quarta-feira, 10 de agosto de 2011

IPO


Eu sou cliente habitual do IPO, há já alguns anos. Actualmente, vou lá com menos regularidade (felizmente). Por isso, não me impressiono com facilidade ao ver pessoas com as mais variadas mazelas, nem mesmo as mais estranhas: tumores gigantes ou falta de partes do corpo. As cabeças carecas ou com cabeleiras entraram na minha vida de uma forma harmoniosa.

Hoje, tive que lá ir fazer uma TAC. Fui para a sala de espera e correu tudo bem até chamarem um miúdo, de uns 14 anos... Quando lá entrei, nem reparei no miúdo. Havia uma data de pessoas com ar frágil e doente, algumas carecas, devido à maldita / bendita quimio, mas no miúdo não reparei... 

Chamaram-no "J.!" e o meu coração ficou logo apertadinho (o meu filho chama-se J.). Seguidamente, vejo-o levantar-se... e fico com a lágrima logo a espreitar... 

Não sei porque isto acontece comigo desta maneira... mas acontece sempre que vejo uma criança no IPO! 

Uma das maiores injustiças é as crianças terem que passar por doenças como o cancro! Bolas! Os corpos deles ainda não estão sequer formados! Como podem começar, já, a fabricar células maradas??
Passar por um cancro não é pêra doce... ainda mais para as crianças! Como lhes explicamos que têm de passar por tratamentos, extremamente dolorosos, que os vão fazer sentir ainda mais doentes, para ficarem boas? Não explicamos! Ou se explicamos, eles não percebem! A nós, adultos, já é tão difícil entender... 

E o pior disto tudo é que, às vezes, não ficam boas...

4 comentários:

  1. Vou quase sempre sozinha, são exames de rotina , nada mais... No entanto, levo sempre a cabeça e penso parvoíces...
    :)

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  2. Eu tinha 16 anos quando acompanhei a minha mãe pela primeira vez ao IPOFG e na sala de espera para análises encontrei uma miúda da mesma idade que eu, que mais parecia um cadáver andante e tremi! Depois vi um menino de pouco mais de 2 anos, careca, e sem qualquer brilho nos olhos e só quis rebentar em lágrimas... nessa altura, a ideia de ser mãe foi varrida dos meus desejos enquanto pessoa!
    Mammy, que a remissão assim continue! Desejo-lhe tudo de bom!

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  3. Naná, nas minhas idas ao IPO encontro muitas crianças, tanto no parque infantil, que lá há, como nas sala de espera para as análises e é sempre muito difícil deparar-me com o sofrimento espelhado naquelas carinhas...
    Aquelas crianças estão a passar a maior das injustiças, pois lutar contra um cancro é uma batalha demasiado árdua para quem ainda não viveu o suficiente para saber o que é lutar pela vida! Elas acabam por aprender, mas da maneira mais difícil... Obrigada pelas suas palavras!

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Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...