusta mesmo, é que esta cultura está em franca expansão e o seu valor está a ser sobrevalorizado face a personalidades da vida pública (e não só), que trabalham mais do que os bicípites e os tricípites e que contribuem, todos os dias, com os seus feitos intelectuais para a evolução da Humanidade e para tornar este mundo melhor.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Amigos de Longa Data

Uma das melhores coisas da vida é reencontrar um amigo de longa data! 

Há uns dias, assisti a um reencontro desses, num parque infantil!

Sim, num parque infantil!

Sim, era o reencontro entre duas crianças!

Para as crianças um ano é uma longa data! E as saudades são iguais às que nós temos dos nossos amigos de infância ou de adolescência! O amigo do infantário, ou até do berçário, é tão importante que, às vezes, lembram-no com uma espécie de nostalgia como a que reconhecemos em nós ao relembrarmos a nossas vivências do passado.

Os reencontros dão-nos, a nós e às crianças, uma sensação de reconciliação entre o que fomos e o que somos, que nos acalenta a alma e ajuda a reafirmarmo-nos enquanto seres com um passado e uma história que valida aquilo em que nos tornámos.

No entanto, os reencontros, também, podem ser um factor de desencontro, onde constatamos que o outro já não é o amigo que conhecemos, nem a pessoa de quem tanto gostávamos. Não, porque ele se tornou melhor ou pior, mas porque ambos crescemos em direcções diferentes e os pontos que nos uniam, agora separam-nos ou deixaram, apenas, de fazer sentido.

Mas quando a presença do amigo nos traz um profundo sentimento de identificação com aquela pessoa, há poucas sensações que se lhe assemelhem e vê-las espelhadas nos rostos dos infantes fez-me pensar:

Se há coisa melhor, para uma mãe, do que assistir aos momentos de felicidade dos filhos, eu ainda não a descobri ...


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mundo ao Contrário

Como se explica a uma criança (rapaz) que não pode ser carinhosa com outra criança (rapaz)? Como se explica que dar beijinhos e abraços são motivos de gozo para mentes mais desequilibradas? Ou que estes gestos podem embaraçar os outros que sentem a sua sexualidade posta em causa? Como se explica isto sem ferir e enfatizando que não é a criança que está errada, mas o mundo inteiro? 

Alguém me sabe dizer?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os Segredos Que Não São Segredos Nenhuns

Estou chocada! Possivelmente, porque sou um pouco ingénua ou porque me agarrei à esperança que todas as pessoas são possuidoras de conteúdo (seja ele qual for). 
Depois de ver o 1º episódio da Casa dos Segredos, caí numa realidade assustadora - há demasiadas pessoas completamente ocas! 

Como é possível que com milhares de candidatos tenham escolhido os mais vazios? Será que foi esse um dos critérios de selecção? Imagino o anúncio para os castings: "Se queres participar na Casa dos Segredos tens que ser completamente vazio de ideias, ter corpo igual ao dos bonecos das sex shops e aspirar a uma carreira na área da representação" "Ah e se não tiveres tido nenhum relacionamento que se aproveite, melhor!"

Deve ter sido a um anúncio deste género que estes meninos e meninas responderam, pois todos se encaixam, como se de uma luva se tratasse, neste perfil! 
Quais são os segredos que esta "gente" pode ter, visto que não há nada lá dentro além de ar? Que interesse podem ter esses segredos? Não consigo entender o propósito deste programa, a não ser que a ideia final seja exterminá-los!

Considero-me uma pessoa bastante tolerante quanto às diferentes personalidades dos outros, mas sou muito intolerante quanto à falta delas. Todos temos o direito de sermos assim ou assado, mas não sermos nada ultrapassa a minha capacidade de discernimento!
Para piorar a minha opinião sobre estes patetas alegres, eles ainda se orgulham dos seus vácuos intelectuais! Eu respeito a ignorância involuntária, mas a voluntária é demais para mim! 

E pensar que este mundo está cheio de meninos e meninas como estes, só aumenta a minha indignação e fico com medo, muito medo só de imaginar o meu filho no meio destes espécimes em vias de reprodução!

domingo, 18 de setembro de 2011

Menino Autista

Já vos falei de um livro que ando a ler, há uns 2 anos, O Menino e o Cavalo.

Lembram-se que neste livro os cavalos desempenham um papel terapêutico, por estimularem o relacionamento do menino com o mundo que o rodeia?

Ando desconfiada que o J. é o "cavalo" de um amigo dele que é autista ... 

Este facto faz-me sentir orgulhosa por ele ser capaz de se relacionar com uma criança que tem dificuldades de relacionamento. O menino em questão e o J. gostam muito um do outro. Jogam à bola juntos e comunicam de uma forma que se entendem e que não tem muito a ver com o nosso "conceito pré-definido de comunicação". Não usam as palavras como nós, pois o menino repete o que lhe dizem em vez de responder às questões que lhe colocam, mas há um entendimento entre eles e acima de tudo há um enorme desejo, da parte do J., em fazer-se entender melhor e em entender melhor o amigo.

Nesta amizade, as diferenças não são importantes, ou têm apenas a importância necessária para se encontrarem as semelhanças. Acho que ela é muito importante para ambos, para o menino, porque o faz interagir com outra criança, para o J., porque desenvolve a percepção de um mundo repleto de diferenças e ajuda-o a aceitá-las, a respeitá-las e a viver com elas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Primeiro Dia De Aulas

Pois é, o primeiro dia de aulas não correu como seria de esperar... E tudo "mea culpa"! 

Para começar bem o dia, não acordei a horas, por isso o J. chegou atrasado! - Isto não me podia ter acontecido no primeiro dia de aulas! Talvez no segundo ou no terceiro, mas no primeiro é completamente inadmissível! - Foi uma grande gaffe desta mammy!

Mas como uma grande gaffe nunca vem só ... Seguiu-se-lhe a segunda que se resumiu no esquecimento de pôr os lápis de cor na mochila dele e, como era o primeiro dia de aulas, os meninos iam passar o dia a pintar! 

Como duas gaffes não seriam suficientes para mim, esmerei-me por realizar a terceira, a qual foi concretizada com sucesso! O material era para ser entregue hoje (no primeiro dia de aulas) à professora e eu ... não entreguei ... 
(Esta gaffe foi a menos problemática de todas, no entanto se eu tivesse levado o material, a segunda gaffe não teria acontecido, pois os lápis de cor estariam ao pé do J. quando ele precisasse deles).

Apesar de eu ter andado a sabotar (inadvertidamente, mas a sabotar) o primeiro dia de aulas da criança, quando chegou a casa, vinha com um sorriso de orelha a orelha, contente por rever os amigos, orgulhosa por ter contado as suas férias à professora e aos colegas, alegre por ter brincado, feliz e com aquele brilhozinho nos olhos que enche este coração de mãe e o faz transbordar de tanto amor ...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Férias

Oficialmente, as férias acabaram hoje! Espera-nos um ano de aulas, estudo e novas aprendizagens, não só para o J., mas também para mim ...

Ao fim de tantos anos, voltei a estudar e não me apetece parar ... 

Fazia um intervalo, quando acabasse este curso, mas se pudesse estudava toda a minha vida. Não queria nada parar de aprender coisas novas ou restringir-me a uma única área. Queria poder tirar cursos sobre as mais variadas matérias para "juntar a bagagem necessária para esta viagem". 

E não é isso que todos queremos? Acho que não ...Talvez ... Não sei ... 

Eu gosto de estudar, não é só para ter mais habilitações, mas também é, essencialmente, para crescer enquanto pessoa, para descobrir novas perspectivas da vida. Tenho uma sede insaciável de saber, por mais que aprenda nunca é suficiente. Sinto-me ignorante em relação a determinados assuntos, há sempre muitos que não domino e esse facto chateia-me bastante.

Confesso que a questão das habilitações é apenas uma razão que eu arranjei para alimentar a minha necessidade de estudar ...

Já que estás com tanta vontade, prepara-te, rapariga, porque as férias acabaram!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um Pequeno Passo Para a Humanidade, Mas Um Grande Passo Para o J.

Hoje, na nossa conversa da noite antes de dormir, falámos sobre o espaço, o sistema solar, o Sol, os extra-terrestres, a Lua, a bandeira americana, Neil Armstrong e os seus pés ... Sim, os seus pés ...

Imagem retirada da Wikipédia
A propósito da ida à Lua, o J. disse-me:

-Sabes qual foi o pé do Neil Armstrong que pisou primeiro a Lua?
- Não ...
- Foi o pé esquerdo!
- Como sabes isso? Quem te disse?
- Sei ... Das perguntas ...
- Quais perguntas?
- Daquele jogo onde fazemos perguntas um ao outro e depois vemos as respostas na parte de trás dos cartões ...

O J. tem um jogo que consiste numa série de cartões com perguntas de cultura geral, com as respostas no verso. Não é um jogo para a idade dele, porque tem perguntas difíceis, mas costumávamos jogá-lo antes de deitar, alternado com as histórias (para desenjoar). 

Já tinha reparado que ele decorava muitas respostas e dizia-as como se soubesse muito bem do que estava a falar, mas ainda não me tinha apercebido que ele já conseguia aplicar os conhecimentos na vida ...

Por isso, hoje, estou mãe babada!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Porque não tiram os 140, 160, 180 e 200 do carro?

Em conversa com o J. sobre os limites de velocidade nas estradas, ele saiu-se com esta:
- Porque não tiram os 140, 160, 180 e 200 do carro?
- Como?
- Aí, nos números!
Ele estava a referir-se aos números do velocímetro. Queria saber porque põem números superiores a 120 km/h nos velocímetros dos carros se estes não podem ultrapassar esta velocidade em nenhuma estrada. 

É óbvio que eu não lhe consegui dar uma resposta de jeito ... 

Disse-lhe:

-Porque preferem passar-nos multas!

Se até uma criança vê isso tão claramente, porque será que os adultos não vêem? 

Deve ser uma daquelas coisinhas que vamos deixando de ver à medida que crescemos ...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Miragem


Não sei se vocês, tal como eu, pertencem àquela categoria de pais que crê piamente que os filhos, à medida que crescem, vão sendo mais fáceis de cuidar ... 

Quem crê nesta teoria que se desiluda, pois não passa de uma perfeita miragem.

Constato este facto diariamente, mas teimo em acreditar que "quando ele for mais velhinho vai ser mais fácil". 

Mentira! Estou, continuamente, a tentar enganar-me ... 

Quando ele for mais velhinho vai ser mais difícil do que agora, muito mais e cada vez mais ...

Quando os nossos filhos são pequeninos queixamo-nos, porque temos que lhes fazer tudo - dar de comer, banho, mudar a fralda, vestir. É cansativo, extenuante, ficamos sem tempo para nada e agarramo-nos à convicção, que com o passar dos anos, vai melhorar. Não vai! 

Quando eles crescem, passam a conseguir ir fazendo estas coisas sozinhos - comer, lavar os dentes, limpar o rabo, tomar banho. E nós pensamos: Que bom, já vou começar a ter mais tempo para fazer as minhas coisas!

Esta é uma das maiores fraudes à Humanidade! Não se enganem, porque para eles fazerem qualquer uma destas singelas tarefas, temos que lhes dizer para a fazerem centenas de vezes. Não estou a brincar, cada tarefa realizada significa repetirmos a mesma frase numa média de 350 vezes ... 

Aqui em casa, temos um problema genético acrescido - a distracção!

Já aconteceu mais de uma vez, após ter dito a mesma frase vezes sem fim, tal e qual um relógio de repetição e ter, finalmente, conseguido que o J. se dirigisse à casa de banho para ir lavar os dentes, ele chegar a meio do corredor (que não tem mais de 5 metros) e perguntar-me:
- Era para fazer o quê?

Hoje, ele conseguiu superar-se ... 

Estávamos os dois na casa de banho (o que dificultava a hipótese dele se esquecer, pois não tinha que percorrer a imensidão do corredor até chegar ao local desejado) e eu tinha-lhe já dito para lavar os dentes aquelas vezes todas da praxe, ele olha para mim com aquela expressão de quem acabou de acordar de um sonho e pergunta:

-Onde é que estão os meus dentes?

Eu olho para ele, incrédula e na indecisão se digo alguma coisa ou se começo a dar marradas na parede até a partir (a parede, claro!). Ele apressa-se a dizer:

-Ah, na boca!


Carro-Explosivo

Algures no meio da Dinamarca, eu e o pai do J. estávamos de volta da bomba de gasolina a tentar perceber o sistema de pré-pagamento para, depois, pormos gasóleo no carro, quando o menino J. se lembra de ligar o rádio para ouvir uma música que tinha ficado a meio quando parámos. 

Assim que entrámos no carro eu, que já estava num grande estado de irritação, ralho, ferozmente, com ele por ter ligado o rádio. Digo-lhe que não se pode ligar nada eléctrico quando se põe gasóleo, que é perigoso, que o carro pode explodir, blá blá blá, blá blá blá, blá blá blá ...

O J. chora baba e ranho por ter ficado assustado com a minha reacção, com a hipótese do carro explodir e com a sensação de ter feito uma grande asneira (conheço tão bem essa sensação, é horrorosa!). 

O pai, num rasgo de bom senso, acaba por acalmar os ânimos, antes que sejamos nós os dois a explodir ...
É nestas alturas que agradeço a mim mesma ter sido tão boa a escolher este homem para pai do meu filho! (comentário totalmente isento de modéstia!).

Uns dias depois deste episódio lamentável para o amor-próprio de qualquer mãe, numa outra bomba de gasolina, o pai do J. põe gasóleo, já sozinho, eu e J. estamos dentro do carro, quando ele me diz:

- Se não se pode ligar nada de eléctrico quando se põe gasóleo, como é possível pagar-se com o cartão nesta máquina que está mesmo colada à bomba? A máquina também é eléctrica, não é? Não é perigoso?

E não é que ele tem toda a razão?

domingo, 11 de setembro de 2011

Liberdade com Segurança

Copenhaga

Desde que vim da Dinamarca que não paro de pensar na sorte que os dinamarqueses têm por possuírem um elevado nível de segurança. O facto das crianças poderem brincar livremente na rua e de ser seguro irem de bicicleta sozinhas para a escola deixam-me cheia de inveja! 

Já pensaram como educaríamos os nossos filhos se não tivéssemos que estar sempre preocupados com a sua segurança? Quais das nossas atitudes seriam diferentes e como é que essas diferenças modificariam as suas personalidades? Podíamos dar-lhes mais liberdade e consequentemente mais autonomia. Será que essa autonomia iria torná-los mais confiantes, mais crescidos, com maior auto-estima?
E será que a liberdade torná-los-ia mais felizes?

Um factor tão simples como o sentimento de segurança pode ser tão importante na formação da personalidade de uma criança. Tal como a segurança, muitos outros factores são decisivos neste processo! 

Por isso, cada vez mais, sinto que educar alguém é das maiores responsabilidades que temos em mãos nesta vida ... 

sábado, 10 de setembro de 2011

O Menino e o Cavalo


Ando a ler um livro, que comecei há cerca de dois anos, mas parei por falta de tempo (esta é a minha desculpa oficial) que se chama O Menino e o Cavalo. 

É escrito por um pai (Rupert Isaacson) de um menino autista, que resolve levá-lo numa viagem pela Mongólia, a cavalo, com o objectivo de aumentar a interacção do filho com o mundo que o rodeia, pois tinha constatado que os cavalos potenciavam essa interacção e descoberto uns xamãs mongóis bem afamados que talvez pudessem ajudar a criança.

A beleza do livro está na intensidade do amor do pai pelo filho e na incerteza de estar a agir correctamente quando leva avante um plano tão louco como o de atravessar a Mongólia, a cavalo, com um filho sobrecarregado pelas limitações próprias do autismo.

Apesar de ser um livro que estou a gostar, não consigo lê-lo de uma só vez, tendo que fazer vários intervalos ... Às vezes, nesses intervalos, acabo por ler outros livros (para os quais vou arranjando tempo, milagrosamente). Ando nisto há dois anos ...  Parece incrível!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dinamarca

Jelling
Este ano resolvemos ir de férias para a Dinamarca (se é que se podem chamar férias a cinco diazitos?). Como o J. diz fomos "conhecer o modo de vida dos dinamarqueses". 


Legoland - Billund
E não é que ficámos com a impressão que eles são um povo que está muito mais "à frente" do que nós? 

Vivem num país seguro, onde o bem comum significa o próprio bem, onde as crianças brincam livremente e podem ir sozinhas, de bicicleta, para a escola, onde se pode deixar um qualquer objecto num local público, que ninguém mexe (quanto mais roubar), onde a poluição do planeta é uma preocupação real e onde as liberdades individuais são respeitadas ...

Copenhaga
Enfim, vim de lá com a ideia que se pode fazer muito mais e melhor por este nosso país... E que só não o fazemos, porque estamos demasiados concentrados no nosso umbigo...