sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Manobras de Dispersão

Imagem retirada DAQUI
Não, não me enganei... Quero mesmo dizer manobras de dispersão! Aquelas com que tentamos dispersar as angústias, tristezas, raivas, etc., quando estamos menos inspirados para a vida ou desiludidos com ela... Tentamos ver-nos livres de tudo o que nos chateia, através de manobras acrobáticas que muitas vezes não surtem qualquer efeito!

Se nos vemos rodeados de melgas (ou moscas), de nada vale enxotá-las, porque voltam sempre na esperança de levarem um pouco do nosso sangue. O truque será usar o repelente, que as mantém longe (ou à distância necessária para as vermos sem que nos piquem). Este repelente deve ser potente, para não termos que estar sempre a pô-lo, caso contrário torna-se uma canseira.

Claro que há sempre uma ou outra melga que temos que enfrentar, mas se só uma levar um pouco de sangue, também não será por isso que ficaremos mais fracos.

Às vezes, as melgas aparecem personificadas, outras não... Tanto num caso como no outro, o repelente costuma funcionar, mas se se mostrar ineficaz, há sempre os famosos e úteis mata-moscas que, quando têm  buracos pequeninos, servem igualmente para moscas e melgas e, numa só pancada... Pah! as matam de vez!

E assim, já podemos descansar de tanta manobra!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tenho Um "Poeta" em Casa...

Eu na sala, o J. na casa de banho...
-Mãe, és a mãe mais especial que alguém pode ter!
Pensei não estar a ouvir bem e perguntei:
-O quê?
Ele repetiu.
Vou ter com ele de baba a pingar... 
Quando chego à casa de banho, deparo-me com um miúdo, de calças pelos tornozelos, empenhado na árdua tarefa de limpar a cavidade que lhe separa um glúteo do outro... Abraço-o e beijo-o com todo o orgulho, baba e amor que uma pessoa sente ao ouvir tal "poema" da boca de um grande homem num corpo pequeno (que por mero acaso é seu filho), ignorando o facto de a indumentária não estar à altura que, em circunstâncias normais, o momento exigiria.

Depois de acordar de tamanho êxtase (e de ter que limpar a baba que espalhei pelo caminho que percorri para chegar até ele), volto à sala com as seguintes questões a corroerem-me a massa cinzenta: 

Porque se terá ele lembrado de mim no meio de uma tarefa tão...tão... respeitável?

Qual terá sido a inspiração para tais palavras a meu respeito?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Importância do Não

Sei que sou uma chata, mas sou uma chata consciente da minha chatice. Não sei se é melhor ou pior, mas sou assim e vou continuar a ser até chegar à conclusão que devo mudar.

Digo "não" ao J. muitas vezes e digo-o à frente de todos sem o problema típico do que os outros vão pensar...

Podem achar-me uma chata ou demasiado rigorosa, mas eu estou convicta que sei quando dizer não ou sim, porque sei que ele tem plena consciência das regras e que sabe que todas elas têm excepções e que quem tem autoridade para as ditar sou eu ou pai e mais ninguém.

Por vezes, em casa de familiares, tentam tomar as rédeas da autoridade sobre ele e aí, eu dou largas à minha chatice e não deixo... Na minha presença ou na do pai, a autoridade máxima é nossa e penso que é assim que deve ser sempre. 
Na nossa ausência, quando ele fica com os avós, os bisavós ou com outras pessoas, podem (e devem) mimá-lo à vontade e mimá-lo onde nós não podemos, porque termos que educar, que lhe dar limites e regras para que se sinta seguro e orientado. E ele sabe, como todas as crianças sabem, que tem limites diferentes com cada pessoa, que com umas pessoas a "red line" é aqui e com outras é mais além. E fico irritada quando tentam manipular ou usurpar a nossa autoridade de pais (que é máxima e não pode respeitar qualquer espécie de hierarquia familiar, que não a nossa).
Não contesto nem critico que mimem muito o J., até gosto, "quem meu filho beija minha boca adoça", mas não tolero que ponham em causa o meu NÃO. (Ele, já por si só, é tão difícil de dizer, quanto mais quando mo criticam). Quando, por exemplo, ele quer comer mais um chocolate, e já comeu imensos, e eu ou o pai dizemos não, este não tem que ser respeitado, porque só nós sabemos porque o dizemos e porque nós somos os maiores defensores do que é melhor para ele... Dizerem-nos "coitadinho, dá-lhe lá o chocolate" ou outra frase do género, só me enfurece e de nada adianta!
Nós, os pais, podemos errar (e erramos muitas vezes), mas tentamos sempre fazer o que achamos melhor para ele. Agradeço, do fundo do coração, que nos chamem a atenção quando erramos, que nos dêem conselhos, que nos orientem sob toda a experiência que os anos consagram, mas não posso permitir que nos desautorizem! 
Aceito todas as opiniões que, devidamente fundamentadas, vão contra as regras que estipulei. Mudo de opinião, mudo as regras e a minha maneira de agir, se me provarem que estou errada. Não sou uma cabeça dura, nem uma teimosa inconsequente, mas têm que me chamar à razão à parte, sem me desautorizarem perante o meu filho, porque aos olhos dele, sou eu (e o pai) que tenho que o orientar e dar segurança. Essa função é minha e do pai e a última palavra tem que ser a nossa. E claro que tenho dúvidas, e claro que peço a opinião dos mais experientes e orientações para este meu papel tão difícil que é o de ser mãe, mas não posso, não quero e não vou deixar que me substituam enquanto eu cá estiver!

Não gosto de ver pais a agirem como avós, nem avós a agirem como pais. Na existência de ambos, cada categoria parental tem as suas regras, os seus mimos, a sua função e nenhuma pode ser desprestigiada perante a outra, e nenhuma é menos importante do que a outra. São diferentes e é essa diferença que contribui para os nossos filhos serem mais ricos nas relações interpessoais que mantiverem e serem pessoas mais completas.

Aos avós compete, essencialmente, o mimo bom, as brincadeiras repletas de fantasia e de histórias que vão preencher as recordações de uma infância feliz; à escola a instrução e a preparação para se viver em meio social, mas a função de educar, de transmitir valores, de contribuir para a formação daquela pessoa enquanto ser uno, é sobretudo dos pais, não é dos avós, da escola ou de outra entidade qualquer, mas sim dos pais...
É óbvio que este não é um padrão rígido, mas gosto de o ver como uma espécie de linha orientadora...

E é por isso que o NÃO é mais dos pais, do que de qualquer outra pessoa, e é por isso que nos calha a nós, pais, sermos os desmancha-prazeres, os castradores e os chatos, e é por isso que não nos podem tentar tirar o direito de dizer NÃO, nem nós nos podemos, nunca, demitir dessa tarefa!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Das Prendas e do Natal

Este ano não vou oferecer prendas a ninguém, excepto às crianças.
Não acho importante a troca de presentes e cada vez me estou mais a lixar para o politicamente correcto. A quem gosto, tento dar-lhes o meu afecto todo o ano, de graça e de boa vontade, a quem não gosto não lhes dou nada, pois parece-me bem melhor assim, do que lhes dar uma porcaria qualquer, só porque é Natal.

Não fiz nenhuma wishlist, porque não desejo nada que me possa ser oferecido dentro de um embrulho... Quero apenas a saúde, que ultimamente tem andado zangada com o pessoal destas bandas.
O resto, com maior ou menor facilidade, lá se vai arranjando...

A vocês, caros leitores, desejo-vos um Feliz Natal com tudo o que desejarem!


Imagem retirada DAQUI


Design For Living

Hoje, fui ao teatro! Já estava com saudades, confesso!
Fui à Comuna ver Design For Living e saí de lá com o vício satisfeito, sim senhor!
O texto é delicioso e fiquei cheia de vontade de ler o livro para poder desfrutar, em pleno e com calma, do jogo de palavras e de ideias que é excelente. Além de poder reler, reler e reler...

As interpretações não estão más, mas só um dos actores me impressionou (o menino do lado esquerdo na foto), os restantes estavam bem, mas nada de espectacular, pelo menos para mim (mas eu não passo de uma amadora a avaliar estas coisas).

Se puderem, não deixem de ir ver esta peça, porque vale a pena... 
Às quartas e quintas o bilhete custa 5€ (sai mais barato do que ir ver um filme 3D ao cinema e aqui vemo-los em carne e osso e, com um bocadinho de sorte, ainda levamos com um perdigoto na testa, ehehehehe!). Está em cena até 5 de Fevereiro.

Ah! Por favor, não se choquem quando virem uns meninos a darem uns beijinhos!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Toca a improvisar!

Eu e o pai do J. estávamos em pleno "tête-à-tête", na cozinha, quando o J. entra e diz uma "queridice", que me deixa completamente derretida...
Eu agarro-lhe na cara com as duas mãos, dou-lhe um beijo repenicado na testa e quando vou a abrir a boca para falar, ele diz:

-Já sei o que vais dizer: "Sabes que te amo muito?" Era, não era?

Porra, não me sabia assim tão previsível! Tenho que começar a inovar os meus deleites maternais... 
...Urgentemente!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quando o Cancro Bate à Porta...

Nós, pessoas saudáveis, que nunca tiveram cancro, pensamos:

-Ok, há muita gente com cancro, avós, tias/os e mães/pais, mas, normalmente, acontece aos outros, mesmo que sejam outros muito próximos.

Nós, pessoas que já tiverem cancro, pensamos:

-O que quer dizer esta borbulha? Será cancro na pele? E esta dor no peito, será cancro no pulmão? Estes suores nocturnos serão uma qualquer espécie de cancro que desconheço? 

Filhos Preferidos

Eu sei que não sou a pessoa certa para falar sobre este assunto. Sou filha única e só tenho um filho. Não posso dizer se me sinto preferida ou preterida em relação a um irmão, nem se gosto mais de um filho ou de outro.
No entanto, li a reportagem da Visão, desta semana, "O meu filho preferido" e não consigo deixar de discordar, com a maior parte, do que lá é dito. 

Não acredito que todos os pais tenham um filho preferido, talvez para alguns isto tenha algum fundo de verdade, mas não penso que aconteça assim com todos.

Creio que gostamos das pessoas de maneira diferente e que sentimos uma maior afinidade, uma maior proximidade ou cumplicidade com certas pessoas, o que não quer dizer que, obrigatoriamente, gostemos mais de umas do que de outras. 

Eu não consigo encaixar numa escala de quem gosto mais, se do meu pai, se da minha mãe. Sei que gosto dos dois de maneira diferente, que encontro mais pontos em comum com um, do que com o outro, mas não consigo medir esse amor. E penso que não é importante medi-lo... Quando amamos alguém, amamos individualmente, na singularidade e particularidade de cada um e amamos determinada pessoa por tudo o que ela é, pelas coisas de que gostamos nela e pelas que não gostamos... Se não amamos o todo, então, não acredito que amemos verdadeiramente... E aí, o sentimento talvez tenha outro nome, que não amor...

Com os filhos parece-me que será ainda mais difícil dizer se se prefere um ou o outro. Talvez nos sintamos mais próximos de um, por ser mais parecido connosco, por gostar das mesmas coisas que nós, por apreciarmos certas qualidades que este tem e o outro não tem, ou por nos sentirmos encantados com a sua diferença, originalidade, rebeldia, etc... Mas gostar mais?! Sentir mais amor?! Parece-me difícil de avaliar...

Reafirmo que eu não sou a pessoa certa para falar sobre este assunto, falo apenas porque não consigo conceber a existência de uma escala de amor... 

Não penso que seja possível medir o amor, nem que seja importante escalá-lo. 
Perguntas como "gostas mais do pai ou mãe?", são, para mim, desnecessárias, ridículas, imbecis...

E os filhos? Ou os amamos ou não os amamos... 
E há quem não ame os filhos, pois há!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

A minha mensagem de Natal, para todos vós, está AQUI!
Porque o Natal é isso... O espaço para as coisas que realmente importam...

Feliz Natal!

Sexy

Não sei se viram este episódio do Último a Sair...


O J. viu e, cada vez, que me vê a dar um beijo ou abraçada ao pai, passa por nós com um ar malandro e diz :

-Sexy!

Ah, e nós não nos beijamos, nem nos abraçamos com os movimentos do Rui Unas!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

E Quando a Febre Nos Brinda Com Uma Descida...


-Mãe, eu não gosto que haja gente pobre...
-Não? E como achas que poderá deixar de haver?
-Como o Robin do Bosques fazia!
-A roubar aos ricos para dar aos pobres?
-Sim!
-E achas que está correcto roubar a uns para dar a outros?
-Não acho que se deva roubar, mas só assim é que podia ser...
-E se o dinheiro estivesse mais bem distribuído, não era melhor?
-Não! A melhor maneira era deixar de haver dinheiro!
-E como comprávamos a comida e as coisas que precisávamos?
-Era tudo grátis e íamos ao supermercado buscar o que precisássemos... Sem pagar!
Gostei da ideia.

Depois de extinguirmos a pobreza, continuámos o nosso delírio pós-febre a tentar arranjar um lugar para onde enviar o Sr. Paulo Macedo (Ministro da Saúde). Passaram-nos vários locais pela cabeça:

A primeira ideia foi enviá-lo para o espaço sem capacete, mas desistimos, porque nenhum de nós queria que o sr. morresse, apenas queríamos que ele parasse de dar cabo da nossa saúde. Depois pensámos na China, na Etiópia e acabámos por escolher...

...Outra galáxia!
(Mas iria com capacete, claro!)

É óbvio, que ficámos, os dois, cheios de pena dos extraterrestres, mas antes o sr. chateá-los a eles do que a nós!

Ah, e ainda há a possibilidade de os extraterrestres não terem um SNS para destruir!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Filhos Doentes

Quando o meu filho fica doente, causa-me sempre um sentimento estranho que se situa entre o pânico e a incompetência...

Porra, detesto sentir-me assim!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A Culpa

Não tenho nada contra os portugueses (antes pelo contrário, sou portuguesa, com muito orgulho!), mas se há característica que me exaspera no português típico é a busca incessante de um culpado para os problemas, em vez da procura de uma solução!
Na política, no trabalho, nas amizades, nas relações amorosas ou familiares, o que interessa é encontrar-se o culpado, para depois se "sacudir a água do capote" e poder-se "sentar à sombra da bananeira" sossegadinho e descansadinho, a beber uma Mini e a comer uns tremoços, porque a culpa é do fulano tal e "com a culpa alheia, vivemos nós bem!".

Porque não aproveitar o tempo precioso, que se perde à procura de um culpado para o problema, a pesquisar uma solução? Não seria mais proveitoso? É que, enquanto se procura o culpado, o problema continua a existir e, geralmente, a crescer e a distanciar-nos do seu fim... 

Em vez de se deixar os problemas arrastarem-se, se se aplicasse todas as forças na sua resolução, não seria mais vantajoso? Ou é mais interessante delegar essa tarefa a outro, para se poder dormir descansado? E dorme-se realmente descansado? 

Não me parece!

Das Alturas

Como já disse aqui, eu meço 1,80 cm, mas ainda não disse que o pai do meu filho mede 1,75 cm, ou seja, eu sou mais alta do que ele 5 cm. Não é muito, mas é o bastante para se notar à distância!

E perguntam-me vocês porque estarei eu a falar destas coisas de alturas...
E eu respondo-vos, porque, durante muito tempo, tive complexos de ser tão alta!

Em pequena, nunca fui pequena e pode-vos parecer estranho, mas isto mexe com a auto-estima de uma pessoa, quanto mais com a de uma criança... 
Sempre fui a mais alta em todo o lado e por isso, as pessoas só me viam em profissões como jogadora de basquetebol (para o qual nunca tive jeitinho nenhum, apesar de gostar muito deste desporto) ou modelo (a qual ainda tentei, sem grande êxito, pois não faz muito o meu estilo andar a disputar as atenções dos outros com ninguém, nem gosto de passar fome e eu teria que passar MUITA fome para ficar com o aspecto escanzelado pretendido, porque a minha constituição óssea é larga)... 

Por estas razões e outras tantas, vivi uma grande parte da minha vida encolhida para parecer mais pequena...

E eis que chega a adolescência, a fase de todos os complexos, a que eu aderi em pleno! Continuei encolhida, porque a "mulher portuguesa quer-se pequenina e magrinha como a sardinha" e quanto ao pequenina, a única coisa que eu podia fazer era encolher-me e... encolhi-me...
Algumas pessoas diziam-me: 
-Eu queria ser tão alta como tu!
Não, não queriam... Estavam redondamente enganadas, porque ser grande num país de pequeninos é tão mau como ser pequenino num país de grandes! 
As mulheres vêem-nos como "cavalonas" ou invejam-nos porque os seus homens olham para nós (tal como toda a gente olha, porque damos nas vistas por causa de termos uma altura pouco comum) e os homens sentem-se intimidados, porque uma mulher grande é olhada por supostos rivais e porque, como qualquer macho latino que se preze a afirmar a posse sobre a sua fêmea, é muito mais difícil, senão impossível, por o braço por cima de uma mulher mais alta do que eles, do que pô-lo cima de uma mais baixa. 

Então, o que nos resta, a nós mulheres grandes, fazer?
Estarmo-nos a lixar para a maneira como nos olham e seguirmos em frente!
Quanto a arranjar par, podemos procurar homens maiores do que nós (o que é bastante difícil neste Portugal dos Pequenitos) ou procuramos umas "aves raras" que gostem de mulheres que nunca mais acabam...
Eu consegui arranjar o segundo tipo de homem (depois de muita procura, é certo!) e dou-me por muito satisfeita, até porque ele tem força suficiente para me pegar ao colo (coisa que aprecio bastante), apesar de ficar de rastos nas horas que se seguem...

E os complexos?
Esses foram-se... Porque a adolescência já vai longe, porque as mulheres não se medem aos palmos e porque é sempre melhor cultivarmos um bom conteúdo, do que ficarmos preocupados com a embalagem...

Hoje, já não me encolho e até acho piada ao casal assimétrico e invulgar que formamos...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Civismo

Será que ainda existe? Ou não passa de mais uma espécie de animal em vias de extinção? 

Vejo, repetidas vezes, casos que me arrepiam... Automobilistas a insultarem-se obscenamente, gente a cuspir para o chão, cocós de cães espalhados pelos passeios, pessoas a atropelarem-se nas filas para as caixas das lojas, casas-de-banho públicas nojentas (com xixi espalhado pelos sítios mais estranhos), enfim, uma quantidade de indícios de que esta talvez seja uma sociedade bárbara ou, possivelmente, animalesca...

Onde é que nós vivemos afinal? Será na selva ou num país dito civilizado? 

Está-me cá a parecer que deve ser na selva... E o civismo deve ser mesmo um animal em vias de extinção...
Aqui, nesta selva, ainda se vêem alguns casos (poucos!) de civismo, que estão circunscritos a reservas naturais, onde também existem (ainda!) alguma humanidade, respeito pelo próximo e outros bichos estranhos parecidos...

Que tal se começássemos a seguir um programa de reprodução desta espécie, de forma a não se extinguir totalmente, em vez de continuarmos a educar os nossos filhos como se de uns perfeitos animais se tratassem?
É que este problema não é só dos adultos, as crianças estão cada vez mais insolentes, arrogantes e algumas chegam mesmo a atingir o limiar da estupidez...

Deve ser uma questão de moda... Como a arrogância tem sido interpretada como sinónimo de sucesso profissional, à custa de belos exemplos como o do José Mourinho, alguns pais devem pensar que se treinarem os seus filhos para serem umas bestas, um dia, eles serão ricos e bem-sucedidos como ele...
Desenganem-se amigos! O José Mourinho só ficou arrogante depois de já ser rico!

...Ou então, deu-se uma inversão de valores, enquanto eu estava a dormir e, quando acordei, isto estava tudo virado de avesso...

...Ou então, eu tenho sido uma invisual neste assunto e aconteceu um milagre que me fez passar a ver estas coisas através de uns olhos aterrorizados...

...Ou então, eu estou a ficar demasiado esquisitinha... 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta Ao Pai Natal

Imagem retirada daqui
-Mãe, a professora mandou-nos escrever uma carta ao Pai Natal a pedirmos presentes...
-Sim... E o que é tu pediste?
-Pedi um irmão e uma bateria!
-E como é que o Pai Natal te vai arranjar um irmão?
-Como ele é um santo (o São Nicolau) vai rezar muito para aparecer um irmão na tua barriguinha...
-Parece-me que vais ter mais sorte com a bateria...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Momento Narcisista Invertido (ou talvez não)

Se eu prometi, cumpri! (Ups, hoje é para demolir o meu ego e não para o enaltecer...)

Vou começar por um defeito soft... Sou paranóica (sentiram a suavidade da coisa?), quando meto uma ideia na cabeça, fico a matutar nela até à exaustão (que o diga aqui o meu companheiro de casa sénior, que se farta de sofrer comigo!)

Sou demasiado honesta (a cair mesmo para o parvo!), não regateio preços, não tento pagar o menos possível por um bem ou serviço, se achar que o preço é justo e não minto bem (sou mesmo uma péssima mentirosa), se tenho que dizer alguma mentira fico com ela na cabeça para sempre (e, voltando ao defeito soft, entro em paranóia!). Sinto-me para lá do pessimamente, se duvidam do meu carácter por causa da mais pequenina mentirinha que me veja obrigada a dizer (chego eu mesma a duvidar dele). (Porrada em mim!)

Esta honestidade é um dos meus piores defeitos, pois nem das mentiras piedosas ou fantasiosas sou muito adepta. Por vezes, choco as pessoas com uma frontalidade que magoa ("não havia nexexidade", como dizia o Herman)... Não digo ao meu filho que o Pai Natal existe, nem que as pessoas, quando morrem, vão para o céu, digo a verdade, o que faz de mim uma malvada sem coração!

Neste meu papel de mãe, falho muito... Não sou muito afectuosa (não sou uma besta, mas, às vezes, ando lá perto!) e sou muito dada a explicações demasiado complexas sobre tudo e mais alguma coisa, desde a origem do Universo, até à razão de um simples castigo. Estas explicações devem-se ao facto de eu própria questionar tudo (o meu cepticismo pode ser apelidado de fundamentalista), não acredito em verdades universais e duvido das ideias mais básicas, enfim, sou uma chata!

Estão quase a sair daqui para irem visitar outro blogue?
Vão, mas não, sem antes, lerem o resto, pois assim irão muito mais satisfeitos por se livrarem de mim...

Sofro de falta de paciência... Não tenho paciência para gente chata (parece uma contradição, não parece? Mas esta chatice difere um pouco da minha... ou talvez, nem tanto assim...), pessoas que se estão sempre a queixar ou que contam todos os pormenores de tarefas simples como fazer a cama, bloqueiam-me automaticamente os ouvidos, ou seja, deixo de conseguir ouvir o que dizem, no exacto momento em que me começam a enervar. Também não tenho muita paciência para esperar, seja lá do que for...

Por fim, não posso deixar de vos dizer que sou loira (não sei muito bem o que isto quer dizer, mas é um grande defeito, de certeza!).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Momento Narcisista

Hoje, vou dedicar este post, aqui à Narcisa, ou seja a mim...

Vou-vos contar o que realmente me faz gostar de mim (não se enfadem já, porque não são muitas coisas!)...
Acho que, em primeiro lugar, tenho algum sentido de humor, estou sempre a dizer parvoíces (sofro de parvoíce crónica), o que me faz ir descomprimindo ao longo do dia e me impede de entrar em depressão com as porcarias que, às vezes, passam pela minha vida! Gozo com os outros em igual dose à que gozo comigo mesma, nem mais nem menos... Se somarmos aqui a minha capacidade de esquecer os momentos mais trágicos da vida, podemos considerar-me uma miúda feliz. Não guardo rancores e se me pedirem para eu descrever um momento muito mau da minha vida, o mais provável é eu não me lembrar de metade, o que acho óptimo (beijinhos a mim!).
Claro que sofro (não sou uma insensível), até por antecipação (stresso com imensas coisas), mas não sofro com "águas passadas", se já passou, ficou lá para trás e só serve para eu identificar a situação, caso ela se volte a repetir e, assim, não cair nas mesmas asneiras vezes sem conta.

Seguidamente, acho que sou boa ouvinte, gosto de ouvir os outros e de tentar entendê-los (arranjar uma explicação para os sentimentos e para as acções dos outros, é um dos meu passatempos favoritos).

Por último, acho que sou uma boa amante (não comecem já com pensamentos obscenos, pois é apenas no sentido de quem ama), quando amo alguém, amo a sério, não há cá mais ou menos, nem só um bocadinho, se é para amar é com o coração todo!

E pronto, já me elogiei... (Não foi assim tão chato, ou foi?)

Amanhã, transformar-me-ei numa demolidora do meu próprio ego! 
Verão que será bem mais divertido!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Gatices

Já não bastava ter o J. doente e, agora, o gato resolveu imitá-lo... 
Está com uma infecção urinária e arranjou, uma tourada para tomar os medicamentos, mas nesta tourada, o touro fui eu que saí cheia de bandarilhas nas mãos! &%$//)(%=)(&#"!#"!#%$!!!!

Lá tive eu que por esta cabecinha loira a funcionar e tentar usar a minha "superioridade" intelectual para o enganar...

Tomou ou não tomou os medicamentos?

Tomou pois! Bem misturados na sua comidinha favorita, comeu tudo e até limpou o prato!!!
Eu -1 Gato-0
Eh, eh, eh!!!!

(Como devem imaginar, tenho andado a frequentar um estágio de enfermagem, aqui em casa... Medicamento ao filho, medicamento ao gato, ver febre ao filho, ver xixi do gato, preparar comida de um, preparar comida do outro, enfim, preocupações e trabalhinhos extra que eu dispensava com todo o gosto!)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Coração Pequenino

Os um ou dois dias, que era suposto o J. estar doente, já vão em quatro...
Quando ele está doente, o meu coração fica pequenino, mas tão pequenino, que às vezes penso que ele se foi embora e me deixou aqui "descoraçãozada"...

Quero o meu filho bom depressa... e que o meu coração volte ao tamanho normal...

Imagem retirada daqui

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sonhos por Concretizar

Eu e o pai do J. fomos acusados de não o deixarmos concretizar o seu sonho!
Várias vezes, ele nos disse:
-Vocês não me deixam concretizar o meu sonho!
Senti-me uma ditadora fascista... Que maus que nós somos em não o deixar andar em casa aos saltos a tentar afundar, num cesto de basquetebol improvisado, quando está doente! Bloquear desta maneira o sonho de uma criança, só porque não queremos que ele sue e que, por isso, fique mais doente, não é maldade, é desumano!
Tivemos que lhe dizer:
-Ainda só tens 7 anos, tens muito tempo para concretizares os teus sonhos! Se não for hoje, que estás doente, será amanhã que, com certeza, já estarás melhor...
Mas ele dificilmente se convenceu, que adiar um sonho um ou dois dias, não é a mesma coisa que o adiar eternamente...
E continuou aos saltos...
Posto isto, o nosso lado ditador falou mais alto e tivemos que o proibir de saltar.

Criança sofre...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Está Tudo Doido?

Hoje, li esta notícia e fiquei de boca aberta!
Ok, podem chamar-me ingénua, mas uma notícia destas (comprovando-se que foi o que realmente aconteceu) é muito difícil de digerir. 
Como é possível um pai ter uma ideia tão brilhante(?) como a de pôr um filho de castigo dentro da máquina de lavar roupa? Que raio de iluminação divina o faz, depois, ligar a máquina no modo de secagem????
O homem só podia estar sob efeitos de LSD ou coisa parecida... Só estando a alucinar é que se pode confundir um filho com uma peça de roupa...
E a irmã ainda diz que não foi a primeira vez que o pai fez uma atrocidade destas?!

Começo, seriamente, a achar que está tudo a ficar louco... Ou então, sou eu que não estou boa da cabeça...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pergunta

Bloggers amigos, não vos está a acontecer desaparecerem-vos blogues que estão a seguir e aparecerem-vos outros que já pararam de seguir?

Todos os dias, tenho que adicionar uns e tirar outros! 

Já estou a ficar farta disto!!!!!

Fome

Há uns tempos atrás, quando ia para o trabalho, encontrava várias vezes um senhor idoso a pedir esmola à saída do comboio. Dei-lhe dinheiro, não sempre, mas em algumas ocasiões...
Este senhor impressionou-me pela sua fragilidade, por isso falei sobre ele, cá em casa. Contei que ele me parecia sofrer de várias doenças devidas à idade e que não teria dinheiro para comer quanto mais para os vários medicamentos que provavelmente tinha que tomar. O J. foi particularmente sensível a esta história e começou a arranjar soluções para o ajudarmos. Foi à despensa buscar um litro de leite, umas bolachas e um garrafão de água e disse:
-Mãe, vamos levar isto ao senhor! Assim, já tem alguma coisa para comer... 
Enterneceu-me a preocupação dele, mas como eu não sabia o dia da semana que poderíamos encontrar o senhor na estação (pois ele não aparecia a dias certos) acabámos por nunca lhe levar os alimentos. Foi pena, pois acho que o J. ia gostar de sentir que podia fazer alguma coisa para o ajudar.

Nas férias desse ano, fomos a Roma. 
Roma é uma cidade belíssima, cada pedra em que tropeçamos é um monumento. Mas Roma também é uma lição de vida, porque à porta das igrejas mais luxuosas encontramos uma dezena de pedintes...
Por incrível que pareça, o caminho para o Vaticano seria o local ideal para elaborarmos um catálogo completo de pedintes. Lá, podemos encontrar  todo o tipo de "restos humanos", desde pessoas com tumores enormes, com membros amputados, a velhos e mulheres com crianças ao colo sob um sol abrasador, há de tudo...
Um muro alto separa o luxo extremo da "sede real da Igreja Católica" da realidade em que vivemos e separa-a efectivamente, pois o Império Católico não mostra a mais pequena sensibilidade sobre o que passa para além daquele muro...

Vaticano

A riqueza da Basílica de São Pedro choca, especialmente, perante o que temos que ver até lá chegar...
Se desprovêssemos a Basílica de São Pedro do ouro que a adorna (sem termos que ir buscar mais à imensa riqueza da Igreja) daria para acabar com a fome de muitas daquelas pessoas...
Claro, que não sou tão ingénua ao ponto de pensar que todos os pedintes que vimos na rua são pessoas com uma verdadeira necessidade de mendigar. No entanto, acredito que muitos casos são, realmente, de extrema pobreza...
E fico impressionada, indignada (e mais umas tantas outras coisas acabadas em ada, como por exemplo, lixada), quando vejo entidades tão poderosas como a Igreja Católica, que se dizem bondosas e altruístas, a fazerem praticamente nada para combater a fome no mundo e a ostentarem tanto luxo e riqueza!

Basílica de São Pedro (interior)
Para entrarmos na Basílica de São Pedro, temos que tampar os ombros e as pernas. Eu, por saber disto,  levei uma écharpe grande para me tapar...
Antes de entrarmos o pai do J. criticou o facto de eu a usar. Ele achava que era uma parvoíce e que eu não devia fazê-lo, se não concordava com isso. Ao contrário dele, eu acho que, quando queremos entrar na toca do lobo, devemos vestir a pele do lobo e não a do cordeiro, para evitar que sejamos comidos.
Foi o que fiz e confesso que foi um acto um pouco hipócrita da minha parte, mas a minha hipocrisia não é nada se a compararmos com a do Vaticano que rodeia um local, que deveria ser de culto, com artigos de merchandising para engrossar a, já enorme, fortuna do Vaticano. Se somarmos a isto, as caixas de esmolas e as velas de moedinhas, conseguimos, então, compreender melhor a imensa importância que a Igreja dá a fazer dinheiro. Dinheiro este que não é só usado para ajudar os pobres, mas especialmente para encher os  próprios bolsos.

Esta nossa estadia em Roma, no fundo, serviu para o meu filho perceber que o mundo está cheio de desigualdades e que para existirem igrejas cheias de ouro, tem que existir muita gente com fome...
Ele zangou-se comigo, várias vezes, por eu não dar esmola a todas as pessoas que vimos a pedir, mas como eu sou egoísta, prefiro guardar algum dinheiro para poder viajar e mostrar-lhe as coisas boas, mas também as más deste mundo e, com isto, contribuir para fazer dele uma pessoa um bocadinho melhor por estar alerta para a realidade, por mais dura que esta possa parecer...


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Juro Que Não Queria, Mas Teve Mesmo Que Ser...

É verdade, eu estava um bocadinho renitente em vir aqui falar da greve, mas este assunto está a começar a fazer-me aquela comichãozita no céu-da-boca, por isso vou ter mesmo que dizer umas coisitas!

Perdoem-me os grevistas e os antigrevistas, mas acho, sinceramente, que esta greve é inútil! Fizeram-se tantas greves ultimamente e qual foi o resultado? Nenhum! Está tudo igual ou pior!

Grevistas amigos, acham mesmo que o governo se ressentiu, um bocadinho que seja, com as últimas greves da função pública, dos transportes ou mesmo com as gerais?
Eu, na minha profunda ignorância, penso que não!
(Atenção: sou a favor do direito à greve, sempre!)

Queridos antigrevistas, acham mesmo que o facto de não terem feito greve os protegeu de alguma coisa? Que lhes assegurou o emprego, que produziram alguma coisa de extraordinário nos departamentos quase vazios?
Mais uma vez, na minha profunda ignorância, acho que não!

Será que não percebem que hoje em dia e nas condições em que estamos, a greve não serve de grande coisa? E que a não-greve também não...

E agora, de certeza, que me querem perguntar se eu fiz greve, já que estou para aqui a criticar quem a fez e quem não a fez...

Não fiz greve, porque não posso, estou desempregada, mas se pudesse, talvez não a fizesse, porque acho que não iria servir para nada! Acho que, nos dias de hoje (e com muita pena minha) é uma forma de luta inútil! E ainda digo mais, se eu acreditasse que mudaria alguma coisa, por mais pequena que fosse, era bem capaz de ir ao Centro de Emprego dizer para não me pagarem o dia de hoje por eu estar em greve (acreditem que sou suficientemente parva para isso e muito mais, quando acredito numa causa!).

Se, em vez de greves, umas atrás das outras, de manifestações empestadas de gente que quer é fazer porcaria (claro que com as devidas excepções) e ter desculpa para beber uns copos, saíssemos todos da praia ou do conforto do lar e fôssemos às urnas votar (nem que votássemos em branco), não seria mais interventivo? Não seria a melhor maneira de mostrarmos o nosso verdadeiro descontentamento com os sucessivos governos que temos tido?

E porque será que, em Portugal, são sempre os mesmos partidos a ganhar as eleições e esses partidos são os que têm mais dinheiro, que dão mais jantaradas, que oferecem as bandeirolas mais coloridas, que têm os candidatos que dão mais beijinhos e aparecem mais vezes na televisão?

Não será, porque quando há a ideia do luxo, do contacto com gente famosa, do mediatismo, da farra, o povo português fica deslumbrado? Dêem-lhe festarolas, copos, boa comida em grandes quantidades, futebol e um brindezinho da treta, que o povo vota todo contente e acredita que estes gajos é que são fixes, estes gajos é que vão fazer de nós um povo à maneira, cheio de LCDs, de telemóveis, de carros caros, de jóias pirosas e roupa de marca estrangeira (porque o estrangeiro é que é bom!).

(Pois é, a minha triste ignorância, leva-me a pensar todas estas coisas horríveis!)

E agora, pensem comigo, por favor, pois a minha loirice, às vezes, impede-me de raciocinar com clareza:
Se as roupas, os carros, as televisões, as jóias e até a comida que consumimos são estrangeiras, porque raio querem que produzamos mais, porque raio querem que trabalhemos mais meia hora por dia? Vamos produzir coisas para quem comprar? Se até nós rejeitamos o que é nosso, se até nós achamos que o produto estrangeiro é melhor do que o nosso... Quem acham que vai acreditar que temos coisas boas se nem nós próprios acreditamos?

Não pensem que, com isto, estou a chamar o povo português de estúpido, pois não estou! O povo português não é nada estúpido, antes pelo contrário... Especialmente, quando acha que vai tirar algum proveito das situações, especialmente quando pensa que pode ficar em vantagem sobre os restantes, que vai ficar mais rico e ser mais admirado!

Mas o povo português também é um dos melhores a trabalhar quando emigrado... Pois é, quando emigrado!
Quando tem chefias que dão o exemplo, quando tem chefias que organizam o trabalho de maneira a tornar cada um dos trabalhadores mais produtivo, quando a própria chefia é mais produtiva... Porque o problema aqui não é da classe trabalhadora, do povo, mas é das chefias, dos governantes, dos exemplos que vêm de cima...
E quem coloca os governantes no poder? Nós, o povo!
E porque não elegemos governantes de jeito? Porque, simplesmente, não vamos votar...
Temos uma percentagem de abstenção assustadora, porque é mais fixe ir curtir uma prainha do que ir para as bichas nas mesas de voto... Se, pelo menos, oferecessem umas "bejecas" ou umas "sandochas de coiratos" ainda valia a pena levantar o rabo da toalha de praia ou do sofá, mas assim...

E salvo SEMPRE as devidas excepções, que se não fossem elas, estaríamos muito, mas muito pior...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Carneiros

Não gosto de carneiros! Não estou a falar dos animais, esses como-os, sem grande satisfação, é certo, pois em tempos, passei um dia inteiro a ajudar um veterinário a vaciná-los e cada vez que os como, cheiram-me sempre ao borreguinho vivo, branquinho e fofinho. 

Os carneiros de que não gosto são aqueles que seguem cegamente um suposto ídolo e que dizem "ámen" a todas as idiotices por eles proferidas. Não gosto dos carneiros políticos, dos religiosos e muito menos dos carneiros sociais!

Porém, não os excluo totalmente, pois penso que têm alguma utilidade, especialmente para os que seguem, enaltecendo-lhes o ego e fazendo-os sentirem-se importantes. Também não gosto que me sigam cegamente, gosto, logicamente, que me elogiem, que gostem de mim, do que digo, do que escrevo, mas também gosto que me critiquem, que contestem as minhas ideias, que contraponham as minhas teorias, enfim, que tenham opiniões diferentes da minha. E penso assim, porque não me julgo dona da verdade (nem tenho pretensões a isso) e não acho que haja alguma teoria completamente isenta de uma contra teoria! Gosto tanto que aprendam comigo como de aprender com os outros e penso que me daria muito menos prazer se fosse de outra forma!

É óbvio que as nossas ideias vêm sempre um pouco do que lemos, do que ouvimos, do que estudamos, do que discutimos, mas também vêm do nosso próprio raciocínio, da nossa visão pessoal das coisas, por isso são as NOSSAS ideias e não meras citações.

É essa ausência de ideias próprias que me aflige nos carneiros! 
Se despendermos um tempinho a observá-los, chegamos à conclusão que os carneiros não pensam e que é por não pensarem que repetem as ideias dos seus ídolos, que vomitam sem nexo, sem coerência, sem sentido crítico...

Acho triste existir pessoas que apenas usam a cabeça para a levarem ao cabeleireiro ou para a decorarem com chapéus! Acho triste que não vejam mais nenhuma utilidade nela e que precisem dos outros para darem a impressão que raciocinam.
Não vejo mal nenhum em partilharem-se opiniões e em estar-se de acordo, mas desconfio sempre quando uma determinada pessoa concorda sempre com outra determinada pessoa... 

Por vezes, quando discutimos com um carneiro, vemo-lo a defender uma teoria ferozmente, até ao momento em que aparece o seu ídolo a concordar connosco e, nesse preciso instante, o carneiro muda de opinião e passa instantaneamente a estar de acordo com o que rejeitava à partida. E muda de ideias não porque, através do seu raciocínio, tenha chegado à conclusão que estávamos certos, mas porque o sujeito digno da sua admiração concorda connosco. Chegam a ser deprimentes!

Dantes, esta carneiragem só me deprimia, mas actualmente começa mesmo a assustar-me, porque cada vez mais este país está a tornar-se numa imensa pastagem, cheia de carneiros e com um ou dois pastores ignóbeis, que os obrigam a pastar sem que possam desviar o olhar de um pasto seco, bolorento, mal cheiroso e desenxabido! E os cães... esses, que ainda se ouviam ladrar de vez em quando, estão a ficar afónicos!

Imagem retirada da Internet

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Noite Fora de Casa

Ontem, fui dormir a casa da minha mãe porque ela está a recuperar de uma intervenção cirúrgica e precisava de mim lá!

Hoje, disse aqui em casa:
-Não sei se vou dormir em casa da minha mãe, outra vez...
Quase em uníssono, ouve-se:
-O quê???? Nem penses! Precisamos de ti cá!
Eram os 3 machos cá de casa... O pai, o filho e o espírito santo, ups enganei-me... o espírito demoníaco que está escondido debaixo da pele de um gato.

Não fazia ideia que sentiam tanto a minha falta nesta casa! Sinto-me extremamente lisonjeada! E olhem que eu não sou daquelas mulheres que fazem a papinha toda aos seus homens e que, quando se ausentam, eles ficam completamente desorientados. Sou pela igualdade de género, tanto nos direitos como nos deveres, por isso os mimos que faço a este pessoal não passam pelos atributos de uma fada do lar. Ao contrário do que acontece com elas, os meus homens não precisam de mim para lhes fazer coisinhas como arrumar a cozinha, tratar-lhes da roupa ou fazer o jantar... No entanto, precisam de mim, sentem saudades minhas e demonstraram-no! (Acreditam que até o gato andou sempre atrás de mim durante a primeira hora que estive em casa? Cada vez que me virava, tropeçava nele!)

Gostei desta recepção calorosa! Acho que vou começar a dormir fora, pelo menos uma vez por semana...

Bruxas

Imagem retirada da Internet
Porque é que a maioria das bruxas das histórias para crianças são velhas e feias? Não é, com certeza, para retratarem as da vida real, pois estas são geralmente novas e, por vezes, até  bonitinhas. 

Será para dar uma impressão de extrema fragilidade, causando pena e assim poderem atacar as princesas e os príncipes mais à vontade? Não me parece, pois esta sociedade não se apoquenta nada com a fragilidade alheia e não tem pena nenhuma nem dos velhos, nem dos feios, antes pelo contrário, maltrata-os sem dó nem piedade!

Então, será para pôr as crianças cheias medo dos velhos e das pessoas feias? Se a finalidade não é esta, bem podia ser, pois é o que acaba por acontecer!

E vocês? Sabem porque é que as bruxas são quase sempre assim?

Se souberem, por favor, digam-me, pois este assunto, há muito, que me anda a intrigar!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Comfort Zone

Sábado à noite fui sair...
Onde é que eu fui, onde é que eu fui? Hã?

Vejam lá se conseguem adivinhar...

O quê???? Não consigo ouvir-vos!


Tcharam, tcharam...




Fiquei no sofá...

...mas no sofá do espaço da...

Inestética!

E a Inestética é uma...


Tananannnn..........


...Companhia teatral!

Não estavam nada à espera, pois não? 
Eu sei, eu sei, sou extremamente surpreendente e nada previsível! 

Viciada em teatro????
Não, não sou nada viciada em teatro, mas que ideia mais absurda!


Desta vez, fui ver Comfort Zone e, apesar de, um tanto ou quanto, desconfortável, foi muito fixe!


Esta não foi uma peça de teatro propriamente dita, mas uma série de 3 performances encaixadas no âmbito da Performance Art e... Adorei! 

É incrível como a expressão corporal dos performers pode "falar" tanto connosco sem que tenham que proferir uma só palavra! Faz-nos passar por uma experiência quase sensitiva, pois é o que sentimos através do outro, que produz efeito em nós...

A quem não conhece este género artístico, aconselho a, pelo menos uma vez na vida, o irem experimentar!

domingo, 20 de novembro de 2011

Tintin

Imagem retirada da Internet

O meu filho é fã do Tintin, ou melhor do Capitão Haddock, há já alguns anos. Ainda ele não percebia metade do que se falava nas histórias, já nos pedia para lhas lermos antes de adormecer. Já lhe lemos quase todos os livros e quando saiu o filme, lá fomos vê-lo...

Ontem, fomos mostrar-lhe o Espaço Tintin em Lisboa. Já nos tinha pedido várias vezes para lá irmos e ontem foi o grande dia!
O espaço é constituído por um café e uma loja. O ambiente é agradável, tem uma decoração bem escolhida, come-se bem no café (tem uns bolos deliciosos!), mas a loja deixa um pouco a desejar, pois tem poucos artigos expostos e não está aberta, têm que chamar o empregado (que vem não sei muito bem de onde) para vir abrir a porta quando alguém mostra interesse em visitá-la e mal as pessoas passam da porta para fora, fecha-a e volta a ir-se embora. Dá aquela sensação que estão pouco interessados em vender! Acho, que se aquele espaço fosse bem dinamizado, poderia ter muito sucesso, especialmente agora, depois do filme ter estreado.

O J. não gostou, soube-lhe a pouco e nós (que já lá tínhamos ido, pouco depois da abertura) estávamos à espera que estivesse bem melhor.
Portanto, viemos um bocadinho desiludidos...
Valham-nos, os bolinhos que comemos, o filme e especialmente os livros, que são uns dos principais causadores de alguns dos maiores ataques de gargalhadas aqui do piqueno!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Violência Doméstica

Imagem retirada da Internet
Ontem, vi um programa na televisão que falava de violência doméstica. É incrível a quantidade de casos que ainda existem por este Portugal fora!
Pessoas que vivem amedrontadas dentro da própria casa com medo daquele/a que escolheram para dividir a sua vida e que, em muitos casos ainda amam (ou pensam que amam).
Mas a violência doméstica não é só o murro, o pontapé, o palavrão e o insulto, é também o desamor com que muita gente vive, é viver-se separado, apesar de sob o mesmo tecto, é ser-se um dentro de casa e outro fora dela, é coabitar onde não há partilha genuína, onde não há autenticidade ou cumplicidade e onde a mentira reina.
Tantos e tantos casais vivem, anos a fio, na mesma casa sem que se conheçam realmente, escondendo a intimidade de cada um, debaixo de desculpas como "manter o mistério" ou "preservar o outro de o ver menos atraente". Mas o que é o amor afinal? Não é gostar do outro no seu todo, com todas as suas qualidades e defeitos? Ou acaba quando nos deparamos com algo que não preenche os requisitos do nosso par ideal?
E há pessoas, que com medo de se mostrarem inteiras, mantêm vidas duplas, triplas, quadruplas... São umas em casa, outras com os amigos, outras com os amantes e ainda outras com o mundo. Quem são elas na realidade? Se juntarmos todas estas múltiplas personalidades, encontraremos alguém? Ou encontramos apenas o vazio?
A violência de não se ser o que se é, de não se assumir quem se é, não será pior que a violência física? Além de se violentar o outro não se estará, também, a violentar-nos a nós próprios, a atentarmos contra a nossa integridade enquanto pessoas? Não estaremos a despersonalizarmo-nos em prol de um amor que na verdade não passa de uma mentira, de uma ilusão, de uma ficção?

Podem chamar-me egoísta à vontade, pois acho, e continuarei sempre a achar, que pior do que o que fazemos aos outros, é o que fazemos a nós próprios e se não assumimos quem somos estamos a negar a razão da nossa existência. E essa é ou não é a maior das violências?

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Poder da Distracção

Como já mencionei, aqui, anteriormente, o pequenote cá de casa é um distraído de primeira apanha!
Desde ter que lhe dizer a mesma coisa 350 vezes para que execute uma simples tarefa como lavar os dentes ou vestir o pijama, até ter lhe dizer que para vestir umas cuecas lavadas tem que tirar primeiro as sujas ou que os sapatos se calçam nos pés, já me aconteceu quase tudo em matéria de distracção!

A última (e que já se está a tornar recorrente) é esquecer-se na escola dos livros onde tem TPCs para fazer.

(Neste momento quase oiço o vosso pensamento "é manha, ele faz de propósito para não fazer os trabalhos de casa!"). 

Não é! Tenho a certeza, porque ele entra em paranóia quando se apercebe que vai ter que dizer à professora que não os fez! Chega ao ponto de atrofiar com a ideia que o que devia estar a fazer eram os TPC e não outra coisa qualquer! Chama-se nomes e diz que é um parvalhão por ser distraído! Claro que quando chegou a tamanha insolência, tive que me impor e dizer-lhe que ele não pode chamar, assim de qualquer jeito, parvalhão ao meu filhinho querido que tem sempre a cabeça na Lua e que, por isso, tem que arranjar umas técnicas infalíveis para que a distracção não lhe prejudique a vida. Que a distracção só é um defeito se ele deixar que ela o esteja sempre a chatear. Ao que, após muito choro e auto-culpabilização, ele compreendeu e veio ter comigo com um papelinho na mão que dizia:

"Não esquecer de dizer à professora que não fiz os TPC".

Será que, na escola,  ele se vai lembrar onde pôs o papelinho?
Espero, sinceramente, que sim...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Língua do Michael Jordan

O ídolo
(imagem retirada da Internet)
Um dia destes, enquanto assistia a um treino do meu filho, reparo que ele está sempre de língua de fora...
Ele não é daqueles miúdos que põem a língua de fora quando escrevem ou quando fazem qualquer coisa que lhes exija um pouco mais de concentração, por isso estranhei!
No intervalo que o treinador lhes dá para irem beber água, ele chega-se ao pé de mim e diz:
-Viste, mãe, estive de língua de fora como o Michael Jordan?
(Para quem não conhece, o Michael Jordan, o mocinho aqui ao lado, foi um dos melhores jogadores de basquetebol do mundo e uma das suas características era jogar com a língua de fora.)

O meu filho estava todo orgulhoso a imitar o Michael Jordan, sentia-se o melhor jogador do mundo à custa da sua linguinha ao vento, mas eu (estúpida!) estraguei a sua alegria, com esta minha triste saída:
-Pois, mas se não pões a língua para dentro ainda a mordes se te derem um encontrão, além de pareceres um tontinho...

Arrependi-me da parte do tontinho, não era necessária, ele teria percebido a mensagem se eu não a tivesse dito... 

Ao que ele me respondeu com um ar, um tanto ou quanto, assustado e desiludido:
-Pronto, agora ponho a língua para dentro!

Por vezes, esta mãe não tem mesmo tento na língua...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Definitivamente, o meu filho é mesmo meu filho!

Se dúvidas houvessem sobre o J. ser meu filho, elas acabariam, como que por magia, ao verem-nos ir às compras.

Ontem, tivemos que ir comprar sapatos para o rapaz. Primeiro, foram só ele e o pai, comprar ténis, depois eu juntei-me a eles para comprar as botas de Inverno e algumas camisolas que estavam em falta. 

O pai, que gosta de ir às compras, estava todo entusiasmado a procurar camisolas naqueles montes de roupa que eu abomino, enquanto eu bufava por todos os lados com o calor que estava na loja e devido à minha falta de paciência... O J. via-se em todos os espelhos que encontrava e dançava ao estilo do Michael Jackson para se distrair da seca que estava a apanhar...
Quando lhe púnhamos uma camisola à frente para ver se servia, não conseguia estar quieto. (A mesma impaciência que já se tinha apoderado de mim, estava a tomar conta dele...)
Felizmente, saímos da loja com duas camisolas na mão, mas precisávamos de mais e ainda faltavam as botas...

No caminho para a loja seguinte, o miúdo pergunta:
-Não podemos ir à livraria?
-Não, hoje viemos comprar roupa!
(Como eu preferia ir para livraria com ele e ficarmos a deliciarmo-nos no meio dos livros infantis...)

Mal entrámos noutra loja, o J. diz:
- Quero sentar-me!
(Também eu queria...)
Ao que eu lhe respondi para se sentar e esperar enquanto nós procurávamos mais camisolas e as botas...

O pai, com uma calma e paciência invejáveis, procurava as camisolas por entre os cabides, eu procurava tudo à pressa para sair dali o quanto antes, o J. revirava-se no banco enquanto esperava...

Quando lhe demos umas botas para experimentar, afirmou que estavam todas boas, tanto as maiores como as mais pequenas... Ele queria era despachar aquilo!

O pai ainda estava disposto a ir procurar mais camisolas, mas nós já estávamos pelos cabelos e à sugestão dele de irmos a mais lojas, o J. responde que já estava farto e eu (com uma grande vontade de dizer o mesmo) digo que noutro dia viria às compras com mais calma...

É por estas e por outras, que se desfazem todas as dúvidas possíveis de não ser eu a mãe dele...
O rapaz pode ser a cara chapada do pai, ser distraído como ele, ter gestos e expressões que são autênticas fotocópias do pai, mas a aversão por compras é decididamente resultado da contribuição dos meus genes na sua concepção! Pode não ser uma daquelas características que não nos deixam cheios de orgulho, mas eu revejo-me completamente nela!
Ah! E o crescimento à velocidade da luz, que nos faz ter que lhe comprar roupa de 3 em 3 meses, também ajuda a provar que o meu contributo, para esta grande obra de arte que é o meu filho (podem procurar à vontade, que não vão encontrar nesta afirmação nem um vislumbre de modéstia!) foi mais do que carregá-lo no útero durante 9 meses, pois, para quem não sabe, os meus 1,80 cm de altura foram acompanhados por muita roupinha curta sempre pronta a ser substituída por tamanhos muito acima dos indicados para a minha idade!

sábado, 12 de novembro de 2011

Abraços

Imagem retirada da Internet
Chamem-me fria, insensível e o que quiserem, mas não gosto que me abracem! 

Detesto que, pessoas que não me são muito íntimas, me abracem... Fico sem jeito, com vontade de me soltar e de desatar a fugir... Para mim, um abraço tem que vir do fundo do coração e só vem daí, se houver por lá um sentimento muito grande. 

Adoro o aconchego de um abraço profundo das pessoas muito, mas mesmo muito próximas. Desses sim, gosto! Gosto até de sentir que me estou a fundir no outro...
Dos outros, de ocasião, de encenação, de tentativa de aproximação forçada, detesto! Podem achar-me esquisitinha à vontade!
Também não sou grande apreciadora de muitos beijos, excepção feita (claro!) a quem gosto muito... Confesso, que quando defrontada com certas pessoas, até os beijos sociais me fazem uma certa confusão. Devo ter um espírito nórdico, pois ficava-me bem pelo aperto de mão!

Os mais analíticos de vós devem estar, neste momento, a pensar "esta rapariga deve ter um trauma qualquer, possivelmente afectivo ou sexual, para ser assim..."
Lamento desiludi-los, mas não tenho (pelo menos que eu dê por ele)...

Gosto de guardar os beijos e abraços para momentos e pessoas especiais, só isso! A proximidade a pessoas que não me são íntimas oprime-me. Sinto que estão a invadir o meu espaço e o espaço que reservo a quem me é muito querido.

Se isto faz de mim uma esquisitinha, então é isso mesmo que sou... uma esquisitinha!

Peninha

Quando estive doente, poucas pessoas o souberam, por opção minha e por não ter paciência para ter toda a gente a fazer inúmeras perguntas às quais eu teria que responder sempre a mesma coisa. Gosto que se preocupem comigo, mas apenas quem me é mais chegado e quem se preocupa verdadeiramente. Quanto às outras pessoas dispenso a preocupação fictícia ou a conversa de circunstância. Não acho que a doença seja um assunto leviano e por esse motivo não deve ser usado, nem explorado para exprimir um sentimento que eu considero odioso, a "peninha".

Para mim, a "peninha" não passa de uma tentativa, da parte dos que a exibem, de se sentirem superiores aos que, por um qualquer motivo, sofrem. Por isso, é odiosa. Não serve para nada, a não ser para acariciar o ego de quem não está a sofrer. Geralmente, os portadores deste sentimento gostam de ir exibi-lo para os hospitais, sentindo-se umas Madres Teresas de Calcutá a praticar o bem e, mal saem do hospital, vão telefonar a toda a gente a contar o estado deplorável em que o doente visitado se encontrava e em como foram generosos ao irem visitá-lo e dar-lhe o seu "sincero" apoio moral.
Quando inebriados na sua bondade, contam todas as desgraças que lhes aconteceram (com a intenção de formarem um elo de ligação com o doente e, essencialmente, de provocarem nele um sentimento de admiração pelas pessoas maravilhosas e cheias de força que são) e esquecem-se (ou não) que estão a cansá-lo e a fazê-lo sentir-se ainda pior. Gostam particularmente de levar testemunhas da sua bondade, mesmo que estas sejam desconhecidas do doente que visitam, pois assim têm quem corrobore todas as suas afirmações quando relatam aos amigos o estado do enfermo. Com isto, violam a privacidade do doente, mas isso não lhes interessa, o importante é a sua imagem de beneficente vingar!
Esquecem-se que estão a utilizar a dor do outro para se enaltecerem, que em vez de ajudarem estão a piorar a situação de quem já está a passar por sofrimento que lhe baste, ou então, nos casos mais agudos de "peninha", não se esquecem, fazem-no propositadamente...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Felicidade em Pacotinhos

Hoje, estou triste e cansada, cansada de ver sempre a mesma pessoa sofrer tantas vezes...

Quem me dera poder amenizar tanta dor e garantir que após mais este sofrimento, vem a felicidade e a paz... Mas não posso... Infelizmente... Só posso sofrer com ela e ter esperança que a felicidade esteja à espreita, à espera do momento oportuno para aparecer e sorrir-lhe... Mas isto é tão pouco!

Queria poder chegar a uma loja e comprar um pacotinho de felicidade e oferecer-lhe, mas a felicidade não se vende, não se constrói... É mentira quando nos dizem que podemos construir a nossa felicidade, ela aparece-nos de uma forma aleatória, ou simplesmente não aparece...

E o meu coração sangra pela minha impotência perante a dor dela, que é também minha...

E, sim, mãe, hoje o meu coração sangra por ti!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Profissão dos Filhos

Não consigo concordar com os pais que vêem os filhos como uma extensão deles próprios e querem, à viva força, que lhes sigam as pisadas ou que realizem o que eles não realizaram. Desculpem-me, mas não consigo!

Quando vejo pais que põem os filhos a jogar num qualquer clube de futebol de renome ou a inscreverem as filhas numa qualquer agência de modelos famosa, para serem o jogador de sucesso que eles não conseguiram ser ou para serem as top-models que desejariam ter sido, sinto-me revoltada pela falta de respeito que demonstram por aqueles que geraram.

Partilharmos os nossos gostos e preferências com os filhos é uma coisa. Agora, impingirmos-lhes a profissão que temos ou que queríamos ter tido é outra completamente diferente! Na minha opinião, é a nossa obrigação abrirmos-lhes os horizontes para que eles (e só eles) decidam em consciência o que querem fazer com uma vida que é deles. Abrir os horizontes é mostrarmos-lhes que existem vários caminhos e que podem optar por um ou vários conforme desejarem.

Os filhos não são nossa propriedade, são propriedade deles próprios! Podemos não concordar, podemos até achar que estão a cometer o maior dos erros ao seguirem por determinado caminho, mas este pertence-lhes e têm que ser eles encontrar as pedras e os buracos para perceberem que aquele não é o melhor percurso a seguir, ou pelo contrário, aprenderem a saltar sobre as pedras e a evitar os buracos do caminho que escolheram. A nós, só nos resta mesmo apoiá-los, aconselhá-los e confortá-los quando de nós necessitarem...

E é, quando penso nisto, que acho que este pensamento de José Saramago faz mais sentido:

"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente... da incerteza de estar agindo correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Do Amor

Se o amor de uma mãe pode ser enorme, o de um filho também pode...

Acho possível amar-se incondicionalmente os nossos pais, no matter what... Independentemente, das suas personalidades, opções e objectivos de vida, erros (ou o que nós julgamos serem erros), é possível amá-los até à exaustão... 
Não é um amor exacerbado como o de mãe/pai, mas é um amor forte, poderoso, suave, tranquilo, que nos dá consolo pela sua permanência e infinidade...

Não falo do amor que reconhecemos, ou não, que nutrem por nós, mas do amor que, alguns de nós, sentimos por eles. Amar a nossa mãe e/ou o nosso pai dá-nos a certeza de um porto de abrigo no nosso próprio sentimento (sabemos que iremos amar aquela(s) pessoa(s) para sempre) e isso dá-nos a percepção que conseguimos ser infinitos, mesmo para além do termo da nossa vida...

Just Smile


(Quem não se sentir muito à-vontade com o inglês, poderá ver o mesmo video AQUI com legendas).

sábado, 5 de novembro de 2011

Sexo

A fazer trabalhos de casa:
-Mãe, o que é sexo (leia-se secho)?
-Sexo?
-Sim!
-O que achas que é?
-Ah, já sei! Se é masculino ou feminino... É isso?
-É!
-Mãe, não consigo escrever masculino neste quadradinho tão pequenino!
-Escreves só um M!
-Olha, eu não sei se será mesmo esse sexo...
-É, J., é!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"A Gente Não É Burras, A Gente É Distraídas!"

À entrada do parque de estacionamento grátis de um centro comercial já nosso conhecido, ao ver a indicação de quantos lugares estão livres, eu pergunto:
-Como é que eles sabem qual a quantidade de lugares livres se não temos que tirar bilhete à entrada?
(Agora percebem de onde vem a língua perguntadora do J., não percebem?)
O J. responde:
-Pelas luzinhas que estão no tecto!
-Luzinhas? Quais luzinhas?
-Aquelas, olha! Há umas verdes e umas vermelhas. As verdes estão por cima dos lugares que não têm carros e as vermelhas estão por cima das que têm...
-Nunca tinha reparado! J., como sabes isso? Quem te disse?
-Ninguém, fui eu que vi. E se reparares nos lugares para deficientes tem uma luz azul!
-Tu percebeste isso tudo sozinho?
-Sim, mãe. Repara, aquele lugar não tem carro e tem a luz verde, vês?

Ok, se calhar a teoria das loiras burras não está assim tão longe da verdade...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Babadices de Pai

O pai do J. sofre do mesmo problema que eu: Baba-se a rodos!
Enquanto eu me babo das gracinhas da criança, o pai baba-se a ver o menino jogar basquetebol! 

No outro dia, quando vieram de um treino, o homem chegou-me a casa com baba até aos joelhos. O miúdo não é nenhuma estrela do NBA, nem sequer é um prodígio daqueles que nunca falham um cesto, mas deixa o pai num estado deplorável. Safa-se a jogar, mas nada do outro mundo, porém tem uma garra impressionante e invejável. Tivesse eu metade da garra que ele tem e já tinha subido o Evereste com uma perna às costas! Ele corre atrás da bola até às últimas consequências, nas lutas com os outros pela posse de bola, só lhe falta agarrá-la com os dentes, à mínima oportunidade de voar, lá está ele a bater asas, não desiste nem que o atirem ao chão, pode cair, rebolar, ou tropeçar, mas acaba sempre de mão estendida na direcção da bola. Chega a ser comovente!
Claro que o rapazinho tem uns dias melhores e outros piores, mas os melhores deixam o pai knock-out!

Nesses dias, quando chegam do treino, o pai aproveita o bocadinho em que o filho toma banho, para me vir contar como correu... E todo ele é orgulho... A boca traz um sorriso rasgado, os olhos seguram uma lagrimazita com grande dificuldade e a baba escorre-lhe em cascata (chego ao ponto de duvidar se não será melhor ir buscar um balde ou calçar as galochas)...

Ando a pensar seriamente em oferecer-lhe um babete no Natal... Que acham?

Adivinhas e Puzitos

Ando a ler um livro de adivinhas ao J., antes de dormir, que ele adora e eu detesto porque não consigo adivinhar nada!

Tem uns desenhos que dão pistas da solução, embora não sejam muito elucidativos, porque não se percebe o lá está, sempre temos alguma base por onde começar a pensar. As adivinhas são super difíceis, estão cheias de palavras complicadas (que nem eu entendo) e a ligação entre as pistas e a solução é muito ténue.
Mas pelo menos, fartamo-nos de rir da nossa incapacidade de adivinhação (ou não fossemos nós os tontinhos, que vocês já devem ter reparado que somos), por isso acaba por ser divertido.

Hoje, a título de desespero, disse-lhe que o que me apetecia era fazer uma fogueirinha com o livro, pois achava que assim seria mais útil. Ele riu-se e disse: 
- Vê lá, mãe, o livro até te faz pensar em fazeres parvoíces... 
Olhei-o com cara de má e disse-lhe:
- Parvoíces? Eu a fazer parvoíces?
- Sim, queimar o livro é uma parvoíce!
- Uma parvoíce é andarmos a ler este livro e não adivinharmos nada...
- E eu rio-me tanto que dou puzitos e já fiz xixi nas cuecas...
- E achas isso bom? Para mim não é muito divertido ver que não adivinho nada e, ainda por cima, fico aqui a levar com os teus puzitos...
- Tem que ser, mãe, quando me rio assim tenho que dar puzitos!

Então, assim seja, já que não nos podemos aquecer com ele, que no mínimo, o livro sirva para o J. se sentir mais aliviado!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Adopção

(Sim, adopção com P. Desprezo o acordo ortográfico o suficiente para só o adoPtar quando me obrigarem)!

Sempre quis ter mais do que um filho, mas a partir do momento em que estive doente, esta opção foi sendo posta de parte. Foi desde essa altura que comecei a ponderar adoptar uma criança. 
Estou convicta que conseguiria amar um filho sem que ele fosse meu biologicamente, no entanto não excluo a hipótese de estar errada...

Para mim, a adopção é juntar dois problemas e resolvê-los em simultâneo. É dar uma família a uma criança que não a tem (ou tem-na completamente desestruturada) e dar um filho a uma família que o deseje. 

Por mais incrível que pareça, há imensa gente que não deseja verdadeiramente os filhos (não só quando estão na fase de gravidez indesejada, mas também depois de nascerem) e é por estas e por outras que eu sou uma acérrima defensora da IVG -Interrupção Voluntária da Gravidez. Quem não quer ter filhos, tem todo o direito de não os ter e tem a obrigação de impedir que eles nasçam para sofrer. Resumindo: se não os querem, não os tenham! (Os melhores pais são aqueles, que sabem, logo à partida, que o melhor é não serem pais). 
Agora, terem filhos, fingirem que são muito bons pais (ou nem sequer fingirem) e depois tratarem-nos mal ou simplesmente não tratarem deles, para mim, é mil vezes pior do que abortarem!

Os elementos de grupos antiaborto que não me venham com histórias que é pior interromper uma gravidez de uma criança que não é desejada do que pô-la no mundo para ter uma vida de merda (desculpem a palavra, mas não consigo arranjar outra que descreva tão bem a vida destas crianças)! E tudo se cria, o tanas! Não se criam filhos que não se querem, apenas se deixa que sobrevivam e se tornem pessoas amarguradas. Ter um filho para isto, mais vale não o ter! Além de o mundo não precisar de mais gente amargurada, não é justo dar-se à luz uma criança que à partida já é uma sofredora! E acreditem que não há perigo do aborto se vulgarizar, porque ninguém (por pior que seja) faz abortos por desporto! 

A adopção é uma solução para estes casos, mas não deve ser considerada a solução destes casos, porque o melhor é estas crianças nem sequer nascerem. 

Estou a parecer-vos muito dura, insensível e fria? Mas não estou a ser, antes pelo contrário, eu estou é farta de ver crianças a sofrerem pela maldade, incompetência e/ou irresponsabilidade dos pais!

Se a adopção puder proteger os filhos destes pais que não souberam, quiseram ou puderam evitar que nascessem e lhes der outros que os amem incondicionalmente, então, os pais que não desejam os filhos, só têm mesmo é que os deixar voar para um ninho melhor! Se não o fizerem estão a repetir o mesmo erro vezes sem conta e além de serem maus pais, passam a ser também BURROS!!!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MUDE

Como apreciadora que sou da Pop Art em geral e de Andy Warhol, Keith Haring e Roy Lichtenstein em particular, tudo o que são peças de arte ou de design coloridas, vanguardistas e a cair para o pós-moderno seduzem-me o suficiente para me fazerem sair de casa apenas para as ir contemplar.

Deste modo, e como as oportunidades não se devem desperdiçar, na hora que durou entre ir buscar os bilhetes reservados ao teatro e o início da peça, eu e este homem que me atura há uns aninhos, demos um saltinho ao Mude - Museu do Design e da Moda, na Rua Augusta, que já conhecíamos e que gostamos de revisitar sempre que possível, pois além de ser um dos pontos em que estamos em consonância, aproveitamos para nos actualizarmos do que de novo se faz em design.

Uma das peças que nos deixa sempre a salivar é este sofá, que ficaria perfeito na nossa sala, entre muitas outras coisas, que nunca poderíamos comprar, mas que ali podemos apreciar de graça!

Imagem roubada, a título de empréstimo, ao site do MUDE
Pois é, a entrada no MUDE é gratuita (ainda). Se partilham do meu gosto por design ou se são apreciadores de peças de vestuário inovadoras, criadas por designers de moda famosos, talvez fosse bom aproveitarem e fazerem-lhe uma visitinha, enquanto não se lembram de começar a cobrar bilhetes a peso de ouro!