Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Solidariedade ou Caridade(zinha)?

Hoje, fui às compras. Estavam lá as brigadas do Banco Alimentar Contra a Fome.
Fiz as minhas compras e quando estava na caixa para as pagar, oiço uma das senhoras, que distribuía os sacos de plástico do Banco Alimentar, falar com um homem, negro que vestia calças de ganga e uma daquelas t-shirts dos clubes de futebol, que se desculpava por não aceitar o saco que ela lhe estendia.
(A descrição do homem serve apenas para conseguirem visualizar o perfil que a senhora desenhou do seu interlocutor).
A dita senhora respondeu assim às desculpas dele:
- Sim, compreendo, também é pobrezinho, não é?

Há anos que não ouvia este "pobrezinho", que tem vindo a ser substituído por "carenciado". Confesso que o "pobrezinho" me caiu mal, não por eu preferir o "carenciado", mas por o "pobrezinho" me cheirar sempre a caridadezinha.
Fiquei a matutar na real motivação das pessoas que contribuem nestas iniciativas (das voluntárias e de quem, como eu, faz compras para o Banco Alimentar). Será esta uma acção solidária ou um gesto de caridadezinha?
À partida, pode parecer-vos que não tem grande importância tratar-se de uma ou de outra, desde que as pessoas ajudem quem precisa. A mim, que sou uma eterna céptica e que tenho esta estranha mania de questionar tudo e mais alguma coisa, parece-me que faz toda a diferença. Vejo a caridade(zinha) como uma atitude egoísta e de desprezo pelos outros, na medida em que quem a pratica está centrado em si próprio e apenas preocupado em parecer bondoso e em garantir o seu lugar de 5 estrelas no Céu. Enquanto quem é solidário preocupa-se realmente com o outro e coloca-se ao seu lado com a verdadeira intenção de o ajudar.
Esta "onda de solidariedade", como lhe chama a comunicação social perante o número de toneladas de alimentos recolhidos, não pode ser apenas uma "onda de caridadezinha"?
Eu inclino-me mais para o lado da segunda opção, até porque se a relacionarmos com as batalhas campais instaladas nos supermercados Pingo Doce no primeiro dia deste mês, verificamos que só faltou as pessoas comerem-se umas às outras para obterem aquele pacote de arroz que ficou esquecido na prateleira.
O egocentrismo está tão bem instalado nesta sociedade, que não consigo deixar de desconfiar quando oiço falar em solidariedade.
E, depois de ouvir sair o "pobrezinho" da boca daquela senhora, parece que tudo passou a fazer mais sentido. Na minha cabeça, juntaram-se os fios que estavam soltos, e comecei a perceber (ou a julgar perceber) porque, em tempo de crise, acorre a maior parte das pessoas a acções de voluntariado e "solidárias". Acredito que haja pessoas que o fazem por verdadeira solidariedade, mas também acredito que estas são pouquíssimas.

Por momentos, senti-me quase igual àquela senhora...
Será que eu, quando enfio umas compras dentro do saco do Banco Alimentar, estarei realmente preocupada com as pessoas que vão receber aqueles alimentos? Ou estarei simplesmente a aliviar a minha consciência, convicta que estou a fazer alguma coisa por elas?
Não gosto de me sentir caridosa, até porque não acredito em Deus ou que tenha um lugar 5 estrelas, no Céu, à minha espera.
Preferia ser solidária, porque acredito que quem é/está carenciado (ou "pobrezinho") não está assim tão longe de mim, não é menos do que eu por isso, ou tem menos direito a ter uma vida onde as suas necessidades estão satisfeitas e as oportunidades são uma panóplia de caminhos à escolha.

Mas o que eu gostava ainda mais era que não houvesse tanta necessidade de IPSS ou de voluntários, o que significaria que viveríamos numa sociedade mais equilibrada e, por isso, mais justa.
Mas isso... sou eu a sonhar, que além de céptica, também sou sonhadora.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Selo Da Pretty in Pink



Ok, além de indisciplinada também sou desnaturada! 
Pretty in Pink ofereceu-me este selo quando atingiu 700 seguidores e eu, por ser tão desnaturada, ainda não tinha respondido ao desafio que ele traz em anexo, assim vou fazê-lo agora logo a seguir a agradecer-lhe. 
Obrigada, Pretty in Pink e desculpa o atraso desta blogger desnaturada!

As regras são as seguintes:
1. Dizer 7 factos sobre ti (dos quais 3 são mentira);
2. Desafiar os seguidores a descobrir quais os 3 que são falsos;
3. Fazer um post a denunciar as tuas mentirinhas uns dias depois;
4. Passar o desafio, bem como o selo, a 5 seguidores que consideres merecedores, e a quem queiras agradecer o carinho que têm tido contigo;

Mais uma vez, não vou passar o desafio devido à indisciplina que me caracteriza, mas sintam-se à vontade de o levar!
Os 7 factos sobre mim, dos quais 3 são mentira, são os seguintes:
(Agora é que vamos ver quem me conhece!)

1. Tenho um golfinho tatuado no tornozelo;
2. Tenho 10 primos;
3. A gastronomia que prefiro é a indiana;
4. Fui à Polónia em adolescente sem os meus pais;
5. Trabalhei na Bélgica durante 3 meses;
6. A experiência mais radical que tive foi saltar de pára-quedas.
7. Não gosto de frutas cristalizadas.


Agora, descubram lá quais são as 3 afirmações falsas!


Daqui a uns dias, digo quem acertou!

Sábado, 26 de Maio de 2012

Prendinha Com Desafio



Dreams do blogue Pensamentos Difusos ofereceu-me este selo que me deixa muito lisonjeada e agradecida. Obrigada, menina!

As regras são as seguintes:
1. Escolher 5/6 blogues recentes, com menos de 200 seguidores para atribuir o mimo;
2. Mostrar o agradecimento a quem o repassou fazendo um link para o seu blogue;
3. Listar quem serão os escolhidos para receber o agrado, com os seus respectivos links e avisar sobre o selo;
4. Partilhar 5 factos aleatórios acerca de mim que ninguém conheça ainda.


Quanto às regras 1 e 3, vou desrespeitá-las. Como já disse num outro desafio, sou indisciplinada, por isso não posso fazer isto tudo direitinho. 


Os 5 factos são os seguintes (acrescentei o "c" aos factos só para acentuar a minha indisciplina. Na realidade, até gosto muito do acordo ortográfico, especialmente se for para os brasileiros usarem!):

- Gosto de me vestir de preto;
- Os meus pés são feios, no entanto acho que têm um quê de "pés de Cristo";
- Desde o cancro que acho que tenho sempre um outro, ou o mesmo, cancro em desenvolvimento numa qualquer parte do corpo, por isso deixei de pesquisar sobre os sintomas que vou sentindo;
- Tenho um nariz muito sensível que dá sinal à mínima ofensa;
- Geralmente, não tenho paciência para conversas de chacha, o que não quer dizer que, de vez em quando, não as tenha. Especializei-me em conversar com algumas pessoas, sem ouvir uma palavra do que dizem.

Finito!

Mães E Filhas- Melhores Amigas?

Na rubrica Ser ou não ser da revista Pais & Filhos, li um artigo de opinião escrito pela jornalista e mãe de dois adolescentes, Sofia Barrocas, sobre Mães & Filhas, que expressa a ideia que as mães e as filhas não podem ser "melhores amigas".
Confesso que fiquei chocada com a imensidão de disparates escritos por esta senhora. Além de discordar com cada palavra por ela teclada, eu, e mais umas quantas pessoas que conheço, somos a prova viva de que as mães e as filhas podem ser "melhores amigas".


Senhora jornalista e mãe de dois adolescentes:
A minha mãe já foi, e ainda vai, comigo para os copos; sabe mais sobre mim do que qualquer outra pessoa (e não apenas por sapiência maternal, mas essencialmente pelas nossas conversas); conheceu todos os namorados que tive (por acaso nem foram muitos, o que a poupou a um desfilar de rapazolas burbulhentos e de voz esganiçada); falamos sobre tudo, inclusivamente de sexo, tanto de uma como da outra; tem plena consciência de todos os disparates de adolescente que fiz (e não foi por isso, que alguma vez deixou de me aconselhar e/ou reprovar alguns deles); para sermos "melhores amigas" nunca precisámos de nos imitarmos mutuamente (ela nunca precisou de vestir os meus vestidinhos de adolescente, nem eu precisei de calçar os sapatos de salto alto dela para sairmos juntas); sempre reprovou os copianços e as cábulas (e não foi por isso que eu deixei de os fazer quando andava para aí virada, ou que não aprendi que era uma estupidez fazê-los, especialmente por ser um insulto à minha inteligência dar a avaliar conhecimentos que não eram meus).

A minha mãe é, e sempre foi, a minha melhor amiga e isso nunca a impediu de ser acima de tudo a minha mãe!

"Misturar fronteiras"? Tenha dó, minha senhora! 
Não se pode ser mãe e amiga em simultâneo? 
"As mães têm a obrigação de não deixar que estes papéis se confundam?" E vão confundir-se porquê? Só se vão confundir se alguma das pessoas (mãe ou filha) pretender ser aquilo que não é! 
Nem eu, nem a minha mãe alguma vez quisemos ser a outra, ou da idade da outra. A minha mãe sempre foi mais velha do que eu 19 anos (ou melhor, nas quase 3 semanas que separam os nossos aniversários, é mais velha apenas 18); nunca me quis roubar namorados, nem eu a ela; nunca entrou em esquemas parvos de adolescentes, nem eu entrei em esquemas parvos de adultos; nunca "alinhou com a filha e as amigas nas suas aventuras para ludibriarem seguranças de bares e discotecas" ou participou "em planos que lhes permitam entrar sem pagar" ou desatou "aos gritinhos histéricos de cada vez que se dá de caras com alguma cara conhecida da televisão ou da música" para parecer cool. (Mas... eu também não!) 

Será este um problema das mães melhores amigas das filhas, e das filhas melhores amigas das mães? Ou será um problema de gente com cabecinhas cheias de ar? É que talvez seja melhor não se "misturarem as fronteiras"...

Resumindo, a senhora jornalista e mãe de dois adolescentes não percebe nada do assunto de que tentou falar, talvez porque não teve a oportunidade de ter uma mãe que fosse também sua amiga, talvez por não ter a oportunidade de ter uns filhos que sejam seus amigos, ou talvez por ambas as razões... 
Infelizmente para si, é o que tenho a dizer!

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Olá!

É só para dizer que ainda estou viva e que voltarei em breve com mais das minhas dúvidas existenciais!
FUJAM!!!
:-))

Sábado, 19 de Maio de 2012

A Prenda

Conhecem algum miúdo que, como prenda pelos seus 8 anos, peça aos colegas um livro de exercícios de matemática do 3º ano?
Não???
Eu conheço! O meu!

Miúdo, se continuares assim, estás tramado estás!

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Depois de Cada Eu Próprio, Virá Sempre Outro Eu Não Tão Próprio (Ou Mais Ainda)

O meu filho está quase a fazer 8 anos. Fogo!!! 8 anos!!!!
E eu que cheguei a pensar que não o iria ver a lavar os dentes sozinho, a ler, a escrever, a ir à escola, a arranjar o pequeno-almoço sem ajuda...
Ele já faz tudo isso e eu tenho estado cá para assistir ao seu crescimento; à conquista gradual pela sua independência; ao seu amadurecimento. 
Estou orgulhosa dele e contente por ainda aqui estar, e a assistir.
Gosto de acompanhar cada passo, cada descoberta, cada conquista, cada "depois de".

Essa história, que nos foi impingida pelos reality shows de "sermos sempre nós próprios" não passa de uma treta!
Nós não somos sempre "nós próprios", nós somos um agora e outro depois. E quem pretender ser eternamente "eu próprio", recusa-se a viver, a evoluir, porque a vida mantém-nos em constante mutação,  numa constante transmutação de "eus".

Eu não sou sempre "eu própria". Hoje, sou uma "eu", amanhã serei outra "eu". Espero continuar assim toda a minha vida, é sinal que vou aprendendo alguma coisa, é sinal que os acontecimentos da vida me vão obrigando a evoluir e a adaptar-me.
Fui umas antes dos acontecimentos mais marcantes da minha vida: a separação dos meus pais, os cavalos, o pai do J., o nascimento do J. o meu cancro, os cancros da minha mãe, o acidente do J. E a partir de cada um deles, passei a ser sempre outra diferente. Fui uma ontem, sou "eu própria" hoje e agora, mas serei outra amanhã (espero!). Só sou "eu própria" agora e o agora está sempre a fugir, portanto estou sempre a deixar de o ser para passar a ser "outra própria".
Não quero com isto dizer que a mudança de "eus" seja sempre de um "eu" menos bom para outro melhor, por vezes, é precisamente o contrário, mas penso que o realmente importante é haver mudança de "eus". Se não as há, é porque já não estamos aqui a fazer nada.

São a todos estes "depois de" e "eus" que quero assistir no meu filho.
Não sei se estarei cá quando ele tiver que fazer a barba todos os dias, talvez já não venha a conhecer os meus netos, ou a conhecer o J. adulto, mas até aqui, eu sei, que conheci imensos J. e encho-me de orgulho, de baba, lágrimas e ranho, de ele ter tido sempre a capacidade de ser INÚMEROS.