segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Macacos do Nariz

O J. voltou a perguntar qual era o verdadeiro nome dos macacos do nariz e, uma vez mais, não lhe soubemos responder.

O pai tentou:
-Detritos nasais!

Eu tentei:
-Fluídos nasais secos!

As nossas tentativas não satisfizeram nenhum de nós três ... 
O J. diz:
-Temos que perguntar à Drª, como ela é médica deve saber ...

Fiquei a pensar onde poderia encontrar a resposta a esta questão sem ter que perguntar à médica ... 

Consultei a enciclopédia, o dicionário, procurei na net e ... nada, nem a mais pequena referência à designação científica para macacos do nariz ...

Confesso que nunca me tinha passado pela cabeça que os macacos do nariz tinham outro nome ...

As coisas em que este miúdo me põe a pensar ...


Este blogue vai descansar uns diazinhos, mas volta, com a maior brevidade possível!


domingo, 28 de agosto de 2011

Índigo, Sobredotado ou Nenhum dos Dois

Há uns tempos, li umas coisas sobre as crianças índigo. Para quem não está dentro do assunto, muito resumidamente, uma criança é índigo quando reúne uma série de características. Tais como:
-Ser extrovertida, pioneira, original, auto-suficiente, criativa, bastante autónoma
-Demonstrar determinação e tenacidade
-Ter muita energia 
-Não mostrar medo em enfrentar as coisas e as pessoas
-Ser exigente 
-Não ter medo da confrontação
-Ser rebelde
-Não aceitar a autoridade pela autoridade
-Ser diagnosticada como hiperactiva erradamente
Os defensores da existência deste "tipo de crianças" afirmam que elas vieram ao mundo para o mudar para melhor.

Por outro lado, temos as crianças sobredotadas, que têm algumas características idênticas às dos meninos índigo, tais como:
-Serem diagnosticadas como hiperactivas erradamente
-Exigentes
-Demonstram determinação e tenacidade
-Pioneiras, originais, auto-suficientes, criativas, bastante autónomas

Os meninos sobredotados também apresentam outras características não tão próximas das dos índigo, como por exemplo:
-Sentido de humor aguçado 
-Muita curiosidade
-Aprender rapidamente
-Gostar de desafios
-Ter vocabulário elaborado

Claro que para se poder dizer que uma criança é índigo ou sobredotada, ela tem que apresentar um determinado número destas características e a avaliação não se baseia, unicamente, nestes traços, a criança, também é sujeita a outros tipos de apreciações.

Parece-me que há aqui, essencialmente, uma forte necessidade em classificar as crianças que são diferentes das outras e que se destacam. 

No entanto, penso que estas teorias e o estudo dos meninos diferentes são uma porta aberta e o trilhar de um caminho para que possamos começar a construir uma educação mais personalizada e adaptada às características e necessidades de cada criança e, assim, edificarmos um mundo mais eficiente, criado por pessoas mais realizadas e, por conseguinte mais felizes.

Terá isto algum fundo de verdade ou será pura utopia minha?

sábado, 27 de agosto de 2011

Fora os Smurfs - Que Voltem os Estrumpfes

Imagem retirada da Internet

Li um artigo de opinião do Ricardo Araújo Pereira, para a rubrica Boca do Inferno, da Revista Visão, onde ele defendia que se devia continuar a chamar Estrumpfes aos Estrumpfes em vez de Smurfs, como os passámos a chamar cá em Portugal.

Eu também detesto que tenhamos que chamar Smurfs a umas criaturas tão simpáticas que têm mesmo cara é de Estrumpfes.

Em pequena cheguei a ler algumas histórias dos Estrumpfes. Achava piada às histórias, mas o que mais me deliciava era a língua que utilizavam, o estrumpfês

Se passarmos a chamar Smurfs aos Estrumpfes, eles vão passar a falar o quê? Smurfês? Não tem graça nenhuma! Em vez de "vamos estrumpfar", eles dirão "vamos smurfar"?!?!? Bahhhhhhhhhh!!!! Quase parece "vamos snifar!" Acho horrível! 

Tirem-me estes Smurfs daqui ... Quero os Estrumpfes de volta!!!!! 


Podem ler o artigo do Ricardo aqui: http://aeiou.visao.pt/aqueles-bonecos-azuis=f618945

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A Árvore Generosa

Estes objectos são quase uma obsessão, pois são dos poucos que compro sem precisar deles para nada! Para compreenderem melhor a dimensão do problema, devo informar-vos que detesto ir às compras! 


Sempre que entro numa livraria, depois de dar uma olhadela aos livros de adultos (para não parecer mal!), vou logo para a secção das crianças! Vejo e revejo os livros. Há imensos que eu já conheço de ginjeira por passar por eles centenas de vezes! 

Há um livro que me partiu o coração quando o li pela primeira vez e continua a parti-lo sempre que o leio (o J. adorava-o, mas passou a gostar menos dele desde que começou a entendê-lo melhor). É um livro lindo, mas forte, porque reproduz a dimensão do amor de tal forma que até dói!
Chama-se A Árvore Generosa e foi escrito por Shel Silverstein, um autor americano, que eu desconhecia até ter dado de caras com este livro maravilhoso!

Há pouco tempo, numa das minhas idas a uma livraria, descubro mais um livro deste autor Quem Quer um Rinoceronte Barato? que também é delicioso! Imaginem a minha alegria, pois ando, há uns bons três anos, à procura de mais livros deste senhor...

Aconselho... 



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pais

Li um artigo, há pouco tempo, que falava dos pais. Dizia que, neste momento, temos os melhores pais de sempre, pois eles já fazem, aos filhos, praticamente o mesmo que as mães.

O meu primeiro pensamento foi "óptimo para eles, finalmente perceberam o bom que é tratar dos filhos!". É isso mesmo que sinto! Como mulher podia sentir-me ressentida por os homens não terem feito a "ponta de um corno" (os mais sensíveis que me perdoem a expressão) durante séculos pela educação dos filhos, mas antes pelo contrário, senti-me feliz por eles terem a oportunidade de desfrutarem da paternidade.

E fico feliz, essencialmente, pelos filhos que já podem gozar os seus pais em condições e serem cuidados por duas pessoas que os amam em vez de uma.

Temos um pai e uma mãe por alguma razão, não? A partir do momento em que as mães passaram a trabalhar fora de casa, os filhos perdiam se os pais não se tornassem mais participativos nas suas vidas. Além disso, por muito que uma mãe se esforce, nunca conseguirá ser pai e mãe em simultâneo. Pode ser a melhor mãe do mundo, mas nunca conseguirá ser pai.

Com isto, não digo que não se pode ser feliz se não se tiver pai. Acho que, em certos casos, uma criança sem pai ou mãe, ou com dois pais, ou com duas mães, até pode ser mais feliz do que outra que tenha o pai e a mãe da família tradicional a que estamos habituados.
Para mim, a competência dos pais está assente em dois pontos essenciais: o amor que se tem pelos filhos e o fazer-se o melhor possível.

Não há pais perfeitos, é verdade, mas há bons e maus pais. E os pais homens, até há bem pouco tempo, não eram nada de jeito (salvo raríssimas excepções) ...

Parabéns aos que fizeram alguma coisa para mudar isso e força aos que ainda não tiveram a coragem de dar esse passo tão importante para eles e para os seus filhos! Tenho a certeza que não se vão arrepender!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Programinhas Culturais

Não é para me armar em intelectual, mas o pessoal aqui de casa tem por hábito ir a museus, monumentos, exposições e peças de teatro. Gostamos de programinhas culturais aos fins-de-semana!


Coliseu - Roma

O J. era um grande entusiasta destas aventuras, mas progressivamente tem vindo a perder a vontade de nos acompanhar. Quando falamos em exposições, ele fica logo a olhar-nos de lado!

Anteriormente, ele até brincava aos museus: arranjava bilhetes (tickets de estacionamento roubados do carro da avó, que os colecciona compulsivamente), montava uma exposição no corredor cá de casa, vendia-nos os bilhetes (que até podíamos pagar com multibanco) e fazia-nos uma visita guiada com direito a explicação pormenorizada de cada uma das peças expostas.

Actualmente, cada vez que dizemos que vamos a uma exposição, ele pergunta "posso ficar em casa de alguém?".

Fico, sinceramente, triste com esta mudança de atitude face aos nossos programinhas de fim-de-semana. Eram os nossos programinhas! Fazíamo-los só os três, era uma coisa nossa! Além disso, eu adorava ver quadros ou fotografias explicadas por ele (nas exposições reais, ele partilhava comigo a sua interpretação do que estava exposto). Era tão engraçado perceber que o eu via num quadro não tinha nada a ver com o que ele via! As crianças vêem mais longe, elas percebem a arte (se é que isso é possível)! Acontecia-me tentar explicar um quadro de uma forma demasiado complexa e o J. descrevia-me exactamente o que lá estava e era realmente o que lá estava, só que eu não tinha visto nada daquilo. 

É incrível como perdemos a capacidade de ver certas coisas quando crescemos e passamos a só as conseguir vislumbrar ...

Voltando à minha tristeza por estar a perder o meu companheiro de exposições: não sei se hei-de ou não insistir para que ele nos acompanhe... Tenho medo que se insistir muito, ele se sinta pressionado e ainda lhe apeteça menos vir e se não insistir, ele perca definitivamente o interesse ...
Por agora, eu e o pai decidimos "dar um tempo" aos "programinhas culturais de fim-de-semana", mas... Já tenho tantas saudades!


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Como Cai o Pó?

Esta foi a última pergunta que me deixou de boca aberta e sem saber o que dizer: 

-Como cai o pó?

O que é que se responde a uma pergunta destas? 
O pai ainda tentou: 
-Com o vento ...  
A que obteve a seguinte observação:
- Não é como sai o pó, mas como cai em cima das coisas ...
Eu abri a boca, mas tornei a fechá-la, sem ter proferido uma única palavra ...
O pai tentou de novo:
-Vem com o vento.
-Mas como?
Eu tornei a abrir a boca, mas fechei-a de novo. No que é que eu ia falar? Nas partículas? E depois vinham mais perguntas como "o que são as partículas?" E o que é que eu respondia a isso? 

Quando dou uma resposta ao J. tenho sempre que pensar qual será a pergunta que virá a seguir à minha primeira resposta. É um ciclo vicioso, cada frase minha tem uma pergunta dele que se lhe segue. Complexo, não? 
As minhas respostas devem ser de tal maneira inequívocas que ele fique sem perguntas para fazer. É muito difícil, porque ele consegue, na maior parte das vezes, surpreender-me com questões extremamente improváveis!

Desta vez, como não sabia mesmo o que responder, tentei fazer-me de invisível. 
Por hoje, acho que resultou, porque ele já estava com bastante sono, mas amanhã sei que me esperam mais umas tantas questões do mesmo gabarito... 
Definitivamente, estou tramada!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Momentos Eternos

Ontem, fui ver um filme ao cinema, o Super 8. Não o achei nada de especial. Os miúdos têm umas boas interpretações, mas que não são nada de espectacular. 

O que me tocou mais, foi um dos miúdos não ter mãe, que tinha morrido havia pouco tempo. Quando vejo filmes ou leio livros em que tal acontece, penso como seria se isso acontecesse ao meu miúdo... 

Como já disse anteriormente, sou uma cliente habitual do IPO e, por esse motivo, a minha morte já foi uma hipótese mais próxima que distante. Se calhar, foi essa proximidade de me deu força para lhe resistir. Pensar que o meu filho teria de crescer sem mãe, fez com que eu me agarrasse à vida "com unhas e dentes". Este não foi o único motivo que me encorajou a viver, mas foi o crucial. O amor das pessoas que me são mais próximas também ajudou, e muito!

Mas voltando ao filme e às crianças que crescem sem mãe, este assunto deixa-me sempre bastante sensibilizada e fico com aquela perturbadora (e já habitual) sensação que não aproveito todos os momentos em que estou com o J. Acho que devia eternizá-los para que, mais tarde, ele os possa reviver sem mim da maneira mais agradável possível.

A vida passa rápido e se não desfrutarmos dos bons momentos que passamos com quem amamos, ela ainda passa mais rápido ... É bom fazermos pausas no que é supérfluo para conseguirmos aproveitar o essencial ... Afinal, não vamos cá ficar para sempre... (Este pensamento já está muito visto, mas pouco interiorizado, pelo menos por mim ... E, como TPC de mãe, vou escrevê-lo 100 vezes para não me esquecer ... )

domingo, 21 de agosto de 2011

Gato (Bolinhas Fora!)

O nosso gato foi castrado, hoje! Coitadinho, anda para ali de olhos grandes e aos Ss , que até dá dó! Não faz a mínima ideia que já não tem "bolinhas", que já não pode procriar e que aos poucos vai perder os seus instintos de macho!
Gato das Botas - Shrek (imagem retirada da Internet)

Claro, que tive que explicar ao J. porque é que nós (humanos maus) fazemos estas coisas aos nossos bichinhos queridos!
Disse-lhe que era para o gato deixar de fazer xixi pela casa. Ele achou que era uma justificação perfeitamente aceitável e não perguntou mais nada. (O que nele é muito estranho!)
Eu é que fiquei a pensar no assunto ... 

Que direito temos nós de privar os animais dos seus instintos sexuais? Eu acho que nenhum ... No entanto, levei o gato à veterinária para que o castrasse, porque me dá mais jeito ter um gato que não me faça xixi pela casa! E, como a casa é minha e sou eu que o alimento acho-me no direito de lhe mandar tirar as "bolinhas" ... 
Nós, humanos, somos mesmo horríveis! Por vezes, pomos as nossas comodidades à frente dos nossos princípios... Foi o que fiz hoje e, por isso, sinto-me uma verdadeira megera!


sábado, 20 de agosto de 2011

Não Gosto Especialmente de Crianças (parte II)

O facto de eu não gostar especialmente de crianças, não quer dizer que eu não goste delas de todo! Fique aqui bem assente que eu gosto de crianças, só não gosto especialmente... Tenho por elas um considerável apreço, respeito e consideração. 

Para mim, as crianças são distintas por "estarem" crianças. A sua distinção vai-se extinguindo à medida que crescem. A ingenuidade, a pureza, a inocência, a curiosidade e a simplicidade de sentimentos e sensações, que lhes são tão características, acabam, quando adquirem mais conhecimentos sobre a vida e aí deixam de ter "aquela" piada (certamente passam a ter outra piada qualquer)!

De todas as características das crianças, a que mais me fascina é a curiosidade. Elas querem saber tudo! Desde a origem da vida até ao porquê da morte. Acreditam, que um dia, vão ter respostas a todas as suas perguntas e é essa crença que as faz crescer tão bem e depressa (talvez depressa demais)! Todos os conhecimentos que lhes transmitimos são absorvidos de imediato e a maior parte deles fica lá para sempre!

Acho esta capacidade de acumular conhecimentos espantosa! Também quero!!!!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Não Gosto Especialmente de Crianças

É verdade, não gosto especialmente de crianças, mas sinto que há uma estranha afinidade que nos liga. Não sou daquelas pessoas que mal vê um bebé, corre logo para o pegar ao colo, que faz "gu-gu, dá-dá" a qualquer um, ou que faz caretas e brincadeiras no primeiro encontro.

Sim, sou das difíceis (pelo menos com as crianças)!

Se algum pai babado me diz:
-Não quer pegar nele ao colo?
Eu respondo logo:
-Não, não, deixe estar, obrigada!

Geralmente, não me meto com os filhos dos outros, apenas lhes sorrio timidamente. São as crianças que se metem comigo ou então ficam a olhar-me fixamente, que até me deixam envergonhada ...
Por vezes, quando estou num qualquer sítio público, olho em volta e tenho umas tantas criancinhas a olhar para mim. Acreditem, é deveras intimidador!

Sinto, que eu e as crianças estamos sintonizados no mesmo posto, enquanto o resto dos adultos estão num outro qualquer ... Quase comunicamos telepaticamente... Sem pronunciarmos uma única palavra temos longas conversas ... Somos cúmplices num silêncio, que diz mais do que muitas palavras de adultos ...

A comunicação com as crianças (tal como com os animais) alicia-me muito mais do que com os adultos, porque é mais básica ... Não há falsidades ... Ou se gosta ou não se gosta, ou é ou não é... O que se diz (e diz-se muito pouco) é verdade, não é para agradar, nem porque é politicamente correcto ... Há verdade no olhar, nas acções, nas palavras ...

O J. hoje disse-me "Tens tantas rugas!", em vez de "Devias ter mais cuidado com a pele!". O que ele me disse veio fundo do seu coração, não artificialmente processado para me agradar ou para não me chocar ... Foi verdadeiro... E é verdade, eu tenho tantas rugas! E, depois, qual é o problema???


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Livros Escolares

Chegaram os livros! Eu e J. começámos a vê-los ... Estávamos curiosos com o que seriam as matérias do próximo ano ... 

A dada altura, o J. diz "cheiram mal!". E não é que era verdade? Os livros cheiravam mesmo mal! Buuuuu, que pivete!

No meu tempo, os livros da escola cheiravam tão bem! Lembro-me, como se tivesse sido ontem, de os centrar para que ficassem mesmo em frente ao nariz, fechar os olhos, fazer as folhas correrem de um lado para o outro e inspirar aquele aroma com uma enorme satisfação ...
Às vezes, ficava com o nariz lá entalado, mas era um mal menor, comparado com o prazer que me dava sentir aquele cheirinho!

Como poderão os nossos miúdos gostar da escola se os livros cheiram tão mal? Mal abrem um livro, ficam logo enjoados... Apetece é fechá-lo e nunca mais o abrir ...

Será por isso que há uma percentagem de insucesso escolar tão elevada?
Tenho uma sugestão para a fazer diminuir: Livros perfumados!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Super-Mãe

Sempre pensei que poderia ser uma super-mãe. Super-independente, super-rigorosa, super-educadora, super-brincalhona, super-divertida, super-carinhosa ... super, super, super ...

Na realidade, não sou super em nada e em algumas áreas deixo muito a desejar! Não consigo brincar com o J., descontraidamente, sem me preocupar em estar a educá-lo... Perco espontaneidade, só tenho brincadeiras calculadas e não consigo "curtir o momento" como gostaria. 

Às vezes, desejo separar o cérebro do corpo para conseguir sentir sem racionalizar... Não sei se me estou a explicar bem, mas o que quero dizer é sinto que o facto de eu racionalizar as brincadeiras me impede de viver o momento em toda a sua plenitude ...

Por não conseguir ser a super-mãe que gostaria, agradeço o facto de os filhos não serem unicamente filhos das suas mães e existirem os pais (que tanta falta fazem quando não estão presentes) e que preenchem os espaços que deixamos vazios... E assim, este trabalho conjunto divido por dois, permite-nos ficar, apenas, com a "pequena" tarefa de preencher os espaços que os pais deixam vazios... Ufa, que alívio! 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Animais Unidos (Contra Humanos Gananciosos)

Nesta sexta-feira que passou, fomos ver o filme de animação Animais Unidos

Trata-se de mais um 3D à boa maneira de Hollywood. No entanto, achei o filme muito bom! A história passa-se em torno de um grupo de animais da selva que vai à procura da água do rio que tarda em aparecer. 

O flagelo da escassez da água está bem explicado às crianças, desde o aquecimento global até aos derrames de crude no mar. As personagens estão bem adaptadas à realidade portuguesa com pronúncias de várias regiões do país e até com a expressão "estou concentradíssimo!" do Futre. 

Acho muito importante a mensagem ecológica nos desenhos animados actuais. Já tinha adorado o Wall-E, apesar de ter consciência que era mais para adultos do que para crianças! O J. gostou, mas (aqui que ninguém nos ouve) acho que eu gostei mais do que ele!


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Escola Mata a Criatividade

Tive que fazer um trabalho de inglês para a faculdade baseado nestas declarações de Sir Ken Robinson.  


http://www.ted.com/talks/lang/eng/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html
(Por baixo do botão de play, podem escolher as legendas na língua que pretenderem).

A teoria deste senhor põe em causa o sistema educativo actual, tal como o conhecemos.
Se esta não é a principal causa dos problemas da nossa sociedade, pelo menos, é uma das principais. Deverá  a escola continuar a formar os nossos filhos como o tem feito até agora? 
Duvido...

domingo, 14 de agosto de 2011

Guerra e Paz

Hoje o dia não me correu nada bem. Chateei-me com o J. por causa dos trabalhos de casa. É sempre a mesma guerra para os fazer! 

Ele fica nervoso, eu fico irritada e é o desatino total! Ultimamente, dá-lhe para ter ataques de histerismo e põe-se aos gritos que nem um louco! Qualquer dia, os vizinhos chamam a polícia por pensarem que eu estou a fazer mal à criança!

Eram trabalhos de matemática e ele embirrou que não sabia fazer um problema. Eu expliquei-lho centenas de vezes, mas ele não tomava atenção nenhuma ao que eu dizia e teimava que não sabia fazer nada daquilo. Era um raciocínio que ele faz "com uma perna às costas", mas hoje, ele não sabia e, por isso era o rapaz mais burro do mundo! Disse-lhe que só não entendia, porque não estava com atenção. Não resultou. Chorou e gritou!

-Ok, vamos fazer um intervalo para te acalmares e depois já consegues pensar melhor! 
Combinámos que a seguir ele fazia-os sem birra. 
Eu fui fazer as minhas coisas enquanto ele fazia o intervalo.

Quando lhe disse que o intervalo já tinha acabado e que ele tinha que voltar ao trabalho, ele confirmou que ia acabar os trabalhos pacífica e rapidamente, porque tínhamos que sair. Só que mal eu me ausentava da sala, ele começava a brincar. Isto uma vez... duas vezes... três vezes... Quando ele ia começar a brincar a quarta vez, eu chego-me ao pé dele, de mansinho, e digo-lhe:
-Amanhã, ficas de castigo!
Ele começa num berreiro que parte o coração mesmo a quem o tem mais frio, quanto mais a mim que me sensibilizo com uma parvoíce qualquer.
-Porquê, mãe? Porquê? - e chorava.
-Porque eu tenho respeitado as tuas dificuldades, compreendo que tu estejas cansado e sei que tens demasiados trabalhos para férias, mas tu também tens que me respeitar a mim e neste momento estás a gozar comigo, porque eu estou aqui há imenso tempo à tua espera para tu estares a brincar!
-Mas... mas...
- Mas... nada! Esperas que eu fale e depois falas tu! - passei-me completamente, mas passei-me a falar baixo e com aspecto de calma (acho eu), o que o deixou desconsertado.

A minha calma obrigou-o a acalmar-se. Ele foi fazer o resto dos trabalhos e de vez em quando dizia "só me apetece chorar", mas continuava a fazê-los. Acabou-os e fomos às compras.
Foi o caminho todo a tentar agradar-me, até mudava o tom de voz, para um mais queridinho. 
Eu nem conseguia falar com ele como deve ser... silenciosamente, estava a tentar juntar os pedacinhos do meu coração!


sábado, 13 de agosto de 2011

Hiperactivo? De certeza?

Continuando na mesma linha dos problemas das crianças deste mundo Moderno(?) e Civilizado (?) em que vivemos, gostava de partilhar a minha incerteza quanto ao assunto da hiperactividade. 

Actualmente, os médicos diagnosticam inúmeros casos de hiperactividade. Serão todos verdadeiros casos de hiperactividade? Na minha opinião, não! Mas eu não sou médica, nem psicóloga... por isso venho aqui apenas apresentar a minha estranha teoria!

Ela poderá chocar algumas pessoas, pois para mim, as crianças são como os cavalos! Não  pensem que é algum desprestigio ser-se parecido com um cavalo, antes pelo contrário! 

Aqui vai a minha explicação:
(Trabalhei uns aninhos com cavalos e tenho formação na área, por  isso penso que posso dizer que percebo um bocadinho destes bichinhos!)
Os cavalos  são animais que precisam de muito exercício, estão a maior parte do dia em pé e precisam de andar. Eles não podem estar muito tempo fechados numa boxe, pois podem ter cólicas intestinais mortais por causa de não se mexerem. Quando estão longos períodos fechados, devemos passá-los à guia antes de os montarmos, pois se não o fizermos corremos o risco de cairmos do cavalo por causa das suas alegres cangochas. Podemos comparar as  cangochas a "gritos de liberdade" que servem para libertar a energia em excesso que está acumulada nos seus corpos.

Com as crianças passa-se o mesmo! Lembram-se de quando eram pequenos e estavam sempre a brincar na rua, a saltar, a correr a subir às árvores, a andar de bicicleta, a saltar à corda, ao elástico, a jogar à apanhada ou a fazer outra brincadeira qualquer mexida? 
 Agora, olhemos com atenção para os nossos filhos! Quando é que eles se mexem? E quando é que brincam livremente? Pouquíssimas vezes, se os compararmos connosco quando éramos crianças , não é?

Tal e qual os cavalos que estão fechados todo o dia, os nossos filhos estão fechados nas aulas, em casa e nas mil e uma actividades orientadas que lhes arranjamos! E do que é que eles precisam? De dar cangochas!!  Por isso, não se concentram, por isso não conseguem estar quietos! Os nossos filhos precisam, desesperadamente, que os passem à guia para poderem dar cangochas e, assim, libertarem toda a energia que têm contida!

Com isto, não quero dizer que a hiperactividade não existe, acredito que exista, mas não tantos casos como os que nos querem fazer crer. Acho é que há demasiados falsos diagnósticos em que se enchem crianças de medicamentos de que não necessitam... e isso preocupa-me...

Glossário:

-Boxe - "casota" do cavalo; local onde o cavalo dorme, geralmente com dimensões de 2x3m com uma porta que está divida em duas (uma superior e outra inferior).
-Passar à guia - fazer o cavalo andar num círculo à nossa volta estando ele preso a uma extremidade de uma corda comprida (guia)  que nós seguramos.
-Cangochas - pinotes que os cavalos dão, apoiando-se nas patas dianteiras e elevando as patas posteriores num coice para o ar.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Bullying

Ando a ler um livro sobre bullying. Acho que a maior parte de nós não tem a noção da proporção a que o bullying pode chegar. Para quem não sabe, bullying é "um termo utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder" (citação de http://pt.wikipedia.org/wiki/Bullying).
Proteja o seu filho do Bullying foi escrito por um autor americano e está à escala do problema americano que é, como todos sabemos, em larga escala! Há casos em que as crianças chegam a suicidar-se!
Sabiam que as vítimas de bullying podem tornar-se facilmente bullies (agressoras)? Muitas vezes, as crianças que são vítimas na escola, são agressoras dos irmãos mais novos em casa! Estas crianças, que sofrem maus tratos diários, por parte dos colegas, quando se deparam com crianças potencialmente mais fracas, agridem-nas como forma de lhes dizerem "vês, sou mais forte que tu, nem te atrevas a fazer-me mal!". 

Uma criança que é alvo de bullying revela alguns sinais de alerta a que devemos estar atentos (cito apenas alguns, pois a lista é extensa):
-Manifesta uma súbita falta de interesse pelas actividades e eventos da escola;
-As suas notas baixam repentinamente;
-Tem uma postura corporal de "vítima": ombros caídos, cabisbaixo, evita o contacto visual directo e afasta-se dos outros;
-Tem pesadelos e insónias;
-Aparece em casa com arranhões ou nódoas negras inexplicáveis;
-Torna-se demasiado agressivo, rebelde e insensato;
-etc., etc.

Estou a achar este livro muito interessante, porque o autor vai-nos dando dicas para combatermos este problema. O fortalecimento da auto-estima dos nossos filhos e o incentivo para que usem comportamentos dissuasores da agressão (postura corporal, métodos para manter a calma no momento da agressão, respostas assertivas, etc.) são algumas das técnicas aconselhadas aos pais. Esta visão faz-nos acreditar que podemos combater este flagelo activamente, ajudando realmente os nossos filhos. Ao mesmo tempo que nos assusta, porque passamos a ter consciência da dimensão que o bullying tem, conforta-nos, porque ficamos com a ideia que podemos fazer alguma coisa. Aconselho vivamente a quem tem filhos na escola!

P.S. Garanto que não estou a receber nada pela publicidade!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Orgulho

Quando vou deitar o J., costumo ler-lhe uma história e depois conversamos um bocadinho sobre o dia que passou, os problemas dele (ou meus), o que vamos fazer no dia seguinte ou sobre qualquer outro assunto.

Num destes dias, a meio da conversa, disse-lhe:

-Tenho muito orgulho em ti!
-Eu também tenho em ti, mãe!
-Sabes o que é ter orgulho numa pessoa?
-Não...
-Então, porque dizes que tens em mim? Pode ser uma coisa má...
Ele encolhe os ombros, envergonhado e diz:
- Não sei, desculpa!
Eu encho-o de beijos para o tranquilizar e explico-lhe o que é ter orgulho em alguém. Ele ficou muito mais descansado e eu muito mais orgulhosa de ter um filho tão querido!


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

IPO


Eu sou cliente habitual do IPO, há já alguns anos. Actualmente, vou lá com menos regularidade (felizmente). Por isso, não me impressiono com facilidade ao ver pessoas com as mais variadas mazelas, nem mesmo as mais estranhas: tumores gigantes ou falta de partes do corpo. As cabeças carecas ou com cabeleiras entraram na minha vida de uma forma harmoniosa.

Hoje, tive que lá ir fazer uma TAC. Fui para a sala de espera e correu tudo bem até chamarem um miúdo, de uns 14 anos... Quando lá entrei, nem reparei no miúdo. Havia uma data de pessoas com ar frágil e doente, algumas carecas, devido à maldita / bendita quimio, mas no miúdo não reparei... 

Chamaram-no "J.!" e o meu coração ficou logo apertadinho (o meu filho chama-se J.). Seguidamente, vejo-o levantar-se... e fico com a lágrima logo a espreitar... 

Não sei porque isto acontece comigo desta maneira... mas acontece sempre que vejo uma criança no IPO! 

Uma das maiores injustiças é as crianças terem que passar por doenças como o cancro! Bolas! Os corpos deles ainda não estão sequer formados! Como podem começar, já, a fabricar células maradas??
Passar por um cancro não é pêra doce... ainda mais para as crianças! Como lhes explicamos que têm de passar por tratamentos, extremamente dolorosos, que os vão fazer sentir ainda mais doentes, para ficarem boas? Não explicamos! Ou se explicamos, eles não percebem! A nós, adultos, já é tão difícil entender... 

E o pior disto tudo é que, às vezes, não ficam boas...

Mãe, adoro-te!

O meu filho está sempre a dizer-me "Mãe, adoro-te!, Mãe, adoro-te!", por tudo e por nada, "Mãe, adoro-te!", que já nem ligo! Não ligo, mas devia ligar! Ele está a dizer que me adora e eu não ligo???
Um dia, vou querer que ele diga que me adora... e nesse dia, vai ser ele que já não me liga nenhuma!